Archive for the 'Uncategorized' Category



09
ago
14

FIM DE SEMANA CARIOCA

  • Nota prévia: o FIM DE SEMANA CARIOCA  foi escrito em setembro de 2009, inspirado em uma viagem (aventura?!) de dois casais amigos ao RJ. Recentemente, em encontro com os protagonistas e outros amigos, voltamos a dar risadas com a lembrança do texto; ficando eu com a incumbência de localiza-lo e enviar para àqueles que ainda não tinham me dado o prazer da leitura. Ao busca-lo, foi então que constatei a não postagem do mesmo no blog. O faço agora. Na esperança de promover mais risadas!

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FIM DE SEMANA CARIOCA

FDS CARIOCAO grupo de amigos que se reunia semanalmente no restaurante “Camarão Total” estava vivendo momentos de grande preocupação, com a proximidade da viagem do Barata e do Carlão ao Rio de Janeiro. Os dois, acompanhados de suas respectivas esposas, vinham planejando o passeio há quatro meses.

Aos integrantes da confraria, não pairava dúvida quanto ao prazer de se desfrutar um final de semana na cidade maravilhosa. Entretanto, existia um forte e consensual motivo gerador de apreensão: a desigualdade entre os propósitos da viagem por parte dos seus principais personagens. O Carlão, proprietário do Camarão Total, incorporou a ideia como um passeio terapêutico. Estava finalizando um período de absoluta abstinência etílica, incluindo uma rigorosa dieta alimentar com fins de equilibrar seu peso e suas taxas de colesterol e triglicerídeos. Gostava do dia e de acordar bem cedo. Sua ideia era caminhar bastante e visitar os tradicionais pontos turísticos, principalmente o Maracanã, o Pão de Açúcar, e a igreja da Penha.

O Barata, por sua vez, representava a antítese do Carlão. Gostava da noite. Possuía mesa cativa no Camarão Total, justificando ser ali o seu escritório central para fins de: juntar amigos, atualizar as conversas, dar risadas, eliminar o stress, comer e principalmente, beber. Os mais chegados consideravam-no representante vivo do deus Baco. Sua descomunal condição hepática era merecedora de estudos, segundo o parecer científico de amigos médicos. Bastante eclético, demonstrava igual prazer ao rum, ao whisky, e ao vinho. Qualquer ameaça de ressaca, além de infrutífera, era prontamente dizimada com uma cerveja bem gelada. Sua unidade de volume não era mais a ‘dose’, mas sim o ‘litro’. Fazia questão de proclamar aos amigos sua adoração pelo Chophytol, fitoterápico à base de alcachofra que, segundo ele, era o responsável direto pela sua aptidão e resistência etílica. Seus amigos mais próximos entendiam que o seu incomensurável prazer por uma boa mesa e um bom copo, justificava, em parte, o seu elevado grau de transpirar, de urinar, e de expelir gases. O moço era mesmo um fenômeno nos três elementos da natureza: sólido, líquido e gasoso!

A condição de conhecedor e eterno apaixonado pelo Rio de Janeiro, naturalmente concedeu ao Barata a incumbência de organizar a viagem. Sempre com entusiasmo anotava em uma agenda todos os detalhes da mesma. Somente ele conseguia decifrar aquela infinidade de rabiscos que tinham por objetivo único aproveitar cada minuto do período compreendido entre a quinta-feira da partida e o domingo do regresso. Cada anotação feita gerava, no Carlão, um arregalar de olhos e levada das duas mãos à cabeça. E também ao bolso.

Já no aeroporto e após o check-in, o Barata observou que o Carlão não largava mão de uma pasta, estilo 007. – Ô amigo, pelo visto essa é a mala do dinheiro, acertei? – Que nada, Barata! Foi presenteada pelos nossos amigos. Preocupados com a nossa viagem, fizeram uma reunião e impuseram-me a condição de somente viajar prometendo jamais desgrudar-me desta mala. Abrindo a valise, foi possível ver: seis vidros de Chophytol, quatro de Luftal, inúmeros tubos de Epocler, cartelas de Engov, um pouco de Lexotan, Plasil, Sonrisal, pastilhas de vitamina C, Aspirina, Band-Aid, colírio, xarope, dois frascos de Água Rabelo, duas bisnagas de Hipoglós, e muitos outros fármacos. O grupo ficou emocionado com tamanha (e preventiva) prova de amizade.

