Archive for the 'Uncategorized' Category



28
out
21

MINGO AL MARE

*NOTA PRÉVIA: hoje, 28/10/2021, na praia de Manaíra (João Pessoa) as cinza de Mingo Porto foram lançadas ao mar. Bem ali, em frente à sua antiga residência. O querido Mingo, nasceu em 11/09/1956, com o nome de DOMINGOS NICOLA DELGADO PORTO. Sua partida se deu em 21/06/2021. Saudades!!

Sabia de MINGO há bastante tempo… mas foi na reta final que ficamos mais próximos.

Ele veio com Lala e com a luta pela Barreira do Cabo Branco.

Um amigo, pai e avô super carinhoso e atencioso.

Em nossas caminhadas matinais, o papo, em todo o tempo, girava sobre culinária, música e saúde: as nossas e a do planeta.

Postava sempre nas redes sociais – meio que denunciando – a mortandade de vidas marinhas causada pela poluição deixada pelo bicho homem.

Por nós… que largávamos toneladas de embalagens pets, canudos, sacos plásticos, latas, garrafas, e outros detritos.

O solitário Don Mingo era incansável nessa luta.

Assim como também lutou por mais de um ano, longe de sua orla, mas próximo de seus amores, pela sua vida.

De Brasília, e na frequência dos almoços de domingo, quando possível, conversávamos em vídeo-chamadas.

Daqui, torcíamos pelo alívio de sua dor.

De lá, víamos um guerreiro sempre otimista e pra cima.

Se deu trabalho, foi por uma causa maior: a sua Vida.

Se descansou, pôde provar o quanto foi amado… pela unanimidade de centenas de amigos, pelos familiares, pelos golfinhos, tartarugas, e pela imensidão dessas águas, que agora recebem as suas cinzas.

AVANTE, parceiro!

02
ago
21

dona Margot merece pódio

Gosto muito de meus encontros e papos com Dona Margarida Caldas.

É prazer sempre garantido.

Ressalto que as verdades supracitadas não se arvoram apenas no fato da mesma ser a mãe de Lala, a minha consorte.

O meu respeito e admiração por Dona Margot baseiam-se no reconhecimento de uma pessoa que, quando mais jovem, viveu à frente do seu tempo… como mãe, mulher e profissional/estilista de moda.

Na sua época – estamos falando dos anos ’60 – se já era raro viajar para a Europa, imaginem então o que dizer de suas frequentes idas ao velho mundo em busca de fazer cursos e conhecer novas tendências da haute couture.  

Vale destacar que em muitas dessas viagens ela ia sozinha, não importando a duração das reciclagens, muito menos o destino, já que, em inúmeras vezes, a opção era a América.

O mundo não apenas vivia a revolução da minissaia, trazida por Mary Quant e apresentada por Twiggy… mas também ficava boquiaberto com a elegância clássica de ícones como Jackie Kennedy, Barbara Goalen, Grace Kelly, Elizabeth Taylor… a lista é imensa.

Sempre que posso, gosto de puxar um papo saudosista com Dona Margarida.

É muito bom ouvi-la discorrer sobre o surgimento da moda prêt-à-porter, e mais ainda sobre as contribuições trazidas pelos geniais Yves Saint Laurent, Christian Dior, Gianni Versace, Calvin Klein, Giorgio Armani, Givenchy

Sendo patriota também resgata da memória os nossos: Dener Pamplona Abreu, Clodovil Hernandez, Zuzu Angel (citando alguns) como exemplos de uma época pujante. E de muita elegância!    

Com ela, também busco conversar sobre outros temas… principalmente quando estamos jogando GAMÃO.

Recentemente, por conta das Olimpíadas e considerando a entrada de novas modalidades esportivas nas competições, disse a ela – enquanto jogávamos – que eu estava escrevendo para o Comitê Olímpico, propondo a inclusão do nosso BACKGAMMON, já nos próximos jogos… em Paris.

Claro que ela gostou muito da ideia… principalmente ao saber que não existiria limite de idades entre os competidores… mas que ‘até lá’ ela deveria decorar as regras do jogo… o que ela logo retrucou: “- o queeeê, sujeito?!” (risadas).

Além do aprendizado e respeito às regras do jogo, também tenho pela frente um gigantesco desafio.  

Seguinte: o nosso encontro no tabuleiro é sempre depois que ela reza o terço. “- Pronto! Terminei. Vamos jogar?!” Faz o desafio/convite enquanto enrola o terço em seu punho esquerdo.

Vejo a cena e já começo a transpirar!!

