Archive for the 'Uncategorized' Category



13
nov
10

chuva e saúde

  • nota prévia: o meu prazer de “brincar com as palavras” ganhou, com os recursos da informática e suas derivações, uma condição de melhor organizar o baú onde eram colocados alguns textos; conhecidos apenas por um pequeno grupo de amigos(as), sob a incômoda forma de envio por email. Agora, talvez como manobra de vingança, estou sendo por eles intimado para, neste blog, postar (ou será melhor ressuscitar?!) alguns desses textos. É esse o motivo que trago o “Chuva e Saúde” -situação por mim vivenciada: 82% no mundo real, e 18% trazida pela fada boa da imaginação. Espero que gostem e continuem a me perdoar. Beijos & abraços, RLombardi

 

CHUVA E SAÚDE!

Periodicamente, subo no trem da prevenção e faço uma revisão geral, conhecida por  check-up, ou, como prefere o mestre Ariano Suassuna, exame da carcaça e do conteúdo. Geralmente isso acontece entre os meses de junho/julho, período de chuvas que parece servir à introspecção em todo o seu sentido.

A cada ano, essa rotina vem exercitando, de forma progressiva, o meu lado hipocondríaco e, de maneira inversa e saudosista, distanciando-me do meu lado atleta-sarado. A novidade, desta vez, foi minha decisão de não buscar mais desculpas para permitir espaço ao sedentarismo, um dos grandes vilões da modernidade.

Chega de desculpas amarelas! Está decidido: Não vou mais consentir que o tempo chuvoso e feio sirva de justificativa para não levantar cedo (cinco horas) e abdicar do exercício mínimo e diário de caminhar quatro a cinco quilômetros. Providência inicial desta minha mais recente metamorfose foi comprar um guarda-chuva, acessório que jamais imaginei ser utilizado em minha querida João Pessoa, muito menos como utensílio associado à busca pela longevidade.

Onde comprar?! Lembrei-me de já ter percebido que alguns comerciantes do mercado informal fazem ponto nas portas de bancos, padarias e farmácias, expondo, para venda, meu novo sonho de consumo. Um pouco sem jeito, parecendo estar comprando coisas proibidas, indaguei ao vendedor (de forte sotaque paraguaio) qual o modelo que ele me aconselharia como companheiro nas minhas caminhadas matinais.

Fazendo parte da resposta veio uma coreografia caótica. Demonstrando uma prática invejável, o vendedor deu início, de forma frenética, a uma sessão de abre-e-fecha de guarda-chuvas. A demonstração tinha teor didático, pois fiquei sabendo que o ponto principal da avaliação era constatar a potência da mola que gerava a abertura automática do equipamento.

A cena, agora, estava enriquecida com linda sonoplastia: Splash! Vrumm! Crash! O ambiente estava ficando tumultuado. Alguns concorrentes, vendo chegar um consumidor leigo no assunto, passaram também a demonstrar a potencialidade das molas dos seus artigos – absolutamente iguais, pois tinham a mesma origem: China, Paraguai, 25 de Março e, pasmem, Juazeiro do Norte. Os provenientes dessa região, com o bônus da bênção de padre Cícero, eram absolutamente virgens, a julgar pelo irrisório índice pluviométrico ali verificado.

Querendo consumar o assunto, fiz as duas últimas perguntas: – Este aqui, agüenta muita chuva?

– Meu doutor, veja este produto (vrumm!), coisa de primeira qualidade (splash!), pode levar sem medo (crash!). Qualquer coisa venha trocar, meu ponto é aqui e todos me conhecem.

– Por favor, pare a demonstração e me responda: Qual o preço? – Veja bem! O produto me custa R$ 20,00, mas sabe como é… aqui no Nordeste tem pouca saída… vendo por R$12,00… lhe faço por R$10,00. Mas não comente com ninguém, certo?

Paguei e saí rápido, levando, além do guarda-chuva, uma sensação de conquista e alívio. Agora era só esperar pelo toró. A expectativa pela estreia foi tanta que não precisei usar o despertador. Acordei às 4:30 e vibrei com a chuva que caía. Valeu, São Pedro!

Estava escuro quando desci do carro. Para meu espanto (e sádica satisfação, confesso), percebi que não havia sido o primeiro a chegar. Cumprimentei, orgulhoso um grupo de pessoas que – inertes – se protegiam sob uma marquise, esperando a chuva passar. Acionei, pela primeira vez, a famosa mola e…. vrumm… o guarda-chuva abriu-se sob o olhar incrédulo da pequena platéia. O prazer foi tão grande que imagino ter ouvido aplausos.