Chegaram ao hotel Rio Othon, em Copacabana, por volta das sete horas da noite. O Carlão, já em seu apartamento, havia solicitado ao serviço de quarto um copo de leite, pois queria – inaugurando a farmácia ambulante – tomar um remédio contra a enxaqueca adquirida durante o voo, e descansar um pouco. Toca a campainha. O Carlão abre a porta: – Como é que ééé, moçada! Estamos atrasados para a Estudantina Musical. Já calcei meu pisante de duas cores para dançar ‘aquela’ gafieira. O Barata já havia tomado banho, se perfumado, vestido seu terno de linho bege, gravata e lenço vermelhos, chapéu de palha, e segurando sua primeira dose de whisky. De fato, estava um autêntico malandro carioca frequentador da Lapa dos anos cinquenta. À sua frente, estava o Carlão: pálido, de meias e chinelo, vestindo ceroula, segurando um analgésico, e frustrado, pois pensava que era a camareira trazendo seu copo de leite.

Na Estudantina Musical a noite foi muito boa. A única ressalva ficou por conta da dificuldade na entrada, quando a segurança do local, por mais de uma vez, quis saber do Carlão (ainda com enxaqueca) sobre o conteúdo e procedência dos produtos de sua maleta. Enquanto ele explicava, o Barata e sua esposa rodopiavam no salão dando um show de gafieira, forró… e flatulência!

Após o café da manhã, o grupo foi caminhar na orla de Copacabana. Antes de completarem os primeiros dois quilômetros, o Barata, sempre bastante suado, gritou: – Carlããooo! Eu não acredito no que estou vendo! É o boteco Belmonte, e fica bem perto do nosso hotel. Foram os primeiros fregueses da manhã e, após duas horas de permanência, consumiram: trinta e dois chopps, doze coxinhas, quinze empadas, e dez pastéis. Óbvio que 70% dos pedidos foram feitos (e consumidos) pelo Barata – para novo espanto do Carlão, quando soube que a ‘rede Belmonte’ praticamente possuía um boteco em cada esquina do Rio de Janeiro.

A tarde foi proveitosa para todos. Principalmente para o Carlão que realizou seu desejo de conhecer o Pão de Açúcar. Lá do alto, todo o grupo pôde testemunhar que o Rio de Janeiro continua lindo! E saboroso, pois o Barata não parava de tomar chopp com fritas. Segundo ele, estava se concentrando para a noite que prometia ser maravilhosa.

Chegaram ao Bar do Tom (Plataforma), às oito horas da noite e foram os primeiros a ocuparem a mesa previamente reservada para doze pessoas. Pediram um litro de whisky  ‘fitado’ e outros acessórios que possibilitassem ao grupo beber e comer apreciando o show/tributo à Bossa-Nova. Quando Pery Ribeiro e Billy Blanc subiram ao palco, a fita da garrafa já sinalizava que 85% do Cavalo Branco havia partido à galope. Na quarta música – samba do avião – o segundo litro foi inaugurado pelo Barata. Ele estava plenamente feliz. Pudera: boa mesa com amigos, música de primeira qualidade e, suprema alegria, o barulho do local e a climatização do ambiente lhe permitiam absoluta liberdade na liberação de gases. Foi uma noite memorável.

No sábado pela manhã, o Barata acordou com o ótimo humor de sempre. Seu café da manhã foi surpreendentemente light, para surpresa de todos. Ao perceber que haviam notado, tratou logo de esclarecer o motivo: sua flatulência estava gigantesca. O Carlão, prestimoso, foi logo abrindo sua inseparável valise lhe oferecendo uma dose dupla de Luftal. – Só se for ‘on the rocks’ e em copo longo. Respondeu sorrindo o Barata, para espanto de todos.

Conforme combinado, deixaram o hotel rumo à igreja da Penha. O Carlão era devoto da santa e sempre alimentou a esperança de, voltando ao Rio, visitar o santuário. Ao descerem do táxi, o grupo contemplou a existência dos trezentos e oitenta e dois degraus que permitiam o acesso à capela. – Deve ter um teleférico! Disse o Barata. – De jeito nenhum! Minha promessa foi subir pela escadaria. Tudo pela fé! – respondeu de maneira incisiva o devoto Carlão. – Tudo pela amizade! Emendou o Barata, iniciando a hercúlea subida. O calor estava infernal, ou melhor, celestial, considerando o propósito da empreitada, e a vizinhança.

