Arquivo para 7 de julho de 2010

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FUTEBOL E EDUCAÇÃO

FUTEBOL E EDUCAÇÃO

O caso do goleiro Bruno é bastante emblemático de acontecimentos que, lamentável e ocasionalmente, surgem no universo dos famosos; apesar de não ser prerrogativa exclusiva do mesmo.

Entendo que alguns desvios de comportamento adquirem mais condições de acontecer em pessoas (algumas) que, muitíssimo rapidamente, passam do anonimato ao estrelismo da fama. Dependendo da rapidez desta metamorfose e de outros aspectos predisponentes, o processo poderá se transformar, não em um ideal de vida, mas em um fardo insustentável.

Aqui no Brasil, como em boa parte do mundo, o esporte – notadamente o futebol – é uma porta de entrada ao hall da fama – pretendido por milhares de candidatos. Todos nós ficamos emocionados com os exemplos de superação de vários fenômenos que; saindo de condições humildes de vida, ingressam no patamar das celebridades.

Claro que descer de um transporte coletivo urbano (busão), e entrar num Porsche Boxster S particular é algo maravilhosamente desejado por todos. O problema (?!) está na abrupta velocidade com que este sonho é materializado; podendo, muitas das vezes, ocasionar perda de identidade (ainda em formação), e outros valores referenciais de vida.

O vertiginoso aumento do saldo-médio bancário traz consigo um batalhão de empresários voltados para cuidar da imagem e dos negócios do novo ídolo. Aos poucos vai ficando cada vez mais difícil deixar sua nova cobertura duplex, localizada em área nobre, para circular na área pobre de sua antiga comunidade; servida pelo busão.

Torna-se imediato o assédio das marias-chuteiras; espécime humano facilmente identificado por características bem definidas: são bem vistosas; possuidoras de exuberantes dotes físicos (muitas vezes de indecifrável DNA); e ávidas para circularem dentro de um Porsche Boxster S – fato que também as transformam em marias-gasolinas.

À medida que os gols (ou as defesas) vão consagrando os nossos heróis; também aumentam as suas cotações na bolsa de valores de todo o mundo. Suas agendas já não lhes pertencem mais; nem eles, tampouco. Muito logo, se transformam em griffe e, se brincarem, viram suco.

A fama não permite descanso! Ela gosta é de badalações e festas; muitas festas. Não faltam amigos e assessores nos lautos banquetes, regados a bebidas finas e sexo grosso; nunca a sorvetes como pretendido pelo profeta Dunga. A isto, o Ricardo Amaral, em seus áureos tempos de rei da noite, batizou como sendo os “prazeres da mucosa”.

Este é o ponto crucial! Saber conviver e administrar o novo estilo de vida irá exigir do novo deus uma sólida estrutura interior, até agora somente determinada por dois fundamentais pilares de sustentação: família e educação.

Olhando assim, e retornando ao lamentável caso Bruno, somos todos responsáveis no sentido de encontrarmos mecanismos que evitem o surgimento de novos (e trágicos) desvios de rota. Sobre o tema, achei muito feliz a leitura feita pelo senador e professor Cristovam Buarque quando cita em seu Twitterhttp://twitter.com/Sen_Cristovam: “Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo no futebol e ficou triste! É o 85º em educação e não há tristeza”.

No capítulo família, o goleiro Bruno parece que já entrou em campo um pouco derrotado. As manchetes dizem que foi abandonado pela mãe aos dois anos de idade. No quesito educação, desconheço o seu grau de escolaridade; ou melhor, desconheço o conteúdo assimilado.

Como cidadão, sinto-me desconfortável e em débito com o fato de ainda não havermos encontrado mecanismos sociais eficientes que minimizem alguns fatores de risco aqui comentados. Tomara que os nossos candidatos, quando eleitos, implementem ações neste sentido.

Sendo o esporte sinônimo de saúde, acredito que um bom caminho seria fazer com que os clubes investissem mais na sanidade de seus atletas, incluindo aí um fortíssimo e competente acompanhamento psicológico.

Somente pela via da educação é que poderemos – jogadores e torcedores – recuperar o título de melhor futebol do mundo. Até lá, ficaremos sem entender qual o tipo de oração que o Bruno faz (fazia?!), de joelhos e braços abertos, antes do início de cada partida.

Palavra de torcedor/eleitor!

CD Ricardo Lombardi de Farias