Durante as partidas, ficou muito recorrente o fato dela, toda vez que os dados não lhes dão os pontos favoráveis, rapidamente movimentar os braços fazendo com que o terço -enrolado no pulso esquerdo da fé- toque em uma das pedras, fazendo-a girar… até chegar ao número desejado!   

“ – ô minha sogra… assim não dá! Fique ciente que os jogos olímpicos já são monitorados pelo VAR!”

“ – ô queeeê, cidadão… onde é que a tecnologia vai vencer a força da fé, e dos milagres??!!”

Segue o jogo… Paris que nos aguarde!!

olho no pulso esquerdo. oremos!
26
jul
21

um rolê com Tatá

Ontem, fui dormir assistindo na TV a uma pequena e encantadora atleta dropando em fabulosa pista de skate, na busca de sua classificação.

O motivo do meu deslumbre era estar vendo, em tempo real, uma púbere atleta brasileira, deslizar sobre o seu instrumento de trabalho com elegância somente vista em deusas do Olimpo.

Ou em contos de fadas, caso prefiram.    

Hoje, despertei com a constatação de que a pequena RAYSSA LEAL – sim, a nossa Fadinha – com apenas 13 anos, subiu ao pódio entre duas japonesas para receber a sua medalha de prata. E no Japão!!

A felicidade do meu despertar aumentou ainda mais ao perceber que, neste ‘rolê matinal’, posso sair de RAYSSA, e migrar para TAÍSA… outra deusa do Olimpo, que hoje completa mais uma primavera.

Para mim, as duas abordagens se cruzam com sentido lógico.

TATÁ também merece pódio. E de ouro, vale frisar!

Possui nipe!

Sempre que posso, ouso chamá-la de filhota.

Embora não possua o direito genético ao vocábulo, arvoro-me no prazer, honra e compromisso de dividir com mama LALA todas as preocupações e alegrias relativas à (minha e dela) prole.

Parabéns, TATÁ!

Não somente por HOJE, mas por todos os rolês que, juntos, já demos ou ainda vamos dar nessa imensa e linda pista de meu/nosso DEUS.  

És uma linda FADA, filhota.

05
jul
21

será que a cura vem de fora??!

Acho que foi um pesadelo. Terá sido mesmo?!!

Acordei apavorado com a possibilidade de, nos dias atuais, uma nave alienígena pousar no ‘planeta brasil’ com a missão intergaláctica de analisar o perfil político e social de seus habitantes.

Espanto maior foi saber que a ‘régua’ utilizada para esta avaliação seria a coleta aleatória de textos oriundos de anônimos usuários das redes @nadasociais em suas beligerantes missões diárias de consertar ou incendiar de vez o mundo.

Lucro maior foi saber que não se levará em conta o zelo pela sintaxe dos referidos e bombásticos textos.

Das duas, uma: ou o tempo-em-solo do veículo astronáutico seria muito longo, quase perpétuo; ou talvez um brevíssimo pit stop provocado pelo espanto certamente encontrado no material de consulta.

No primeiro caso, estaria evidente que os habitantes do ‘planeta brasil’ precisariam de um profundo e demorado estudo com os maiores nomes da sociologia-psiquiátrica do cosmos contemporâneo.

Já no segundo, a interpretação estaria mais que evidente nas mensagens emanadas pela nave: “a coisa degringolou de vez… ficou irreversível… cura zero… a missão está cancelada”!

De volta ao pesadelo, e visando colaborar com a pesquisa dos extraterrestres, eu – se consultado fosse – iria pedir-lhes um pouco mais de paciência, pois a fonte principal da pesquisa (postagens nas redes @nadasociais) possuía um forte viés de tendenciosidade.

Não apenas pela frenética bipolarização política e/ou sadomasoquista da maioria dos usuários, mas sobretudo pela ira contida como consequência desta situação… extremamente agravada em tempos de pandemia.

Aos meus mais novos amigos ET´s, eu diria que a troca de tiros está por conta de um dos lados creditar ao outro, insanidade e coparticipação (trazida pelo voto) de tudo que está errado no momento.

Já o lado oposto, credita ao outro grupo insanidade e coparticipação (levada pelo voto) da bancarrota política que estava assolando o planeta brasil.

Meus pequenos e esverdeados amiguinhos sorriram da minha ingenuidade e disseram: – “então está fácil, ué?! Basta que vocês, ano que vem, votem em propostas e/ou pessoas que corrijam tudo isso”.

