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01
ago
13

a marca da vitória

com PAULINHO [JPA, 6/6/13]

com PAULINHO [JPA, 6/6/13]

O nome deste meu amigo flamenguista é PAULO FRANCISCO ESPÍNOLA. Acostumei-me a chama-lo de PAULINHO, ou, melhor ainda, de PAULOPAULO. Ainda pequeno, foi trazido pelos seus pais e submetido -até hoje- aos meus cuidados profissionais. Para mim: uma honra!

Logo percebi que PAULOPAULO era uma pessoa diferenciada. Não pelo fato de possuir um sobrenome com ‘traço genético’ de indiscutível qualidade cromossômica, mas pelo seu natural brilho interior. Próprio de vencedores.

PAULINHO é excelente aluno; apaixonado por livros, e adora escrever. De quebra, e para alegria de seus pais, também é ótimo jogador de basquete. Muito fácil compreender, pelo texto abaixo, que ELE É O CARA!

Um dia, PAULOPAULO não mais necessitará dos meus serviços profissionais. Quanto a mim, e para sempre, será impossível deixa-lo de reconhecer como grande referência da intrínseca capacidade humana de vencer desafios. E com um belo sorriso, vale frisar.

PARABÉNS, amigo campeão! Por favor, prossiga nos ensinando a encarar a vida com a mesma emoção de quem faz um arremesso de três pontos, e vira o jogo!

Ricardo Lombardi

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A marca da vitória.

Era uma quinta-feira dia, 4 de março de 1999, véspera de aniversário do meu pai. Minha mãe sai da consulta com a notícia que o bebê ainda demoraria para nascer, mesmo assim, deveria voltar à clínica no dia seguinte.

Na sexta, já um dia abençoado pela comemoração de mais um ano de vida do meu pai, meus progenitores voltam à doutora para receber a mais maravilhosa das notícias. Eu nasceria. Às dez horas da noite daquele mesmo dia chegaria ao mundo uma grande surpresa: um bebê fissurado.

Foi um grande choque, inclusive para a equipe médica, que não tinha visto esse problema na ultrassonografia. Logo cedo do outro dia, especialistas foram no quarto da minha mãe para tranquilizá-la e dizer-lhe que havia solução.

Com três meses, fazia minha primeira cirurgia e, com um ano já tinha sido operado por três vezes. Tive um nascimento que seria marcado por dificuldades para muitos, mas no meu caso, foram grandes superações. Vivi dotado de amor e das bênçãos de Deus, como uma criança comum e muito alegre.

Aprendi a andar precocemente, costumava acordar às quatro horas da manhã e ir para a praia para caminhar, enquanto via os pescadores. Quanto à minha fala, só a desenvolvi posteriormente, o que foi bom, pois se eu aprendesse a falar durante o processo de cirurgias, minha dicção seria provavelmente anasalada.

Disseram que, quem é fissurado, é especial, eu me achava normal, mas descobri que tinha uma capacidade de atrair amor. Cresci junto dos meus familiares, que me cercavam de carinhos e respeito. Hoje, carrego comigo uma marca de minha nascença. Ela mostra minhas origens e vitórias e é uma prova de mais um milagre. Por tudo… sou grato e feliz.

Paulo F. Espínola

P.S.: Meu agradecimento especial à equipe médica: Dr. Paulo Germano, Dr. Marcos Franca, Dr. Ricardo Lombardi e Dra. Zilah Vasconcelos.

24
jun
13

entre ruas e arenas

ENTRE RUAS E ARENASgol e pow

Nos últimos dias, toda a mídia brasileira vem dedicando especial atenção a dois fenômenos: gol e pow!

O primeiro, todos conhecem: é bola na rede. Já o segundo, é fruto das redes e aqui citado em versão onomatopéica: é pau nas ruas!

Ambos pareciam esquecidos pelo povo brasileiro. Pareciam!

A carência de gol era devida aos pernas-de-pau que, juntos e nas arenas, demonstravam pouca noção de entrosamento coletivo. Quanto ao pow, veio traduzir a sonoplastia dos cassetetes em cima de jovens que, juntos e nas ruas, têm demonstrado perfeita noção de coletivo. E cidadania!

Logo se constatou que o som das ruas (pow), pela espontaneidade e volume de emissão, e pela necessidade vital-social de ser ouvido, ECOOU positivamente na sociedade brasileira – sempre desejosa de um país mais Digno, Ético, e Confiável.