Ainda observado pelo grupo da marquise, atravessei a rua em direção à calçada da orla. Logo percebi que alguma coisa estava, apocalipticamente, fora de ordem. O mar, bastante revolto, batia forte no muro de proteção; ventos alísios e contra-alísios pareciam duelar para saber quem era o mais forte. Não deu outra: ouvi um abafado truimmm. Olhei para cima e vi, uma a uma, as varetas do meu parágua (é assim que se chama no Paraguai) levantando em sentido contrário e me deixando, sob o olhar curioso e irônico testemunho do povo da marquise, em maus e úmidos lençóis.

Completamente molhado, coloquei em prática todas as minhas habilidades ortodônticas em busca de retificar – em tempo real e urgente – as hastes distorcidas. Impossível. É como tentar colocar pasta de dentes de volta ao tubo.

Pior foi ter percebido que a mola havia travado, não permitindo o fechamento do “assimétrico” guarda-chuva. Procurei relaxar. Acontece que o ridículo da cena me consumia: apenas eu caminhava na calçada, segurando um objeto acima da cabeça, todo envergado, pano (preto) rasgado, hastes retorcidas em todas as direções, que, nem de longe, lembrava um guarda-chuva, mais parecendo uma antena parabólica… do Talibã.

Por sorte, visualizei uma caçamba Disk-Entulho e lá depositei meu investimento de R$10,00 que, em seu primeiro teste, foi reprovado com todas as honras e impropérios.

Agora vou até uma farmácia para comprar um antigripal. Não naquela, que fica defronte ao local onde comprei tão precioso objeto.

CD Ricardo Lombardi

10
out
10

ensaio sobre fotografia

ENSAIO SOBRE FOTOGRAFIA

De todas as manifestações da arte humana, a FOTOGRAFIA é sem dúvida uma das mais difundidas e consumidas nos quatro cantos do mundo, e até mesmo fora dele. Se vivos fossem; Daguerre, Niépce, e vários outros, ficariam estupefatos ao constatarem que as suas invencionices com vapores de iodo foram cair no agrado de uma imensa legião de seguidores.

Somente uma visita a um bom acervo fotográfico (recomendo o MIS /Museu da Imagem e do Som/ em São Paulo), é capaz de traduzir a fundamental importância da ciência e da tecnologia na evolução que possibilitou: sairmos da alquimia dos daguerreótipos; passarmos pela escuridão dos lambe-lambes; e chegarmos (por enquanto) ao confortável e colorido mundo dos pixels.

Junto a este admirável crescimento, tornou-se inevitável a disseminação e [pena!] banalização do prazer de fotografar. Lamentavelmente, esta última condição faz perder, em muitos, o foco e a luminosidade do tema.

Acredita-se que os responsáveis diretos por esta generalizada “queimada de filme”, sejam: o barateamento do custo operacional; o facilitado [e prazeroso] acesso aos infinitos recursos digitais encontrados nas super câmeras; e a impressionante velocidade de postar imagens na web.

A interpretação não apenas possui coerência, como também é “homo-sapiens complacente”. Ela nos envaidece pela constatação da supremacia da inteligência humana na conquista (e domínio?!) dos seus inventos tecnológicos.

Pena que, com relação à captação de imagens, estejamos deixando de lado uma seqüência básica para obtenção de uma boa foto: ver; sentir; e clicar. O simples gesto digital não tem apenas o dom de registrar e perpetuar o momento, mas também de traduzir a emoção do mesmo. É quando se transforma em ARTE; mesmo que seja para denunciar.

Talvez um pouco de SEBASTIÃO SALGADOhttp://bit.ly/cSvjmy – faça-nos bem. Ele é, na fotografia, o equivalente ao maestro TOM JOBIM; na música. Ambos apaixonaram-se pela riqueza do B&W (preto e branco). O primeiro, nas belas fotos impressas em papel; enquanto que o segundo, em partituras e nas teclas de um piano – http://bit.ly/MrWEL

CD Ricardo Lombardi de Farias

  

 

02
out
10

trânsito como agente da paz

 

Trânsito como agente da paz

Faltando apenas algumas poucas horas para que a Paraíba conheça os seus eleitos estaduais, observo certa desmotivação em eleitores que, como eu, não se deixaram seduzir pelos encantos dos astros e estrelas que desfilaram nos guias eleitorais e congêneres. Confesso que não foi por falta de opções; mas talvez pelo excesso das mesmas, e principalmente pela pluralidade de estilos.

Angustiado com a minha letárgica capacidade de opção/voto, tornei-me assíduo consumidor de várias modalidades de noticiários políticos. Felizmente, logo percebi – pela abundância de ofertas – que isso poderia ser letal. Já pensou: – ”morreu de quê?!Sei não! Parece que consumiu uma overdose de guia eleitoral”. Lascou-se!

