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ensinando com prazer /2

  • Notas prévias 
  • 1/ fazendo registro ao Dia do Professor/2011, fiz pequenos ajustes ao texto Ensinando com Prazer (postado em maio/2010). Mantenho os dois, por acreditar que ambos conseguem transmitir a ideia que – felizmente – ainda me nutre enquanto professor e, ao mesmo tempo, aluno.
  • 2/ divido com os colegas docentes (de todos os níveis) possíveis méritos que o presente texto venha o obter. (RL)

 

ENSINANDO  COM  PRAZER /2

A função de docente em instituição federal de ensino superior (IFES) é vista por mim como uma espécie de sacerdócio. Claro que não estou considerando o salário, pois aí teríamos que acrescentar que o nobre ofício estaria vinculado à ordem franciscana; ou a qualquer outra que identifique que o ser, importa mais que o ter.

De fato, vivenciar a docência em sua total plenitude pede uma cota adicional de abnegação, haja vista que a matéria prima a ser trabalhada é o ser humano. Como educadores, cabe-nos contribuir para que o produto final apresente-se não apenas apto ao exercício da profissão escolhida; mas principalmente otimizado, enquanto cidadão ou cidadã.

Na área de Saúde esta premissa agrega um valor extra; que não apenas confirma sua veracidade, mas impõe que jamais abdiquemos de exercitá-la (e eternizá-la) na prática diária: humanização.

É bastante fácil de entender este diferencial: estamos formando seres humanos que trabalharão diretamente em (e com) seres humanos. Sendo assim, parece legítimo que durante o breve período de graduação, a relação professor/aluno já passe a funcionar como um laboratório de convivência, cujo único objetivo seja aproximar e transformar docentes e discentes, em humildes aprendizes de uma duradoura lição chamada VIDA.

À medida que o tempo passa, venho percebendo como isso é simples e fácil de ser obtido. Pena que não possua fórmula ou receita pronta; pois senão já teria sido publicada em algum periódico internacional qualis A.

Cabe aqui um direito a réplica: – se estamos analisando o relacionamento entre pessoas que circulam em um universo acadêmico, temos obrigação de contextualizar e divulgar a metodologia aplicada, e de como os possíveis benefícios encontrados alcançarão condições de reprodutibilidade e repetibilidade.

Concordo plenamente com esta inquietude científica. Acontece que, para buscarmos previsibilidade de resultados em questões ligadas ao sentimento e relacionamento humano, devemos primeiro consultar a literatura científica localizada dentro de nós mesmos.

Podemos iniciar este mergulho interior, indexando papers (validados cientificamente) que enalteçam a primazia do ouvir, sobre o falar; do presente, sobre o ausente; do chegar, sobre o partir; e do altruísmo, sobre o egoísmo. É um bom começo!

Nesta Revisão da Literatura, sejamos simples, objetivos, e sempre focados no propósito de ser feliz. Busquemos trabalhos que identifiquem no sorriso e no abraço, evidências naturais de que nenhum sacrifício acontece em vão. Em Proposições, destaquemos apenas uma: confirmar que o amor é o principal meio de atingir a felicidade. Já em Material e Métodos, devemos usar instrumentos e questionários simples e sensíveis na identificação da prevalência do bem sobre o mal. Chegando a Resultados, podemos vibrar com a constatação da saúde vencendo a doença.

O capítulo Discussão pode ser suprimido uma vez que não haverá discordância frente à utilização do carinho, como antivírus do ódio; e da verdade como antídoto da mentira. Por fim, Conclusão confirma a nossa vocação para a felicidade, desde que sigamos amando ao próximo como a nós mesmos.

Finalizando, devo confessar haver escrito esse texto inspirado no convívio com meus alunos do curso de Odontologia da UFPB. Com eles, tenho aprendido que posso também incorporar o meu alter-ego ‘tio Lombardinho’. Em dupla [professor e tio] fica bem mais fácil absorver as manifestações de amor, carinho, respeito e confiança sempre recebidas.

Também com eles voltei a respirar Fernando Pessoa quando profetizou: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

Amo vocês! Sigamos aprendendo…

CD Ricardo Lombardi de Fariastio Lombardinho


8 Respostas to “ensinando com prazer /2”


  1. Avatar de alice dal piva 1 alice dal piva
    15/10/2011 às 16:27

    Como tinha dito, meus sinceros parabéns…é um orgulho tremendo poder contar com mestres tão especiais! Assim como o tio aí ó!
    Obrigada pela formação profissional e principalmente pelo “empurrãozinho gigantesco” no meu crescimento pessoal e humano.
    Sinta-se homenageado!
    Beijão!

  2. Avatar de Irlan Almeida 2 Irlan Almeida
    16/10/2011 às 05:55

    Professor, que espetáculo! Uma leitura belíssima da figura do professor no cenário acadêmico. Seus textos são sempre instigantes e bem escritos. Uma delícia de ser ler!

  3. Avatar de kay 3 kay
    16/10/2011 às 10:55

    Oi! Lomba
    parabens pelo texto ou melhor resumo do artigo científico ” o que é ser professor’ ou humanização no ensino ou …
    sabemos que o dom da palavra vc sempre teve e agora esta se saindo como escritor, muito orgulho do meu amigo e quase irmão.
    abç. e que D
    Deus continue te abençoando

  4. Avatar de Julyana Araújo 4 Julyana Araújo
    16/10/2011 às 14:30

    Professor, belíssimo texto…
    Foi realmente uma grande honra tê-lo como educador. Parabéns pelo seu dia e, principalmente, por ser um diferencial em sua profissão!
    Grande abraço…

  5. 17/10/2011 às 19:56

    Linda postagem!
    É uma metodologia que eu venho seguindo na busca do meu “sacerdócio” =)
    Grande abraço, professor Ricardo!
    Um beijo para o Tio Lombardinho! hehe

  6. Avatar de Roberto Tanouss 6 Roberto Tanouss
    18/10/2011 às 08:38

    Caro amigo!
    Além de um belo texto, eu estou certo de que tudo isso que é dito por você vem do fundo do seu coração.
    Abraço
    RT

  7. Avatar de Felix de Carvalho 7 Felix de Carvalho
    20/10/2011 às 18:45

    Caro Ricardo. Parabéns pelo texto. Ele é oportuno, na medida em que mantém acesa a chama daquele grupo de professores que assume o magistério como uma missão. Quero proclamar, ao ensejo do Dia do Prosessor, que o magistério é minha grande paixão. Exerço essa nobre e dignificante função há quarenta anos. Apesar de todo esse tempo, ainda consigo entrar na sala de aula com entusiasmo e grande motivação. Sou do tipo que, se entrar preocupado na sala de aula, saio despreocupado; se entrar triste, saio alegre. Costumo fazer uma diferença entre o professor instrutor e o professor educador. Nessa segunda categoria, eu me incluo e o incluo. O professor educador é aquele que sabe pautar-se pelo ideário traçado em seu texto. Abraços.

  8. Avatar de Welliton Souto 8 Welliton Souto
    09/11/2011 às 19:18

    Confesso que lendo este texto me sinto mais instigado a ler e reler os tópicos da minha monografia…rsrsrsrs
    Como sempre seus textos nos motivam e nos dão orgulho de dizermos que aprendemos com um grande homem e acima de tudo um excelente educador.
    Sigamos em frente, e deixemos que a metodologia da vida nos leve por caminhos de conhecimento e felicidade nobre professor!


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