Nas inúmeras reportagens sobre o ‘Grito das Ruas’, uma delas me encheu de esperanças: mostrava o bate-boca e bate-corpo, entre um grupo de jovens (legítimos protagonistas das manifestações), versus algumas dezenas de militantes político-partidários que empunhavam suas bandeiras, e proferiam seus credos.

Fora! Vocês não passam de oportunistas políticos! Nosso movimento NÃO DESEJA a presença de NENHUM partido político! Nossa única bandeira é a do Brasil, e quem está na liderança deste movimento é o POVO brasileiro!   No alvo! [comentaria Guilherme Tell]

Nós só vamos sair porque estamos em ‘grande’ minoria! Mas vocês estão errados! São amadores e vão precisar da nossa experiência nos movimentos de massa!  No Álvaro! [diria Adoniran]

A meu ver, essa troca de ‘amabilidades ideológicas’ entre as partes, não deve ser contabilizada como vandalismo; mas sim como uma bela demonstração de civismo.

Felizmente, foram-se as bandeiras!

Faz sentido! Enquanto POLÍTICA é arte ou ciência da organização, direção e administração de um Estado, de uma Nação; PARTIDOS POLÍTICOS (Robert Michels), são corporações que estão sempre sociologicamente ligadas a uma ideologia, porém, nem sempre essa ideologia é pragmática e/ou sociologicamente exequível ou viávelo que demonstra (Lauro Campos), que os chamados líderes partidários não se sintonizam perfeitamente com o povo.

Xô partidos! Acerta BRASIL!

CD Ricardo Lombardi

21
jun
13

e por falar em vandalismo…

e por falar em vandalismonas ruas

 

Governadores e prefeitos das principais cidades onde as manifestações do ‘Muda Brasil’ foram mais espetaculosas, estão hoje, via meios de comunicação, dando explicações à população sobre os movimentos de rua que tomaram conta do país.

Nas suas prestações de contas, houve o reconhecimento do direito às liberdades das manifestações democráticas, mas o foco principal restringiu-se a contabilizar e discorrer sobre os prejuízos materiais causados pela ‘fração bandida’ infiltrada nas passeatas.

Ora, ora, ora! Penso que ficou faltando nesta abordagem, uma leitura ‘política’ que abrace e interprete os legítimos anseios da população – manifestados pacificamente pela quase totalidade dos participantes, através de palavras de ordem proferidas e/ou conduzidas em milhares de faixas e cartazes. Isto sim, ficou bonito de ser visto!

A pequeníssima ‘fração bandida’ infiltrada nos movimentos é, tão somente, o reflexo daquilo que somos e estamos vivenciando enquanto sociedade, com a mais absoluta inversão de valores.

Há bastante tempo, o colossal universo de pessoas ‘do bem’ deste Brasil, encontra-se refém de uma minoria ‘do mal’. Assaltos, estupros, sequestros, assassinatos, balas-perdidas, são palavras que, pela rotina com que são usadas, ilustram a nossa triste realidade.

Hoje, o nosso direito de ir e vir clama por proteção divina! No plano terrestre, faz tempo, os serviços de segurança mostram-se inseguros.

Nos itens Transporte e Educação, a barbárie é a mesma: ônibus despencam de viadutos por conta de desentendimentos entre passageiros e motoristas; enquanto professores apanham e/ou batem em alunos do (des)ensino médio.

Ficar doente é desesperador! Não apenas pelo mal em si, mas pelo que nos espera na rede pública de assistência à saúde – com raras e honrosas exceções.

Dentistas passaram a ser queimados vivos, sem anestesia, pelo fato de andarem com pouco dinheiro nos bolsos.

É contra isso, e muito mais que isso, que fomos às ruas.

É curioso como as grotescas demonstrações de selvageria vistas nas recentes passeatas -e praticadas por indivíduos atípicos às mesmas- tenham nos permitido maiores intimidades com um verbo nunca dantes conjugado: ‘vandalizar’.

No sentido de melhor compreendermos a origem deste verbo [e dos vocábulos originados ao seu entorno] em sua relação com o nosso mais puro instinto predador, permito-me fazer uso da seguinte analogia:

