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26
maio
12

odontologia brasileira (objetivos comuns)

  •  Nota Prévia: ‘OBJETIVOS COMUNS -Odontologia’ é a junção sequenciada de uma série de postagens que tenho feito no Facebook, com o propósito ÚNICO de contribuir com a formação de um pensamento que nos permita, enquanto colegas e profissionais de Odontologia, trabalharmos – melhor e coletivamente – na conquista de objetivos comuns.
  • O assunto não está finalizado – espero que isso nunca aconteça! A sua inserção neste blog foi sugerida por alguns colegas e muitos alunos; os quais merecem especial atenção pelo fato de representarem o futuro da classe. Futuro esse que já chegou, mas, sob alguns aspectos, ainda estamos presos ao passado.
  • Boa leitura! E ótima reflexão…

 

(26/4/2012)1/ Assim está no Google: ‘Uma rede social é uma estrutura social composta por pessoas ou organizações, conectadas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e objetivos comuns’.
Se isto é verdade (e é), então vou me propor a -sempre que necessário- trazer aqui informações/opiniões sobre alguns ‘OBJETIVOS COMUNS’ voltados à classe odontológica (garanto que em doses pequenas). Farei isso de forma tranquila, civilizada, responsável, e pedagógica: até para suprir a ausência de debates sobre temas de interesse da classe.
Afinal de contas, o FACEBOOK tem se mostrado um excelente canal para interagirmos com os colegas, alunos, e a sociedade como um todo!
Valeu! Por hoje, é só!

(28/4/2012)2/ OBJETIVOS COMUNS/ Odontologia: Vocês sabem como é feita eleição para o CFO?! Como assim?! Vocês não sabiam que tem eleições com esta finalidade, e que o voto do seu estado é dado por um/a único/a dentista (pode ser você) que – EM TESE – deve corresponder e representar os anseios de seus pares, no estado (UF) onde está inscrito?! Vou explicar: aqui da PB somos quase 4.000 profissionais e APENAS UM DE NÓS será o responsável pelo voto. Imaginem então estados como SP (70.000 dentistas), MG (36.000 dentistas), sendo TAMBÉM representados por uma única pessoa e um único voto. A esta ‘predestinada’ pessoa, que receberá tão nobre e importante missão, dá-se o nome de ‘DELEGADO-ELEITOR’. Como ele/a é escolhido?! Na próxima, eu conto; prometi não cansar vocês! Valeu! Abraços e bom feriadão para todos.

(30/4/2012)3/ OBJETIVOS COMUNS/ Odontologia: Para a escolha do ‘DELEGADO-ELEITOR’, cada CRO deve publicar um edital, informando sobre o assunto que – PELA SUA IMPORTÂNCIA – deveria receber uma AMPLA divulgação; inclusive promovendo (com boa antecedência) Fóruns de Debates para tornar possível avaliar: ‘clamores da categoria’ x ‘conhecimento de propostas dos grupos pretendentes ao comando do CFO (Casa Maior da Odontologia Brasileira)’. Acabo de consultar (30/4/2012) o site do CRO-PB e NÃO localizei nenhuma notícia sobre o assunto (talvez eu não tenha procurado de forma correta).
Quem pode se candidatar a ‘delegado-eleitor’?! Qual o perfil que deve ter este colega que, aqui na PB, levará o voto de mais de 3.000 dentistas?! São perguntas que, aos poucos, iremos tentando responder. Valeu!

(9/5/2012)4/ OBJETIVOS COMUNS/ Odontologia: Em resposta às duas perguntas anteriores, sabemos que QUALQUER DENTISTA pode se candidatar a Delegado-Eleitor no CRO onde possui a sua inscrição. Basta apenas que esteja ‘em dia’ com os seus tributos financeiros, e que não possua nenhuma pendência de ordem jurídica. Ou seja: tem que estar ‘ficha-limpa’! Quanto ao perfil que deve possuir este/a colega, convido a todos para -antes de discutirmos este ponto- nos focarmos um pouco mais (e melhor) sobre a IMENSA RESPONSABILIDADE DA MISSÃO: depositar UM ÚNICO voto que sintetize as expectativas e anseios de TODOS os dentistas do seu estado [aqui na PB, aproximadamente 4.000 colegas]. É mole?! Não, não é! Agora sim, acho que podemos traçar o perfil de um bom Delegado-Eleitor: a) ter disposição para enfrentar desafios; b) possuir elevado espírito de classe; c) transitar COM LIBERDADE entre todos os seus pares; d) saber ouvi-los e ampliar o diálogo coletivo; e) ser altruísta em favor dos reais interesses da classe.
Por enquanto, fico por aqui! Em breve retornarei com outro ponto instigante: “O QUE DIZER DE SERMOS/BR DOIS MARACANÃS LOTADOS DE GENTE, E VERMOS NO GRAMADO APENAS 27 COLEGAS LEVAREM NOSSOS VOTOS?!” Ou (pior) ainda: “O QUE DIZER SE APENAS UMA FRAÇÃO ÍNFIMA DESSES DOIS MARACANÃS SOUBESSE DA EXISTÊNCIA DESSA ELEIÇÃO?!” Mas isso é assunto para a próxima vez. Valeu!!

(26/5/2012)5/ OBJETIVOS COMUNS/ Odontologia: O ideal seria que OS DOIS MARACANÃS LOTADOS DE DENTISTAS tivessem tido [em seus estados de origem], a salutar oportunidade de conhecer os candidatos ao CFO; situação que só acontece quando a ‘fada da esperança’ nos brinda com a oportunidade de termos opções de escolha; ou seja, NOS LIVRARMOS DO ETERNO MODELO DE ‘CHAPA ÚNICA’. A recíproca é verdadeira; na medida em que os candidatos também ajustariam às suas propostas de trabalho AS DEMANDAS PERCEBIDAS PELOS 27 ESTADOS DA FEDERAÇÃO. Será que existem diferenças regionais?! Será que um dentista do nordeste conhece as dificuldades de um colega do sudeste?! Será que as duas regiões sofrem ‘por igual’ as consequências dos aviltantes salários recebidos?! Será que o atual valor das anuidades/CFO não mereceria um reestudo?! [Sobre esta última pergunta, cabe uma reflexão: a CADA ANO, 15.000 novos profissionais passam a contribuir com o montante arrecadado! Fiz o cálculo: 15.000 x R$353,78 = R$5.306.700,00 >A MAIS / POR ANO / TODOS OS ANOS!]. Estou convicto de que os colegas que respondem pelos CRO’s de todo o Brasil, também estão sensíveis a estas questões. Acontece que ‘entra ano/sai ano’ e nada parece acontecer para mudar esta situação. Ao invés disso, continuamos a ver SAIR DA CARTOLA um ‘Delegado Eleitor’ que coloca o voto de quase 4.000 dentistas (número aproximado da PB) que ATÉ DESCONHECEM A EXISTÊNCIA DE ELEIÇÕES PARA O CFO, muito menos estão familiarizados com a maneira como elas acontecem. AGORA EM 2012, teremos ‘novas’ eleições! Sobre as mesmas conversaremos na próxima vez. Valeu!