Agora foi a minha vez de soltar um tímido sorriso entre lágrimas, dizendo-lhes: -“podem partir… vocês jamais entenderão como a porra deste planeta brasil funciona”!

De volta aos pesadelos diários!!

22
jun
21

mingo e o seu balão mágico

Buscando palavras para Camila & Amanda & Domenico.

A tarefa é desafiadora, mas vou tentar…

Tenho um bocado de horas de voo, mas na pista de vocês somente aterrissei em 2017, há exatos quatro anos.

Sim, muito antes dessa data, eu já tinha conhecimento da existência de vocês… filhas/filho de Mingo, jovem do bem e bonito também.

À época, nossos voos eram mais rasantes. Flutuávamos em embarcações do tipo ‘balão mágico’… onde toda a alegria e alegoria eram entregues a vocês: filhos e filhas.

Fácil de lembrar como o céu de João Pessoa ficava condensado de balões coloridos.

Nós, os pilotos, logo percebemos que – frente a vocês, pequenos passageiros – não passávamos de meros aprendizes nos voos (e turbulências) da vida.

Sem medo de errar, era bonito de ver como pilotos e tripulantes se comunicavam… bastava um simples olhar ou um sorriso.

Lá do alto era muito comum nos depararmos com Mingos falando com Ricardos, que também conversavam com Paulos, que trocavam ideias com Carlos, Ivans, Silvinos, Marcos, Flávios, Josafás, etc…

O barulho, lindo e maior, ficava por conta das Camilas, Taísas, Andréias, que conversavam com Georges, Gustavos, Marnes, Milenas, Amandas, Bias, Dudus, Domenicos… Ufa, a lista é imensa.

Nesses últimos quatro anos, pós aterrissagem, foi possível nos encontrarmos novamente. Agora em terra firme, em solo fértil. Tomara somente que muito logo voltemos à vida em seu #modopresencial.

Coisa boa foi trocarmos os voos dos balões pelos almoços dos domingos. Aqui ou aí (BSB), não importa.

Importa é a oportunidade de nunca – aqui, ou aí – deixarmos de resgatar com tais encontros, o sentido maior da vida: a leveza de flutuar e saber viver!

Junto a Domenico, vocês, Camila e Amanda, sempre serão filhas amadas por muitos pais e mães. Sinto-me um deles. Lala, idem!

Peço a vocês que daqui a pouco, na cerimônia do “até breve”, procurem visualizar o querido e amado Dom MINGO embarcando, como naqueles tempos, em um lindo, mágico e poético balão.

Procurem ver, na subida do dirigível, os nossos sorrisos… dos que aqui ficaram. Não esqueçam de incluir as Gigis, os Carlos e Antonios, os Vicentes, os Pedros e Ester… e quem mais vier.

MINGO assim quer.

Ele nos ensinou a como fazer!

Beijos, e vamos voar juntos pela vida afora.

RLombardi, 22/6/2021 (13:45hs)

19
jun
21

peixe por pix

O mar pode até ser o mesmo, mas as ondas de comunicação agora são outras.

Gosto muito de peixe e tenho em Melquisedeks um dos meus peixeiros prediletos. Calma, ele também atende por Melki.

Sou seu cliente desde o tempo da telefonia fixa.

Suas chamadas telefônicas eram sempre bem cedo… e sem nenhuma obediência ao dia da semana.

Aliás, parecia haver uma maior predileção pelos domingos… principalmente àqueles que traziam; do mar, os barcos; e de mim, as ressacas dos embalos dos sábados à noite.

“- Doutor, acabei de receber um Galo do Alto, do jeito que o senhor gosta”! A boa notícia era sempre dada por volta das 5:15 da manhã. Um ‘privilégio’ para poucos, concordo.

Ótimo! Recado recebido, sono perdido, lençóis ao mar, pois estava deflagrada a missão “trazer o peixe dominical”.

Bons tempos e ótimas lembranças que, hoje, me trouxeram a vontade de descamar esse tema.

Durmo e acordo cedo… até porque os embalos dos sábados à noite ficaram nas ondas da juventude com John Travolta, Olivia NewtonJohn, Bee Gees, os Diplomatas, e muitos outros…

Também ao lado da cama, já não existe mais nenhum aparelho de telefonia fixa. Tudo faz crer que Graham Bell já cumpriu o seu papel.

Dou o meu testemunho de que a ausência deste aparelho me garantiu (e ainda o faz) uma boa sobrevida, pelo fato de não mais me fazer despertar com os olhos esbugalhados e o coração saindo pela boca, toda vez que aquele estridente e desesperador TRIMMMMMMM era ouvido. Ufa!!

