Ontem, enquanto preparava a Aula da Saudade da querida turma concluinte 2010.1, recebi vários emails comunicando que a Justiça Federal havia invalidado o resultado das últimas eleições do CRO/PB.
Confesso que a notícia me causou muito mais preocupação do que satisfação. Alguns que acompanharam o processo têm consciência de vários textos escritos e ainda disponibilizados neste blog – relativos à sufocante tentativa de sensibilizar a categoria sobre uma prática caduca, desigual e antidemocrática no disciplinamento da citada consulta eleitoral.
Sobre a sentença impetrada, parece-me que a mesma fundamentou-se na “errônea interpretação” dos números finais. Os requerentes da ação judicial argumentam que a contagem dos votos foi tendenciosamente trabalhada para alcançar o patamar de “metade mais um voto”, para eliminar a possibilidade de haver segundo turno.
A minha preocupação é que o foco principal da questão traduz apenas UM entre vários fatores mutiladores da liberdade, e do estado democrático de direito. Como exemplos:
• ocultação de informações (somente a “chapa oficial” teve acesso a listagem dos associados com direito ao voto);
• uso do poder – apenas os decanos do cargo (e candidatos) definiam quem tinha (ou não) direito ao voto; inclusive ao voto por correspondência (credo!);
• uso da máquina – não é à toa que a Dilma, o Serra e a Marina Silva deixam os seus cargos para não serem “tentados” ao uso de equipamentos (telefones, por exemplo) e funcionários.
Para mim, o fatídico dia da eleição (07/05/10) foi inesquecível. Por que será que o cenário estava mais para guerra tribal, do que para uma salutar consulta/festa/democrática para escolha de nomes, entre pessoas que freqüentaram as mesmas disciplinas universitárias?!
Respondo: pelo distanciamento com a prática (e convivência) democrática; confirmado pela ausência de debates entre candidatos e/ou propostas. É deprimente que a contenda eleitoral sequer permita um simples e respeitoso cumprimento entre colegas portadores de idéias antagônicas, e propósitos talvez semelhantes.
Tenho certeza que um dia faremos igual à eleição do CRO/RN, acontecida uma semana antes da nossa. Lá, várias reuniões foram feitas com as chapas concorrentes. Todas as idéias foram analisadas e acatadas, quando vistas como edificantes ao pleito. Por ocasião da “festa da votação”, todos se freqüentavam mutuamente entre suas barracas, dividindo lanches e – pasmem – sorrisos! Não sei qual foi o resultado, mas certamente a Odontologia/RN saiu engrandecida.
Para mim, o despacho judicial apenas confirma uma vitória já alcançada pelos que fazem e têm compromisso com a Odontologia paraibana: o estabelecimento de uma nova ordem e condutas práticas nos processos eleitorais do CRO/PB, e nas demais representatividades da classe. Parece tratar-se do início de saneadoras manifestações do “movimento ACORDA-ODONTO/Pb”. Sigamos juntos!
Neste sentido, fico feliz de estar contribuindo (assim espero) com a formulação desses textos. São apenas palavras agrupadas no sentido de manifestar o posicionamento de um simples eleitor; atento e participativo.
Agora voltarei a trabalhar na minha Aula da Saudade! Confesso que com mais ânimo, pois parece que os meus queridos formandos muito em breve vivenciarão outra realidade democrática.
Palavra de Tio Lombardinho!
CD Ricardo Lombardi de Farias