(08/6/2012) 6/ OBJETIVOS COMUNS/ Odontologia: Pois é! Parece que, finalmente, a ‘fada da esperança’ está dando sinais de sua presença entre nós. Pelo menos, naquilo que diz respeito a termos MAIS DE UMA OPÇÃO DE ESCOLHA PARA O NOSSO CFO, por ocasião das eleições previstas para acontecerem em 2012 (20 semestre). O fato é quase inédito: em SEU QUASE MEIO SÉCULO DE VIDA, foram RARÍSSIMAS as ocasiões em que ocorreu disputa de chapas para o CFO. Esta OPÇÃO DE MUDANÇA está surgindo por intermédio do atual presidente do CRO/MG (36.000 dentistas, 20 maior do país). Seu nome é ARNALDO GARROCHO – candidato de OPOSIÇÃO ao atual (e defasado) modelo político do CFO. O Dr. GARROCHO esteve nos visitando, para falar de suas propostas para um NOVO CFO. Segundo ele (e muitos outros CRO’s), “É GRANDE O INCONFORMISMO INTERNO E EXTERNO COM A DEMORA DE IMPLANTAÇÃO DE MUDANÇAS PROMETIDAS E JAMAIS CUMPRIDAS”. Bravo! O Dr. GARROCHO mencionou a criação do site http://novocfo.com.br/  onde será possível acompanharmos a evolução deste difícil (mas não impossível) TRABALHO DE TRANSFORMAÇÃO POLÍTICA. Sobre o desfecho desta visita, e o seu desdobramento em termos de MOBILIZAÇÃO PARAIBANA PARA UM ‘NOVO CFO’, conversaremos muito brevemente; combinado?!

(15/6/2012)7/ OBJETIVOS COMUNS/ Odontologia: A reunião com o Dr. ARNALDO GARROCHO, aqui em João Pessoa, foi bem positiva e desenvolvida sob a forma de ‘mesa-redonda’.  Nela, os presentes puderam compreender melhor ALGUNS DOS PONTOS que motivaram a candidatura ‘oposicionista’ do Dr. Garrocho. Um deles, por exemplo, diz respeito ao ELEVADO PATAMAR DE INADIMPLÊNCIA de permeia em muitos (ou quase todos) CRO’s. Infelizmente, esses dados NÃO SÃO DIVULGADOS /falta transparência, portanto! Ainda pior é sabermos que, enquanto alguns CRO’s trabalham duro para reduzir a ‘sua’ inadimplência, alguns outros são contemplados com o suporte financeiro oriundo do CFO. Sim, isso é feito com o NOSSO DINHEIRO e sem NENHUM CRITÉRIO DEFINIDO de ACOLHIMENTO. Sobre a maneira de modificar [para melhor] essa forma de administrar, busquei no site  http://novocfo.com.br/  algumas das propostas do Dr. Garrocho, para um “NOVO CFO”: 1/Lutar pela Alteração da Lei 4.324/64 em sintonia com os Conselhos Regionais, objetivando adequá-la a nova realidade; 2/ Novo modelo Administrativo – com o objetivo de dar eficácia e eficiência ao sistema operacional do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais; 3/ Valorização da autonomia dos Conselhos Regionais: a/Aumentar as competências dos Conselhos Regionais; b/ Pactuação do financiamento do Sistema, estabelecendo critérios para promover equidade na distribuição dos recursos financeiros; c/Apoiar e fomentar a participação dos Conselhos Regionais dentro das esferas regional e nacional, incrementando a participação nas instâncias de discussão de políticas de saúde e de ações de interesse da categoria; e 4/ Criação do Portal de Transparência para dar visibilidade e publicidade das ações do Conselho Federal. POR ÚLTIMO, INFORMO AOS COLEGAS QUE: havendo recebido o convite para participar como conselheiro efetivo da chapa do Dr. Garrocho, e tendo recebido o aval dos colegas presentes à reunião; RESOLVI ACEITAR O CONVITE. O ponto agora é trabalharmos para fazer o NOSSO ‘DELEGADO ELEITOR’. Neste sentido, estaremos reunidos nesta próxima 2ª feira (18/06), às 20:00hs, no Salão Nobre do Hotel Tambaú. Venha e participe! Você é bem-vindo(a)! …apesar de acharmos estranho que, até a presente data, ainda não tenha sido divulgado pelo CRO/PB o edital de convocação da Assembleia específica para este fim/… mas isto será assunto para um outro momento! Valeu!

(19/7/2012)8/ OBJETIVOS COMUNS/ Odontologia: Finalmente hoje, fizemos a inscrição da chapa para Delegado-Eleitor/PB. Seremos a CHAPA 2 – de OPOSIÇÃO. Desde a última postagem sobre o assunto, estivemos ocupados em: 1- localizar o Edital de Convocação para a Assembleia ‘específica’ para escolha do Delegado-Eleitor; 2- acompanhar o desenvolvimento das assembleias em outros estados; 3- conversarmos com vários colegas no sentido de informa-los sobre a importância de construirmos um NOVO CFO, bem como consulta-los sobre as suas (nossas) principais reivindicações. O resultado das três ações foi (está sendo) impressionante: 1- foi necessário colocarmos uma pessoa dentro do Jornal A União (local onde é gerado o Diário Oficial do Estado) para localizarmos o Edital/PB. [enquanto isso, o CRO/SE não apenas postou o seu Edital nas redes sociais, como também ficou informando os colegas sergipanos sobre a importância de participação /Parabéns!]; 2- a Assembleia acontecida no CRO/RN foi tumultuada, segundo relato de alguns colegas: não houve cumprimento no horário pré-estabelecido em Edital; dificuldade no acesso ao ambiente de votação; desigualdade no direito e tempo de explanação de propostas; voto por aclamação (e não por cédula em urna como orientado pelo Regimento Eleitoral). Em tempo: as informações me foram passadas por telefone, em ‘tempo real’ por colegas professores, detentores de muito prestígio profissional entre seus pares. Com relação aos colegas de Pernambuco, fiquei ciente que, poucas horas antes do momento da Assembleia, a chapa de oposição tomou conhecimento de sua IMPUGNAÇÃO. Desconheço os motivos, mas pareceu-me que o impedimento poderia ter sido informado com maior antecedência. 3- a imensa maioria dos colegas consultados (aqui na PB) DESCONHECEM a função do Delegado-Eleitor ; NÃO SABIAM da existência de uma Assembleia ‘específica’ para a escolha deste representante estadual; e, QUASE POR UNANIMIDADE, gostariam de ver um CFO mais ‘sintonizado’ aos dias atuais, e ‘mais atuante’ no soerguimento do respeito e da identidade profissional. Voltarei muito breve, trazendo informações sobre como -de forma respeitosa e democrática- poderemos realizar uma Assembleia aqui na PB que contemple em toda a sua plenitude, o DIREITO DEMOCRÁTICO DE ESCOLHA. Com LIBERDADE, é claro!

