O primeiro filho de mamma Penha nasceu na década de ’50 e, nesta semana, estará completando mais uma primavera. Esse cara sou eu!
Entre os jovens sessentões, parece consensual a ideia de ‘já termos nascido no lucro’; isto porque, à época, o próprio nascer era tido como uma manobra de alto risco.
Principalmente se fosse com a participação, mais empírica que científica, da famosa cesariana. O moderno e salvador recurso era tão estigmatizado que, quando empregado, criava na comunidade envolvida um clima de frustração, do tipo: “pena que NÃO foi normal, não é minha filha?!”.
-‘Buáááá!!’ – gritavam mãe e rebento.
-‘Glorioso São Raimundo, ninguém melhor que vós…’ – respondia o coro das comadres que puxavam a novena para São Raimundo Nonato (padroeiro das parturientes).
Aos préstimos trazidos por São Raimundo, muitos outros foram incorporados no sentido de garantir a benção maior: estarmos [até hoje] caminhando na estrada da vida. Inclusive, é bom frisar, contribuindo de forma inequívoca na elevação dos índices estatísticos relativos à idade média do brasileiro.
Por mais difícil que tenha sido esse caminho, devemos ter em mente que também foi igualmente generoso; principalmente se considerarmos o período onde era comum o consumo de alimentos com baixas taxas de conservantes e agrotóxicos – fator possivelmente responsável pelo acúmulo na milhagem da sobrevida.
Logo aprendemos a transformar a aridez do terreno em poesia: vi tanta areia, andei / da lua cheia, eu sei / uma saudade imensa… Havendo sede, bastava fecharmos os olhos e bebermos na lembrança da primeira Coca-Cola (que) foi, me lembro bem agora, nas asas da Panair – onde também descobrimos que as coisas mudam e que tudo é pequeno.
Apesar das turbulências, sempre que pintava medo ou cansaço, continuávamos caminhando e cantando, e seguindo a canção. Pouco importava se estávamos contra o vento, sem lenço e sem documento; ou mesmo parados, no cruzamento da Ipiranga com a Avenida São João.
Durante um bom tempo, o caminho se fez suave. Havia um Glauber, lotado de ideias e com uma câmera na mão; um Jobim, ocupado em lapidar uma nova canção; um Henfil, com o seu traço sutil; e o encanto no canto de uma Elis.
Houve dias em que as tardes caíam feito viaduto, não obstante o arquiteto Chico ter demonstrado ser possível levantar tijolo com tijolo, num desenho lógico. Nessa construção, foi providencial ter contado com a régua e compasso do mestre Gil.
Por tudo isso, e muito, muito mais, sinto-me feliz e agradecido ao generoso DEUS, por estar (quase?)inteiro, carregado de boas lembranças, caminhando em família, recebendo netos, cultivando amigos, e com fôlego para apagar um monte de velinhas e acender novos horizontes. Pfuuuu!
Quer uma fatia?!
CD Ricardo Lombardi
- Bônus 1/ CONVERSANDO NO BAR/ Elis-Milton Nascimento: http://www.youtube.com/watch?v=BzeTU7KEeXY
- Bônus 2/ CONSTRUÇÃO/ Chico Buarque: http://www.youtube.com/watch?v=P7mHf-UCZp0
- Bônus 3/ FRADIM/ Henfil:


Ricardo, já que vc já está no clima das festividades, vou desejar, antecipadamente, tudo de bom! Parabéns pela vida, pelos filho, netos e esposa!! Que Deus continue te abençoando! Muita saúde e paz no coração. Abraços, Rosa Helena e Familia.
Caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento, na janela da Juliano….Não importa, o que vale é que estamos aqui, falando que a Vida é Bela. Lindo o seu texto, meu amigo. Carinhosamente, Maria
Parabéns, mas um texto brilhante!
Parabéns e que possam vir mais e mais primaveras…
Ivanilde
Parabéns!!!!!!Adorei o texto…como sempre voce consegue transformar as palavras, traduzindo poeticamente todos os seus sentimentos.Bjo
Parabéns Ricardo, que Deus te abençoe abundantemente, nesta nova idade e que você possa ter o mesmo sentimento que teve o salmista Davi, quando declarou:
Bendize ó minha alma ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome.
Bendize ó minha alma ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.
Ele é o que perdoa todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas enfermidades,
Que redime a tua vida da perdição; que te coroa de benignidade e de misericórdia,
Que farta a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia (Salmo 103: 1-5).
Que Deus lhe conceda muitos anos de vida, com saúde e paz!
Parabéns pela bonita cronica e em especial por este dia único. SAÚDE, o resto é com voce.,
abs Marcilio
Amigo Ricardo,
O seu texto é belíssimo. Que você continue acumulando milhagem e engrossando as estatísticas brasileiras.
Afinal, “somos nós que fazemos a vida, como der, ou puder, ou quiser… sempre desejada… ”
saúde e sorte….
Grande abraço
Niedje
PARA O ANIVERSARIANTE: AS FELICITAÇÕES.
PARA O PASSADO: A GRATIDÃO.
PARA O FUTURO: MUITA FÉ.
Antonio Carlos Carvalho
Ricardo, Felicidades e saúde para que possamos comemorar muitas outras datas como esta.
abç
Max
Ricardo,
parabéns.. lendo seu texto lembrei-me do poema Aos moços de cora coralina, que hoje dedico-o a vc.
“…a vida muito me ensinou..
Ensinou a amar a vida,
Não desistir da luta.
Recomeçar na derrota.
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos.Ser otimista.…
Acredito nos moços.
Exalto sua confiança,generosidade e idealismo.
Creio nos milagres da ciênciae na descoberta de uma profilaxiafutura dos erros e violências do presente. Aprendi que mais vale lutardo que recolher dinheiro fácil.
Antes acreditar do que duvidar.”
que a vida seja repleta de alegrias, felicidades com muito e muito anos de vida!
abraços!!!
Franklin
Muito lindo, Ricardo. Acho que você não vai se espantar de receber esta resposta do Sweet, meu cachorro, ele sim o blogueiro e não eu. Assim, mais uma surpresa pra você nessa vida tão bem vivida: um cachorro repórter, o que só poderia acontecer na Redação da Edita. E como gostamos (eu também gostei muito) de seu texto, peço licença para publicá-lo no blog Boca Pequena, esse sim só de humanos jornalistas ( se é que isso é possível!). Assim, ficam os nossos parabéns e que você continue sempre a pessoa criativa que é, amável e de fala suave e coração manso. Saudade! Zaíra