  • Imaginemos que uma determinada passeata fosse exclusivamente composta de políticos brasileiros. Uau!
  • Certamente que a grande maioria dos participantes seria formada por políticos ‘do bem’ (sim, estou explorando o meu lado ‘velhinha de Taubaté’).
  • Mais do que certamente, logo surgiria a ‘fração bandida’ – nenhuma surpresa, não é?! Neste universo, a vandalização seria puramente previsível!
  • Na sequencia dessa marcha classista e polipartidária, logo esses representantes ‘do mal’ praticariam atos de vandalismo político que comprometeriam o lado bom da passeata, e principalmente da sociedade que está cansada de ficar observando.
  • Em sentido nada figurado, é mais ou menos isso, senhora presidente, o que ora vivenciamos com as presenças no cenário de:  Felicianos;  Renans; Sarneys; Malufs; Dirceus; mensaleiros;…êta nós… a lista é imensa!
  • Para o ‘lado bom’ da sociedade brasileira, a simples presença dessas personalidades na cena política e na ‘governabilidade’ do país, tem o mesmo efeito de uma pedrada atirada contra um dos nossos mais valiosos instrumentos de mudança: o título de eleitor.

Nosso momento é histórico!

A hora é muito favorável para DESVANDALIZAR o BRASIL!

CD Ricardo Lombardi

17
jun
13

acorda brasil! acerta brasil!

Acorda Brasil!

Acerta Brasil! muda brasil

São algumas das ‘palavras de ordem’ defendidas pelas manifestações populares, atualmente vistas nas principais capitais do país.

Não por acaso elas foram iniciadas quase simultaneamente ao apito do juiz, permitindo o pontapė inicial dos jogos da Copa das Confederações – espécie de ‘laboratório’ para a Copa do Mundo de 2014, ano de eleições.

Dentro da moderna arena Mané Garrincha: vaias, hinos, bola e gol. Do lado de fora: bala de borracha, spray de pimenta, e muita porrada. De um ponto ‘neutro’, o Galvão se esgoelando: – pra cima deles, BRASILLL!

Os apupos e os sopapos foram entendidos como acontecimentos ‘previsíveis’. Pelo menos na versão da mídia oficial que sempre faz uma leitura maniqueísta, onde o ‘mal’ está sempre jogando na retranca, e praticando o anti-jogo.

Parece que não é bem isso que estamos presenciando!

Se as ‘vaias’ foram compreendidas como oriundas de uma elite que pode pagar ingressos caros e está sempre de cara feia para os avanços sociais; do lado de fora quem levava bordoada eram pessoas mais identificadas com as bolsas-família e usuárias de busão. Portanto, em tese, deveriam pertencer ao lado do ‘bem’. Como tal, serem cortejadas com flores. Sem espinhos!

O movimento das ruas cresceu e amadureceu.

Não é apenas em torno do aumento de ‘vinte centavos’ nas tarifas dos transportes públicos, oh cara pálida! O fato é que esta moeda é mais uma gota d’água que fica entalada junto com a PEC 37; com a observação da farra na gastança do dinheiro público; com o superfaturamento de obras e subfaturamento de (alguns) salários; com os desvios nos desvios do São Francisco; com as constatações dos poucos compromissos com a Saúde, Segurança, Transporte e Educação; com a impunidade; e segue…

Fica, parece-me, uma certeza: O POVO APRENDEU A DISTINGUIR O PÃO, DO CIRCO!

Evidente que as construções das moderníssimas Arenas Futebolísticas -em tempo recorde e com débil controle financeiro- são provas inequívocas de que o CIRCO está armado. Pena que o fermento ali usado foi percebido como de qualidade muito superior ao injetado no PÃO nosso de cada dia.

Não há forno que aguente tamanha disparidade – grita o povo nas ruas!

Uma última e inocente pergunta [perguntar não ofende]: – e se Felipão não chegar à final?!

Ajuda aí, Galvão!

CD Ricardo Lombardi

(17/6/13) acorda Brasil-RJ

(17/6/13) acorda Brasil-RJ

(17/6/13) acorda Brasil-BSB

(17/6/13) acorda Brasil-BSB

(17/6/13) acorda brasil SP

(17/6/13) acorda Brasil-SP

30
maio
13

somos todos mineiros, uai!

“O mineiro só é solidário no câncer”

AA MINAS

De uns tempos para cá, tenho mergulhado na frase de Otto Lara Resende no sentido de melhor absorve-la; principalmente em sua acepção sociopatológica e regional.

E fiz por onde! Cheguei até a colocar pão de queijo e queijo de Minas sobre a mesa, para degustar ao som de Milton.

Nesse trem bão, começaram a chegar muitos dos amigos mineiros. Vi sentar à mesa, o querido Carlinhos Cajuru, puxei cadeiras para Sérgio e Cláudia Penido, acomodei o Arnaldo Garrocho, dei risadas com a terna e eterna ‘neguinha’ Conceição Canuto, além de muitos outros trazidos pela doce lembrança. Saudade dôcês, sô!