  • Nossa ASSEMBLEIA está prevista para acontecer no dia 03 de AGOSTO de 2012.

Candidatos a Delegado Eleitor, em pé: Ronaldo Campelo -Vice; Fernando Torres -Titular. Sentado: RLombardi -representante da Chapa 2

(25/7/2012) 9/ OBJETIVOS COMUNS/ Odontologia:Que tal conhecermos como, aqui na Paraíba, estão os preparativos para a Assembleia do dia 03/08, que escolherá o Delegado-Eleitor?! Pela importância histórica do momento, devemos acreditar que a nossa Assembleia será realizada de forma civilizada, onde todos os candidatos pretendentes à função de ‘levarem o voto de mais de 3.000 dentistas paraibanos’, tenham iguais condições de disputa, a começar pelo direito de acesso aos eleitores, para fins de divulgarem os seus propósitos e objetivos. Somente assim, de maneira LIVRE e ESCLARECIDA, os dentistas paraibanos estarão aptos a fazerem suas escolhas. Pena que, de cada 10 colegas perguntados se sabiam o que era Delegado-Eleitor; qual o seu trabalho; e como era feita a sua escolha; 9 (isso mesmo, nove!) desconheciam completamente o assunto. Calma, pessoal! Não vamos responsabilizar os CRO’s pela DESINFORMAÇÃO da matéria. Não seria justo. Afinal, nenhum CRO possui experiência no assunto, uma vez que jamais vivenciou a situação HISTÓRICA que se aproxima: ter DUAS OPÇÕES DE ESCOLHA – o velho ou um ‘novo CFO’.

Pelo exposto, e buscando colaborar com a lisura do processo de escolha, informamos que hoje, pela segunda e última vez, encaminhamos ao CRO/PB algumas solicitações que permitam a CHAPA 2 – ‘NOVO CFO’ condições de acesso aos colegas paraibanos para fins de divulgação de propostas e convocação ao seu direito de escolha, de forma livre e democrática. Vamos aguardar…

(30/7/2012) 10/ OBJETIVOS COMUNS/ Odontologia: Eis que, finalmente, entramos na semana onde acontecerá a Assembleia para escolha do Delegado-Eleitor da Paraíba. De acordo com o Edital de Convocação, a mesma será “específica” em sua finalidade, devendo acontecer no CRO/PB, nesta próxima sexta-feira (03/08), às 20:30 horas. “Para não dizer que não falei de flores”, hoje cedo liguei para o Dr. Abraão Alves de Oliveira e, à tarde, sentei-me com ele na sala da presidência. Fui bem recebido, claro. Um dos objetivos da visita era saber se teríamos (ou não) acesso a listagem dos colegas com a finalidade única de informa-los sobre a existência ‘inédita e histórica’ de uma segunda opção na escolha de Delegado-Eleitor/PB: “Chapa 2 – POR UM NOVO CFO”. Argumentei que, pela exiguidade de tempo, poderia ser apenas a lista com os e-mails ou telefones dos colegas. Fracassei! Fiquei sabendo que havia um impedimento “logístico” na cessão de informações, com vistas a proteger os cirurgiões-dentistas de incômodos ou dissabores, muitas vezes comerciais. Ou, como está agora acontecendo: UNILATERALMENTE ELEITOREIROS, uma vez que a Chapa 1 (da situação) faz chegar as suas propagandas sobre ‘continuidade que pretende acabar com a continuidade’ para os quase 5.000 dentistas da PB. É justo isso?! Não, claro que não!
Amanhã, retornarei – via blog e redes sociais – com mais detalhes sobre a nossa Assembleia.

31
mar
12

Saturday Walkaminhada. Hã?!

  • Nota Prévia: uma das rotinas mais saudáveis adotadas por um grupo de amigos, tem sido as sabáticas caminhadas matinais na orla entre Manaíra, Tambaú e Cabo Branco. Recebeu o nome de Saturday Walkaminhadas, que sempre termina com um café da manhã no restaurante Victory – com direito a um descontraído papo, com ênfase em temas que fornecem suavidade à Vida. Sim, eles existem! O texto a seguir busca traduzir um pouco deste prazer. Caminhemos…

 

Saturday Walkaminhada [31/03/2012]:

Partimos no horário previsto (05:45hs): Rosemildo e eu. Próximo ao Marques de Almeida, encontramos a valorosa ‘equipe sul’: Petrônio e Múcio (ambos, Souto).  Uma vez formado o quarteto, continuamos com destino Sul e contra o vento /sem lenços, mas com documentos/ apesar da resistência oferecida pelos Souto.

No trajeto Sul, cruzamos com Petrônio (o Cavalcante) que vinha no comboio de Marcos (o Pires), nesta composição sem a presença de um certo homem-bomba, pretendido avidamente por um tal de Barak (o Obama), pelo seu grande e reconhecido potencial destrutivo.

Ainda no sentido Sul, passamos por um trecho dedicado aos preparativos de um Triatlon. O ambiente rendeu boas recordações ao Souto Petrônio que lamentou não ter seguido (nem investido) na sua fração corpore sano. Na euforia de relatar as suas atléticas conquistas (stricto sensu) do passado, nosso ex-quase-maratonista por pouco não esbarrou em um cadeirante para-atleta. A colisão foi evitada às custas de uma torção nos frágeis tarsos do pé esquerdo do nosso Petrus: fato que evidenciou o seu distanciamento da forma física que vinha sendo narrada.

Não chegamos à Penha. Voltamos do final da calçada do Cabo Branco. Nesta ‘meia volta volver’, o quarteto foi soprado pelo prazer de completar a etapa restante até o Victory, ao favor do vento: –Finalmente um grande parceiro; ouviu-se dos Souto.

Reza a lenda que na volta, ninguém se perde! Mesmo assim todo o coletivo, principalmente o Petrus, passou pela área do Triatlon com atenção redobrada a tudo que se assemelhasse a qualquer tipo de veículo com rodas.

Um pouco mais adiante, nosso estrategista-mor Múcio Souto fez opção pela forma motorizada na conclusão do trajeto até o Victory. Ardilosamente, havia deixado o seu veículo em uma trincheira do Cabo Branco. Solidariamente, convidou a todos para seguir com ele sem a necessidade de queimar mais calorias. Em atitude merecedora de condecorações, o nosso Petrus disse -NÉGO! Heroicamente, declinou do convite formulado pelo seu primo, argumentando que seguiria a pé (agora com os seus tarsos restabelecidos) e com o resto da tropa. Seu gesto foi grandioso! Também umedecido pela presença de lágrimas – não sabemos se de remorso ou desespero. Na dúvida, ficamos com as duas opções!