Um fato que contribuiu para fechar o diagnóstico desta minha inércia cívico-eleitoral, por incrível que pareça, aconteceu, dias atrás, em pleno engarrafamento de trânsito em uma das principais avenidas da cidade. O motivo foi uma discreta colisão – dianteira de um, na traseira do outro – de dois carros; particulares e bem vistosos.

Foi exatamente esse último detalhe que me encheu de curiosidade para aproximar-me do acidente, enquanto anônimo e solidário transeunte: o carro da frente estava totalmente preenchido com adesivos de candidatos pertencentes à falange VERMELHA; enquanto o de trás, igualmente camuflado com peças publicitárias de tons LARANJA!

Ambos os veículos eram dirigidos por duas jovens senhoras que, pelo vocabulário e altura dos decibéis usados em seus iPhones, deviam ser parentes de candidatos ou, no mínimo, pessoas fortemente ligadas à coligação (!?).

Pois, é! A idiota da frente parou de repente! Depois não aceita quando dizemos que vivem parados no tempo e olhando pelo retrovisor! – Logo percebi que o diálogo, rico em metáforas, poderia ser promissor para definição do meu voto! Ledo engano…

Idiota, uma porra! Vocês é que vivem falando em saltar pra frente, desconhecendo a importância do freio! O sinal estava deixando de ser verde!

Calma aí! Eu sou testemunha e pertenço ao partido VERDE. Melhor a senhora dizer em seu depoimento que o sinal estava deixando de estar aberto, para não parecer uma forma de retaliação partidária – comentou um rapaz de barba e bolsa (ambos longos), vestido com uma camiseta estampada com um imenso 43/Marina.

Não tem nenhum problema, ô do’alface! Essa moça aqui está desde o início, ela viu tudo, e com certeza pode ser minha testemunha.

Ver, eu vi! Mas não quero nem posso ser testemunha para não quebrar meus princípios e disciplinamentos partidários. Pertenço ao PCO e, para nós, trabalhador não protege burguês! Eita, doeu!

E tem mais, madames! Não dou nenhuma colaboração a presente pauta de discussão, até porque ambos os veículos usam combustível não renovável, além de estarem causando o maior desastre ecológico já visto nesta cidade desde o protocolo de Kyoto! – ponderou (claro) o representante da camada de ozônio.

Deu pra sentir que aquele cruzamento havia se transformado em uma magnífica versão contemporânea da torre de Babel. A cada minuto que passava mais eu adquiria consciência da proximidade do Apocalipse. Sigamos…

Alguém já ligou para o STTrans?! – indagou um jovem da janela do ônibus parado.

Epa! Vamos com calma! O STTrans é municipal. Com certeza vai proteger a patota da cor LARANJA – retrucou a representante da facção ENCARNADA.

Calma pessoal! Devemos acreditar na imparcialidade dos órgãos públicos!  – disse uma garotinha de óculos, com a sabedoria (e inocência) dos seus doze aninhos.

Olha mamãe! No carro da frente o candidato é amigo do Lula e da Dilma! – exclamou ainda a garotinha repleta de ignorante inocência.

Ôxen, minha filha! Nós também somos! Apenas não colocamos o adesivo grande com a foto deles, por conta das coligações partidárias – respondeu a motorista rica em vitamina C.

Mas, por que então a senhora não botou a foto do Zé Serra?! – perguntou a menina pentelha, já recebendo um beliscão da sua genitora.

Minha senhora, dê mais educação a sua filhota. Cada pergunta…!?!

De minha filha, eu sei cuidar! Ela fica questionando assim, porque no colégio ela vive explicando porque eu e meu marido votamos em Eymael!

EM QUEMMMMMM?! – todos gritaram em uníssono.

Infelizmente, não pude mais permanecer no local. Após uma hora e meia, o mesmo havia se transformado em “praça de panfletagem” com a recém chegada militância do PSTU, PSOL, PCdoB, e até de adeptos do yôga, divulgando uma nova academia que seria inaugurada logo mais. Onde ela fica?! Fácil, é vizinha aquela igreja igualmente inaugurada semana passada.

Outro fato que me motivou à retirada, foi que as duas motoristas descobriram possuir um parentesco em comum, e já estavam amigavelmente trocando informações sobre quem melhor estava fazendo tingimento de cabelos na cidade:

– Olha amor! Mas você garante que ele não deixa muito vermelho?!

– Que nada! É só você pedir pra ficar alaranjado como o meu!

Ganhou a liberdade democrática! Agora o risco é por conta da estética capilar!