Já no clima das Gerais – preso a canções / entregue a paixões / que nunca tiveram fim – chego à primeira conclusão sobre a frase do grande Otto: ela é totalmente inconsistente quando tenta atribuir ao mineiro, a pecha de somente ser solidário em casos extremos. Nunca!…gritou em uníssono o meu ‘Clube da Esquina’ privé. Fui junto!

Um outro ponto de defasagem na frase do Otto, é atribuir ao câncer, um acontecimento extremo; muito menos terminal. Nada disso – assim nos ensina a prudência mineira.

Claro que a chegada de qualquer neoplasia malígna causa um gigantesco desconforto ao seu hospedeiro, estendido sem dó a todos os seus familiares. Mesmo assim, ou talvez por ser assim, é admirável o crescimento dos dois F’s (efes) nas pessoas mais diretamente envolvidas: Fé e Força!

Pensemos: o câncer, hoje, é assunto rotineiro e familiar. É lícito pensar que a sua grande ‘prevalência’ deve-se ao avanço na área do diagnóstico médico. Se antes morria-se sem saber de quê, atualmente luta-se sabendo contra o quê. A troca foi boa!

Pelo exposto, e dando um crédito extra à frase do Otto (bem absorvida por Nelson Rodrigues, em sua ‘Bonitinha, mas Ordinária’), sou levado a concluir que, nos dias atuais, estamos todos virando mineiros, uai!

Vamos em frente, a luta é grande e pede fé cega e faca amolada!

[para os queridos mineiros: ANA e JUCA].

CD Ricardo Lombardi

um pouco do nosso Clube da Esquina.

alguns integrantes do ‘Clube da Esquina’ – filial PB.

 

LOGO SWALK LOGOJUCA estava integrado ao SWALK (saturday walkaminhada): grupo de amigos que, aos sábados, percorrem um trajeto de 12,5km pela orla do Cabo Branco/Farol, terminando com tapiocas e boas conversas no café da manhã do Tambaú Grill.

Primeira caminhada de Juca /"vim pelos triglicerídeos"/

Primeira caminhada de Juca /”vim pelos triglicerídeos”/

Em nome deste coletivo, assim foi encontrada a maneira – com palavras – de fazer as despedidas deste querido AMIGO:

-Ontem, 05/06/2013, saiu a notícia oficial da morte do amigo JÚLIO (JUCA) RAFAEL.

A sua despedida do plano físico terrestre – em obediência aos recursos e protocolos médico-científicos – parece ter acontecido em dois tempos: uma morte no domingo, e outra ontem, quarta-feira.

Em linguagem contemporânea, é como se o anúncio da indesejada notícia tivesse sofrido um delay – retardo entre os sinais do prenunciado com a realidade.

Prefiro ficar com a ideia de que ATÉ O TEMPO teve dúvidas quanto ao momento de cerrar as cortinas dessa bonita e carismática existência. Bom sinal!

Pena que o intervalo entre os dois instantes foi curto. Pior: era sabidamente irreversível – pelo menos na ampulheta do conhecimento humano, sempre atrelada ao tempo do Criador.

Como criaturas, ficamos sem JUCA.

Talvez por algum tempo finito. Jamais no infinito das nossas melhores lembranças.

Valeu, parceiro!

Foto postada por JUCA em seu Twitter (18/4/13). SEMPRE GUERREIRO!

Foto postada por JUCA em seu Twitter (18/4/13). SEMPRE GUERREIRO!

arrumando a saudade.

arrumando a saudade.

06
abr
13

coisas do sopro da idade

COISAS DO SOPRO DA IDADE

 

O primeiro filho de mamma Penha nasceu na década de ’50 e, nesta semana, estará completando mais uma primavera. Esse cara sou eu!

Entre os jovens sessentões, parece consensual a ideia de ‘já termos nascido no lucro’; isto porque, à época, o próprio nascer era tido como uma manobra de alto risco.

Principalmente se fosse com a participação, mais empírica que científica, da famosa cesariana. O moderno e salvador recurso era tão estigmatizado que, quando empregado, criava na comunidade envolvida um clima de frustração, do tipo: “pena que NÃO foi normal, não é minha filha?!”.

-‘Buáááá!!’ – gritavam mãe e rebento.

-‘Glorioso São Raimundo, ninguém melhor que vós…’ – respondia o coro das comadres que puxavam a novena para São Raimundo Nonato (padroeiro das parturientes).