O (agora) trio durou pouco. Logo se transformou em novo quarteto, com a chegada ‘inesperada, pero sempre esperada’ do jovem Betinho.

Rumo à vitória; digo, ao Victory!

Já no restaurante, a satisfação do esbaforido grupo ganhou um plus com a visualização do Lula Queiróz fazendo companhia ao motorizado Múcio: já ‘manobrando’ um vistoso ovo bem passado, com pão e manteiga.

O prazer maior do quinteto daquela ‘távola do Victory’ aconteceu com a chegada do imbatível guerreiro Roberto Tanouss, trazendo as últimas notícias do front. Todas elas reconhecidas como merecedoras de aplausos em nome do prazer da boa luta diária pela arte de viver com arte.

Na verdade, ali, o que passamos a saborear, não foi apenas pão e queijo, mas sim o principal nutriente da VIDA: o inquebrantável prazer/benção de um sadio convívio com amizades verdadeiras.

Viva a Vida – Victory!

Até sábado, ALELUIAH!

  • Integrantes da SW: Marcos, Múcio, e Petrônio Souto; Ricardo Lombardi; Carlos Batinga; Roberto Tanouss; Luis Queiroz; Rosemildo Jacinto; Petrônio Cavalcante; Glauco Montenegro;  Herbert ‘Betinho’; Rodolfo Athayde; Júlio Rafael (em intenção explícita); e quem mais vier…


Foto 1

Foto 2

CD Ricardo Lombardi

10
mar
12

fazer política – arte ou desastre?!

FAZER POLÍTICA – arte ou desastre?!

Existe uma pergunta que está ficando cada vez mais difícil de ser respondida: ”-se o poder emana do povo, como é que não param de crescer os escândalos em organizações públicas voltadas para o aprimoramento cívico, ético, e moral, deste próprio povo?!”

Os mais apressados poderão responder que é por conta de não sabermos escolher os melhores nomes e/ou propostas. Já os mais ingênuos, continuarão acreditando que tudo será resolvido nas próximas eleições, com a escolha [desta vez] de pessoas certas, para os locais certos.

Certo? Não! As duas situações estão erradas.

A primeira nos remete a fazermos a opção ‘tecla verde/CONFIRMA’ em cima de rostos que sintetizam o rescaldo de longas e intensas negociações (ou seriam negociatas?!) voltadas para – prioridade máxima – garantirem a vitória nas urnas. A segunda, diz respeito ao grupo vencedor: trabalhar a distribuição de cargos e benesses entre correligionários e agregados de primeira e última hora.

A ideologia partidária virou artigo em extinção. O que importa agora é a famosa ‘GOVERNABILIDADE’. Somente ela é capaz de conceber argumentos do tipo: a) ‘aliança, se faz com os desiguais’;… b) ‘precisamos, desde já, formar uma sólida base de sustentação’;… c) ‘com maior número de partidos na coligação, teremos mais tempo de mídia’; etc…  

É lícito deduzir que essa nova ordenação de valores provoque, em muitos, a substituição do antigo e fidelíssimo amor partidário, pela fulminante paixão de ser abduzido a fazer parte da ‘base aliada’ – que incha (e muito) a cada nova eleição.

É a constatação deste crescente ‘inchaço da base’, que reduz a minha esperança na força do voto como instrumento transformador. Pelo grande número de discípulos, bem como pelo volume dos compromissos previamente assumidos; soa risível ouvirmos dos eleitos (agora, em tom maior) que somente a eles/elas caberá a tarefa de escolherem nomes para ocuparem importantes cargos. Pior ainda é o argumento de que será utilizado o critério único da ‘meritocracia’. Será mesmo?!

Infelizmente, sou levado a acreditar que a árdua tarefa de elaborar ações pró-governabilidade, irá matar a própria governabilidade. Igualmente creio que isto virá sob a forma de dois sentimentos, bíblicos e lindamente contemplados em obras da literatura universal: ciúme e traição!

Prova disso?! Já começamos a ver reuniões partidárias (de partidos ‘da base’, diga-se!) transformarem-se em verdadeiras contendas; não de ideias, mas de força física e corporal dignas de qualquer espetáculo UFC. Ou então, quando lemos que importantes personalidades (‘da base’, diga-se de novo!) assinaram manifestos de repúdio à indicação de ministro, à revelia de seus conhecimentos e aprovações prévias. De fato, o poder encanta e seduz!

É isto! Pelo andar da carruagem, imagino que irá aumentar consideravelmente a peregrinação de muitos fiéis a um certo endereço localizado em São Bernardo/SP. Ainda bem que o município tem nome de santo.

Oremos! Votemos!

CD Ricardo Lombardi

25
fev
12

o choro de uma barreira

O CHORO DE UMA BARREIRA

 

Já faz um bom tempo que adotei – junto com alguns e bons amigos – o saudável hábito de caminharmos pela calçada do Manaíra, logo após os primeiros raios de sol serem paridos pelas águas do Atlântico.

De segunda a sexta, distância e prazer ficam reduzidos em razão dos horários impostos pela labuta diária. Porém aos sábados, o grupo aumenta; assim como o circuito a ser cumprido fica mais comprido.

A este prazer sabático demos o nome de: Saturday Walkaminhadas – que termina no café da manhã no Tambaú Flat.

Uma forte característica do ‘SW Group’ é não ter pressa: relógios e cronômetros não se fazem necessários. A ordem é caminhar com prazer, e saborear o doce mel de Jampa ao som de: ♬…somos a porta do Sol/ deste país tropical…

Hoje (25/2/2012), a nossa SW estabeleceu como meta a ser executada, o circuito ‘do Busto ao Farol’. Acreditamos que o trecho (ida e volta) compreenda algo em torno de 12 km – o que está de muito bom tamanho, haja vista a faixa etária dos participantes.

Daquilo que vimos (e fotografamos) ficou claro que a Mãe Natureza continua generosa com a barreira do Cabo Branco. Não é de hoje que a mesma vem ‘avisando’ a todos nós – cidadãos e cidadãs – que está entrando em colapso. Ou fadiga, se preferirem.

Alguns leitores terão todo o direito de rotularem este simplório texto como: pessimista, fatalista, ou até mesmo apocalíptico. Não penso (nem sou) assim. E defendo-me pegando carona nas retóricas usadas, atual e rotineiramente, pelos próprios gestores e gestoras da coisa pública, incluindo também os candidatos/as às próximas eleições.