No trajeto de subida, o Barata, esbaforido, levava nítida desvantagem. Não era pra menos. Possuía total aversão ao esforço físico, denunciada exemplarmente por sua massa corpórea de cento e dez quilos, distribuídos em um metro e noventa de altura. De vez em quando dava uma parada, passava um lenço no rosto, e aproveitava a vista panorâmica para ver, discretamente, se localizava alguma filial do boteco Belmonte!!

Quando atingiram o topo da colina, estranharam a ausência de fiéis, assim como a igreja com as portas fechadas. Foi quando iniciou um grande tiroteio. Bala pra tudo que era lado. Logo entenderam tratar-se de uma batalha entre traficantes do Complexo do Alemão, contra seus concorrentes do Complexo da Maré, que disputavam o ponto comercial para venda de drogas. Os quatro amigos se abaixaram e partiram em frenética corrida escadaria abaixo. O Barata, ajudado pela turbina adicional da sua flatulência, passou voando pelo grupo de uma maneira que certamente faria inveja ao jamaicano Usain Bolt. – Sai da frente que estou me cagannndoo! Gritava o foguete humano.

Já no hotel, e recuperados do grande susto, o Carlão comunicou que, no desespero, largou a maleta 007 no adro da igreja. Todos ‘fuzilaram’ o companheiro com olhares que o fizeram cancelar a pretensão de voltar ao local para recuperar a farmácia portátil.

No último dia, foram bater pernas (ainda trêmulas) em Ipanema. Circularam pela feira hippie da Praça General Osório e, ali perto, na confeitaria Chaika, compraram cento e vinte empadinhas de palmito, feitas com ‘massa podre’, atendendo encomenda de um dos amigos da confraria.

Finalmente, no aeroporto, enquanto aguardavam a chamada do voo, lanchavam e davam risadas da proveitosa viagem. Perto do grupo, um aparelho de TV transmitia uma matéria do Fantástico sobre o tiroteio da Penha. O repórter dizia que a polícia havia prendido traficantes das duas falanges, mas que o líder havia fugido e deixado uma valise com vários produtos que haviam sido encaminhados à perícia técnica. Acredita-se na possibilidade de uma conexão nordestina. A reportagem terminava com uma tomada de imagem em zoom na pasta 007. Os quatro amigos se levantaram, saíram assoviando, cada um para um lado diferente, como se nunca tivessem se conhecido.

Já estão em casa, descansando. Ainda não deram notícias aos seus amigos da confraria do Camarão Total. Todo o grupo está programando uma grande confraternização pela chegada dos quatro queridos companheiros.

  • Dinho, Marisa, Carlos Alberto e Mércia: dedico esta crônica a vocês. Foi um prazer “viajarmos” juntos.

CD Ricardo Lombardi

11
jun
14

tempo de copa

TEMPO DE COPAcopa verde amarelo

 

Aproxima-se o momento, e o dilema hamletiano persiste: torcer ou não torcer, eis a questão!

Em tempo de Copa, o verbo assume integralmente o seu lado transitivo indireto: acompanhar a ação de outrem por simpatia e desejo que ele se saia bem (Aurélio).

Quer dizer: tem que vir de dentro! E de forma espontânea. Natural. Sem nenhuma forçada de barra.

E não é isso que está acontecendo. Pelo menos comigo!

Buscando entender a origem da apatia, como ex-peladeiro, vou logo dizendo que chuto para escanteio a hipótese de que seja ‘coisa da idade’.

Qual é?!

O desencanto vem sim pela constatação de que o cu$to do ‘pão e circo’ atingiu patamares que deixam mancando qualquer ‘pátria de chuteiras’ (viva Nelson!). Principalmente, quando a festafifa é em nossa casa!

O fato é que amanhã a bola vai rolar. Não mais nos estádios, mas sim em arenas. Faz sentido!

Que vença o da vez!

CD Ricardo Lombardi

06
jun
14

mexida geral

MEXIDA GERALassembleia a

Hoje (05/06), participei de mais uma assembleia dos alunos de Odontologia/UFPB, cujo objetivo era definir sobre o retorno às aulas, ou manutenção da paralisação.