Atualmente, na cabeceira, além dos remédios e de uma garrafa d’água para o refluxo, apenas uma pequena caixa de som JBL – bluetoothizada ao meu iPhone – ambos sintonizados ao piano de George Winston, ou equivalente.

Toda essa moderna tecnologia me encanta. Embora não dominando 100% os equipamentos, perco o sono quando percebo como é fácil, rápido, e silencioso, negociar com Melki a compra e recebimento dos produtos.

Tudo via WhatsApp, PIX e Motoboy (perdoe-me, meu bom Ariano Suassuna!).

“Bom dia, Melki! E aí… tem coisa boa pra mim”?!

“Tenho sim, doutor. Estou com: Robalo, Garoupa, Cioba, Dentão, e Caranha”.

  • [neste ponto, cabe a explicação de como a nomenclatura de peixes é variada. Muitas vezes está na dependência da região onde é mais comumente encontrado. Em outras, é caracterizado por sinais estéticos assimilados por pescadores da região. Sem dúvida, trata-se de um grande aprendizado].  

“Como eu consigo um Linguado, amigo”?!

“Doutor, por aqui é muito difícil. É peixe de outras águas. Se aparecer eu ligo para o senhor”.

NÃOOOO! (teclei em caixa alta e negrito, talvez ainda resquício da telefonia fixa!), melhor você mandar um Zap. Hoje vou querer a Garoupa… pode fazer o filé. Mande separado a cabeça e a espinha dorsal… para o pirão”.

Pronto! Negociação feita com sucesso e pagamento realizado via PIX.

Melhor que isso, somente o silêncio matinal, a confiança no amigo peixeiro, e a moqueca de logo mais.

Bon appétit!

o peixe, Melki e eu
a moqueca
22
out
20

Um galego cuidadoso.

Sou amigo do galego Galeno desde a vida inteira.

Por uma questão de economia silábica, eu, e toda a molecada da Rua Nova, logo cedo, abreviamos o seu nome para Gal. Ou Ferrugem… devido às pigmentações avermelhadas na sua face.

Querido por todos, o pequeno Gal sempre possuiu um diferencial nos quesitos ‘elegância & proteção’.

Enquanto o nosso uniforme para as brincadeiras de rua, era composto de calção, camiseta e alpargatas, Galzinho chegava sempre impecável: meias, sapatos Vulcabrás, calça comprida (com suspensórios), camisa manga longa, boné, lenço, sacolinha de pano, e o seu indefectível guarda-chuva.

O estilo Bonnie e Clyde era igualmente adotado pelo seu pai, Dr. Fontoura, reconhecido farmacêutico da região.

Ficávamos hipnotizados toda vez que o garoto dos suspensórios abria a sua sacolinha e, tal qual um mágico, começava a sacar: pílulas, pastilhas, unguentos, e outros tipos de fármacos.

E não ficava por aí… discorria sobre as indicações e propriedades de cura de cada produto com absoluta destreza.

Tudo levava a crer que a sua paixão por remédios possuía respaldo hereditário… incluindo no pacote, até o seu nome – Galeno – escolha feita pelo seu pai, como forma de homenagear o Pai da Farmácia.

Sendo assim, estava tudo explicado… o legado hereditário e outros fatores epigenéticos, transformaram nosso ruivo-amigo como a nossa referência maior de pessoa hipocondríaca.   

Ou melhor, vou retificar o tempo do verbo bem como o grau da patologia, haja vista que, após muitos anos sem ver o Galeno, eis que recente e subitamente o encontro, claro, na porta de uma farmácia… e em plena pandemia!!

-“É o Lombardi da Rua Nova?!”

Virei-me em direção à pergunta e, no meio de tantos mascarados, logo percebi alguém com indumentária bastante diferenciada… mais parecendo um escafandrista. Ou melhor, um manequim ambulante vestido com todos os tipos de EPI’s existentes no planeta contaminado.

-“É o grande Ferrugem?!”

Apesar da dúvida, formulei a pergunta com base em alguns itens ainda visíveis…apesar de protegidos com papel filme: o guarda-chuva e a sacola, agora na versão XXL.

Ao correr para o abraço, fui impedido pelo cabo do guarda-chuva. Pediu-me para esperar um pouco, enquanto tirava da sacola uma enorme bomba de álcool gel, uma caixa de luvas descartáveis, e outra de máscaras.

-“Sim, sou eu. Você não me conhece mais não?!”

