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FUTEBOL E EDUCAÇÃO

FUTEBOL E EDUCAÇÃO

O caso do goleiro Bruno é bastante emblemático de acontecimentos que, lamentável e ocasionalmente, surgem no universo dos famosos; apesar de não ser prerrogativa exclusiva do mesmo.

Entendo que alguns desvios de comportamento adquirem mais condições de acontecer em pessoas (algumas) que, muitíssimo rapidamente, passam do anonimato ao estrelismo da fama. Dependendo da rapidez desta metamorfose e de outros aspectos predisponentes, o processo poderá se transformar, não em um ideal de vida, mas em um fardo insustentável.

Aqui no Brasil, como em boa parte do mundo, o esporte – notadamente o futebol – é uma porta de entrada ao hall da fama – pretendido por milhares de candidatos. Todos nós ficamos emocionados com os exemplos de superação de vários fenômenos que; saindo de condições humildes de vida, ingressam no patamar das celebridades.

Claro que descer de um transporte coletivo urbano (busão), e entrar num Porsche Boxster S particular é algo maravilhosamente desejado por todos. O problema (?!) está na abrupta velocidade com que este sonho é materializado; podendo, muitas das vezes, ocasionar perda de identidade (ainda em formação), e outros valores referenciais de vida.

O vertiginoso aumento do saldo-médio bancário traz consigo um batalhão de empresários voltados para cuidar da imagem e dos negócios do novo ídolo. Aos poucos vai ficando cada vez mais difícil deixar sua nova cobertura duplex, localizada em área nobre, para circular na área pobre de sua antiga comunidade; servida pelo busão.

Torna-se imediato o assédio das marias-chuteiras; espécime humano facilmente identificado por características bem definidas: são bem vistosas; possuidoras de exuberantes dotes físicos (muitas vezes de indecifrável DNA); e ávidas para circularem dentro de um Porsche Boxster S – fato que também as transformam em marias-gasolinas.

À medida que os gols (ou as defesas) vão consagrando os nossos heróis; também aumentam as suas cotações na bolsa de valores de todo o mundo. Suas agendas já não lhes pertencem mais; nem eles, tampouco. Muito logo, se transformam em griffe e, se brincarem, viram suco.

A fama não permite descanso! Ela gosta é de badalações e festas; muitas festas. Não faltam amigos e assessores nos lautos banquetes, regados a bebidas finas e sexo grosso; nunca a sorvetes como pretendido pelo profeta Dunga. A isto, o Ricardo Amaral, em seus áureos tempos de rei da noite, batizou como sendo os “prazeres da mucosa”.

Este é o ponto crucial! Saber conviver e administrar o novo estilo de vida irá exigir do novo deus uma sólida estrutura interior, até agora somente determinada por dois fundamentais pilares de sustentação: família e educação.

Olhando assim, e retornando ao lamentável caso Bruno, somos todos responsáveis no sentido de encontrarmos mecanismos que evitem o surgimento de novos (e trágicos) desvios de rota. Sobre o tema, achei muito feliz a leitura feita pelo senador e professor Cristovam Buarque quando cita em seu Twitterhttp://twitter.com/Sen_Cristovam: “Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo no futebol e ficou triste! É o 85º em educação e não há tristeza”.

No capítulo família, o goleiro Bruno parece que já entrou em campo um pouco derrotado. As manchetes dizem que foi abandonado pela mãe aos dois anos de idade. No quesito educação, desconheço o seu grau de escolaridade; ou melhor, desconheço o conteúdo assimilado.

Como cidadão, sinto-me desconfortável e em débito com o fato de ainda não havermos encontrado mecanismos sociais eficientes que minimizem alguns fatores de risco aqui comentados. Tomara que os nossos candidatos, quando eleitos, implementem ações neste sentido.

Sendo o esporte sinônimo de saúde, acredito que um bom caminho seria fazer com que os clubes investissem mais na sanidade de seus atletas, incluindo aí um fortíssimo e competente acompanhamento psicológico.

Somente pela via da educação é que poderemos – jogadores e torcedores – recuperar o título de melhor futebol do mundo. Até lá, ficaremos sem entender qual o tipo de oração que o Bruno faz (fazia?!), de joelhos e braços abertos, antes do início de cada partida.

Palavra de torcedor/eleitor!

CD Ricardo Lombardi de Farias


10 Respostas to “FUTEBOL E EDUCAÇÃO”


  1. Avatar de Diego Fifueiredo Nóbrega (Chibata San) 1 Diego Fifueiredo Nóbrega (Chibata San)
    08/07/2010 às 23:26

    Grande professor Lombardi, mais uma vez vc foi muito feliz em seu comentário. Esta reflexão traz a tona não só um desvio de personalidade, um crime, mas a completa falta de cuidado para com o ser humano, a privação da família, da educação e de outras tantas coisa tão necessárias na formação de um indivíduo.
    Esse texto é digno de página de esportes, parabéns! Se o Estadão lhe descobre os colunistas ficariam todos preocupados!

