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e por falar em vandalismo…

e por falar em vandalismonas ruas

 

Governadores e prefeitos das principais cidades onde as manifestações do ‘Muda Brasil’ foram mais espetaculosas, estão hoje, via meios de comunicação, dando explicações à população sobre os movimentos de rua que tomaram conta do país.

Nas suas prestações de contas, houve o reconhecimento do direito às liberdades das manifestações democráticas, mas o foco principal restringiu-se a contabilizar e discorrer sobre os prejuízos materiais causados pela ‘fração bandida’ infiltrada nas passeatas.

Ora, ora, ora! Penso que ficou faltando nesta abordagem, uma leitura ‘política’ que abrace e interprete os legítimos anseios da população – manifestados pacificamente pela quase totalidade dos participantes, através de palavras de ordem proferidas e/ou conduzidas em milhares de faixas e cartazes. Isto sim, ficou bonito de ser visto!

A pequeníssima ‘fração bandida’ infiltrada nos movimentos é, tão somente, o reflexo daquilo que somos e estamos vivenciando enquanto sociedade, com a mais absoluta inversão de valores.

Há bastante tempo, o colossal universo de pessoas ‘do bem’ deste Brasil, encontra-se refém de uma minoria ‘do mal’. Assaltos, estupros, sequestros, assassinatos, balas-perdidas, são palavras que, pela rotina com que são usadas, ilustram a nossa triste realidade.

Hoje, o nosso direito de ir e vir clama por proteção divina! No plano terrestre, faz tempo, os serviços de segurança mostram-se inseguros.

Nos itens Transporte e Educação, a barbárie é a mesma: ônibus despencam de viadutos por conta de desentendimentos entre passageiros e motoristas; enquanto professores apanham e/ou batem em alunos do (des)ensino médio.

Ficar doente é desesperador! Não apenas pelo mal em si, mas pelo que nos espera na rede pública de assistência à saúde – com raras e honrosas exceções.

Dentistas passaram a ser queimados vivos, sem anestesia, pelo fato de andarem com pouco dinheiro nos bolsos.

É contra isso, e muito mais que isso, que fomos às ruas.

É curioso como as grotescas demonstrações de selvageria vistas nas recentes passeatas -e praticadas por indivíduos atípicos às mesmas- tenham nos permitido maiores intimidades com um verbo nunca dantes conjugado: ‘vandalizar’.

No sentido de melhor compreendermos a origem deste verbo [e dos vocábulos originados ao seu entorno] em sua relação com o nosso mais puro instinto predador, permito-me fazer uso da seguinte analogia:

  • Imaginemos que uma determinada passeata fosse exclusivamente composta de políticos brasileiros. Uau!
  • Certamente que a grande maioria dos participantes seria formada por políticos ‘do bem’ (sim, estou explorando o meu lado ‘velhinha de Taubaté’).
  • Mais do que certamente, logo surgiria a ‘fração bandida’ – nenhuma surpresa, não é?! Neste universo, a vandalização seria puramente previsível!
  • Na sequencia dessa marcha classista e polipartidária, logo esses representantes ‘do mal’ praticariam atos de vandalismo político que comprometeriam o lado bom da passeata, e principalmente da sociedade que está cansada de ficar observando.
  • Em sentido nada figurado, é mais ou menos isso, senhora presidente, o que ora vivenciamos com as presenças no cenário de:  Felicianos;  Renans; Sarneys; Malufs; Dirceus; mensaleiros;…êta nós… a lista é imensa!
  • Para o ‘lado bom’ da sociedade brasileira, a simples presença dessas personalidades na cena política e na ‘governabilidade’ do país, tem o mesmo efeito de uma pedrada atirada contra um dos nossos mais valiosos instrumentos de mudança: o título de eleitor.

Nosso momento é histórico!

A hora é muito favorável para DESVANDALIZAR o BRASIL!

CD Ricardo Lombardi


10 Respostas to “e por falar em vandalismo…”


  1. Avatar de Wilton Padilha 1 Wilton Padilha
    23/06/2013 às 06:38

    Grande Lombardi, vi sua crônica e fiquei pensando. Tenho uma crítica. Creio que nós, na nossa idade não podemos nos dar o luxo de sermos “genéricos”. Falar de problemas pontuais reais e apontar soluções tão longinquas que parecem mágicas e irreais. Não fica bem atirar no macro sem olhar o micro. Olhando bem para as diferenças entre micro e macro até parece coisa de golpista, de articular contra a mudança. Em 11/2012, por 9 votos a Câmara não derrubou um PL que confirmou o NÃO envio dos recursos do petróleo para a educação. Foi por muito pouco. Deputados escolhidos por nós! Perdemos, mas colo eles votaram? Sabemos? Vivemos um momento especial, tenso por conta das mudanças em curso e muitas das manifestações em curso se referem claramente à privilégios (ato médico x contratação de médicos estrangeiros). Creio que nós temos a obrigação de ajudar no foco, e neste caso no micro. Me refiro ao voto no micro. Síndico, Presidente da ABO, do CRO, do CFO, do Centro Acadêmico. E a ações no meu lugar. Cadê a auditoria das contas da gestão Polari? Cadê? Cade as opções progressistas para a Paraíba. Para não falar de Ficha Limpa! Podemos apontar isto?
    Abraço.