Começo pelo resgate das seguintes citações (apenas três):

  • “…vamos investir com prioridade em obras estruturantes” /Ótimo: entendo que a recuperação e preservação da barreira do CB esteja inserida nesse contexto. Melhor ainda se concebermos como demanda preventiva, antes que torne-se emergencial;
  • “…para cada criança nascida em João Pessoa, quatro novos automóveis são lançados nas ruas” /Perfeito: significa que para cada criança que pisar na barreira, dezesseis novos pneus (não estou computando ônibus, caminhões, nem motos) estarão trafegando nas artérias esclerosadas que margeiam um dos nossos mais buscados pontos turísticos;
  • “…não apenas aqui em João Pessoa acontecem intempéries climáticas. Em todo o mundo esses fenômenos são observados” /Excelente: existe clara percepção de que a natureza vem universalmente sinalizando estar cansada de receber tantas agressões e que, por enquanto e felizmente, está sendo muito bondosa com relação ao ‘extremo oriental das Américas’ (ainda é?!).

O aprendizado adquirido em nossa caminhada ecológica de hoje foi: 1/ diversos países no mundo venceram desafios e/ou catástrofes impostas pela natureza; 2/ fizeram isso não pelo interesse do voto, mas pelo nobre e ‘apartidário’ compromisso de promover um padrão de vida de ótima qualidade; 3/ somos privilegiados de vivermos em um dos locais mais aprazíveis do planeta; 4/ somos descuidados quanto a preservação desta dádiva; 5/ o tempo de erosão do solo é bem diferente do tempo de eleição.

/para o meu neto, Lucas/

CD Ricardo Lombardi

"Quem avisa, amiga é!" /foto tirada em 25/02/2012 às 07:21 hs

"Sim, nós temos vocação para o futuro. Basta apenas garantirmos o chão do presente"/Grupo 'Saturday Walkaminhada' de 25/02/2012

23
fev
12

ecos de um carnaval

ECOS DE UM CARNAVAL

 

Faz tempo que, em época de carnaval, me pego relembrando os memoráveis acontecimentos daquela versão de 1969. Eu, e os meus quatro parceiros [Duda e Dinho Aranha, Paulinho Costa, e Marconi Simões], todos residentes nesta amada João Pessoa. Ainda não tínhamos atingido os 18 anos – idade em que poderíamos obter a sonhada CNH (carteira nacional de habilitação).

Como adolescentes, vivíamos aquele momento onde a força dos hormônios só era menor que o desejo de circular motorizado, sem restrições legais. E sem aquelas irritantes acnes denunciadoras da faixa etária, claro!

Mesmo assim, havíamos decidido que participaríamos do famoso corso (desfile de carros alegóricos com direito a mela-mela), não mais como anônimos espectadores; mas inseridos no circuito ‘Duque de Caxias – Visconde de Pelotas’, como cinco belos pierrôs: púberes e… MOTORIZADOS!

Uau! Desse jeito, até as meninas do Manaíra iriam olhar para nós!

O projeto grupal foi logo materializado com a compra daquele (outrora) possante Ford 48; modelo Custom Deluxe; verde clorofila. O mais novo objeto do nosso desejo foi logo batizado de ‘Ford forty eight’! (pronunciávamos: fófórtêite).

  • UHUUU, o Fordão era nosso! (mal sabíamos que os nossos problemas estavam apenas começando).

Dentre os inúmeros custos agregados à compra do fófórtêite, um deles foi destinado à contratação do Tonho Volante. O nosso motorista ‘habilitado’, estava longe de ser a versão do Morgan Freeman em ‘conduzindo Miss Daisy’. Era um moreno baixinho, gordinho, simpático, e que andava sempre com uma flanela no pescoço, pois transpirava mais do que tampa de bule em casa de chá na fria Londres.

Ente nós, Duda Aranha era quem melhor conhecia sobre os detalhes mecânicos oriundos da revolucionária Detroit. Por ele, ficamos sabendo que o veículo era ‘modelo vaca-magra’ – assim chamado porque o seu distribuidor ficava embaixo, e não na parte superior do motor. Esse pequeno detalhe foi duramente constatado por todos: o Fordão não podia passar por uma poça d’água que… pluft; apagava! E para fazê-lo voltar a funcionar, somente na base do empurrão. O veículo desconhecia por completo um mecanismo de nome ignição.

Ao volante, a performance de Duda (desabilitado) era fabulosa. Era pelo seu intermédio que Tonho (habilitado) aprendia as manhas do fófortêite. Uma das primeiras lições exigia perfeita coordenação motora e sincronismo de ações dos membros inferiores: frear o carro sem deixar que o mesmo morresse.

A manobra (vital) poderia ser executada de duas maneiras: a) usar o calcanhar direito para acionar o pedal do freio, mantendo o resto do pé no pedal de aceleração; ou, b) antes de frear, colocar o carro em ponto morto, e transferir o pé esquerdo para o pedal do freio, enquanto o direito permaneceria agindo no acelerador. Durante este aprendizado, a flanela do Tonho atingia a cota máxima de molhamento.

Mas o grau de dificuldade no item frenagem, não ficava só nisso. Era necessário pisar (com força) sete vezes consecutivas no pedal do meio para que o óleo de freio fosse injetado no mecanismo de amarração das rodas. Havia um vazamento generalizado que exigia um consumo diário de, pelo menos, quatro litros do líquido viscoso – e salvador.

Dependendo de como a necessidade surgisse, as sete pisadas variavam como os movimentos de uma peça sinfônica: na calma, surgia o estilo moderato; no sufoco, ante o prenuncio de alguma colisão; o estilo era allegro, ou presto. E tudo isso sob a batuta do maestro Tonho Volante.

No dia mais importante do corso, o fófórtêite estava lindo. Fez parte da sua caracterização: remoção das quatro portas e da tampa da mala; polimento reluzente da parte que restou para fazer colagem de adereços (confetes, serpentinas, máscaras) alusivos à ocasião; cano de escape alterado com a finalidade de ‘ouvirmos’ o ronco do velho motor de explosão; latas amarradas ao pára-choque traseiro; pneus pintados de branco, entre outros…

Dentre as memoráveis situações, algumas pareciam cenas de desenhos animados. Uma delas foi quando enchemos totalmente o tanque de gasolina e, no primeiro solavanco o mesmo, pelo peso, desabou ao chão. Outra vez, para encurtarmos caminho, estávamos subindo a íngreme ladeira do Colégio das Neves, quando as rodas dianteiras do carro se desgrudaram do chão, devido ao peso de três de nós, que gostavam de ficar em pé na mala traseira. Para equilibrar a subida, pulávamos todos para frente do carro.

Acreditem! Houve uma ocasião em que, em um único circuito, o mesmo pneu furou três vezes. Mas o pior, até porque mais rotineiro, era quando tínhamos que chupar a gasolina do tanque com uma mangueirinha, e transferir o conteúdo para dentro do carburador.

Foi tudo maravilhoso, pois ninguém explodiu!

Pena que, à noite, por mais que tomássemos banho, sempre chegávamos no famoso baile do Clube Cabo Branco fedendo a gasolina, e com olheiras profundas do cansaço de darmos sobrevida ao nosso querido fófórtêite.

Para tristeza geral, logo percebemos que – naquele iminente risco de combustão humana – nenhuma menina do Manaíra seria capaz de aproximar-se de nós.