Mais uma vez pude constatar o perfeito disciplinamento dos trabalhos: sequencia lógica de apresentação dos assuntos, direito pleno às manifestações, respeito ao contraditório e, por último, a votação.

Resultado: com uma diferença de apenas dois votos, venceu a opção pelo retorno às aulas.

Por absoluto respeito aos organizadores e participantes, desta vez mantive-me como simples espectador – em silêncio. Por alguns mais próximos, quando perguntado se eu gostaria de fazer uso da palavra, declinei de aceitar: bastava-me ouvir.

E bastou-me! Como ’professor farinha do mesmo saco’, o que pude ouvir e vivenciar nesses dias possibilitou-me chegar às seguintes conclusões:

i.        O movimento mostrou-se VITORIOSO [em toda a história do nosso curso não há registro de algo que – em tão pouco tempo – tenha evidenciado a urgente necessidade de promover mudanças estruturais e funcionais];

ii.        Tendo recebido a anuência dos outros segmentos (professores, gestores e funcionários), significa que mexeu na forma coletiva de pensar e agir;

iii.        O ineditismo de uma greve apenas de alunos de um determinado curso dentro de uma IFES é um fato que, após deflagrado, passa a conviver com o fantasma da ‘reprovação burocrática’ – fenômeno trazido pela impossibilidade do sistema gerar um calendário ‘específico’ àquele curso;

iv.        Nessa perspectiva, o calendário geral da IFES, prossegue aguardando – dos professores e com prazos determinados – o envio de documentos que informem o tic.tac das horas aula do período…

v.        …quer dizer: a GREVE é finita; o MOVIMENTO, NÃO!

A votação apertada não deve ser vista como divisão do grupo. Bem ao contrário: o quase empate técnico evidencia que as duas opções – retorno x não retorno às aulas – estão equivalentes e demonstram claramente que o MOVIMENTO PERMANECE VIVO* – apenas optou por cobrar e fiscalizar as mudanças reivindicadas e acatadas com a máquina (curso) em funcionamento; bem como considerou a deadline imposta pelo calendário.

(*) A criação de ‘Comissões Fiscalizadoras’ é um claro sinal de que 100% dos alunos estão cientes de que A LUTA CONTINUA!

PARABÉNS aos alunos: todos vitoriosos! A maior conquista: um curso de Odontologia mais comprometido com o BOM ENSINO!

CD Ricardo Lombardi

Reunião de professores e funcionários de disciplinas clínicas. Pauta: aprimoramento das atividades.

Reunião de professores e funcionários de disciplinas clínicas. Pauta: aprimoramento das atividades.

28
maio
14

de grão em grão…

de grão em grão…maio 2014

 

Sem medo de errar, afirmo: ‘não existe um professor que não tenha sido aluno’. Posso até avançar dizendo que os melhores professores que conheci, jamais abdicaram desta condição antecessora aos seus voos docentes.

Em síntese, e já pedindo desculpas pela citação nem um pouco acadêmica: ‘aluno e professor são farinhas do mesmo saco’. Alguma dúvida?!

Sendo verdadeira esta premissa, entendo que o atual movimento grevista dos alunos de Odontologia da UFPB, merece uma atenção mais especial de nossa parte, professores do curso. Principalmente pelo motivo principal e deflagrador da paralisação: inexistência de AULAS PRÁTICAS [fato gerado pelo não funcionamento do serviço de esterilização das clínicas-escola, em consequência da greve dos funcionários].

Compreendo que AULA, é o elemento que faz a liga entre Ensino & Aprendizado. Tratando-se de um curso onde o exercício prático é fundamental ao aprendizado teórico, a ausência desta atividade pedagógica -inclusive estendida em atendimentos à população- inviabiliza o compromisso institucional na formação de BONS profissionais. E isso, enquanto professor, me diz respeito!

Outro ponto que merece destaque, é que os alunos – vitimados pela ausência de aulas práticas – aproveitaram para, de maneira responsável e civilizada, fazer e apresentar um levantamento das condições físicas e funcionais do nosso curso. Nesta apreciação, sempre estiveram conscientes da escala de prioridades que cada um dos itens deveria ocupar.

ERGONOMIA do SISTEMA – passou a ser um valor agregado! E desejado por todos!

Sei que alguns podem pensar que eu estou ‘fazendo média com a greve dos alunos’. Fico tranquilo e na paz: os que me conhecem, sabem que só me manifesto em causas que acredito. E com palavras que, preferencialmente, me sustentem o bom argumento e a razão.