Aos préstimos trazidos por São Raimundo, muitos outros foram incorporados no sentido de garantir a benção maior: estarmos [até hoje] caminhando na estrada da vida. Inclusive, é bom frisar, contribuindo de forma inequívoca na elevação dos índices estatísticos relativos à idade média do brasileiro.

Por mais difícil que tenha sido esse caminho, devemos ter em mente que também foi igualmente generoso; principalmente se considerarmos o período onde era comum o consumo de alimentos com baixas taxas de conservantes e agrotóxicos – fator possivelmente responsável pelo acúmulo na milhagem da sobrevida.

Logo aprendemos a transformar a aridez do terreno em poesia: vi tanta areia, andei / da lua cheia, eu sei / uma saudade imensa… Havendo sede, bastava fecharmos os olhos e bebermos na lembrança da primeira Coca-Cola (que) foi, me lembro bem agora, nas asas da Panair – onde também descobrimos que as coisas mudam e que tudo é pequeno.

Apesar das turbulências, sempre que pintava medo ou cansaço, continuávamos caminhando e cantando, e seguindo a canção. Pouco importava se estávamos contra o vento, sem lenço e sem documento; ou mesmo parados, no cruzamento da Ipiranga com a Avenida São João.

Durante um bom tempo, o caminho se fez suave. Havia um Glauber, lotado de ideias e com uma câmera na mão; um Jobim, ocupado em lapidar uma nova canção; um Henfil, com o seu traço sutil; e o encanto no canto de uma Elis.

Houve dias em que as tardes caíam feito viaduto, não obstante o arquiteto Chico ter demonstrado ser possível levantar tijolo com tijolo, num desenho lógico. Nessa construção, foi providencial ter contado com a régua e compasso do mestre Gil.

Por tudo isso, e muito, muito mais, sinto-me feliz e agradecido ao generoso DEUS, por estar (quase?)inteiro, carregado de boas lembranças, caminhando em família, recebendo netos, cultivando amigos, e com fôlego para apagar um monte de velinhas e acender novos horizontes. Pfuuuu!

Quer uma fatia?!

CD Ricardo Lombardi

fradim

14
mar
13

o sorriso de francisco, o papa

O SORRISO DE FRANCISCO, O PAPA

 

Desde o anúncio da renúncia de Bento XVI, o mundo inteiro – e fumaça brancaem especial os 1,2 bilhão de católicos – deslocaram suas atenções para o Vaticano, local onde seria realizado o conclave para escolha do Papa sucessor.

A partir de então a mídia universal, sempre ávida por grandes acontecimentos, mostrou-se exuberante em alimentar todos os meios de comunicação, com notícias e matérias alusivas ao acontecimento.

De tudo que foi veiculado, não obstante a procedência e polivalência das resenhas, uma verdade cristalina emergiu: a Igreja está viva! Ou melhor, vivíssima!

O gesto de Bento foi logo assimilado pelos fiéis como oportunidade histórica da Igreja renovar-se: passando pelas instâncias da autodepuração, bem como pela reavaliação de dogmas seculares. A fórmula parece ir ao encontro dos anseios de um mundo em constante mutação.

E foi neste contexto que, ontem, subiu a fumaça branca, anunciando a chegada do Papa Francisco. Ao contrário do esperado, o conclave teve pouca duração; fato que demonstrou ter havido facilidade na obtenção do consenso. Bom sinal!

Entendo a figura do Papa, como sendo o representante maior da Igreja Católica em uma escala hierárquica. Entre os homens, e no plano terrestre, seria como o vértice de uma imensa pirâmide, cuja base é formada por nós – povo de Deus.

Essa ‘analogia piramidal’ é feliz! Serve bem para nos reconhecermos como parte viva da Igreja e, como tal, assumirmos nossa corresponsabilidade nos destinos da mesma.

Não cabe exclusivamente ao Papa promover mudanças; mas sim coordenar os mecanismos existentes à sua efetivação. A última dessas oportunidades aconteceu em 1958, quando João XXIII convocou, para surpresa de muitos, o Concílio Vaticano II, com vistas à renovação da Igreja, e à formulação de uma nova forma de explicar pastoralmente a doutrina católica ao mundo (então) moderno.

É pena que as minhas limitadas ‘vocações vaticanistas’ não me possibilitem antever, muito menos assegurar, a proximidade de um novo Concílio Vaticano III. Professar sobre isso, seria heresia! Ou exercício ilegal da profissão, uma vez que sou apenas um simples dentista.

Acontece que, no meu ofício, é bastante comum identificarmos sorrisos que traduzem uma aura de SERENIDADE e PAZ. E isso, felizmente, foi visto no cardeal hermano Jorge Mario Bergoglio, em sua primeira aparição como Papa Francisco.