    • 23/06/2013 às 11:30

      Grande PADILHA (gosto da ‘sonoridade latina’ do seu nome – lembra Emiliano ZAPATA, etc…[risos]). Primeiro, quero fazer o registro da honra e satisfação de poder ‘teclar’ com você neste discretíssimo blog. Ainda mais sobre um tema ‘político’. Conheço (e aplaudo) a sua performance neste campo. Mas…vamos lá: fico solidário com a importância de identificarmos e diferenciarmos, no contexto, aquilo que é ‘micro’, daquilo que é ‘macro’. Perfeito! Na esfera do ‘micro’, entendo que atitudes & votos devam fazer parte da ‘natureza cidadã’ de cada um de nós: em casa, no elevador, no bairro, no trabalho, etc…É exercício permanente. Não cansa, pois está intrínseco à nossa formação ética, moral, e intelectual. Já com respeito ao ‘macro’, a coisa complica. Vejamos, como exemplo, Lula! Para vencer as eleições/2002, teve de compor com ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’. Acontece que HOJE (assim eu penso), a Dilma deve sofrer para tomar algumas decisões, na medida em que elas podem vir a contrariar alguns ‘nichos partidários’. Resumindo: a famosa ‘base de sustentação’, muitas vez é ‘base de sufocação’ [no ‘micro’, será que não podemos também fazer essa leitura para a nossa UFPB?!]. Ainda MACROmetricamente falando: por que não sai a tão sonhada ‘reforma política’?! Ou melhor: o que esperar de uma reforma feita ‘interna corporis’?! Cadê a ‘nossa’ UNE?! Alguém duvida que, neste exato momento em que estamos comendo pamonha, muitos políticos já não estejam ‘definindo’ qual será o nome ‘partidário’ para governar SP?! E que também as ‘gentis permutas’ já começam a valer neste período de entressafra?! Faz tempo que é assim: um excelente prefeito logo pensa em ser um (mediano) governador; depois um (medíocre) senador; depois introduzir o filho ‘ungido’ na política, etc… Sobre isso, estou, enquanto a reforma política não acontece, vendo com simpatia a proposta M2M do publicitário Jorge Maranhão (nenhum parentesco/kkk) / http://bit.ly/19B5hEs \. Outro ponto de concordância contigo: a nossa idade!/Putz! Pelo que já rodamos, fica inevitável respirarmos mais o ‘genérico’. E acho importante passarmos esse recado para os mais jovens. Eles possuem a força física e saberão identificar, via genérico, o ‘específico’; o ‘pontual’. O que hoje começa a acontecer -Nas Ruas- é prova disto! Sigamos juntos, meu caro Zapata! (sem jamais perdermos a ternura!) Abração/ RL

  2. Avatar de Ivanilde Moureira 3 Ivanilde Moureira
    24/06/2013 às 12:16

    Como sempre textos de alto nivel e que nos fazem refletir muito!
    Parabenssssssssssss

  3. Avatar de Wilton Padilha 4 Wilton Padilha
    08/07/2013 às 04:26

    Grande Lombardi! Por favor me desculpe pela demora em responder. Acho que você captou direitinho minha preocupação.

    Quis realmente dizer que muitos FAZEM no micro aquilo que condenam no macro.

    Seguindo seu exemplo, teria a Profa. Margareth vencido a eleição sem o apoio de outros grupos políticos? Não sei dizer, mas é do jogo o aliar para vencer, e ao mesmo tempo em que permite a coesão social precisa construir um meio termo que represente todos os envolvidos.

    Este é o jogo que é jogado agora, chama-se democracia representativa. Difere do bipartidarismo da ditadura. O Lula joga o jogo como poucos, e, se fosse ele um político conservador não teríamos o PIG em cima dele (e da Dilma) em tempo integral.

    Quem estava em 82 no Rio de Janeiro não pode ter dúvidas do interesse no poder e do modo de jogar da imprensa de golpista. Ela desinforma, mente e rouba.