  2. 09/07/2010 às 09:21

    Caro amigo Diego: seus comentários são sensatos e bem pertinentes. Para mim, isso não é surpresa, pois acho você “coisa fina e ficha limpa”. Além de atleta, você sempre demonstrou ser um agente proliferador do BEM! Continue sempre assim, levando Amor e Ética por onde andar. Agradeço as palavras de incentivo – o Estadão que se cuide (risadas). Bjus, RL

  3. Avatar de Dayane Gonsalo Furtado 3 Dayane Gonsalo Furtado
    09/07/2010 às 15:11

    Olá professor, gostei muito da foma como vc abordou este assunto. O ser humano é realmente muito complexo e com certeza, como vc mesmo escreveu sabiamente, ficaremos sem entender qual o tipo de oração que o Bruno faz (fazia?!), de joelhos e braços abertos, antes do início de cada partida.Que o Deus da Graça tenha misericórdia da vida dele.

    Espero que o Estadão não descubra o seu talento, pois não quero perder o meu dentista.

    Parabéns

  4. 09/07/2010 às 19:11

    Querida Dayaninha: agradeço e associo-me ao seu belo comentário. Também entendo que as orações carecem muito mais de Fé, do que de visibilidade cênica. Tenho certeza que o goleiro Bruno – e todos que enfrentam tormentos – saberão reconhecer a importância de colocar / em definitivo / o AMOR e o BEM em seus corações; basta seguirem o projeto de Deus. Você, para mim, é prova inconteste do quanto isto é belo e possível de ser conquistado. Jamais trocaria o Estadão pelo prazer de sua companhia (risadas). Bjus, RL

  5. Avatar de Clarissa Correia Lima Loureiro 5 Clarissa Correia Lima Loureiro
    10/07/2010 às 00:19

    Dr. Lombardi!
    Talentoso escritor. Concordo com o senhor plenamente em algumas opiniões, mas posso discordar em outras opiniões suas?
    Acho o caso Bruno repugnante.
    Mas o que não concordo com o senhor é sobre o desvio de comportamento devido ao estrelismo vindo com uma alta velocidade, que causa esse tipo de problema.
    O tipo de coisa que o Bruno fez não é ocasional, é raro! Um ato de crueldade desse tipo no meio dos famosos eu não me lembro de ter visto jamais em minha vida. Torturar, matar, esquartejar, dar aos cachorros e depois concretar os ossos… Nem no pior filme de terror não encontrei maior absurdo.
    O Bruno já fazia esse tipo de coisa antes de vir ao estrelismo, e o que aconteceu não foi desvio de conduta, foi continuação de conduta. Que foi descoberto apenas por ser ele uma pessoa pública.
    O esforço dos delegados e investigação minunciosa só está sendo feita por causa da divulgação do caso pela imprensa. Agora é que foi descoberto vários outros crimes perversos que o Bruno já havia cometido e não foi preso.
    Realmente a educação brasileira precisa melhorar e muito. Concordo plenamente que antes de serem ídolos, esses famosos precisariam passar por acompanhamentos de psicólogos. Poderia até sugerir que tivessem sua ficha processual limpa, antes de poder se tornar famoso, seja atleta, atores, apresentadores, etc.
    Nós somos responsáveis como cidadãos com a educação deste país. Admiro o senhor fazer sua parte, escrevendo tão bem para tantas pessoas seu respeitoso ponto de vista. Vejo como bons conselhos todos os seus textos.
    Mas não posso deixar de notar na universidade, ensino médio e fundamental, que melhoraram nos últimos anos. Falta muito ainda, mas ainda tenho esperanças, que menos Brunos existirão no nosso querido Brasil do melhor futebol 🙂

    • 10/07/2010 às 10:07

      Querida Clarissa: adorei seus comentários. Neles, observo a existência de muito mais pontos de concordância do que discordância. O “acidente” quando acontece com famosos, claro, ganha imensa notoriedade: O.J.Simpson; Sharon Tate/Charles Manson; Myke Tyson; Daniella Perez; Doca Steet; John Lennon; Roman Polansky, e muitos outros exemplos a serem esquecidos. A “fama” não é condição “sine qua non” para gerar atrocidades. Apenas acentua a nossa repugnância em constatar os desmantelos causados por “ídolos” em um país jovem, de múltiplas realidades, e que luta para acertar o seu caminho vocacional para o BEM. Claro que “com famosos/$$” o poder avassalador da mídia (caso Nardoni) mexe com todos nós, inclusive comigo e com você. O que não podemos é ficar passivos aos horrores noticiados no dia-a-dia; independente da camada social em que se verifique. Outro importante ponto, é que este caso-Bruno VEIO A TONA! Me causa arrepios na alma imaginar quantos “casos-Brunos” são praticados sem nunca haverem sido descobertos/meu Deus! Finalizo, destacando uma frase do “anônimo” José Datrino (profeta Gentileza): GENTILEZA GERA GENTILEZA! Sigamos juntos por este caminho, de olhos (bem) atentos, claro. Bjus, RL

  6. Avatar de Maria do Socorro 7 Maria do Socorro
    13/07/2010 às 12:06

    Querido professor,
    Assino em baixo de tudo que falou.(Muitíssimo bem falado!!!)
    Beijos!

  7. Avatar de Penha Vaz 9 Penha Vaz
    20/07/2010 às 17:25

    Caro amigo, parabens por mais este dom de escritor que Deus te deu.Concordo com voce.Estas monstruosidades estão acontecendo porque estas pessoas se esqueceram de Deus.Sinto pena e peço a misericordiade Deus para com elas.


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