Depois de borrifar-me com dois tipos de álcool gel, pediu-me para calçar as luvas e, somente então, com o punho fechado, permitiu-nos um pequeno toque murro a murro… depois de ter medido com uma trena, o distanciamento de 1,50 metros entre nós.

Dada às circunstâncias do #momentopandemia, o nosso papo foi muito breve. Apenas o suficiente para trocarmos os números dos telefones e dele ouvir, como forma de despedida, que estava com muita pressa, pois tinha ido ali apenas para saber do amigo farmacêutico, as novidades do mês.

Era o Gal! Tive a certeza!!

Com a sacola cheia, o ruivo do guarda-chuva, portador do maior PIB de EPI´s do planeta, pôs-se a caminhar de forma ritmada e elegante, tal qual um Carlitos moderno.  

Ao vê-lo partir, senti que pisava feliz em seus encapados Vulcabrás.

Quanto a mim… restou-me cantarolar ‘UM HOMEM COM SUA DOR’, e agradecer a Itamar Assumpção e Paulo Leminsky pelo presente que, a partir de agora será, para mim, a trilha sonora do querido Ferrugem.

Vida longa e sacola cheia, Galeno!    

14
jul
20

novo normal?!

De perto ninguém é normal (ou o 'novo normal') — Gama Revista

Impossível não colocarmos este 2020, na prateleira mais alta dos ´piores anos de nossas vidas´. Xô!

Nele, notícia boa virou produto raro! Por trás das máscaras, os sorrisos ficaram tímidos… ou até histéricos.

O isolamento social forçosamente trouxe um novo modelo de relação que, convenhamos, até pelo compulsório da medida, é factível de possuir um viés patológico.

Esperar o quê?! Pandemia é guerra… e guerra é pandemônio!

Esta parece ser a tônica que, errônea ou intencionalmente, não apenas tenta justificar os desencontros das informações desencontradas; como também serve de guarita aos desmantelos oriundos dos castelos de comando.

Vou pegar carona na palavra ‘guerra’. Ora, nada mais fácil de entender que, para combater o bom combate [com a redução do número de baixas], necessitamos de estratégias confiáveis que nos estimulem ao enfrentamento das batalhas.

E não, ao ceticismo. Muito menos ao suicídio.

Nesses quatro meses do horror, e na falta de uma ‘voz de comando’ em que pudéssemos alimentar as frágeis esperanças, meio que perdemos o senso da emoção. Nos acostumamos a contabilizar internações e mortes, bem mais do que as curas.

Sem muita certeza entre o que é certo e/ou errado, os ‘decretos’ vão determinando o retorno às atividades. Ótimo… melhor ainda se não lêssemos nas entrelinhas que “permaneçam de máscaras, não se aglomerem, portem os seus álcoois em gel, pois… as medidas poderão ser revistas, caso a curva manifeste nova subida”.

Pelo andar da carruagem, agora todas as nossas expectativas se voltam para o NOVO NORMAL. Oba!

Será que vamos mesmo passar por uma grande metamorfose social?! Será que um ‘novo eu’ eclodirá de dentro de cada um de nós?! Será que os gestores públicos também serão atingidos neste processo?!

Sem querer concorrer com a saudosa Velhinha de Taubaté Os milicos e a Velhinha de Taubaté | Montedo.com.br(https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Velhinha_de_Taubat%C3%A9) eu boto FÉ nesta possibilidade. Até porque, quem sabe, este Novo Tempo traga melhores condições de salvarmos – DE VERDADE – a nossa Barreira do Cabo Branco.

Basta, como exercício, respondermos a essas poucas perguntas:

  1. Será que o NOVO NORMAL acordará a sociedade paraibana na defesa de seu maior patrimônio ambiental e paisagístico?!
  2. Será que o NOVO NORMAL fará com que os órgãos fiscalizadores das obras na Barreira do Cabo Branco, revejam se as licenças emitidas não precisariam de reajustes e/ou se estão mesmo sendo respeitadas?!
  3. Será que o NOVO NORMAL fará com que a sociedade paraibana passe a exigir da PMJP total transparência nos gastos e projetos voltados às obras da Barreira do Cabo Branco?!
  4. Será que o NOVO NORMAL fará com que a sociedade paraibana continue desconhecendo o que está sendo feito (sob o nome de ‘obra’) na Falésia do Cabo Branco?!
  5. Será que após as próximas eleições do NOVO NORMAL teremos vereadores mais comprometidos com a cidade do que com os seus esquemas políticos?!

 

Estou muito convicto de que o NOVO NORMAL venha a estabelecer um maior respeito nas relações entre agentes/setores públicos, sociedade civil, meio ambiente, e contas públicas.