    Quem está se movimentando no macro, sem ter referência no micro tem grandes chances de ser manipulado por estes interesses reacionários. Vi pessoas muito bacanas postando pedidos para a tropa de choque remover os congressistas do congresso. Bacana, engraçado? Golpe?

    Mas eles não foram eleitos? Se eles são tão ruins, porque votam neles? Será que o poder é do “povo” apenas quando coincidir com meus interesses? Para o PIG o que interessa é estar no poder, democracia só se for assim.

    E aí é que creio que nossas leituras se separam. Não acho que o “gigante acordou” (não tenho nada contra um Johnny Walker). Sei que tem muita gente lutando para que as coisas melhorem no Brasil e que não estão nas ruas, para mim, as pessoas que “”acordaram” querem é que a mudança seja mais rápida ainda. A questão é que nas ruas também estão as pessoas que querem deter a mudança.

    Eu acho a Dilma uma grande Presidente. Tenho clareza dos interesses políticos que derrotamos para chegar lá. Nos propusemos a mudar o Brasil e estamos fazendo isto. E para MUITO melhor. E democraticamente. Não acho que tenhamos hoje proposta melhor para a condução das mudanças neste país. São grandes as mudanças atuais no Brasil, e não são mais e maiores porque acontecem na democracia.

    Veja, por exemplo, alguma dúvida de que grande parte destas manifestações se sustenta na crítica ao sistema político partidário e a ausência de representação? Bem, aí a Presidente convoca a população para discutir mudanças no sistema político. E o que acontece? A oposição, o PIG e parte da base aliada tratam de inviabilizar. Não apresentam alternativa. Todas as falas se dirigem a derrubar a proposta vinda da Presidente. Acho que isto mostra bem o que movia uma grande parte dos manifestantes era o oportunismo político.

    E, o que eu queria dizer mesmo, que se olharmos no micro, sabemos quais as intenções daqueles que estão protestando no macro.

    Você pergunta pela UNE e eu pergunto cadê o CA da Odonto?

    Acho que para nós, estas são as perguntas que temos que fazer.

    Grande Abraço!

    • 08/07/2013 às 15:58

      Olá PADILHA: pela demora, pensei que o assunto havia sido terminado. Parece que não, até porque observo alguns ‘pontos’ que -felizmente- não houve concordância entre nós. Vamos a eles:
      a) não me sinto capacitado a lhe responder se a professora Margareth, para vencer as eleições, TEVE QUE SE ALIAR a grupos pelos quais ela NÃO mantinha convergência ideológica. Prefiro continuar acreditando que NÃO! Penso até que o ‘momento/UFPB’ estava ansioso pelas mudanças que ela soube defender com maestria em sua campanha. b) “jogo político”- sei que ele existe, e sei que as ruas estão gritando contra essa imoralidade. Vou pegar carona nesta sua expressão (jogo político) e trazer junto uma outra: o PIG. Não sei o porquê, mas, ao juntá-las, logo me vem à lembrança o ‘POW’ que calou para sempre o Celso Daniel. A causa mortis não me parece ter sido oriunda de nenhum PIG, mas sim das tenebrosas transações que alimentam esse tal ‘jogo político’. c) é triste perceber que todas as vezes que a IMPRENSA evidencia algumas dessas ‘tenebrosas transações’, logo surge uma contra-ordem no sentido de ‘abafar’ o ocorrido; inclusive com o inaceitável argumento: -“ora bolas, mas isso sempre foi assim. Por que somente agora querem ‘consertar’ esse país?!”. Com a palavra…DILMA, meu caro amigo! Mas ela NÃO PODE, não é?! Porque senão o ‘jogo político’ teria apito final! d) sim, avançamos um bocado! Mas isso não deveria ser visto como ‘algo extraordinário’, mas sim como ‘algo previsível’ de acontecer. A pergunta é: o quanto teríamos avançado SEM as amarras do ‘jogo político’?! Onde será que estaríamos com o mensalão JÁ resolvido?! Com as milhares de obras sendo licitadas (e executadas) de formas idôneas?! Sem governador indo trabalhar de helicópteroi?! Sem a necessidade de plebiscito para uma reforma política que HÁ ANOS não decola…talvez esperando os aviões da FAB aterrissarem de outros ‘serviços’?! A lista é grande…e não é a ‘imprensa chapa branca’ que vai sinalizar esses FATOS. e) Sobre o(s) nosso(s) CA(s) da(s) Odonto(s): infelizmente perderam o ‘referencial UNE’ – também fagocitada pelo voraz ‘jogo político’, não é professor?!
      Finalizando: Não sei dizer se a Dilma está fazendo um bom governo OU se ela está fazendo o melhor que lhe é permitido fazer. Ela, sabemos e concordamos, veio pelo ‘experiente Lula’ que [frente ao inviável Zé Dirceu] teve que catapultá-la da esfera ‘técnica’, para o universo ‘político’: ao lado de Temer; de Renan; de Sarney; de Collor; de Maluf; etc… [é jogo brabo]
      Por último: não tenho partido, sou inteiro pelo Brasil!