  • Em tempo: claro que todo o texto é fruto da imaginação. Ou não! /kkk

 CD Ricardo Lombardi de Farias

04
set
10

eu, inteiro, porém mais curto!

Eu, inteiro, porém mais curto!

Pronto senhor, o seu táxi chegou! Foi com esta frase que a simpática enfermeira do hospital sinalizou, à porta do apartamento, a chegada de um moço forte que manobrava uma cadeira de rodas vazia. Entendi que ali estavam; motorista e táxi, que iriam me conduzir ao ato cirúrgico programado para reconstrução do trânsito intestinal.

Sempre identifiquei que instantes dessa natureza possuem grande poder doutrinário. Eles nos permitem, sem nenhum direito à réplica, conceber a exata dimensão do que realmente somos. Sentar naquele “táxi”, apenas e sumariamente vestido com uma bata; segurando ao colo um surrado envelope com os últimos exames realizados; ser solicitado a retirar (até) os óculos, faz-nos enxergar – com absoluta propriedade – a pequenez, enquanto matéria, do ser humano.

O contraponto que suaviza essa ”visão liliputeana” atinge o seu ponto alto no momento em que as manifestações de despedidas são feitas entre o passageiro e seus entes queridos: – “Boa sorte! Vai dar tudo certo! Ficaremos aqui aguardando a sua volta! Estaremos orando por você! Confie em Deus!”.

Sem nenhuma dúvida, a cultura e a fé cristã concedem aos seus adeptos (sou um deles) um fantástico e revigorante estímulo que nos faz crescer na convicção balsâmica de que somos meramente efêmeros personagens de uma dádiva chamada VIDA.

Pensar assim, confirma a imperiosa necessidade de conquistarmos o equilíbrio e perfeita coexistência entre corpo e espírito. Saber incorporar essa harmonia como estilo de vida, certamente nos permitirá mais condições de absorver e superar desafios; significa dizer: viver com mais plenitude. Viver em consonância com o projeto de DEUS.

O percurso no táxi até o centro cirúrgico foi brevíssimo. E relaxante. Permitiu ao pudico passageiro (acreditem, eu!) esboçar um sorriso frente à sua infrutífera tentativa de bloquear com o envelope a exposição pública de suas partes íntimas. Afinal, pensei, estou sendo deslocado para uma mesa cirúrgica, e não para Tambaba*.

Já na ante-sala, apalpei em tom de despedida a derradeira bolsa de colostomia que, durante 287 dias, possibilitou-me a grande e inusitada oportunidade de – literalmente – conviver com outro magnífico ditado popular: – “Tô cagando e andando!”

A cirurgia foi um sucesso! Estou em casa reaprendendo a fazer cocô pelas vias naturais; apenas encurtadas em alguns centímetros. Agora entendo fazer sentido a expressão: “sentado no troninho”, sempre que nos referimos a alguém que está operacionalizando excrementos. Está perfeita! É mesmo um ato de pura realeza – acreditem!

Beijos, abraços, e permitam-me usar uma expressão do teatro (encaixada aqui de forma bem pertinente): MERDA** para todos! Valeu gente!

CD Ricardo Lombardi de Farias

(*) praia de naturismo/nudismo – litoral sul da PB: http://360graus.blog.com/2010/07/12/tambaba-praia-de-naturismo-em-joao-pessoa/

(**) http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/953424

28
ago
10

eu, quase por inteiro!

Eu, quase por inteiro!

Prólogo: Um dos maiores predicados dos brasileiros, especialmente dos nordestinos, é a capacidade de sintetizar uma situação pontual, ou mesmo exprimir uma filosofia de vida, através de riquíssimos provérbios, vulgarmente conhecidos como ditos populares. 

Sem dúvida alguma, trata-se de um sólido patrimônio cultural. Concebido como espécie de máxima sentença, popularizada ou consagrada pelo uso; sem a necessidade de possuir domínio autoral, ou coisa que o valha.

A amostragem é imensa; além de eclética! Sua utilização pode ser feita de forma indiscriminada. Não importa se o momento é de felicidade, ou de tristeza; muito menos se o ambiente é religioso, ou profano. Também não faz distinção social; haja vista que é praticada tanto pela nobreza, quanto pela plebe rude.

Conteúdo: Ultimamente, tenho dedicado especial atenção a um deles: “quem tem c*, tem medo!”. Por favor, peço que não me perguntem a origem do mesmo; como também não façam pré-julgamentos sobre esta minha opção anatomo-psicológica, antes de finalizarem (assim espero) a presente leitura.

Inicio confirmando que o silogismo contido no ditado não pode ser interpretado como verdade absoluta. Posso aqui garantir-lhes que a ausência (funcional e transitória) do importante detalhe anatômico (c*), não anula a existência do estado psicológico (medo). Trocando em miúdos: “quem NÃO tem c*, TAMBÉM tem medo!”.