Gostei! Disso eu entendo! O sorriso do Francisco não me pareceu enigmático, como o de uma Mona Lisa; mas extremamente carismático – tanto no sentido teológico quanto laico do termo – lembrando, inclusive, o de João XXIII. Será?! Boto  Fé!!

Habemus Papam! Sigamos com Deus!

CD Ricardo Lombardi

papa Francisco

27
jan
13

tragédia em sta. maria – lição a ser aprendida

TRAGÉDIA EM SANTA MARIA – LIÇÃO A SER APRENDIDAsta maria 2

 

Bem sabemos que ‘acidente’ não manda recado – o que é pena!

Curioso é que – APÓS o acontecido – fica inevitável, além da dor, convivermos com uma avalanche de matérias/reportagens sobre a tragédia.

Não faltam experts para defenderem a tese de que: ‘se providências corretas tivessem sido adotadas, o infortúnio não teria acontecido’. É meio que justificar o choro após o leite derramado, não?!

Neste apocalíptico contexto, ainda hoje proliferam depoimentos – técnicos ou não – que tentam explicar o inexplicável.

Como exemplos: os trajetos das balas que mataram os dois JohnsKennedy e Lennon; os inúmeros avisos de mortes anunciadas emitidos por Michael Jackson e Amy Winehouse; o avião da TAM que pousou, mas não segurou, em Congonhas; o naufrágio do Bateau Mouche; e segue a lista…

Nas coberturas das tragédias, nossos meios de comunicação já provaram que estão prontos para dar show de competência e profissionalismo, com elevação estratosférica dos níveis de audiência – fato!

Prova disso estamos assistindo agora com as matérias sobre o triste ocorrido na boite de Santa Maria/RS. Em todas elas, fica patente o descaso (negligência?) com as normas de PREVENÇÃO e SEGURANÇA – inclusive com superlotação e ‘portas fechadas’ para garantir o lucro financeiro do evento.

Em entrevista no local, o competente ministro da Saúde, Alexandre Padilha mostra serviço; falando dos esforços desenvolvidos para atender as famílias dos 232 mortos, e 116 feridos. Jovens como nossos filhos, em sua grande maioria!

Claro está que a fatalidade hoje ocorrida com os irmãos gaúchos poderia acontecer em qualquer outra cidade do Brasil – inclusive aqui, em João Pessoa!

A pergunta que não pode deixar de ser feita é: ‘SERÁ QUE NÃO É HORA DOS ÓRGÃOS RESPONSÁVEIS PELAS LIBERAÇÕES DAS LICENÇAS E ALVARÁS, PARA REALIZAÇÕES DE FESTAS, COMEÇAREM A CUMPRIR O SEU PAPEL PREVENTIVO E FISCALIZADOR?’

Responde a sociedade: – Sim, É!

CD Ricardo Lombardi

  • Tenho pelo amigo gaúcho Carlos Mundstock, muito respeito e admiração. Dele, acabo de receber e-mail tecendo considerações sobre o assunto. Pedi-lhe consentimento para aqui divulgar, no que fui prontamente atendido:

gauchos

09
jan
13

RÉVEILLON 2013…2014(?!), 2015(?!)…

RÉVEILLON 2013…2014(?!), 2015(?!)…insonia completa

 

Comecemos colocando em pauta duas frases para análise: a) – Os incomodados que se mudem! / b) – Os meus direitos terminam onde começam os seus!

Interpretando as duas sentenças, continuo torcendo para que a segunda ainda esteja assumindo uma natural prevalência pedagógica sobre a primeira. Tomara!

A presunção pode parecer inocente, mas possui lógica; na medida em que [antropológica e culturalmente] deixamos de ser um povo nômade e optamos pelo endereço fixo.

Este grande salto trouxe a reboque o estabelecimento de regras e princípios voltados na incessante busca de construirmos uma sociedade capaz de equacionar: respeito e liberdade.

É pena que a diuturna lapidação deste ‘modus vivendi’ seja intermitente. Pior ainda: que nos leve a cogitar se os nossos ancestrais nômades não eram mais felizes que nós – pelo menos nas comemorações dos seus réveillons!

Foram esses os pensamentos que me acompanharam na virada do ano. Assim como nas inúmeras viradas na cama, por conta dos decibéis emanados da festa que aconteceu no terreno do antigo Iate Clube* – situados [cama e terreno] em área residencial.

Sim, eu também gosto de Festa/s. E muito!