      • Avatar de Wilton Padilha 6 Wilton Padilha
        11/07/2013 às 06:14

        Lombardi, desculpe mais uma vez. E eu demorei para responder por absoluta impossibilidade, mas fiquei sempre pensando na continuidade. Agradeço e respeito a oportunidade. Não é sempre que se pode debater assim.
        Vou pelos tópicos…
        A Prof Margareth fez muitas alianças e a questão NÃO é se havia convergência ideológica. A questão é que o sistema de representação exige a construção de uma maioria (de ideias compartilhadas ou no concreto e objetivo, votos). Sua opção por não acreditar que não, complica muito a compreensão. Põe o real no mágico.
        O jogo político que acusas de imoral é lógico, racional e é a base da democracia. Seguir a vontade da maioria. É claro que podemos ser contra, mas precisamos explorar eticamente a atitude de ser contra. Eu acho imoral a ditadura ou o governo de uma elite. Defendo a participação plena, a cidadania plena. E tenho que aprender a lidar com isto.
        Se citas Celso Daniel, posso falar de “Brasil nunca mais”. Não avança.
        Também acho que precisamos aprofundar a reflexão. É fácil perceber que não existe UMA imprensa. E que uma parte dela é, de modo muito interessante denominada de PIG, pela própria imprensa. Não pode ser uma. Do mesmo modo podemos acreditar que “ser inteiro pelo Brasil” precisa implicar em reconhecer todos os “Brasis” possíveis. Ser inteiro por um único Brasil (o meu) é um risco grande. Posso estar errado, pode não ser o melhor, enfim, sou humano.
        Acho também que listar erros não contribui, não preciso ser convencido de que mudanças precisam acontecer mais e mais rápido do que os Governos de Lula e Dilma conseguem avançar.
        Sem as amarras do “jogo político” temos a ditadura. Para mim, a política é a mediação dos interesses e a ditadura é a imposição dos interesses. Dilma fez uma proposta concreta para rediscutirmos a regra do jogo. Parece-me bem democrático. Porque não avança?
        E eu não tenho dúvidas que Dilma faz um governo de mudanças. Lembro bem como era o Brasil antes dela. E do Lula, claro…

  4. 11/07/2013 às 08:26

    [em Sampa] oi, PADILHA: parece que o nosso papo entrou numa ‘rosca sem fim’. O bonito desta Vida é podermos observar que, muitas vezes, aquilo que hoje CONCORDAMOS, apresenta-se, no futuro, como algo extremamente desprovido de lógica. Ponto comum nisso tudo, é o nosso desejo de querermos um Brasil soberano, íntegro, ético. Ponto discordante -e aí nos separamos- é a forma como cada um de nós enxerga a eficácia deste modelo político ora vigente. Somente a História será capaz de fazer este julgamento (perceba que estou excluindo até os prefeitos do Brasil desta competência).
    Último registro: hoje, 11/7, a UNE(!?), a CUT(!?), e outras centrais sindicais estarão NAS RUAS. Quem é o responsável por essa articulação?! Qual o objetivo maior e não declarado?!

    • Avatar de Wilton Padilha 8 Wilton Padilha
      11/07/2013 às 15:04

      Olá Lombardi. Acho mesmo que a conversa ficou do tipo “quem viver verá”. Os argumentos estão aí e as escolhas também. Mas pergunto, o Brasil que queremos, soberano, íntegro, ético, é também Brasil DEMOCRÁTICO? Quando tem UNE, CUT e o escambau na rua, sempre é bom saber.

      • 11/07/2013 às 21:23

        [ainda Sampa] oi, Padilha/ nossa natureza nos permite afirmar: “enquanto vivos, busquemos ver”. Somos um país jovem, com uma democracia pré-púbere. Erros e acertos foram (e estão) sendo verificados nessa trajetória de 513 anos. O tempo das ‘coisas medonhas’ ficou para trás. Hoje somos LIVRES e com vocação maior para o acerto – condições que não foram ‘recebidas de presente’, mas conquistadas no coletivo; no plural. Sem mordaças. Muito menos cabrestos. Vamos em frente! Preferencialmente, eliminando os erros – de onde brotarem!

  5. Avatar de Wilton Padilha 10 Wilton Padilha
    12/07/2013 às 11:36

    Legal Lombardi, continuemos então a avançar na construção desta Democracia com cara de Brasil.. Grande Abraço.


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