Quanto ao Fordão, seu destino final foi o retorno a um ferro-velho, para desmanche. Por sinal, neste último percurso foi a única vez que funcionou a sua ignição. Por essas e muitas outras, tenho certeza de que aquele fófórtêite permanece inteiro, lindo e reluzente, na memória daqueles cinco amigos.

Com relação ao Tonho Volante, ninguém sabe do seu paradeiro. Tempos atrás, ouvi dizer que havia se tornado comerciante: estava alugando camelos e vendendo óleo de freio no circuito do rally Paris-Dakar.

Evoé! Colofé!

CD Ricardo Lombardi

14
fev
12

bipolaridade nossa de cada dia

BIPOLARIDADE NOSSA DE CADA DIA

 

Longe de mim, pretender dar uma de Freud e tentar explicar que vejo esse tal de transtorno bipolar – muitíssimo verificado em nossos dias – como ‘coisa do Bem’.

Peço logo aos experts no assunto, pelos quais nutro o maior respeito, a devida vênia pelas incursões [nada científicas] sobre o assunto. Apenas vou me ater ao relato de algumas observações do cotidiano de pessoas que convivem na maioria das cidades brasileiras (a exemplo de minha querida João Pessoa) que se propõem ao crescimento; não obstante a asfixia trazida pela poeira do progresso.

Começo, com uma velha e conhecida piada(?!): dois motoristas, em seus veículos, estavam em um cruzamento de trânsito, disputando a preferência do acesso. Enquanto parados, o mais agitado deles, com um indefectível ’sorriso Mona Lisa’, mirou o inimigo com o seu olhar tiro de morteiro, enquanto pensava/falava baixinho: – filho da puta, não tá vendo que a vez é minha, pô! Assim que o outro motorista, de forma gentil, fez sinal com a mão permitindo-lhe a passagem, o não mais agitado motorista, agora com um ’sorriso Louis Armstrong’, gesticulou com o polegar para cima, e bradou: – Valeu, amigão!!

O sempre caótico trânsito urbano é, de fato, o principal laboratório para a prática deste nosso mais moderno exercício sadomasoquista: a oscilação abrupta do humor, mais conhecida como ‘distúrbio bipolar’. Apesar de categorizado pelo DSM-IV (a 4ª revisão do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), e pelo CID-10 (10ª versão do Código Internacional de Doenças), o quadro NÃO é considerado como loucura – portanto não dá status de alienação mental. Felizmente, não é?!

No exemplo da piada, ainda bem que a oscilação de humor se deu no sentido favorável; isto é, do mal, para o bem. Infelizmente, quando acontece em sentido desfavorável (do bem, para o mal), aí o bicho pega! E, quando isso acontece, temos como ato contínuo o aumento das estatísticas de acidentes de morte por ‘estúpidas discussões’: no trânsito; nos bares; nas ruas; nos colégios; nas passeatas pela paz, etc…

De modo empírico, inclino-me a acreditar que a excitação ao comportamento bipolar começa pela ‘TV nossa de cada dia’. Ou melhor, pelo conteúdo da sua programação (salvo exceções). Basta imaginarmos como trabalha o nosso cérebro quando, logo cedo, em programas matinais, somos despertados (p/ exemplo) com reportagem sobre ‘estupro seguido de morte’ para, logo em seguida e numa velocidade estonteante, sermos apresentados a uma suculenta ‘receita de rocambole ao molho de tomate’.

Pois é! Os nossos neurônios (em mim, aqueles dois que ainda funcionam) são terrivelmente chacoalhados em conexões sinápticas que vão de um extremo (estupro) a outro (molho de tomate). Fica inevitável o clima de bipolaridade dentro da cachola, não?!

E o bombardeio não fica só nisso! Na novela do ‘horário nobre’ somos apresentados a uma protagonista louca (esta sim, catalogada pelos DSM-IV e CID-10, como ‘caso perdido’) que nos ensina a sequestrar e matar, enquanto o seu mordomo (o fantástico e ingênuo Crô), com o seu alto astral, ajuda a diluir a patologia da rainha do Nilo. E tome mexida em nosso cérebro!

Por último, temos as aulas de moral, de ética, e de civilidade, proferidas pelo magnífico filósofo da nave BBB (um deles é de bosta, tenho certeza!), com cenas explícitas que fazem tremer as Saturdays Night Fevers de Sodoma e Gomorra! Ao vivo, a cores, e em widescreen!

Com toda essa ‘artilharia’, é natural que, mesmo involuntariamente, nos tornemos praticantes da bipolaridade. Tornou-se vital! Afinal, nossos cérebros já estão acostumados a irem de zero a cem, num piscar de olhos. Ou numa mudança de canal, caso prefiram!

Tem cura?! Claro que sim! Basta largar o controle remoto e pegar um livro, ué! Tenho certeza que a permuta será no sentido: do mal, para o bem!

CD Ricardo Lombardi

30
jan
12

pé na estrada

PÉ NA ESTRADA

Aqui em João Pessoa, um dos pontos de encontro mais férteis em oportunizar a proximidade física com pessoas amigas é – sem nenhuma dúvida – o saguão da UNIMED, onde funciona o setor de ‘autorização de procedimentos médicos’. Principalmente para usuários que, igual a mim, encontram-se naquela faixa etária onde o prazo de validade já trabalha dentro do desvio padrão.

É pena que, nesses frequentes reencontros de velhas amizades, nem sempre o abraço forte seja permitido. Corre-se o risco de uma das partes estar acometida desde uma simples lombalgia; enquanto a outra, mumificada por uma forte cinta abdominal pós-cirúrgica.

Bem pior (até porque, muito mais frequente) é a ‘paquera’ – não necessariamente verificada entre gêneros opostos.  Refiro-me aos minutos passados na base do olho-no-olho, mas sem a mínima condição de iniciar o diálogo; quer por problemas de catarata, ou mesmo de memória.

Naquele ambiente, os problemas são múltiplos e variados. Não apenas em termos de complexidade, mas também e principalmente, na cota de esperança que cada um nutre (e trabalha) na busca da melhor resolutividade de suas dores ou queixas.

De igual, têm-se apenas o fato de que todos ali carregam nas mãos o famoso formulário verde, onde serão inseridas anotações técnicas que, convertidas em números e códigos, alimentarão as estatísticas sobre a saúde do povo brasileiro. Ou melhor, daquela fração mínima que goza – bem ou mal – dos benefícios de ‘planos privados de saúde’.

É muito interessante observarmos a maneira como essas anotações possibilitam aos seus usuários uma natural tendência a formarem subgrupos. De fato, é como se os ditos formulários representassem um tipo de cartão de embarque: uma vez decifrado o código CID, de maneira supernatural os ‘semelhantes’ se agrupam, e passam a utilizar uma nova dialética em suas comunicações.