Lamento apenas não ter conseguido (ainda) assimilar a incongruência entre os que defendem o fortalecimento da campanha ‘Lei Seca no trânsito’; e as concessões para as realizações de festas no estilo ‘open bar’. Haja fígado!

Não vou entrar na discussão de um evento que já aconteceu e que parece ter sido um sucesso – principalmente comercial. Ao contrário: parabenizo os seus organizadores, pois acreditaram e investiram no ‘produto Festa’, e certamente atenderam a todos os requisitos para obtenção das licenças necessárias à sua realização.

Em minha opinião, este é o ponto a ser discutido: as concessões dos alvarás!

Para não me estender, faço apenas quatro perguntas aos ‘órgãos licenciadores’:

  • Foi considerado se o local da festa estava inserido em área residencial?!
  • Foram ouvidos e/ou consultados os moradores da vizinhança?!
  • Foi considerado o fato de que cada atração musical possui ajuste próprio de sonoridade?!
  • É possível estabelecer hora de encerramento, sabendo que está incluso um café da manhã?!

Vou começar a aprender com os meus amigos que, vivendo situações semelhantes, ficam fazendo ligações madrugada-a-dentro (do tipo Disk-Stress) para repartições/serviços como SUDEMA, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, etc…

Como ‘suíço’, sempre imaginei que essas instituições -investindo na logística da prevenção– fossem capacitadas a se anteciparem aos fatos, uma vez que são constituídas para: regulamentar, disciplinar, e garantir o direito ao conforto e segurança de cada munícipe – não importando se está dentro, ou fora da festa.

O SHOW deve continuar! O meu direito ao sono, também!

Caso contrário, volto a ser um tuaregue!

CD Ricardo Lombardi

(*) Usei o réveillon do Iate Clube como referência pela proximidade física. Entendo (e espero) que o conteúdo do texto sirva de reflexão para moradores de outros locais que convivem com este tipo de desconforto, aparentemente fácil de ser solucionado.

22
dez
12

uma noite do caribe

UMA NOITE DO CARIBE aula saudade 2012 2 jsparrow

 

Das duas, uma: ou eu estava delirando, ou estava mesmo sendo abduzido para um mundo surreal. O fato é que, diante daquele enorme espelho, via-me, a cada cinco minutos, me travestindo em múltiplos personagens: Indiana Jones, bruxo Albus Dumbledore, Homem Aranha, Fred Flintstone, entre outros. Pintou até a Galinha Pintadinha! Credo!

Aos poucos, e após algum exercício de auto-concentração, fui saindo daquele tipo de transe. Isto é, a ficha foi caindo! Foi bom perceber que eu ‘ainda’ estava no planeta Terra. Mais precisamente em um pequeno quarto de uma loja de roupas de fantasias, em busca de escolher e alugar uma indumentária para o meu próprio uso, com vistas a participar da Aula da Saudade dos queridos formandos em Odontologia/UFPB, turma 2012/2.

– Pronto! É esta aqui! Não será mais necessário experimentar nenhuma outra! Exclamei resoluto, para Elizabeth Swann, a moça que me atendia. O traje escolhido caiu, literalmente, como uma joia dos mares do Caribe: via-me o verdadeiro Jack Sparrow!

Somente ‘via-me’; porque respirar estava impossível, tamanha a quantidade de alegorias e adereços que eram, para fins de produção, derramados sobre mim. O ‘peso’ da vestimenta era apenas um item. O outro era o excelente conforto térmico, concebido para levar e elevar o bem-estar de qualquer habitante da Sibéria, em época de inverno rigoroso!

Para melhor compreensão, segue uma breve descrição das peças e sequencia de ‘montagem’: a) veste-se a calça; b) calça-se as botas de cano longo; c) ensaca-se à calça: uma camisa e um colete; d) cobre-se com um gigantesco casaco – semelhante àqueles usados pelos mestres-salas do carnaval carioca; e) amarra-se fortemente à cintura três faixas de tecidos e texturas variadas; f) com a mesma delicadeza, uma bandana é atada à calota craniana; g) sobre esta, entala-se um chapéu de couro com tiras de lã que despencam de suas bordas até os ombros do usuário (eu!); h) nos espaços restantes (?!); lenços, colares, espadas, revólveres são distribuídos a gosto. Ufa!!

Eu estava convencido de que o amor pela turma de formandos era bem maior ao tamanho do desafio a ser enfrentado naquela noite que chegava muito rapidamente.

