A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego!
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!
O trecho acima faz parte da letra de “Minha Alma (a Paz que eu não quero ter)”, música consagrada pelo ‘O Rappa’, e concebida pelo seu ex-baterista e ex-integrante; Marcelo Yuka – tido como o ‘pensador’ do grupo.
O duplo ‘ex’ do multifacetado artista-poeta-músico-ativista; deve-se ao fato do Marcelo ter ficado paraplégico, em decorrência dos tiros recebidos ao tentar proteger uma vítima de assalto.
O triste fato aconteceu há mais de dez anos. Quase tão espantoso quanto o mesmo, é o bordão que ainda empregamos na busca de paliativo que ‘tente’ justificar a nossa impotência frente às tragédias nossas de cada dia: – Que pena! Mais outro que estava no local errado, e no instante errado!
É sabido que a nossa ‘complacência cristã’ permite-nos um arsenal ilimitado de citações voltadas para o alívio de momentos difíceis. Algumas delas estão na dependência direta do grau do infortúnio: …tenha forças meu filho. Podia ter sido bem pior… tenha fé!
FÉ nós temos, brother! Estamos carentes é de ATITUDES!
O que se busca não é o aumento do desvio-padrão da nossa tolerância, mas sim a sonhada ‘tolerância-zero’ com relação a qualquer tipo de violência. Qualquer tipo!
Às vezes eu falo com a vida,
Às vezes é ela quem diz: “Qual a paz que eu não quero conservar,
Prá tentar ser feliz?”
Na medida em que ainda não temos consolidado os ‘valores-referências’ que nos assegurem, enquanto sociedade carente, um caminho mais estruturado e confiável ao sonhado equilíbrio social; o tema ‘VIOLÊNCIA’ continuará sendo contemplado nos diversos meios de comunicação. Inclusive, garantindo ótimas audiências aos programas destinados ao assunto. Ou seja; o ‘desmantelo’ dá mais ibope que o ‘acerto’. Por enquanto, assalto vende mais do que vacina contra o câncer.
Não devemos permitir que o volume diário de ‘más notícias’, pela repetição e assiduidade, nos faça perder a capacidade de interpretá-las e (melhor ainda) eliminá-las. São condições essenciais para evitarmos a ‘banalização da barbárie’.
– O ‘QUÊ’ poderia ter sido pior para a família de REBECA CRISTINA?!
Por toda a semana foi esta a pergunta que ficou me incomodando, após ter assistido [na TV] a reportagem sobre ‘uma menina de 15 anos, desaparecida no trajeto escola/casa, cujo corpo foi encontrado sem vida, com sinais de estupro, e com um tiro na nuca’.
Parece que a tragédia aconteceu no mesmo dia em que o ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE estava completando sua maioridade: 21 anos. Pena que REBECA não vai poder participar da festa!
Infelizmente a matéria não pôde ser apresentada pela jornalista âncora do programa, pois a mesma estava se recuperando de uma participação, como vítima, de um sequestro-relâmpago.
/pausa para um copo d’água/
Enquanto os organismos responsáveis pelo estabelecimento da PAZ mostram-se reconhecidamente inócuos; proponho que continuemos – no mínimo – sensíveis na distinção do ‘horror’, e comprometidos com atitudes voltadas à sua eliminação.
É fácil! E cada um escolhe sua forma, que pode ser: buzinando, telefonando, denunciando, cobrando, batendo panelas ou, até mesmo… VOTANDO!
– Paz sem voz?!
– Não é paz, é medo!
- Dedico o presente texto ao MARCELO YUKA, e às centenas de REBECAS, que também podem ser chamadas de: Maria, João Lennon, Vera, Antonio, Luiz,…
CD Ricardo Lombardi
- Bônus: MINHA ALMA / http://bit.ly/2rBhSe

Parabéns Ricardo pelo texto, como você, tenho me questionado muitos sobre o tema. E as atitudes dos nossos políticos? Analisemos os programas de TV e rádio, uma verdadeira apologia a todo tipo de violência. É preciso darmos uma resposta exercendo com responsabilidade o soberano exercício de cidadania através do voto. Basta de políticos que só agem em causa própria. O que falta mesmo a maioria dos brasileiros chama-se educação, no nais amplo sentido da palavra, para que sejamos verdadeiramente livres, principalmente na escolha dos nossos governantes .
Olá, FRANCI [muito bom encontrá-la por aqui]: De fato, o tema ‘violência’ está condicionado a muitas variáveis. Sem EDUCAÇÃO fica mesmo difícil sonharmos com mudanças. Cito PAULO FREIRE: “A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sei que você, enquanto educadora, faz com maestria a sua parte. Continuemos… Bj, RL
Caro Ricardo. Sua análise sobre o texto de Marcelo é de grande profundidade. Com efeito, você atingiu o ponto crucial do grave problema da violência que atinge o Brasil e vem se instalando, de forma assustadora, em nossa outrora pacata capital. Mais do que assustada com a escalada da violência, a sociedade parece acuada, sem enxergar uma maneira de enfrentá-la. E o que é mais grave: o Estado, com seus aparelhos de prevenção e repressão ao crime, dá sinais de que também não tem soluções no curto prazo. O que fazer? Sem dúvida, a sociedade está com medo. Claro que ninguém pretente que ela reaja, dentro do princípio segundo o qual a cada ação corresponde uma reação. Se isso vier a acontecer, será o caos. A resposta possível à pergunta formulada acima está no texto analisado por você: a sociedade deve protestar, gritar nos ouvidos insensíveis dos dirigentes do país, cobrar-lhes uma atitude, exigir que o imenso volume de valores retirados da sociedade através dos impostos sejam revertidos em prol da sociedade. Cordial abraço e até minha volta. Como você sabe, estarei viajando no período de 18 a29 deste mês.