Sendo apenas um grão de ‘farinha do mesmo saco’, estou externando que este desafio é nosso. E mostra-se pequeno, frente à nossa capacidade de -juntos- encontrarmos soluções.

 CD Ricardo Lombardi – um grão velho, metido a semente/

 

 

25
maio
14

sobre o ‘duas vezes não se faz’

Um pouco mais sobre a Barreira do Cabo Branco/barreira lelé

Tenho em casa o curta-metragem “duas vezes não se faz”, brilhantemente elaborado por Marcus Vilar e Durval Leal.

Feito em 2008, o documentário é sempre exibido em minha residência, quando recebo amigos de fora que, após o imprescindível city-tour pelo “extremo oriental das Américas”, ficam negativamente impressionados com a pouca conservação do local. Ou, se preferirem, com a falta de melhor aproveitamento sustentável do mesmo. Ou ainda… com o descaso!

Ultimamente, o filme-poema tem sido muito apresentado. Tanto pelo aumento de turistas, quanto pelo incremento de suas perplexidades.

Na última reunião do Grupo Amigos da Barreira (GAB), tivemos a exibição do vídeo com a grata presença dos seus criadores – com direito, após a projeção, de batermos papo com os mesmos.

Não deu outra: entre os presentes, quem nunca tinha visto o vídeo, ficou emocionado. Quem já o conhecia, voltou a engolir no seco.

POR QUÊ O SILÊNCIO?! É a pergunta que sempre fica no ar!

Todas as (tentativas de) respostas já caducaram, desmoronaram, ou estão a caminho. Todas elas permeiam entre: ‘…é uma falésia, solo arenoso, sem muita sustentação’; ‘…o tempo e o homem predador, removeram a vegetação da encosta, suporte natural contra a erosão’; ‘…erosão do terreno, avanço do oceano, ventos e chuvas, e tráfego intenso e pesado, são os grandes responsáveis pelo esfacelamento’… profetizam os mais apocalípticos, enquanto segue a cantilena…

Mas…POR QUÊ O SILÊNCIO NO SÉCULO XXI?! [peraí, vamos debulhar a pergunta]

Por quê o silêncio em uma época onde vemos que o tema ‘MEIO AMBIENTE’ é um dos mais debatidos no planeta?! Por quê o silêncio em uma época onde contamos com grandes estudos e recursos da ciência humana – notadamente na construção civil – capazes até de plantar coqueiro em pedra?! E agora as duas últimas perguntas: POR QUÊ A APATIA DE ACHAR QUE ESTE ASSUNTO NÃO LHE PERTENCE?! POR QUÊ AINDA PERDURA O RECEIO ‘POLÍTICO-FUNCIONAL’ DE SE ENVOLVER COM A QUESTÃO?!

Marcus Vilar trouxe e distribuiu entre os presentes o cartaz de divulgação do filme (foto). Disse-me, enquanto apontava uma das crianças: ‘este aqui é meu sobrinho que, hoje, é um adulto jovem’.

Que pena Marcus (pensei): seu sobrinho tornou-se eleitor, continua sem respostas e mantém-se INDIGNADO!

Por último: a finalidade do GAB não é encontrar culpados, mas sim – e rapidamente – buscar soluções. Junto com VOCÊ, claro! 

Ricardo Lombardi de Farias / cidadão brasileiro-nordestino-paraibano-pessoense

duas vezes nao

zarinha debate

GABGAB

23
maio
14

no alvo

NO ALVOpasseata

Escrever para mim é puro prazer. Ainda mais tendo pela frente um ‘mote’ bastante fértil em oportunizar múltiplas abordagens: a greve dos alunos de Odontologia da UFPB.

Em uma das recentes assembleias pertinentes ao movimento, um antigo bordão voltou a ser mencionado: ‘greve de alunos é meio que tiro no próprio pé!’. Sorte que os alunos odonto-paredistas não deram ouvidos: o projétil passou longe dos pés e [melhor ainda] acertou na mosca. Pow!

O estampido acordou a todos; inclusive gestores e professores. Como primeiro efeito impactante, veio a constatação de que o ‘alvo’ já estava entre nós há bastante tempo e que tinha se proliferado absurdamente: tal qual um biofilme em boca mal higienizada, para melhor compreensão.

