DIÁLOGOS & AMBIENTES
Faz sentido a concepção de que; se nós, seres humanos, possuímos dois ouvidos e uma só boca, é porque devemos ‘ouvir mais, e falar menos’.
Também concordo, mas com ressalvas, claro!
Em primeiro lugar, devemos entender que tanto a ‘fala’ quanto a ‘audição’ são processadas no córtex cerebral: parte mais desenvolvida do nosso cérebro, responsável pelo raciocínio, pensamento, funções cognitivas, percepções sensoriais (visão, audição, tato e olfato), além da capacidade de produzir e entender a linguagem.
Significa dizer: tudo aquilo que nós ‘dizemos’ e ‘ouvimos’ passa por uma espécie de ‘comando central’ que possui mecanismos capazes de assimilar e selecionar o que deve (ou não) ser dito e ouvido. Será?!…
Sendo isso verdadeiro, penso que devemos investir (havendo ainda tempo hábil) na sanidade dessa capacidade cognitiva, tão tsunamicamente comprometida pelos decibéis nossos de cada dia, sem deixar de passar pelo gosto(?!) musical do meu vizinho. É dose!
Outro ponto que me faz abordar esse tema, é que existe um segundo elemento fundamental na capacidade de interpretar corretamente tudo que se ouve. Refiro-me ao AMBIENTE FÍSICO, onde se encontra o portador do córtex cerebral – se é que ele ainda consegue distinguir ‘alhos de bugalhos’. Vamos tentar explicar melhor…
– Olá, dona Maria, a senhora prefere seus peitos grandes, não é?!
– Apenas um, seu Hugo! O outro eu quero pequeno.
– Posso arrancar a pele?!
– Só do pequeno porque meu genro gosta assim. É o contrário de Antonio, meu marido.
– Entendi! Deixa comigo que os dois vão ficar lindos.
O diálogo de fato existiu, acreditem! Eu estava presente e OUVI!
Acontece que – o AMBIENTE – foi o fator que impediu que o meu córtex cerebral tivesse catalogado dona Maria como portadora de algum tipo de ‘assimetria torácica-peitoral’ ou eleita parte demonstrativa em rituais de esquartejamento humano. Ou até mesmo ser rotulada como transgressora sexual na terceira idade.
Ainda bem que estávamos no mercado da Torre, no setor de galináceos, sendo atendidos por seu Hugo que, com uma faca na mão, dava um show de habilidade e profundo conhecimento anátomo-morfológico de peitos. Dos frangos, e não da dona Maria.
Fiquei olhando para os peitos de dona Maria (os que ela havia comprado, lógico). Entendi que o pequeno (já sem pele) ela iria levar para a sua filha.
De olhos, ouvidos, e córtex bem abertos, pus-me a imaginar que o mesmo diálogo ouvido há pouco, poderia também estar acontecendo em outro AMBIENTE – por exemplo, em uma clínica de cirurgia plástica! Neste caso, aí sim, a dona Maria estaria correndo sério risco de vida, ou de ser mal interpretada.
Seu Hugo ficou sem entender porque eu ria tanto. E sem tirar as minhas mãos dos peitos, claro!
CD Ricardo Lombardi

KKKK!!! muito engraçado!!!
De primeira, meu córtex interpretou que seria uma conversa numa clinica cirúrgica.
kkkkkkkkkkkk
ótimo!!
abção
Lombardi,
Confesso que tive de ler o diálogo duas vezes…
Ainda sem entender, prossegui na leitura, para então meu córtex funcionar!
Muito bom!
Forte abraço
Yuri
gostei…
e seu Hugo vendeu muito frango!
;D
Meu caro Ricardo. Quero fazer a seguinte consideração: você estava presente ao local, vendo e ouvindo o diálogo entre os dois personagens. Mesmo assim, foi tentado a interpretar o lado mais malicioso e hilário da conversa. Imagine nós, apenas lendo a história… Certamente, deve haver no nosso cérebro um mecanismo qualquer que sempre nos inclina a enxergar o lado mais malicioso, mais debochado e mais perverso de qualquer narrativa, embora essa narrativa esteja coberta pelo manto da pureza e da ingenuidade,como foi o caso vivenciado por você. Abraços.
Felix
Realmente muito bom o texto,
Me faz lembrar de situações do cotidiano que aqui e acolá são mal interpretadas por nossa mente e nos leva a ver algumas coisas que estão nas entrelinhas e quando se trata de maliciosidade, pensamos logo em ver coisas subliminares que na realidade não existem.
Parabéns!
Abç
Antônio Máximo
Olá amigo!
O meu córtex cerebral começou a processar a informação literária corretamente, a partir da seguinte fala de seu Hugo,” Posso arrancar a pele?!” Pronto,auxiliado por meus conhecimentos culinários, fechei a questão; – Dona Maria estava comprando peito de frango!
Agora, após esse exercício cerebral, vou tomar meu cafezinho da tarde com pão quentinho,acompanhado de boa dose de risadas.
Obrigada por nos presentear com seus escritos maravilhosos!
Deus lhe abençoe sempre!
vc está demais!!!!!!!!