Felix
Mestre e amigo FELIX: O tema ora em pauta é mesmo instigante. Se em priscas eras, a violência estava condicionada ao ‘instinto de sobrevivência humana’, hoje, com todos os recursos da modernidade, vê-la (ainda) presente e crescente, confirma a nossa incapacidade de encontrar soluções. Se é verdade que o Estado somo nós, então, Poder e Política, vem agindo na contramão dos nossos anseios pela PAZ. Gritemos juntos… Abraço (e traga novas ideias do velho mundo), RL
CARO LOMBARDI. NAO ESPERE DE MIM PARABENS, PARABENS SEM VOZ NAO EH MEDO, EH ROTINA, MAS DESSA VEZ TU PASSOU DO LIMITE DO BRILHANTE.BRAVO
Caro amigo e (meu) cardiologista DEMOSTENES: Meus ‘prolapsos’ ficaram bem mais imperceptíveis depois da alegria de encontrá-lo por aqui (risos). Agradeço a ‘visita’ e a generosidade do comentário. Você tem mesmo um ‘bom coração’ (risos/2). Valeu! Abraço, RL
Vc sempre escreve muito bem, mas dessa vez, foi brilhante. Fiquei emocionada. Grande abraço
Amiga ARA.CAJU: Fico feliz e honrado com o seu comentário. Retribuo os aplausos, pois sei que você é forte guerreira nas questões que envolvem: direitos humanos e cidadania. Sigamos na luta… Bj, RL
Parabéns pela fluência em retratar tal tema, que, relmente, em virtudo dos “jornais sanguinolentos”, nos tem deixado cada vez mais insensíveis a estas questões. Um forte abraço
Grande BRUNINHO: De fato: estupro, sequestro, bala-perdida, assalto seguido (ou não) de morte, acidentes de trânsito por embriaguez, estão fazendo parte do nosso cotidiano. Continuo achando que a corrente do BEM é muito superior a do MAL. Não permitamos que esta ordem se inverta. Propaguemos a PAZ – sempre! Bj, RL
Parabéns por soltar este grito!
Um abraço.
Muita PAZ!
Estimada NELMA : Agradeço-lhe pela leitura do texto, assim como pela honrosa ‘visita’ neste espaço. Continue sempre alimentando o seu ofício/jornalista, com a sua postura/cidadã. Você é do bem, e sabe ouvir! Façamos ‘barulho’ pela PAZ! Abraço, RL
Ricardo,você transmitiu o que sinto com relação a tudo isto que estamos passando no nosso cotidiano!
E a nossa acomodação diante de tanta violência (SIM,eu também quero paz,segurança…) tem me incomodado bastante nesses dias…..e se acontecesse com alguém da minha família???eu não sei como reagiria. Concordo com você : paz sem voz…….é medo !!! É tempo de agir !!!
Minha irmãzinha ELI: É muito bom gritar pela PAZ junto com pessoas como você! Toda hora, é sempre hora de FAZER ACONTECER. Vamos em frente! Bj, RL
Sábias palavras prof. Lombardi! Difícil é aceitar que a humanidade parece já não ter noção de que chegamos muito longe e que para voltar é necessário que façamos o resgate de valores que já não são cultivados. A grande maioria da sociedade já não acredita em Deus e isso nos torna menos humanos, visto que se acredita na evolução das espécies e não na criação divina da humanidade, imagem e semelhança de Deus. Portanto o que temer se não há nada “MAIOR” do que o homem?
Hoje há uma inversão de valores e significados que privilegiam as pessoas conforme suas necessidades e conduta. As pessoas não seguem uma religião, criam uma religião que se adeque as suas necessidades; justiça??? Já nem sei definir esta palavra…
O que mais me preocupa é que esta “venda” que impossibilita a visão de muitos leva todos ao fundo do poço!
Jucemara
Olá, JUCEMARA: De fato, sem AMOR nem (bons) valores de referências, jamais saberemos eliminar o ‘joio’ do ‘trigo’. Por mais árido que esteja o terreno, acreditemos que nenhuma transformação acontecerá se não for pelas nossas mãos. Sigamos cultivando a PAZ! Bj, RL
Ricardo,
Esse seu grito está preso na garganta de muita gente que não tem, como você,
o dom de se expressar com facilidade( e brilhantismo). Que bom!!! Que sua voz
possa ser ouvida e repetida por muitos e assim, quem sabe, não formaremos um
grande coro em prol da paz que, como você bem disse, provém do tão sonhado
bem comum.
Todo meu carinho e admiração!
Maria do Socorro
Querida SOCORRO/carioca: Grite daí, que eu grito daqui: – CHEGA! / queremos PAZ! Só não podemos é relaxar neste propósito. Muito menos adiá-lo! Bj, RL
Olá Ricardo, feliz em receber teu email, fui sua aluna , walkiria feitosa, lembra-se? Olha é com muita tristeza que vejo a violência crescendo.Me sinto impotente, não podemos esperar só pelos programas do governo, devemos todos de mãos dadas fazer algo realmente em prol de nós mesmos.Divido com voce esta preocupação e temos que realmente não só refletir mas agir , plantar uma semente de esperança de um mundo com PAZ, AMOR E RESPEITO.Um grande abraço para ti.
Oi, WALKIRIA: É ótimo restabelecermos contato. Vamos sim, plantar as sementes dos frutos que desejamos deixar para nossos filhos, netos, e quem mais vier. Obrigado pela presença e comentário. Lembranças ao Jackson (acertei?! /risos). Bj, RL
Oi Ricardo, parabens pelo seu texto.O que fazer e como fazer no meio de tanta violencia ? Te admiro . Abraço fraterno , Panha Vaz.