A explicação é simples, além de conhecida pela maioria dos meus amigos; muitos dos quais me honram como freqüentadores deste blog. O fato é que me encontro colostomizado, desde os meados de novembro do ano passado, após cirurgia para remoção de lesão na região do cólon intestinal.

Numa boa, viu gente! Significa dizer que estou, há exatos 285 dias, utilizando um circuito alternativo para atender às exigências fisiológicas pertinentes ao maravilhoso e sublime ato de defecar. Equivale dizer que estou com o meu c* interditado para o desempenho de suas naturais (e antropológicas) funções. Literalmente, posso apregoar: fechado para obras! (risadas).

Epílogo: Semana que vem, estarei sendo submetido a uma intervenção cirúrgica (etapa de tratamento previamente programada) para reconstrução do trânsito intestinal. Mesmo consciente de que; o corpo e o espírito encontram-se (e mantém-se) revigorados na FÉ, a ansiedade do momento, e o prazer de escrever, trouxeram-me inspiração ao presente texto.

Espero que o conteúdo do tema abordado não faça com que eu perca alguns visitantes deste blog. Meu intuito é querer dividir com vocês – de forma risível – um pouco deste crescimento mental e espiritual, que se torna tangível sempre que o ser humano se depara com fortes desafios a serem superados. E vencidos, como vem acontecendo.

Pelo exposto, resta-me apenas uma forma de finalizar: agradecendo a DEUS, e a todos os sinais que dão-nos a certeza de que ELE nos quer vitoriosos – sempre!

Grato pelo AMOR, e por todas as manifestações de torcida! Sigamos juntos!

CD Ricardo Lombardi de Farias

22
ago
10

voto difícil

VOTO DIFÍCIL

Das duas, uma: ou é mesmo difícil votar na Paraíba, ou eu sou um eleitor atípico aos padrões ora vigentes. Nesta linha de raciocínio, antecipo que não me considero alienado; jamais anulei (nem anularei) um voto e, como cidadão, sempre me empenhei, quando consultado, em escolher o melhor para o meu prédio, minha rua, meu bairro, minha cidade, meu estado, e meu país.

Talvez o fator responsável por este martírio seja o critério seletivo adotado. Continuo garimpando à procura de representantes (não importa o gênero ou o desvio padrão de sua opção sexual) que possam corresponder à confiança traduzida pelo voto.

Percebo que este é um ponto difícil, pois as pessoas foram abduzidas pelos partidos políticos de suas conveniências ou, melhor dizendo, de suas convicções ideológicas. Claro que a conseqüência deste processo de fagocitose é que a criatura humana (candidato ou candidata) renuncia à sua individualidade em detrimento do seu compromisso com a corporação escolhida.

Como se não bastasse, os partidos também abdicam de suas já fragilizadas “convicções doutrinárias” em troca das chamadas coligações/alianças que lhes assegurem mais tempo de mídia e maior redução na possibilidade de destacar valores individuais que não sejam de interesse do grupo; agora inchado.

Percebi o tamanho da encrenca quando solicitei a um amigo candidato que me enviasse algum material de campanha para que eu, modestamente, pudesse divulgar o seu nome entre pessoas do meu relacionamento. Fiquei surpreso quando recebi um farto e ostentoso material. Pena que em nenhuma das peças publicitárias aparecia (como eu esperava) a foto do meu amigo/candidato sozinho; mas sempre acompanhado de outras ilustres personalidades do seu partido.

Mesmo compreendendo a logística de campanha partidária, senti-me frustrado nesta minha primeira experiência como cabo eleitoral. Enquanto imaginava que iria receber alguns santinhos (é o novo!) do meu amigo/candidato, recebi mesmo foi uma amostra fotoshopeada de representantes tanto do céu, quanto do inferno; segundo as minhas convicções eleitorais – cada vez mais tênues.

Agradeci ao amigo/candidato pelo envio do vistoso material panfletário. Disse-lhe que ficaria com algumas poucas unidades de um único modelo (o mais simples) que fazia menção à sua pessoa e às suas idéias de forma individualizada; mas não com os demais, elaborados de maneira coletivizada.

Assegurei-lhe a fidelidade do meu humilde e criterioso voto. Mesmo sabendo que, se eleito, será difícil vê-lo atuar durante os quatro anos de mandato, com a mesma liberdade que tive – em trinta segundos – de manifestar o meu “obrigatório” direito de escolha.

Por enquanto é isso! Depois voltaremos ao tema “voto pensado é voto desprezado”.