Não sendo assim, ele já vai nascer doente… e assim continuar!

Vivamos… eu, você, e a Velhinha de Taubaté!

 

10
jul
20

sobre sabores

 

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Faz uns seis anos que me percebo dando especial atenção às minhas restritas ‘vocações culinárias’. Calma, gente, asseguro não existir nenhum perigo social no presente e amadorístico ofício; ou melhor, um simples hobby.

Junto ao fato, igualmente detecto que esta saborosa curva particular de aprendizado se encontra em sua maior velocidade, seguindo em aclive e, pelo prazer gerado, muito longe de ser achatada. Assim espero!

Tenho certeza de que um dos maiores responsáveis pelo meu #momentopanela está sendo o isolamento social imposto pelo destemperado Coronavírus.

Com o mesmo empenho que tenho recorrido à literatura específica sobre o tema, também fico a me questionar de onde surgiu, em mim, este tardio encanto pela gastronomia, naquilo que se refere ao desafiador “faça você mesmo”.

A etapa recém citada, difere bem daquela outra… a do “prove você mesmo”, que me foi muito precocemente introduzida pelo meu avô Jácomo, quando eu, ainda em seu colo, era apresentado às iguarias feitas pela vó Niná, e pela doce Chiquinha, que, com um pano na cabeça e um terço na mão, pilotava com destreza um velho fogão de lenha, em uma das casas da Rua Nova (Av. General Osório, João Pessoa/PB).

Jácomo era obeso e fazia sempre uma festa à mesa… não importando o que sobre ela estava servido. À época, o cozimento dos alimentos era feito com banha de porco, fogo baixo, e panelas de ferro ou de barro… elementos que elevavam sobremaneira a preciosidade dos sabores.

Era sempre alegria quando vinha uma travessa de pirão d’água e outra de carne de sol desfiada, refogada com cebolas e bem umedecida com a gordura animal usada na fritura. O ponto alto era quando o meu avô pegava o pirão e esculpia com as mãos; um cavalinho, um leão, um elefante e, se brincar, todos os demais passageiros da Arca de Noé.

As belas esculturas, eram acompanhadas de pedacinhos da carne de sol, discretamente lubrificadas com o caldo da travessa, e devoradas com prazer por mim… o primeiro neto.

O mundo girava mais devagar.

Jácomo morreu de infarto… não apenas pela sua obesidade e possível elevação em suas taxas de triglicerídeos, mas talvez pela saudade de Penha (filha – minha mãe) e sua família, quando fomos residir no Rio de Janeiro… ainda capital da República.

Nas voltas que o mundo dá, sempre carreguei comigo o legado do meu avô, naquilo que se refere ao ponto de união, de encontro, simbolizado por uma boa mesa. Cabe aqui, citar um preceito da nossa origem italiana: ’a un tavolo, la gioia deve essere sempre presente’ [em uma mesa a alegria deve estar sempre presente].

Citação semelhante também foi trazida por @ricardoamaral, jornalista e empresário brasileiro que, entre os anos 70’ – 80’, foi considerado o ‘rei da noite carioca’, comandando os principais bares, restaurantes, boites, casa de shows pela zona sul do Rio. Quando perguntado a ele qual a fórmula empregada para a obtenção de tanto sucesso empresarial, ele respondeu com essa pérola: “-simples, basta apenas trabalhar pelos prazeres das mucosas”. Bingo, xará!

O conjunto dessas (e de muitas outras) observações me faz acreditar que o encanto do ‘fazer culinário’ continuamente andou comigo.

Não é de agora que, ao visitar casas de pessoas amigas, sempre costumo ir até a cozinha para conhecer e abraçar as pessoas que ali estão a trabalhar. Espécie, talvez, de agradecimento antecipado.

Total respeito por esta categoria profissional.

Parece que o que me faltava mesmo, era o despertar para “botar as mãos na massa”. E isto agora aflorou. E com prazer, o que é melhor.

Incentivos nunca me faltaram. Um deles era apreciar a minha tia Teresinha Lombardi comandando a cozinha nos almoços de domingo. E se o acaso trouxesse o bônus de colocar também Dorinha Maroja (sua cunhada) no mesmo ambiente, o banquete resultante inibiria qualquer Festa de Babette, acreditem!

Outra fonte de estímulo é facilmente encontrada nos programas de culinária e sites que versam sobre o gostoso assunto. Difícil é escolher uma única fonte. O bom mesmo é navegar.