É desta forma que me vejo inserido, desde novembro de 2009, no capítulo II, da CID-10 (capítulo que versa sobre os tipos de tumores cancerígenos, na 10ª versão do Código Internacional de Doenças). Eu, e uma imensa quantidade de amigos e amigas, nascidos na década de ’50, e felizes por termos tido uma adolescência sem o vírus do BBB, mas com: Beatles, Bossa-nova, e Buarque.

O simples fato de alguém amanhecer fazendo parte do ‘capítulo II’, por si só, não lhe permite entrar em desespero (jamais). Nem mesmo sair fazendo previsões sobre tratamento e prognóstico da doença. O câncer hoje é uma doença curável, a exemplo de muitas outras. Também letal, se comparada a tantas outras.

Além disso, temos a existência de múltiplos protocolos e etapas terapêuticas. Até mesmo a minha atual fase de tratamento (follow-up/acompanhamento), só me permite dizer: –‘atualmente, encontro-me SEM a doença’. O que é fantástico, acreditem!

Garanto que o meu subgrupo é porreta!

O pessoal é totalmente articulado em torno de palavras de ordem, do tipo: estadiamento, PET Scan, CEA, PSA, colonoscopia, mamografia, quimioterapia, radioterapia, metástase, tratamentos adjuvantes, linfonodos, K Ras, e outros que tais… (ufa!).

Tudo faz crer que a troca de informações e o ‘jogo aberto’ nas conversas, contribuem -e muito- para o êxito do tratamento. Foi graças a esta quebra de paradigma (ou mesmo preconceito) que HOJE, em qualquer local, o tema ‘câncer’ é abordado com absoluta naturalidade, sem nenhuma reserva. Ao contrário de tempos idos, onde se evitava até pronunciar a palavra (cê á): Credo!

Sabemos que o crescente número de pessoas diagnosticadas com as patologias listadas no capítulo II (CID-10), não representa, em princípio, um simples aumento da prevalência das doenças. Argumento bem mais convincente é que: HOJE os recursos de diagnóstico são infinitamente mais eficientes na detecção dos problemas. Ou seja: ontem, morríamos sem saber de quê. Hoje, vivemos sabendo contra quem lutamos. E temos tudo para sairmos vencedores!

Infelizmente, com todos esses recursos, muitas pessoas ainda teimam em viver acreditando ser bobagem se submeterem aos exames PREVENTIVOS PERIÓDICOS, na medida em que não percebem sintoma algum. De novo (e em letras maiúsculas): CREDO!

Por último: dedico o presente texto aos parceiros e parceiras inseridos (ou não inseridos) no capítulo II. Aos ‘inseridos’ quero dizer-lhes que não estou prescrevendo que a nossa estrada seja prazerosa. Ela é apenas ‘especial’. Uma vez nela, torna-se fundamental acionarmos os nossos dois ‘efes’: Fé e Força! Somente com eles, saberemos compreender a importância de cada um dos nossos passos, sem jamais perdermos a condição de contemplarmos as flores que brotam às margens do caminho. Elas foram ali colocadas por DEUS. Cabe a nós cultivá-las, em união com: familiares, amigos não inseridos, e nossos queridos profissionais da saúde; pessoas muito especiais*.

CD Ricardo Lombardi

Com o especial e inserido amigo ROBERTO TANOUSS. Quando ainda residente em Brasília, encerrávamos as longas conversas por telefone com a seguinte senha: "segura daí, que eu ataco daqui". Agora, morando em João Pessoa, o papo está em dia e continuamos segurando e atacando juntos! Em frente, parceiro!!

Com Dr. JOSÉ EYMARD /gastroenterologista

Com Dra. SALETE TRIGUEIRO /patologista

Com Dr. CÁSSIO VIRGÍLIO /cirurgião

Com Dra. DALVA ARNAUD /oncologista

Com Dr. DEMÓSTENES CUNHA LIMA /cardiologista

Com padre LUIZ ANTONIO /padre e conselheiro espiritual

19
jan
12

RINAH em dose dupla

RINAH em dose dupla 

Devo ao Twitter a oportunidade de ter me reaproximado do pai da moça. Ou melhor, do pai da cantora! Refiro-me ao Petronio Souto: pai (e fã número um) de RINAH!

Embora o nosso dileto ’Sancho Pança do Cabo Branco’ seja alguns quilômetros mais rodado do que eu; foi fácil alcançá-lo graças a uma das suas principais características: caminhar pra frente; sem pressa, e sem esquecer-se de olhar para trás.

E foi caminhando nas famosas ‘Saturdays walkaminhadas’ que ele (uma vez mais, e sempre discreto) nos falou de sua filha cantora: para mim, e para nossos parceiros dos 15 km de andada que antecede a boa e divertida mesa do Café do Victory.

Virtualmente, graças aos YouTubes e aos Googles da vida, muitos de nós já havíamos constatado que a RINAH era dotada de uma bela voz, e um estilo musical ‘impróprio’ para a sua idade. Felizmente! Nada que pedisse restart; nem lembrasse boquinha de garrafa, ou mesmo chiclete. Nada de ai, ai se eu te pego; nem palavras de ordem do tipo: vamu tirá os pé do chão, galéééééraaaa! Que bom! Sua opção melódica está mais para acompanhar a maré cheia bater na janela da Januária. Ótimo, não é mestre Buarque?!

“A RINAH vai fazer a sua estréia na próxima sexta-feira, abrindo o projeto Estação do Som, no Ponto de Cem Réis, antecedendo o ‘pérola negra’ Luis Melodia”. Foi desta maneira, e com a face bem corada (misto de caminhada e emoção), que o pai da cantora soltou a novidade aos presentes à mesa do Victory. Todo o grupo saboreou a notícia como a grande oportunidade de conhecer, finalmente, a ‘RINAH real’.

Petrus/pai no ‘gargarejo’, na fase pré-show, durante cobertura da TV.

Chegamos cedo no ‘Cem Réis’. Eu estava orgulhoso, já me sentindo engajado no staff da cantora, haja vista que me fazia acompanhar do ‘pai da artista’. Conosco, ia também a minha filha #Biaqueestavaemjoãopessoa, bem como o amigão Marcos Souto.

Enquanto aguardávamos a montagem do palco, a Rinah/filha veio cumprimentar o Petrus/pai. Fomos apresentados. Deu pra perceber tratar-se de uma jovem simpática e atenciosa. Simples, e sem vislumbres. Do tipo: ‘pés no chão’ – exatamente o que esperamos encontrar em nossas filhas e filhos, sempre, e principalmente quando estão na faixa dos seus vinte e poucos anos. Gostei!

Mas, será mesmo que aquela criatura ‘tão normal’, possuiria uma arte, um dom, que justificasse a presença de tanta gente na praça?!

Declaro que sim! Bastou ela ser anunciada e subir ao palco! Cantou e encantou tal qual uma ave afinada. Talvez uma ANU, muito bem lembrado por um dos seus amigos, o jornalista baiano Victor Uchoa – a quem agradeço o texto (abaixo), e o consentimento de divulgá-lo no ‘Coisasdolombardi’.