 CD Ricardo Lombardi de Farias

07
ago
10

dia dos pais – apenas um ensaio marítimo

DIA DOS PAIS – apenas um ensaio marítimo

Soa como lugar-comum observarmos que o TEMPO já não está mais passando; mas sim, voando! O fenômeno torna-se melhor percebido na medida em que a turbulência dos afazeres diários vai-nos exigindo um irracional desprendimento de energia, sutilmente lembrado pelo grande timoneiro Fernando Pessoa*: …“navegar é preciso, viver não é preciso”.

Em silêncio, e não obstante a dimensão do maremoto que cada um busca para si, o nosso relógio-biológico está sempre contabilizando a inexorável marcha do tempo; cabendo à memória o armazenamento das inúmeras cartas de navegação.

Envolvido com tais pensamentos, o experiente navegador sentou-se à beira do cais, onde ficou, pacientemente, aguardando a embarcação que traria um de seus filhos, prestes a retornar após uma longa viagem de cinco anos e meio navegando em águas hipocráticas de seu curso de medicina, feito em mares diferentes de Tambaú.

Apenas a suave brisa do entardecer, mansamente afagando os cabelos grisalhos que excediam ao seu boné, mantinha cumplicidade com os pensamentos daquele professor de navegação (equivalente a professor universitário), conhecido na vila como tio Lombardinho.

A julgar pelo seu apego ao ofício de formar navegadores, certamente o velho marujo estava bem mais identificado em contemplar embarcações que deixam o porto, ao invés daquelas que chegam ao porto. Dizia sempre: “as que partem, levam a saudade dos sobrinhos, e a certeza do dever cumprido. As que chegam, trazem novos desafios, e a incerteza de lições ainda não aprendidas”.

A exceção a esta regra estava próxima de acontecer. Durante a última meia década, conviveu com a satisfação – enquanto PAI – de saber que seu filho estava sendo formado em uma escola superior de ótima referência. Porém – enquanto MESTRE – conviveu com uma espécie de vácuo, pela impossibilidade de não poder validar (in loco) a transformação de um ente querido: de adolescente, a doutor.

Sobre este delicado ponto, em certa ocasião, mantive com ele um diálogo bastante pedagógico:

  • – E aí, tio Lombardinho?! Muita saudade do filhão?!
  • – Sim, muita! Mas vou lhe confidenciar que estou aprendendo muito com um mecanismo compensatório que, feliz e naturalmente, coloco em prática a todo instante.
  • – Posso saber qual é?!
  • – Claro que sim! O mesmo não me pertence, é ofertado pela própria VIDA. Basta saber usá-lo de maneira honesta e correta.
  • – Conte-me, então?!
  • – É tão somente transformar cada sobrinho (aluno) em um filho. É fácil, pois todos eles estão na mesma faixa etária. Certamente possuem as mesmas inquietudes e prazeres deste lindo momento de suas vidas. Basta ouvi-los, e vê-los como interagem entre si. Mesmo que você acredite já conhecer o caminho, se for convidado, aceite acompanhá-los. É muito saboroso aprender com eles novos rumos, e comungar com suas tentativas de erros e acertos. O TEMPO REAL é deles; a EXPERIÊNCIA é (talvez) minha; ou melhor, veio com os mares dantes navegados.

Confesso que, após o diálogo, passei a duvidar que a Síndrome de Peter Pan seja – de fato – um tipo de patologia na área da Psicologia. A julgar pelo ”estilo tio Lombardinho”, parece que o quadro é ilustrativo de perfeita sanidade física/mental, além de ser mantenedor de ótima longevidade – assim penso e espero!

O navio finalmente atraca no porto seguro. O aguardado passageiro é recebido com um forte abraço do velho lobo do mar; enquanto, em casa, a tia Irene abre as janelas do quarto e arruma a cama do mais novo navegador.

Certamente o melhor presente para o Dia dos Pais, é a chegada – mesmo que temporária – de um filho que, igual a muitos sobrinhos, está pronto para enfrentar tempestades e calmarias, no eterno desbravamento de novos oceanos.

Beijos, e boa navegação para todos – sempre!

CD Ricardo Lombardi de Farias

* ”Navigare necesse; vivere non est necesse” – latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida de Pompeu]

26
jul
10

nova (apesar de velha) eleição do cro-pb

NOVA (APESAR DE VELHA) ELEIÇÃO DO CRO-PB

Tenho recebido vários emails e ligações telefônicas de colegas indagando se, de fato, na próxima sexta-feira (30/07) acontecerá o segundo capítulo; digo, o segundo turno da novela; ou melhor, da eleição do CRO/PB. A todos, tenho respondido que sim; baseando-me nas correspondências recebidas do CFO e da comissão eleitoral local, encarregada da organização e coordenação do plebiscito/2.

