NÃO DÁ MAIS PRA SORRIR!
Tem coisas na vida que me apavoram! Uma delas é não conseguir interagir com pessoas mais jovens. É um dos prazeres que encontro na docência universitária. Neste ofício, sou pago para repassar conhecimentos adquiridos no meio acadêmico, e no exercício prático da profissão. Aliás, vale frisar que nessas duas vertentes sempre irei me considerar um eterno aprendiz.
Com meus alunos tenho aprendido muito. Com eles, e à medida que o tempo passa, tenho observado que saber OUVIR parece mais importante do que saber FALAR. Escutá-los me permite, enquanto formador de futuros profissionais; conhecer as suas angústias, seus temores, seus desafios, suas conquistas, etc… Enxugar suas lágrimas e dividir suas gargalhadas faz parte do meu ofício.
Só lamento que o “inexorável fator tempo” faça com que apenas a minha idade aumente. Como alunos, eles sempre estarão por volta dos 22 – 23 anos, enquanto eu seguirei, aumentando minha idade cronológica. Cada vez mais incorporo o professor tio Lombardinho, eterno e incondicional apaixonado pela vida.
É nesta linha de pensar, que reafirmo a minha satisfação em ter sido convidado pelos jovens colegas Danilson e Waldson, para fazer parte de um “movimento político-classista” para ACORDAR A ODONTOLOGIA PARAIBANA. Conversamos aproximadamente por duas horas sobre Odontologia. Percebi neles uma seriedade de propósitos, e uma real disposição em lutar pela defesa, e por mais e melhores conquistas para a nossa profissão.
São duas jovens lideranças, talvez ainda desconhecidas pela maioria dos colegas de minha geração. Com eles tenho aprendido sobre as demandas requeridas pela Odontologia, em seu perfil atual; bem como a sinalização de uma nova proposta política capaz de reverter o estado de inércia do atual (e defasado) modelo. Para mim, estar junto e apoiá-los, não representa nenhum risco; mas sim uma real oportunidade de implementar as mudanças que todos desejamos ver acontecer.
Não, gente! Não sofri nenhum tipo de aliciamento ou abdução. Também tenho filhos na idade do Danilson, Waldson, e dos meus alunos. Inclusive um deles é formado em Odontologia e vive azucrinando meu juízo com indagações sobre como EU (minha geração, claro) havia permitido que alguns desvios de rota acontecessem. Parece que o “mal” é genético! (risadas).
Pena que eu (agora) só possa contribuir com idéias, sugestões, e palavras. Na minha idade, não dá mais para “carregar o piano”. Mas dá (e como dá) para ouvir e comentar uma bela música. Minha trincheira nessa luta resume-se a liberar o meu alter ego de cronista, e escrever cansativos textos no pressuposto de ser útil na elevação cultural e política da nossa querida Odontologia. Soa poético, não?!
Pena que esta “poesia” esteja sendo violentamente estuprada. Ontem à tarde, recebi uma ligação do Waldson (ele estava no CRO/PB, como representante oficial da chapa opositora ACORDA ODONTO) que, muito indignado, comunicou-me que HAVIA SIDO INDEFERIDA A SOLICITAÇÃO DA LISTAGEM DOS ASSOCIADOS (cirurgiões-dentistas paraibanos) APTOS AO VOTO NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES DO CRO-PB!
Isso mesmo! O CRO/PB, de forma documental, IMPEDE que uma chapa concorrente tenha acesso aos colegas eleitores.
O indeferimento está protocolado sob a forma de ofício entregue ao nosso representante. O documento justifica que tal impedimento encontra-se apoiado nas “normas e regulamentos emitidos pelo CFO”. Pura blasfêmia!
Pode até “estar escrito” alguma coisa neste sentido; mas prefiro acreditar tratar-se de erro crasso e tendencioso de interpretação de texto jurídico. Recuso-me a acreditar que; em pleno século XXI; em um Brasil que dá mostras evidentes de não suportar mais conviver com qualquer forma de arbítrio ou cerceamento da liberdade; que vem praticando tolerância zero com a escancarada demonstração de práticas hegemônicas do poder – logo aqui, na Odontologia paraibana, alguns grupos ainda tentem convencer que tudo isso é NORMAL e ÉTICO!
Em minha concepção, NORMAL e ÉTICO seria poder observar, no momento da homologação das chapas, algumas dessas atitudes:
• o presidente do CRO/PB convocasse uma reunião com os candidatos; • apresentasse a Comissão Eleitoral (de preferência, neutra e imparcial ao processo de disputa); • entregasse o Regimento Eleitoral para uma leitura e análise conjunta; • entregasse a listagem dos aptos ao voto; • comunicasse que o “voto por correspondência” estava cancelado por absoluta falta de controle operacional; • comunicasse o dia do “Debate Eleitoral” para que toda a categoria pudesse conhecer e interagir com os candidatos e suas propostas.
Sinto muita falta de um “Debate Eleitoral”. Seria uma ótima e transparente oportunidade para que todos os colegas participassem do “confronto de idéias e propostas”. Seria uma bela FESTA DEMOCRÁTICA, concordam?! E de FESTA, o CRO entende! Esta, mesmo com uma boa cobertura de mídia, não sairia cara. Garanto!
Entendo ser de competência de qualquer Conselho profissional ter sempre uma lista atualizada de seus pares. Acredito que ela deva ser protegida, mas não blindada. Ainda bem que a nossa ainda emite sinais de vida corporativa. Há pouco tempo, solicitei o acesso a listagem dos associados da ABO/PB. Infelizmente não pude ser atendido. A justificativa era que a entidade não dispunha desses dados atualizados (?!) e que, todas as vezes que necessitava postar correspondências, solicitava e recebia do CRO/PB uma listagem sempre atualizada!
A propósito! Posso fazer uma pergunta incômoda, mas politicamente suportada?!: Sindodonto; Abeno; ABO, e ABCD, ainda comungam com essa atitude do CRO/PB?!
Finalizando, peço aos colegas do CRO/PB que assumam, perante os nossos colegas eleitores, a total responsabilidade pelo não estabelecimento de critérios operacionais que possibilitem visibilidade democrática e condições de igualdade entre os candidatos ao pleito. Aconselho não tentarem explicar, muito menos atribuir, que esses tristes fatos tenham sido criados como manobra de campanha da oposição!
☛ Por último, quero pedir aos meus colegas de “movimento” e a forte militância/NET composta pelos inúmeros dentistas internautas (de assustador crescimento), que me perdoem pela fraqueza do momento, ao reconhecer e declarar não ser mais necessário votar no ACORDA ODONTOLOGIA PARAIBANA. Ela não está dormindo. Ela está mesmo é em PROFUNDO E INDUZIDO COMA.
Se permitirem – e houver tempo – URGE SALVÁ-LA!
CD Ricardo Lombardi de Farias
Cara, a ditadura acabou, o CRO não deveria fazer isso.
Pois é, amigo! Talvez seja reflexo tardio da época em que os Conselhos foram criados: 1964 – Opsss!