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fazer política – arte ou desastre?!

FAZER POLÍTICA – arte ou desastre?!

Existe uma pergunta que está ficando cada vez mais difícil de ser respondida: ”-se o poder emana do povo, como é que não param de crescer os escândalos em organizações públicas voltadas para o aprimoramento cívico, ético, e moral, deste próprio povo?!”

Os mais apressados poderão responder que é por conta de não sabermos escolher os melhores nomes e/ou propostas. Já os mais ingênuos, continuarão acreditando que tudo será resolvido nas próximas eleições, com a escolha [desta vez] de pessoas certas, para os locais certos.

Certo? Não! As duas situações estão erradas.

A primeira nos remete a fazermos a opção ‘tecla verde/CONFIRMA’ em cima de rostos que sintetizam o rescaldo de longas e intensas negociações (ou seriam negociatas?!) voltadas para – prioridade máxima – garantirem a vitória nas urnas. A segunda, diz respeito ao grupo vencedor: trabalhar a distribuição de cargos e benesses entre correligionários e agregados de primeira e última hora.

A ideologia partidária virou artigo em extinção. O que importa agora é a famosa ‘GOVERNABILIDADE’. Somente ela é capaz de conceber argumentos do tipo: a) ‘aliança, se faz com os desiguais’;… b) ‘precisamos, desde já, formar uma sólida base de sustentação’;… c) ‘com maior número de partidos na coligação, teremos mais tempo de mídia’; etc…  

É lícito deduzir que essa nova ordenação de valores provoque, em muitos, a substituição do antigo e fidelíssimo amor partidário, pela fulminante paixão de ser abduzido a fazer parte da ‘base aliada’ – que incha (e muito) a cada nova eleição.

É a constatação deste crescente ‘inchaço da base’, que reduz a minha esperança na força do voto como instrumento transformador. Pelo grande número de discípulos, bem como pelo volume dos compromissos previamente assumidos; soa risível ouvirmos dos eleitos (agora, em tom maior) que somente a eles/elas caberá a tarefa de escolherem nomes para ocuparem importantes cargos. Pior ainda é o argumento de que será utilizado o critério único da ‘meritocracia’. Será mesmo?!

Infelizmente, sou levado a acreditar que a árdua tarefa de elaborar ações pró-governabilidade, irá matar a própria governabilidade. Igualmente creio que isto virá sob a forma de dois sentimentos, bíblicos e lindamente contemplados em obras da literatura universal: ciúme e traição!

Prova disso?! Já começamos a ver reuniões partidárias (de partidos ‘da base’, diga-se!) transformarem-se em verdadeiras contendas; não de ideias, mas de força física e corporal dignas de qualquer espetáculo UFC. Ou então, quando lemos que importantes personalidades (‘da base’, diga-se de novo!) assinaram manifestos de repúdio à indicação de ministro, à revelia de seus conhecimentos e aprovações prévias. De fato, o poder encanta e seduz!

É isto! Pelo andar da carruagem, imagino que irá aumentar consideravelmente a peregrinação de muitos fiéis a um certo endereço localizado em São Bernardo/SP. Ainda bem que o município tem nome de santo.

Oremos! Votemos!

CD Ricardo Lombardi


3 Respostas to “fazer política – arte ou desastre?!”


  1. Avatar de Felix de Carvalho 1 Felix de Carvalho
    11/03/2012 às 18:40

    Meu caro Ricardo. Muito oportunas suas observações e preocupações. Na verdade, o poder, em tempo algum e em lugar nenhum, nunca emanou do povo. Na verdade, o povo sempre foi manipulado pelo poder, massa de manobra e vítima do poder. Por esse principal motivo, no caso específico do Brasil, o povo não consegue mudar os rumos do país apenas trocando nomes e partidos. Veja-se, a respeito, particularmente, o que aconteceu com a eleição de Lula, em 2002 e depois em 2006. O que fizeram Lula e seu partido?
    Renegaram todo o discurso ético sustentado durante o período em que foram oposição e foram chafurdar na mesma lama que tanto condenaram. Portanto, meu caro, a questão não se resume à simples troca de nomes e de partidos. A raiz do problema é mas profunda: está no apodrecido sistema político brasileiro. Enquanto não mudarmos esse processo viciado no qual transitam, com desenvoltura, os políticos, não vamos alterar nada. E o povo continuará sendo enganado. Em suma, o poder emana do ambiente viciado que sustenta o próprio poder. Abraços.

  2. Avatar de Francineide Almeida 2 Francineide Almeida
    12/03/2012 às 08:33

    Lombardi, parabéns pelo texto. Infelizmente a falência do sistema político do nosso Brasil é gritante, e nós assistimos cotidianamente a vitória da impunidade, do descaso com os serviços públicos e o avanço crescente de políticos mal caráter. O que falta mesmo é uma revolução social, mas para que isso ocorra é preciso consientização política que tem por base a valorização de uma educação, alicerçada na ética e no bem e estar.coletivo. Será colega que contemplaremos essa vitória? abs

  3. Avatar de eli 3 eli
    13/03/2012 às 21:00

    Prezado Ricardo,
    Charles de Gaulle já dizia em priscas eras que o Brasil não era um país sério…..mais atual impossível!!!
    Abç/eli


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