Um dos meus primeiros oceanos, foi um programa exibido na GNT, chamado “Menu Confiança”. Uma delícia… trazia a dupla Claude Troisgros e Renato Machado. O primeiro, cuidando das panelas. O segundo, cuidando das garrafas… escolhendo o vinho que melhor harmonizasse com o prato trazido pelo chef franco-brasileiro.

Um ponto muito primoroso neste aprendizado, é conhecer a origem dos pratos. Saber que o bacalhau já foi comida (quase ração) destinada aos escravos; que a paella teve a sua origem na escassez de alimentos e daquilo (incerto) que seria trazido pelos caçadores; que a nossa feijoada veio das senzalas com a utilização das sobras deixadas pela Casa Grande, etc…

Significa dizer: pelos alimentos podemos ter uma leitura sociológica fidedigna da história de um povo e da sua região. Entretanto, não me parece politicamente correto, a existência de qualquer ‘patrulhamento ideológico’, sob a forma de críticas, aos que, no Brasil, escrevem sobre culinária ou produzem programas do gênero.

Achar condenável falar de uma ARTE -milenar & universal- pelo fato de estarmos em um país que beira os seus 211 milhões de habitantes, onde 32 milhões passam fome, e mais de 65 milhões não ingerem a quantidade diária de calorias, soa como oportunismo político (e caduco) com a bandeira negra da FOME. Ao invés disso, devemos, isto sim, nos ocupar para que TODOS tenham direito a sentar e participar do ‘banquete da vida’.

[acerca do contexto deste último parágrafo, convido os interessados para a leitura de https://coisasdolombardric.com/2014/05/04/ele-e-chapa-quente/ aqui neste mesmo Blog]

 

Retomando o propósito do texto, destaco, a seguir e sob uma forma de melhor facilitar à leitura, os seguintes tópicos:

  • O aprendizado: talvez o assunto seja o tema mais explorado na literatura – leiga e científica. Hoje, milhares de livros e revistas encontram-se à disposição de todos os interessados. Indo para o ‘mundo virtual-eletrônico’, o volume de informações cresce exponencialmente, haja vista a infinidade de vídeos e sites destinados ao gostoso assunto. Dos meus preferidos, além do @menuconfiança já citado, destaco: @MohhamadHindi – jeito extrovertido e alegre de ensinar a fazer; @RitaLobo – simpatia e elegância dentro de cozinha impecavelmente arrumada; @RodrigoHilbert – com seu estilo ‘faça onde estiver’; @OlivierAnquier – rodando com seu fusca pelo mundo dos sabores; @BelaGil – com seus temperos exóticos e zelo pela preservação da natureza; @FelipeBronze – sempre perto do fogo, e segue uma extensa lista… Não seria correto por aqui, eu deixar de citar alguns/mas amigos/as com os/as quais troco figurinhas sobre o assunto. Dentre vários, destaco: @RicardoDuarte; @RejaneBeltrão; @MarceloWerneck; @MilenaRegina; @CarlosAlbertoNunes; @DadaNovais; @AnaAdelaide; @MariadasNeves; @ToinhoMariz; @GeorgeDantas; @MingoPorto; @JorgeAbrão; e o meu gran chef @GustavoLombardi.
  • Os equipamentos: parece bastante óbvio que, para qualquer profissional que pretenda executar bem o seu ofício, deva ter ao seu redor equipamentos que facilitem à sua prática. Foi assim que surgiu a minha paixão por facas (Zakharov, minhas preferidas), colheres, tábuas de corte, panelas (de metal, barro e pedra), máquina de fazer a massa e varal para secá-la; paelleiras… e até um fogão industrial para ajudar o convencional caseiro. Sobre panelas, mantenho linha direta com @Berenícia – presidente da Cooperativa das Paneleiras de Goiabeiras – Vitória/ES… local onde produzem artesanalmente as famosas panelas de barro para a feitura das, não menos famosas, moquecas capixabas. Sim, democraticamente elas também podem ser utilizadas para a elaboração da sua concorrente baiana.
  • Os sabores: a elaboração de qualquer prato começa bem antes de acender o fogo. Adquirir os melhores produtos, tanto da matéria prima, quanto dos complementos, é um bom começo para o êxito final. Ir à feira – na véspera ou no dia da feitura – é muito gratificante. Sentir o verde das folhas… seus aromas; o viçoso ramo de alecrim; as folhas de louro; o açafrão; as pápricas (doce, apimentada ou neutra); os pimentões (vermelho, amarelo e verde); o alho-poró; o ramo de salsão… com os talos preferencialmente; o cheiro-verde; o manjericão; o orégano; a manteiga de garrafa; o óleo de dendê; o tempero sírio; o grão de bico; o gergelim; o óleo de côco; a pimenta dedo-de-moça e/ou a malagueta e/ou a da Jamaica; os peixes e frutos do mar pescados na hora; os limões (sicilianos também são bem vindos); ufa… Muitas vezes não encontramos em nossa região alguns temperos/ingredientes usados nas receitas. Não faz mal algum, pois neste quesito a diversidade da flora/fauna brasileira nos faz um país saboroso. Basta substituir por algo próximo ou de sua predileção.