Após o banho, iniciei a produção. Toda a operação levou 27,5 minutos, mas o resultado final foi positivo. Confesso até que já estava incorporando o personagem Jack Sparrow, ao me dar conta, ainda diante do espelho e numa leitura narcisista, de que estava tentando emitir, com sotaque de pirata, algumas ‘frases de efeito’.

Tudo ia bem até o momento em que, atraída pelo estranho barulho, abre a porta Vitória, nossa secretária, que desconhecia por completo todo o esquema que soprava do Caribe.

Após os dez minutos necessários para que ela recuperasse os sentidos, contei-lhe, bem pausadamente, toda a história. Ainda trêmula, olhou-me desconfiada e esboçou um discreto e enigmático sorriso.

O desafio agora era: como sair do apartamento e entrar no carro sem ser visto por nenhum vizinho do prédio? Pedi a Vitória, já recuperada, que me acompanhasse, como batedora, até o veículo.

Faltando apenas um andar para chegarmos à garagem, o elevador para no mezanino. Putz! Prevendo que alguma coisa iria acontecer, estendo os braços e as pernas (estilo homem vitruviano), escondendo Vitória atrás de mim. A porta é aberta por dona Rosa, uma das moradoras que havia participado da reunião de condomínio realizada naquele pavimento. Portadora de severa miopia, não me reconheceu, mas liberou seu espanto em forma de um histérico grito: – CRIANÇAS A ESTIBORDOOO! Soltou a porta do elevador e, antes que todos os participantes da plenária descessem a escada, eu já estava dirigindo o carro e saindo do prédio. Ufa! Foi por pouco! Exclamei sorrindo.

Guiava o veículo muito concentrado em estabelecer uma velocidade que permitisse encontrar todos os sinais abertos. Impossível. Um pequeno acidente fez com que o tráfego fosse interrompido enquanto a perícia técnica finalizasse seu trabalho. Era a falência absoluta de todos os meus planos estratégicos para não ser visto por ninguém. Sorte que os vidros do carro eram escuros. Além disso, o senhor Sparrow estava todo camuflado, inclusive com sombra e rímel aplicados aos olhos.

Com uma lanterna vermelha, o guarda se direciona ao meu carro e faz sinal para que eu abaixe o vidro do motorista. Finjo não entender. Ele se inclina à minha porta e, com o foco de luz, gesticula, agora determinando, para que eu execute a ordem recebida. Atendo sua solicitação já explicando que estou a caminho de uma festa de formatura em que todos vão fantasiados, etc…

– DOUTOR RICAAARRRRDDOOOO! No carro ao lado, estava Priscila que, anos atrás, havia sido minha paciente. Como o trânsito estava parado, ela desceu do carro e pediu para que eu fizesse o mesmo, pois queria me dar um abraço e apresentar seu noivo, o Ted Elliott. Sem saída, desci do carro já ouvindo a algazarra dos passageiros de um ônibus parado a poucos metros de distância.

– DIGA AÍÍÍ, RUM MONTILA! – gritou um gaiato! Vindo do outro lado, escuto uma criança perguntar: – VOVÓ! POR QUE AQUELE HOMEM ESTÁ VESTIDO ASSIM? – SEI LÁ MEU FILHO! MAS FIQUE QUIETO QUE PODE SER SEQUESTRO!

A confusão aumentava: – Ô AVÔ DO BOB MARLEY, ONDE VAI SER A RAVE?! Zombavam alguns moto-boys. Percebi que a situação estava ficando insustentável, ao me tornar o centro das atenções, e de alguns flashes. Até o guarda pediu consentimento para tirar uma foto comigo.

Após o sufoco, cheguei ao local da confraternização ainda um pouco tenso. Mas logo me refiz ao encontrar, agora no mundo real: fadas, duendes, super-heróis, bruxos, homens das cavernas, borboletas, gatos, espadachins, gladiadores, gueixas, e todas as pessoas que projetam seus futuros sem abdicar da poesia do presente.

  • Turma de Odonto/PB 2012.2: Dedico esse texto a vocês, na esperança que jamais deixem de acreditar que todo e qualquer impossível, é possível. Depende apenas da natureza do sonho.

Beijos em todos! Amo vocês!

João Pessoa, 22/12/12 – a day after the end of the world!!

CD Ricardo Lombardi /versão Jack Sparrow

Meus heróis da Odonto-UFPB, 2012/2

Meus heróis da Odonto-UFPB, 2012/2

Com a minha colega e amiga, professora Karina Lima /é a Ortodontia em alta performance!

Com a minha colega e amiga, professora Karina Lima /é a Ortodontia em alta performance!