Cabe a pergunta: ‘por que então somente agora, após o tiro, houve um despertar para o mesmo?!’. Ao invés de buscarmos respostas plausíveis, melhor assumirmos que a velha rotina e os inúmeros afazeres diários aumentaram o nosso grau de miopia seletiva. Ou então, entramos coletivamente em estado de letargia burocrática – cujo principal sintoma é a apatia frente ao inaceitável, no errôneo pressuposto de que… ‘algum setor deve estar cuidando disto’.

Com muita coerência e senso de responsabilidade, os alunos estão dando uma AULA cujo título bem que poderia ser: “Toda cura começa com um bom diagnóstico”. E curar é preciso! E de cura entendemos!

A exemplo de filhos adolescentes, eles estão mostrando aos seus pais (entenda-se: nós professores e gestores) acertos/ajustes que devem ser urgentemente implementados na recuperação física e funcional da nossa casa (Odonto/UFPB).

A família agradece!

CD Ricardo Lombardi

20
maio
14

a odonto é de quê?!

– A ODONTO É DE QUÊ?

– DE LUUTAAAA!abrir a boca

 

E LUTA começa com ATITUDE!

Na verdade é isso – apenas isso – que está acontecendo com o movimento organizado pelos alunos do Curso de Odontologia da UFPB: ATITUDE!

Atitude de não mais tolerar a intermitência antipedagógica de receberem excelentes aulas teóricas e, na continuidade, se verem sedentos pela ausência de suas equivalentes complementações práticas: laboratoriais ou clínicas.

Se fosse um banquete, era como se eles tivessem experimentado um saboroso antepasto, e depois ficassem com água na boca pela ausência do prato principal. Sobremesa?! Por enquanto, nem pensar!

O exemplo foi feliz! Afinal… de boca e mastigação eles entendem. O difícil para eles, e para os seus professores, está sendo digerir, por conta da greve dos funcionários, o fechamento dos setores de esterilização que impedem os atendimentos clínicos.

Nada contra o direito de greve dos funcionários. Entretanto, TUDO contra a errônea interpretação de que os atendimentos em clínicas-escola não sejam considerados ‘serviços essenciais’.

Valei-nos, meu São Platão! Sendo esta a interpretação, poder-se-ia pensar em fechar as portas da nossa Universidade, pois nela, duas coisas não são tidas como fundamentais: ensino e promoção de saúde.

É contra isso (e outras situações vexatórias) que os estudantes de Odonto/UFPB, de maneira equilibrada e responsável, resolveram tomar a ATITUDE de PARAR – até o surgimento de um plano de ações emergenciais que restitua a normalidade de um curso tido como referência acadêmica no Nordeste.

O movimento recebeu o nome de GREVE pelo fato de ser a única forma da sociedade ouvir o GRITO -coletivo e uníssono- de pessoas que desejam, em seus juramentos de formatura, fazer Hipócrates voltar a sorrir.

Sigamos na luta!

CD Ricardo Lombardi

2a Assembleia dos estudantes de Odontologia/UFPB (Auditório de Fonoaudiologia, 19/5/2014)

2a Assembleia dos estudantes de Odontologia/UFPB (Auditório de Fonoaudiologia, 19/5/2014)

17
maio
14

UM FELIZ VELHO APRENDIZ

UM FELIZ VELHO APRENDIZgreve preto

Novamente, esta minha mania de gostar de escrever toda vez que ‘ideias e fatos’ começam a fervilhar dentro da cachola, faz com que eu volte a correr o risco de, pela exposição dos argumentos, patinar nas raias do ridículo e/ou perder algumas amizades.

Mas, vamos lá… acho que desta vez o risco é pequeno! Assim espero!/risos.

O ‘fato’ gerador da inspiração, foi trazido pela experiência de haver participado da recente Assembleia de Estudantes de Odontologia da UFPB, destinada a RECUPERAR FÍSICA E FUNCIONALMENTE AS CONDIÇÕES PLENAS DE ENSINO & APRENDIZADO [auditório de Fonoaudiologia/UFPB, 16/5/14].

O ambiente estava repleto. Sentei-me junto a outros colegas professores, logo me dando conta de que eu era o decano da plateia – fato que me encheu de satisfação.

