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– ATÉ TALVEZ, ATÉ QUEM SABE…

 

– ATÉ TALVEZ, ATÉ QUEM SABE…

RL TEXTO 40

Acabo de voltar de um maravilhoso final de semana comemorativo aos 40 anos de formatura da minha turma de graduação – Odontologia, 1975 / UFPB.

Desta feita, o prazer de abraçar colegas e familiares aconteceu dentro de um paraíso chamado Pousada Aruanã – http://www.aruanapousada.com.br/

Dos 56 ‘formandos’, conseguimos reunir 26. O número é fantástico!

Principalmente, se contabilizarmos as quatro décadas de estrada; a dimensão geográfica do Brasil; as cinco baixas já sofridas; e o ‘não desejo’ em querer participar de encontros desta natureza, manifestado [via silêncio] por aproximadamente uma dezena de colegas.

Já em casa, com as malas desfeitas e o cheiro de saudade no ar, sento-me ao computador e busco fazer algo impossível: arrumar palavras que traduzam a dimensão do encontro.

Mais ousadia ainda é pretender que um simples texto leve aos colegas e amigos – presentes e ausentes – um pouco das emoções vivenciadas.

Vou tentar…

Começo percorrendo os modestos ambientes e as precárias instalações que, dispostas no terreno em forma de ‘L’, abraçavam a igreja de Lourdes; possibilitando-nos o ‘ir e vir’ entre (as ruas) Trincheiras e João Machado.

A proximidade com a capela permitia a todos uma espécie de bonificação celestial. Refiro-me a suave sonoridade do ângelus da tarde que servia de sinal para que compressores e canetas de alta-rotação fossem desligados: “- por hoje, chega! Pode cuspir e evite morder deste lado”. Amém!

Logo percebemos que as carências físicas e funcionais dos ambientes, eram superadas pela abnegação de queridos mestres que – via transmissão de conhecimentos e técnicas – souberam manter acesas (até hoje) as lamparinas do encanto pela ciência de Pierre Fauchard. A estes, o nosso eterno ‘muito obrigado’.

TRINCHEIRAS OK

O mundo girava mais devagar…

Entramos na faculdade e fizemos todo o curso (71/75) com o país sendo governado pelos militares. Por onde circulávamos, havia sempre um recado: ‘Brasil, ame-o ou deixe-o’. Como um filho teu não foge à luta… toda a nossa turma, felizmente, resolveu ficar! E foi muito bom, pois nos conhecemos melhor.

Durante todo o período do curso, logo percebemos que os cheiros fortes de eugenóis e ionômeros eram mais toleráveis que os napalms pulverizados no distante Vietnam. Como antídoto a tudo isso, ensaiávamos cantarolar power to the people; ou mesmo pra não dizer que não falei de flores enquanto esculpíamos bocas voltadas ‘preferencialmente’ para sorrir.

E risadas, nós demos muitas! Principalmente quando folheávamos o Pasquim. Sabíamos bem, enquanto acadêmicos de odontologia, a importância de um sorriso.

Finalmente, chegou 1975! E foi sorrindo que recebemos a notícia do fim da guerra no Vietnam. Ou melhor, gargalhando… pelo reconhecimento do lado vitorioso. Agora… eugenóis e ionômeros eram fragrâncias. Agora… o ângelus era bem mais ouvido; os compressores foram desligados… pois já estávamos – concentrados e bonitos – dentro da igreja do Carmo, parceira de Lourdes, para a missa de formatura. Uau!

Depois da colação de grau, nos despedimos. Cada um foi em busca da realização de seus sonhos. Parece que conseguimos… a julgar pela felicidade dos nossos encontros…agora com filhos/as e netos/as.

O mundo gira mais ligeiro… […ou eu fiquei mais vagaroso].

Continuo professor de odontologia em nossa UFPB – pelo menos por mais alguns poucos anos. Gosto muito do meu ofício. Gosto de estar em salas de aula; de conversar e aprender com meus jovens alunos… principalmente quando ficam ‘atacados’ com as despe$a$ para as suas festas de formatura. Alguns, já formados, curtem – via fotos nas redes sociais – as nossas comemorações ‘com mais de uma década de formados’. Para eles, este feito é quase milagre.

Sorrindo, respondo-lhes: “- É não, meus queridos. É muito fácil. Basta olhar para os céus e agradecer a Deus pelas bênçãos recebidas… sem jamais esquecer de cantar a Canção da América”. [amigo é coisa pra se guardar…]

QUE VENHA LOGO 50 ANOS!

[parece difícil?! que nada… já somos eternos!]

CD Ricardo Lombardi

 

CE COLETIVO ALUNOSSentido E>D/ fila superior: Ricardo Lombardi, José Roberto, Francivaldo, Delfino, Luis Almeida, Jesus, Luismar, Ronaldo Campelo. Fila do meio: Nevinha, Graça Paiva, Amazile, Leninha, Socorro (Help), Chico, Rosinha de Firmino, Luiza, Liège, Fátima. Fila de baixo: Elenilda, Penha Barros, Dilma Ellen, Ana Borges (adotada pela turma), Socorro Aragão, Edna Cristina, Maria Carmen (Kay), Socorro Guedes (Socha).


2 Respostas to “– ATÉ TALVEZ, ATÉ QUEM SABE…”


  1. Avatar de Ligia Miranda Ribeiro 1 Ligia Miranda Ribeiro
    25/11/2015 às 16:48

    Espetacular parabéns pelo lindo texto, as palavras saídas do coração são sempre assim marcam para sempre. Grande abraço e minha eterna admiração por saber agregar e cultivar amigos.Abraços de Jesus e Lígia.

    • 29/11/2015 às 19:56

      Queridos, Lígia e Jesus: o maior sucesso deste e de todos os nossos encontros, é garantido pela qualidade das nossas amizades, bem como o reconhecimento de termos no comando o nosso Deus. Foi pelo Seu desejo que nos conhecemos e, também por Ele, nos mantemos na estrada da vida. A isto, chamamos Bênção. Obrigado pela generosidade dos comentários sobre o texto. Foi muito bom estarmos juntos.
      Beijos, RL


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