A correspondência do CFO veio sob a forma de comunicado à classe odontológica da Paraíba, esclarecendo a razão que determinou a realização do segundo turno: acatamento a uma decisão judicial. O documento, embora absorvendo a medida impetrada, manifesta discordância em relação à mesma; arvorando-se em normas regimentais vigentes na Autarquia desde 1976.

Sendo conhecedor e admirador da brilhante trajetória de lutas e conquistas do nosso Conselho Superior em prol da Odontologia brasileira; respeitosamente contesto que o fato de uma prática com 34 anos de existência não mereça ser revista. O faço com uma simples pergunta: ”é verdade que o Regimento Eleitoral Superior impede que chapas concorrentes tenham acesso a listagem (banco de dados) dos colegas eleitores?!”

Tenho certeza que a resposta é NÃO!

Reconheço a dificuldade de implantar (e exigir), na prática, uma linearidade entre as representações estaduais do modus operandi dos regulamentos explicitados na Carta Magna da Autarquia. Basta ver que a eleição do CRO/RN (acontecida uma semana antes) transcorreu de forma bem diferente da nossa – CRO/PB. E isto não foi – ainda – levado às instâncias judiciárias, como argumentos denunciadores de práticas antidemocráticas; certamente rechaçadas pelo douto CFO.

Como cidadão brasileiro, sou respeitador de Leis e Regras criadas para disciplinar o crescimento do meu bairro e/ou do meu país. Também como brasileiro, defendo que as mesmas – independentemente de terem 34 ou 100 anos de existência – quando necessário, sejam revistas (ou ajustadas) em detrimento das novas realidades sociais. Se assim não fosse, ainda seria legal que os passageiros fumassem dentro de aeronaves em trânsito; ou, ainda mais longe, seria lícito e ético explorarmos a mão de obra escrava.

Uma última dúvida: alguém recebeu – pelos correios – algum impresso com as cartas-programas das chapas concorrentes?! Alguém participou de algum debate (fórum de discussão originário da Grécia Antiga), que possibilitasse avaliar as propostas de trabalho dos candidatos, inclusive com a oportunidade de encaminhar sugestões não contempladas pelos mesmos?!  

Mesmo na escuridão de propostas, desejo a todos uma boa eleição.

A vida segue!

CD Ricardo Lombardi de Farias

20
jul
10

palavra de cigano (aula da saudade)

Ontem, participei do último evento das solenidades de formatura da turma de Odontologia da UFPB – 2010.1. Ao todo, foram quatro agendas repletas de alegrias e emoções.

A primeira delas foi uma maravilhosa missa como forma de agradecer a DEUS pela dádiva de uma vida que permanece contabilizando valores fundamentais como: Saúde, Amor, e Solidariedade.

Na seqüência, veio uma ótima e descontraída Aula da Saudade! Excelente oportunidade para fazer um breve repasse dos cinco anos de faculdade; período em que as amizades se consolidaram; as diferenças foram niveladas; e o amor tornou-se superavitário.

Na apresentação áudio-visual, a música Smile (Chaplin/Nat King Cole) foi escolhida pelo fato de melhor simbolizar o maior patrimônio da turma: a alegria de viver! Coube a um louco-cigano interromper sua viagem ao sol; estacionar sua carruagem nas nuvens, e descer para – com muita honra – registrar este grande momento.

O ato foi presenciado por uma platéia bastante eclética. Sentados lado a lado, estavam: diabas e vampiros; patota da caverna do dragão; boneca de corda; homem-aranha; mulheres egípcias; croupiers da noite de Las Vegas; militares; cow-boys; espadachins; arqueiros… até um perdido ”hippie peaceandlove” foi identificado no meio de tantas outras figuras iluminadas e atemporais.

Em seguida, foi a vez do Paço dos Leões que ficou pequeno para comportar tanta alegria e emoção. Os nossos heróis e heroínas estavam lindos e impecáveis. Junto aos seus familiares e amigos, a regra era uma só: liberação ampla e irrestrita da alegria! Vou tentar quantificar: é como se todas as baladas (eu disse TODAS!) do período da faculdade estivessem sendo revividas (e juntas) naquele ambiente.

Por último, pude presenciar a solenidade de colação de grau no auditório da reitoria. Convém frisar que em posição super-privilegiada: sentado à mesa oficial e olhando, na platéia, meus vinte e sete adorados sobrinhos – e vê-los, oficialmente, serem convertidos em doutores! É mole?!

