“O mineiro só é solidário no câncer”
De uns tempos para cá, tenho mergulhado na frase de Otto Lara Resende no sentido de melhor absorve-la; principalmente em sua acepção sociopatológica e regional.
E fiz por onde! Cheguei até a colocar pão de queijo e queijo de Minas sobre a mesa, para degustar ao som de Milton.
Nesse trem bão, começaram a chegar muitos dos amigos mineiros. Vi sentar à mesa, o querido Carlinhos Cajuru, puxei cadeiras para Sérgio e Cláudia Penido, acomodei o Arnaldo Garrocho, dei risadas com a terna e eterna ‘neguinha’ Conceição Canuto, além de muitos outros trazidos pela doce lembrança. Saudade dôcês, sô!
Já no clima das Gerais – preso a canções / entregue a paixões / que nunca tiveram fim – chego à primeira conclusão sobre a frase do grande Otto: ela é totalmente inconsistente quando tenta atribuir ao mineiro, a pecha de somente ser solidário em casos extremos. Nunca!…gritou em uníssono o meu ‘Clube da Esquina’ privé. Fui junto!
Um outro ponto de defasagem na frase do Otto, é atribuir ao câncer, um acontecimento extremo; muito menos terminal. Nada disso – assim nos ensina a prudência mineira.
Claro que a chegada de qualquer neoplasia malígna causa um gigantesco desconforto ao seu hospedeiro, estendido sem dó a todos os seus familiares. Mesmo assim, ou talvez por ser assim, é admirável o crescimento dos dois F’s (efes) nas pessoas mais diretamente envolvidas: Fé e Força!
Pensemos: o câncer, hoje, é assunto rotineiro e familiar. É lícito pensar que a sua grande ‘prevalência’ deve-se ao avanço na área do diagnóstico médico. Se antes morria-se sem saber de quê, atualmente luta-se sabendo contra o quê. A troca foi boa!
Pelo exposto, e dando um crédito extra à frase do Otto (bem absorvida por Nelson Rodrigues, em sua ‘Bonitinha, mas Ordinária’), sou levado a concluir que, nos dias atuais, estamos todos virando mineiros, uai!
Vamos em frente, a luta é grande e pede fé cega e faca amolada!
[para os queridos mineiros: ANA e JUCA].
CD Ricardo Lombardi
- Bônus/ de Milton, com Ney/ Fé Cega, Faca Amolada: http://www.youtube.com/watch?v=xSarZYqJJNo
JUCA estava integrado ao SWALK (saturday walkaminhada): grupo de amigos que, aos sábados, percorrem um trajeto de 12,5km pela orla do Cabo Branco/Farol, terminando com tapiocas e boas conversas no café da manhã do Tambaú Grill.
Em nome deste coletivo, assim foi encontrada a maneira – com palavras – de fazer as despedidas deste querido AMIGO:
-Ontem, 05/06/2013, saiu a notícia oficial da morte do amigo JÚLIO (JUCA) RAFAEL.
A sua despedida do plano físico terrestre – em obediência aos recursos e protocolos médico-científicos – parece ter acontecido em dois tempos: uma morte no domingo, e outra ontem, quarta-feira.
Em linguagem contemporânea, é como se o anúncio da indesejada notícia tivesse sofrido um delay – retardo entre os sinais do prenunciado com a realidade.
Prefiro ficar com a ideia de que ATÉ O TEMPO teve dúvidas quanto ao momento de cerrar as cortinas dessa bonita e carismática existência. Bom sinal!
Pena que o intervalo entre os dois instantes foi curto. Pior: era sabidamente irreversível – pelo menos na ampulheta do conhecimento humano, sempre atrelada ao tempo do Criador.
Como criaturas, ficamos sem JUCA.
Talvez por algum tempo finito. Jamais no infinito das nossas melhores lembranças.
Valeu, parceiro!





Mais uma pérola do pensamento positivo! Muito bom!
Mesmo sendo pernambucano de Recife, torcedor do Sport, estou solidário e orando pelo meu amigo Júlio Rafael, se Deus quiser vai sair desta para novas lutas, precisamos da sua alegria Júlio, tenho FÉ que você vai ficar bom, a FORÇA é sua e de Ana, a torcida é nossa para vê-lo novamente caminhando nas manhãs de sábado no Cabo Branco com a sua turma. Valeu Ricardo. Um abraço a você, Juca e Ana. Fernando Torres
Realmente já e mineiro na alma ,uai!abs Arnaldo Garrocho
Excelente texto professor Ricardo. Sou meio suspeito para falar, mas a fé do meu povo mineiro, esta é inabalável, assim como a sua. Grande abraço! Saudades!
Bela homenagem, Ricardo.
Tenho orgulho de fazer parte desse grupo (SWALK). E foi justamente através dele que vim a conhecer Júlio Rafael. Embora o pouco tempo de convivência com o companheiro JR, sinto muito sua partida tão repentina.
Ficam as boas lembranças e a saudade.
Que descanse em paz e até algum dia.
Aos que gostam de andar (caminhar), que seja com fé. Que essa não “fáia”. Texto lindo. bjo
Juca foi um dos melhores amigos do meu irmão, Fernando Luiz Henriques dos Santos ( mucuca) que faleceu prematuramente aos 17 anos, quando todos estavam começando a viver. Hoje a perda de Juca abre a ferida da lembrança de 22 de novembro de 1970. Saudades que Deus te receba de abraços abertos.
Ricardo, como sempre suas crônicas são divertidas e sensíveis à condição humana; cronista dos bão, como a mineirada: Otto, Sabino, Paulo…