do nada…
“Melhor que a caminhada, é o papo!”
Essa é a frase que melhor sintetiza a ‘força motriz’ responsável por fazer com que os integrantes do trio ‘dureza, ma non troppo’ pulem da cama às cinco e meia da manhã para o salutar exercício matinal.
Afirmo isso com absoluta propriedade, uma vez que sou um dos componentes do ‘dmnt’. Caminhar junto aos amigos Roberto Tannous e Marcos Souto é, de fato, uma coisa maravilhosa.
Nossa amizade vem dos anos ’70. Podemos dizer que ela foi semeada na convivência em salas de aulas de cursinhos pré-vestibulares; com garantias plenas de ter sido adubada, germinada, e cultivada nas ante-salas da vida, e sob a forma de encontros. Como esses, permitidos pelas caminhadas.
Naquela manhã o ‘papo’ estava centrado na tripla constatação dos atuais (e absurdamente crescentes) ‘vícios de linguagem’. Para nós, se já estava preocupante a falta de controle deste viciamento na comunicação oral, pior ainda era a observância de sua migração para a forma escrita – danosa a cinco, dos sete buracos da nossa cabeça.
Nossas abordagens não eram feitas de forma condenatória; até porque, além de não possuirmos domínio pleno no assunto, fomos (e ainda somos) discretos usuários de tais recursos de comunicação que – ontem e hoje – fazem tremer: Alessio Toni, Chico Viana, professor Félix, Zarinha, citando alguns…
A primeira expressão trazida para análise veio… do nada! Isso mesmo: ‘do nada’! Seu poder de síntese é enigmático, pois está sempre relacionado com algo que veio do além; ou melhor… do nada!
– Filha, por que você não dormiu em casa esta noite?!
– Ah, mãe! Saí da rave com um colega e – do nada – pintou um clima, e acabamos ficando.
Constata-se no exemplo fictício (?!) que o diálogo, além de contemporâneo, possui a riqueza de, com poucos vocábulos, fechar o ciclo da compreensão. Isso quando não provocar um desmaio, claro!
Outros dois exemplos destacados no trajeto foram: o ‘tipo assim…’, e o famigerado ‘enfim…’.
– Ô mãe! Você já se sentiu – tipo assim – enjoada?! Sem querer comer nada, vomitando – enfim – passando mal mêrmo?!
– CARLOSSSS, nossa filha tá grávidaaaaa!!
– Ôxente, mainha! Eu aqui passando mal e tu – do nada – dando mó auê aí!!
- Caríssimos, RT e MS: precisamos caminhar mais! Perdoem-me pela exposição pública dos vossos nomes. Foi ato reflexo, e sem maldade! Saiu… tipo assim… do nada! Eita!
CD Ricardo Lombardi

Amigo Ricardo:
Do nada, tipo assim…,você fez uma crônica deliciosa.Enfim, você comprova, mais uma vez, que tem o dom da escrita, pô. Valeu, brother.
Amiga MARIA: receber este seu comentário representa para mim, algo… tipo assim…’DO TUDO’ de bom! Eita, ficou embaralhada a coisa, mas acho que deu – enfim – para entender, né mesmo?!(risadas). Valeu, sister! Bj,RL
Quem já conhece sabe da sua capacidade em criar e recriar fatos, momentos, situações e nos presentear com maravilhosas crônicas!!!!!! bjssssssss
Querida ‘schwester’ HELGUINHA (sumidíssima!): fico sempre contente com as suas participações. Sua leitura, sei bem, é sempre feita com o coração! Valeu! Bjs, RL
Caro Ricardo. Dos três vícios de linguagem citados, o mais defensável é a expressão “do nada”, pois, apesar de sua falta de lógica, revela-se com um processo de autodefesa. Já a expressão “tipo assim” é execrável, visto que é utilizada de forma abusiva. Serve para tudo e não serve para nada.Nem mesmo a expressão “do nada” tem o poder de defender o emprego de tal barbaridade. Abraços. Felix
Caro professor FELIX: sem consultá-lo previamente, tomei a liberdade de citá-lo no texto acreditando na ‘tolerância’ da nossa amizade e, acima de tudo, em seu inquebrantável zelo pela nossa língua: falada ou escrita! Espero não ser punido! Nem pela importação do nome, muito menos pelo fato do texto ter navegado em águas – tipo assim – perigosas (risadas). Abs, RL