Embora tendo ficado constantemente com a minha visão umedecida, pude observar nos semblantes à minha frente um ar de seriedade e preocupação; talvez condicionados à uma pergunta que meus amados estivessem a formular: “E amanhã, após escovar os dentes, eu vou pra onde?! Pra faculdade?! Vai ter aula?!”

Não, gente! A faculdade não está mais no campus/UFPB! Olhem pra dentro de vocês; é lá que ela (agora) se encontra. Seja qual for o rumo de cada um, estaremos sempre juntos; vibrando com a continuidade de suas vitórias e com a certeza plena de que, havendo tropeços, é somente bater a poeira e… SORRIR – sempre!

Quem garante?! Eu, cara-pálida! O cigano tio Lombardinho!

Fé e Força! Beijos!

CD Ricardo Lombardi de Farias

 

 

 

19
jul
10

MAIS CRO/PB – ufa!

MAIS CRO/PB – Ufa!                                                                                               

Sinto-me honrado em verificar que, aos poucos, este despretensioso blog vem demonstrando dados estatísticos que confirmam um crescente número de acessos. Destes, acredito que a maioria seja proveniente de pessoas amigas, alunos e ex-alunos.

A todos, reitero os meus agradecimentos, e o inquebrantável compromisso de continuar pautado na finalidade única deste site: agrupar notícias, textos, crônicas, música & arte. Debater e trocar informações e idéias que contribuam para tornar a VIDA mais leve. Com HUMOR, sempre que for possível!

Política do CRO/PB: sei bem que é um tema específico, acha-se recorrente, não torna a vida mais leve, e pende mais para levar pânico do que humor (risadas). Após a elaboração de vários textos concernentes ao assunto (aqui ainda disponibilizados), confesso que estou preocupado com a rejeição que o mesmo possa adquirir. Ou, pior ainda, que muitos colegas CD’s deixem de fazer uma sensata reflexão sobre o assunto.

Com o propósito de contribuir e incentivar a uma imparcial análise; chamo a atenção para alguns pontos – também destacados de forma neutra, apenas com a visão de um simples eleitor, atento e participativo:

  • Senti falta de um informativo direcionado aos cirurgiões-dentistas paraibanos (insiro-me/1) e a toda a sociedade (insiro-me/2), por parte da atual gestão do CRO-PB, evidenciando e justificando seus contra-argumentos frente à impugnação pela Justiça Federal dos resultados das últimas eleições do nosso Conselho de classe;
  • Se o CRO-PB, em seu legítimo direito, recorreu da sentença impetrada e teve seu pedido “indeferido”, significa dizer que – de fato – houve tendenciosidade na interpretação matemática dos resultados, em favorecimento da chapa situacionista. Ou seja, o meu voto foi contabilmente mexido.

Não pensem que não luto pela Paz! Antes da eleição cancelada, por duas vezes enviei emails ao CFO demonstrando a minha indignação de estar concorrendo a um pleito aonde apenas uma chapa tinha acesso à listagem dos eleitores. Não houve respostas. Acredito que os mesmos não tenham chegado ao setor específico.

Ainda inconformado, também cheguei a fazer uma ligação telefônica ao CFO. Nesta, quando solicitei falar com o setor jurídico veio orientação para que me dirigisse ao jurídico local; isto é, ao meu jurídico CRO/PB (!?). Entreguei à Deus, e ao juízo dos homens de boa Fé (risadas).

Por último, no dia da eleição, encontrei um velho amigo dos meus tempos de ABO que estava como fiscal do CFO em nossas eleições. Colocamos a conversa em dia, e aproveitei para dizer como estava sendo desigual (para não usar hegemônica) aquela disputa que ele estava fiscalizando. Inclusive perguntei-lhe o porquê do CFO não adotar mecanismos que garantissem o equilíbrio democrático entre os quadros concorrentes, a exemplo do que (natural e civilizadamente) havia acontecido uma semana antes, na eleição do CRO-RN. Como resposta, meu amigo aconselhou-me a encaminhar ao CFO as minhas considerações para serem analisadas (!?). Optei pelo retorno da conversa aos bons e saudosos tempos de ABO.

Torço para que o presente texto receba uma interpretação isenta de passionalidades. Sei que é difícil para aqueles que, estando há bastante tempo no poder, não enxergam a excelente oportunidade concedida pela Justiça Federal, de reverem algumas práticas excludentes. A receita é simples: oferecer liberdade plena ao direito de escolha dos colegas eleitores, garantindo-lhes um pleito democrático, transparente, isento de casuismos, e com absoluto respeito ao contraditório.

Acontecendo assim, eu serei o primeiro a aplaudir os vitoriosos! Assim, a Odontologia da Paraíba espera merecer!

 CD Ricardo Lombardi de Farias