Como professor, eu estava ali ‘aprendendo’ com jovens alunos. A inversão dos papéis encheu-me de orgulho. Pudera: vê-los explanar (com boa didática) sobre os pontos a serem analisados; assumirem o perfeito controle e disciplinamento das discussões; vibrarem com os gritos de luta; com os cartazes de reivindicações; com abordagens multicurriculares… fez o meu velho coração bater feliz.

Feliz pela oportunidade de testemunhar que a ‘célula aluno’ – sem desmerecer a nenhuma outra – é a mais importante no ‘organismo ensino’. Em qualquer nível, vale frisar! Assim como nós, professores, eles também são transitórios. A diferença está apenas na velocidade deste processo.

Diferente de nós, são eles que conhecem TODAS as portas e torneiras da Universidade. São eles que enxergam por nós, tudo aquilo que a rotina diária cuidou de não nos fazer enxergar. São eles os únicos capazes de quebrar a inércia do sistema, fazendo com que ‘regras e conceitos’ sejam revistos – preferencialmente com ética e civilidade.

Por último: são eles que nos dão o prazer de aprender a ensinar!

A luta continua! A Vida também!

CD Ricardo Lombardi

assembleia

I Assembleia dos Alunos de Odontologia da UFPB (auditório de Fonoaudiologia, 16/5/14)

04
maio
14

ele é chapa-quente

ele é chapa-quentechapa quente

Conheço o Damião bem mais do que ele a mim. Curto e como o que ele faz, sempre com absoluto controle e destreza. Melhor eu explicar: Damião é o cara que trabalha na ‘chapa quente’ de uma padaria na praia de Tambaú onde, sozinho, dá conta dos inúmeros e sobrepostos pedidos vindos de bocas e estômagos famintos. – “Um X-Tudo pra viagem / Dois americanos: um sem salada / Um misto com reino / Três pães na chapa com coalho e ovo, sendo dois mexidos /…” De ouvidos bem abertos vai executando o seu ofício com extrema habilidade, não se importando com a avalanche de pedidos. O baixinho parece saber que a fome tem pressa. O cara é quentura, literalmente falando! Hoje cedo, e novamente, sentei-me ao balcão. Fiz o pedido e fiquei curtindo o Damião que – sendo ambidestro e munido com espátula e faca – dava show de competência: quebra ovos com as duas simultaneamente. Enquanto aguardava meu café com leite, me deleitava com a performance do Dami da Chapa – assim chamado por alguns íntimos comensais. Durante todo o tempo, a vitrola do meu cérebro me fez ouvir a música ‘Gente’, de Caetano Veloso. Perfeito!

https://www.youtube.com/watch?v=nrzYbc3rWzc

Manhã de domingo com direito a desjejum em padaria é fantástico: é gente indo pra missa / é casal voltando de motel / é turista negociando com bugueiro / é bebum penitente levando bolacha pra casa (na esperança de não dar o inverso) / é atleta suado ficando reidratado / é policial passando o guardanapo para marginal / e é o gigante Damião, com espátula na mão, provando que gente é muito bom! Viva a Vida! Viva o pão na chapa nosso de cada dia!

Ele É o cara: Damião com a faca na mão. Ele É o cara: Damião…com a faca na mão!

CD Ricardo Lombardi

09
mar
14

tambaú – posto seis

  • Nota prévia: encontrei-me, depois de décadas, com o mestre e acadêmico Otávio Sitônio, na missa de 7° dia de Jóia (Giovanni Feitosa). Todo de branco, inclusive barba, sentado, não o reconheci. Mas, bastou ouvir o seu timbre de voz que imediatamente as lamparinas do posto 6 iluminaram a memória.
  • O texto abaixo dele recebi por e-mail, antes de ser publicado em sua coluna n’A UNIÃO. Tal e qual o recebi, o publico em Coisasdolombardi  – inclusive  sem o devido cuidado de pedir a sua autorização. Acho que não haverá problemas, pois se trata de assuntos pertinentes à geração ‘Posto 6’, e escrito por um dos seus ilustres sobrevivente. E de conteúdo joia, bom lembrar.
  • Em tempo: Posto 6 era o local na orla de Tambaú, onde ficava o primeiro posto de salva-vidas, à esquerda da Epitácio Pessoa. Um pouco depois de Gilvan Cabeleireiros. Foi lá onde aprendemos que a vida é uma grande onda/

 

DE VOLTA AO POSTO SEIS

Otávio Sitônio Pinto

“Eu escapei fedendo das cavalgadas de motocicletas; motos são mortais”

Encontro o dentista Ricardo Lombardi na missa de Giovani Sorrentino Feitosa, o popular Joia. Fazia tempo que não via Ricardo, companheiro do pedaço de areia do Posto Seis. Ainda bem que nos vemos pouco: as missas de sétimo dia devem ter lugar bem longe uma das outras. Ricardo é um sobrevivente do Posto Seis: pegou uma carona de moto e escapou por pouco. Eu escapei fedendo das cavalgadas de motocicletas. Motos são mortais.