CD Ricardo Lombardi

O BICO DE ANU

Por Victor Uchoa*

A primeira vez que ouvi Rinah cantar, a música que a acompanhava era de um videokê. Ainda assim, foi encantador. A voz repercutia nas pedras de uma torre medieval do norte português, seus cabelos balançavam com a brisa e ela sorria enquanto cantava, porque cantava para se divertir.

Lembro de ouvi-la cantando Marley e levar consigo até aqueles para quem Bob não significava muita coisa. Uma senhora portuguesa – bem velha – levanta, puxa a barra da saia e cai no reggae. Tirante tudo que o tempo me tomou da memória, disso lembro bem. Aconteceu num videokê do norte português.

Depois, ouvi Rinah cantar em bares com som mal equalizado, em espaços onde era proibido fazer música, acompanhar um violeiro solitário, interpretar Cartola com sinceridade e Luiz Gonzaga com emoção.

Tenho sorte: ouvi Rinah cantar na Paraíba, sem o tom da saudade. Na Bahia, cantou “Saudade da Bahia” para ser aplaudida de pé. Disso lembro bem. Aconteceu no Garcia, de onde os músicos saem aos enxames.

Toda vez que perguntam por que ela não se dedica inteiramente à música, Rinah desconversa. Aposta ainda na diversão. Entrega-se à literatura e ao garimpo do novo. Apega-se à morna africana ou arrisca o ragga. Sossega e grava sambas com o tom da saudade. Um dia há de responder: Quem mostra’ bo ess caminho longe?

A voz de Rinah é um inquebrantável elo entre poema e melodia para dar liga à canção popular. E por mais que ela não queira, entrega o que todos esperam de uma canção: emoção. Desperta um sentimento (qual?) naqueles que se deixam envolver pela equação de música e literatura, sem ser uma ou outra.

Talvez o encantamento que toma quem a ouve seja reflexo da simplicidade com que Rinah canta. Nos grandes palcos ou entre amigos, canta porque se diverte. Entoa reggae e baião sem vacilo. Interpreta sobre o jazz ou a bossa com desenvoltura. Deixa-se envolver na brisa e não para de sorrir. Tirante tudo que o tempo me tomou da memória, disso lembro bem. É que acontece o tempo todo.

*Jornalista baiano que estudou com Rinah em Portugal.

27
nov
11

pequenos grandes valores

PEQUENOS GRANDES VALORES

 

O crescimento vertiginoso de conquistas tecnológicas voltadas para oferecer-nos mais conforto e melhor qualidade de vida, é fato!

Será mesmo?! Há controvérsias…

O nosso ‘admirável mundo novo’ parece ter sido soprado por ventos provenientes do Vale do Silício (CA/USA). Inicialmente, parecia tratar-se de uma brisa passageira. Ledo engano!

O fato é que, desde os anos cinquenta, o que parecia viração, transformou-se em um ciclone que [até hoje e de forma sempre crescente] não para de espalhar chips, smartphones, iPhone, iPad, [iCredo?!]… e uma série infindável de downloads de novas palavras, capazes de confundir qualquer Aurélio de plantão. Ou bem pior, provocar turicas em nossos melhores Arianos.

Com tais equipamentos, encolhemos o mundo! Nosso planeta está sendo carregado sob a forma de minúsculos aparelhos que, bastando uma passada de dedo, nos traz respostas sobre tudo. Tudo mesmo! Até sobre a programação semanal de teatro na… Croácia!

O grande incômodo vem pela constatação de que: pelo arco desta ‘tecnologia da informação’, já deixamos para trás a fase homem-homem, em detrimento da atual fase homem-máquina. Esta última, é bom dizer, já emite sinais de que muito breve (se é que isso já não aconteceu) cederá lugar à fase máquina-máquina.

Bacana, não é?! Até seria, caso algumas perguntas recorrentes pudessem ser respondidas com segurança. Duas delas: – estamos embarcando no trem certo?!  – na ânsia da viagem, não estamos deixando de lado a benéfica convivência com valores reais?!

Admitamos: Teclar, não é o mesmo que escrever! Postar, nunca será igual a conversar! kkkkk, não vale um sorriso! \o/ jamais terá o calor de um abraço! E a lista é imensa…

Parece-me oportuno lembrar que a desmedida (pre)ocupação atual, de muit@s, com o cultivo de listas de seguidores e/ou amigos virtuais, jamais deverá substituir a emoção real causada toda vez que ouvimos uma canção que diz: ♪…amigo é coisa pra se guardar / no lado esquerdo do peito…

Se assim não for: PAREM ESSE TREM, POIS EU QUERO DESCER! Ou, talvez, dar unfollow!


CD Ricardo Lombardi

23
nov
11

ao amigo cleucio

  • Nota prévia: há exatos dois anos, um grande companheiro passou a residir em outro plano espiritual. Naquele momento não foi possível, entre nós, nenhum tipo de despedida formal. Talvez por isso, em mim, ele ainda esteja por perto. Felizmente! O texto abaixo foi escrito quando eu, recém operado, tomei conhecimento da partida deste amigo-irmão (nov/2009). -Para Tereza, filhos, neta, e irmãos.
AO AMIGO CLEUCIO

Algumas intercorrências anularam a possibilidade de despedidas formais entre nós. Melhor assim. Quero preservar aceso, na memória, o impulso que me impeliu a escrever estas linhas, exatamente no instante em que todos lhe prestam as derradeiras e justas homenagens. Certamente, a estrutura do texto ficará muito aquém da modesta pretensão de transmitir a importância do nosso maior patrimônio: a amizade.
Durante anos e com absoluta reciprocidade, foi possível vivenciarmos uma bela amizade. Não me refiro à forma genérica do termo, mas ao estilo naturalmente cultivado por nós. Com diálogo franco e aberto, usando de poucas palavras e muita sinceridade, sempre encontrávamos o caminho para superarmos dificuldades ou compreendermos melhor o sentido das coisas. Como exemplo, recordo-me da época em que acreditávamos ser possível unir todos os segmentos da nossa Odontologia como único meio de resgatar e preservar a sua identidade. O fracasso foi retumbante e logo diagnosticado por nós, quando sentimos que a tarefa não se ajustava ao tamanho do sonho.
Como professores e formadores de opinião, sabemos que conquistamos alguns seguidores. Nesse aspecto, fomos vitoriosos, pois nosso sonho demonstrou força e agregou valores. Nosso pequeno séquito foi logo identificado pelo dileto amigo com a feliz expressão: “pessoas que não leiloaram suas amizades”.
Descanse em paz, meu irmão. Esteja certo de que, junto com a força das nossas mulheres, filhos, parentes e amigos, conseguiremos transmitir e preservar o maior legado deixado por você: dignidade!

23/11/2009

Ricardo Lombardi de Farias
Professor universitário-UFPB