 

Finalizo o presente texto, assegurando que o melhor de todos os ingredientes na culinária, é o AMOR que é derramado nas panelas. Seja na elaboração de um prato sofisticado, ou na fritura de um simples ovo.

A lição me foi passada por Seu Otávio, saudoso e educado peixeiro do Mercado da Ruy Carneiro. Estava ele a cortar as postas de um peixe, enquanto aguardávamos a nossa vez. Alguém começou o assunto: “- pra vocês, qual a melhor forma de fazer um peixe desses??”.

Pergunta difícil, pois não faltaram sugestões dos participantes da enquete… todas deliciosas, inclusive com termos importados do exterior. “- mas… vamos ouvir a opinião de quem realmente conhece do assunto: Otávio, qual a melhor maneira de saborear um peixe desses??”.

Com voz macia, veio a resposta: “- meus senhores, todas as respostas foram bacanas, mas… pra mim… a melhor maneira é pegar uma posta como essa (mostrando), entregar, às 16:20 hs, para Dona Neusa -que mora na vila aí da frente- para ela fritar, pegar um pão francês bem quentinho na padaria aqui perto, na fornada das 17:00 hs, passar um pouquinho de manteiga, e comer tudo com um suco de laranja bem geladinho”.

Acabou o papo. Nos entreolhamos e sentimos que realmente… O MENOS É MAIS!

Acho melhor encerrar por aqui… a cozinha me chama.

Bon appétit, pour tout le monde!

 

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julho/20: abrir ou fechar, eis a questão!

espanhola

 

Entramos em julho. Sétimo mês de um ano que teima em não querer acontecer.
A sua chegada se dá em obediência à ordem cronológica preestabelecida pelo calendário gregoriano. Já o seu nome, presta homenagem ao grande ditador romano Júlio César.
Enquanto o “até tu, Brutus?!” não é ouvido, vamos torcer para que o mês 7 de 2020, seja conhecido como o mês do livramento dos mascarados brasileiros… e mundiais.
Tal expectativa, infelizmente, foge da lógica científica.
Este nosso, hoje, maior desejo coletivo – #sairdecasacomsegurança – está mais calcado no cansaço da população que sobrevive ao compulsório regime semiaberto, do que na escassez de notícias alvissareiras (e verdadeiras) sobre a chegada da sonhada vacina… ou mesmo, de algum pó de pirlimpimpim.
Como era esperado, a “etapa de reabertura das atividades” tornou-se um verdadeiro samba… atonal e descompassado.
Acordamos com as notícias daquilo que vai abrir, mas, logo após o almoço, somos informados que não vai mais abrir. Fecha!
Por aqui, em minha cidade, se Hamlet voltasse a encontrar Horácio, a este diria: ‘há mais mistérios entre o céu e aquele shopping, Horácio, do que pode imaginar a sua/nossa vã filosofia’.
O esdrúxulo encontro dos personagens shakespeareanos se daria no Retão de Manaíra, quando, de máscaras, Hamlet apontaria para o estudante Horácio, dizendo-lhe que aquele conceituado estabelecimento comercial havia adotado uma inacreditável linha imaginária, que permitia a um dos lados ABRIR* suas portas; enquanto o outro lado permaneceria FECHADO*.
[* vejam matérias explicativas no final do texto]
Tudo isso, sob o mesmo teto.
Tudo isso, muito acima da nossa vã filosofia.
Pelo andar da carruagem, tudo faz crer que – sem nenhuma conotação com acontecimentos político-sociais pela Abertura e retorno ao regime democrático (anos 80) – a nossa reabertura pós quarentena também se dará de baixo pra cima… com a população buscando o retorno às suas atividades profissionais de forma lenta, gradual e segura.
Se der, claro!
Porque… se esperarmos pelos nossos governantes, o atual estado de travamento da economia, clausura social, e achatamento da curva, somente será pensado no seu término, em período mais próximo das eleições.
Quem viver, verá… e votará!