Ricardo disse que é sobrevivente também de uma cirurgia que fez, há cinco anos. E eu de quatro “stents” que botei, digo, o médico botou no meu coração: o doutor Helman Martins; na primeira vez, assistido pelo doutor Queiroga. “Stent” é a molinha que reabre a artéria cardíaca obstruída e fica lá até o revascularizado morrer. Meus “stents” vão completar 20 anos. Esse engenho foi copiado da mola que impede o mangote do radiador de fechar na dobra. Se você ainda não viu, olhe que verá aquela mola lá dentro, no cotovelo do mangote, evitando que ele feche.
“Você teve um enfarte” – disse o doutor Queiroga em pleno procedimento do cateterismo. Mas eu decidi viver até hoje. Posso surpreender os amigos e os leitores com uma ausência súbita, mas posso surpreender também os inimigos com uma longa vida – feito aqueles leites sem enzimas, pasteurizados, que se encontram nas prateleiras das grandes bodegas. Aqueles leites são submetidos a medonho choque térmico, fervidos e jogados numa câmara frigorífica para matar todos os micro-organismos. Assim mortos, têm longa vida.

Na igreja, no banco em frente, os irmãos Dinho e Duda Aranha. Recordamos o tempo ensolarado, o tempo claro do Posto Seis, no pedaço de areia assinalado pelo posto salva-vidas da beira-mar de Tambaú, a poucos metros do monumento a Tamandaré, no rumo norte. Olho o santinho da missa de Joia e vejo que sou oito anos mais velho que ele. Devo dizer “que eles”, os jovens com quem eu compartilhava a praia há 42 anos. Essa defasagem se dava ao fato de eu namorar uma garota do pedaço, hoje provavelmente madame Marilza.

Joia nasceu a 21 de janeiro e se encantou a 27 de fevereiro, como na estatística que diz que a maioria das pessoas morre perto do seu aniversário, antes ou depois. Pode conferir nas lápides dos túmulos. Um dos Aranhas comentou: “Joia e Xexéu tiveram morte semelhante”. Xexéu foi outro passageiro do Posto Seis. Eles foram encontrados dias depois do óbito, tombados dentro das casas em que viviam e morreram sós, enfartados. Ambos sofriam do coração e de solidão. Essas duas patologias são fatais, se somadas.

“Solitários do mundo todo, uni-vos”. Marx deveria ter conclamado os solitários à união; eles são mais disponíveis que os proletários, estes de poucas posses e grande prole. Os solitários já viveram muito, podem arriscar suas vidas em gestos temerários. Os proletários têm a prole para cuidar, com a mágica de um salário mínimo carcomido pela mais valia. Os jovens não deviam ser convocados para as guerras. Eles não têm culpa. Os velhos, mais ainda os solitários, é que deviam ser mandados para as trincheiras de Verdun. Os meninos do Posto Seis fiquem onde estão. Os sobreviventes, como eu, Ricardo Lombardi, os Aranhas, é que temos de ir para a frente leste, ou para a segunda frente a fim de libertar Bayeux.

Vejo os irmãos de Joia no proscênio do altar após a missa. Momento difícil esse dos cumprimentos. De certa forma, aquece as almas. Mesmo com lágrimas o momento da partilha do luto vale a pena. Meus cabelos ficaram mais brancos que os dos irmãos Feitosa. Jefferson me diz que seus joelhos não lhe deixam andar; iguais aos meus, que não me suportam em pé nem nos momentos mágicos da missa. O padre deu-nos a bênção e recomendou que fôssemos em paz, com Deus Nosso Senhor. Lembrei-me do bêbado que pisou em falso no batente da igreja: “Se quiser vir comigo, venha, mas sem empurrar!”

Eu queria que o deus dos bêbados me empurrasse de volta ao Posto Seis.