Archive for the 'Uncategorized' Category



23
fev
11

maré quase morta

MARÉ QUASE MORTA

-Basta! Vou me permitir ao direito de um justo desabafo!

Assim fazendo, estou convicto de haver chamado para mim, e para minha geração, a responsabilidade histórica de manifestar um descontentamento acumulado ao longo de séculos.

Certamente que os meus ancestrais, se vivos fossem, não acreditariam que – HOJE – as nossas ‘lutas por sobrevivência’ sejam infinitamente maiores que às suas, travadas no remanso de épocas pós-dilúvio.

Talvez estejamos fadados à extinção por um aspecto meramente topográfico: vivemos em terras próximas aos oceanos. Parece ironia do destino, percebermos que o mesmo habitat que nos possibilitou, no passado, condições de evolução e vida; hoje nos sinaliza com acenos de destruição e morte.

Houve até um tempo em que contávamos estrelas, ao som de belas melodias:  ♫…o mar/ quando quebra na praia/ é bonito/ é bonito… // ♪…toda gente homenageia/ Januária na janela/ até o mar faz maré cheia/ pra chegar mais perto dela …

Julgando pelas inúmeras manifestações poéticas dos ‘seres mais evoluídos’, chegamos a acreditar que desfrutaríamos ad perpetum de um paraíso: ♫…beira do mar/ lugar comum/ começo do caminhar…♪ – Ledo engano!

A onda mudou! Foi-se o tempo em que éramos acordados pelo canto feliz de uma preamar que, mansa e dadivosa, nos brindava com moluscos, conchas, estrelas, e até pérolas (stricto e latu sensu).

Hoje, apesar de estressada e combalida, ainda mantém-se generosa. Usa toda a sua força para devolver aos seres mais inteligentes todas as ‘sobras’ dos produtos por eles criados – usados – e largados.

Posso garantir que, pelos resíduos encontrados, o mundo transformou-se em um imenso depósito de ‘coisas descartáveis’. Todas as manhãs; basta eu sair de casa para ter a certeza de que: –“se o ‘homo sapiens’ descobriu o PET, o ‘homo urbanus’ está anos-luz de distância de entender (e trabalhar) a cultura da reciclagem”.

Meu andar tornou-se trôpego. Não pela idade, mas pelo confinamento imposto pelos obstáculos deixados à minha volta: copos, garrafas, latas, sacos plásticos, tábuas, tocos, cocos, chinelos, camisinhas, seringas, velas, vômitos, dejetos, e etc…

HORA DE APRESENTAR-ME: sou da família Ocypodidae; gênero Ocypode Albicans; classe Malacostraca; ordem Decapoda. Apesar de me chamar Ruy, sou conhecido por maria-farinha. É mole, ou quer mais?!

Morro de medo de crianças que, sempre dóceis e afáveis, quando capturam um de nós, forçam-nos a tomar seus sorvetes, comermos seus biscoitos, e depois ficam testando a resistência de nossas patas! Ou põem-se a cutucar nossos olhinhos com seus dedos untados de areia, sorvetes, e biscoitos. Taquêopariu!

Ouvi dizer que a coisa vai mudar. Que já existe uma ‘consciência ecológica’ no coletivo das pessoas. Será mesmo?! Pelo que vejo ao meu redor, essa coisa está bem longe de acontecer! Parece até que está indo em direção contrária!

O que me mantém esperançoso é quando vejo pessoas como @ruthavelino; @petroniosouto; @irapuansobral (citando apenas três ‘tuiteiros’), andando na praia e zelando pelo meio-ambiente. Ou mesmo @LOMBARDRIC quando – do nada – se ocupa em fotografar e escrever sobre o assunto.

Torço para que atitudes assim se multipliquem. Rezo para que isso aconteça muito rapidamente. Conheço bem de tábua de marés. Assusta-me, pelo exemplo do hoje, que o amanhã venha trazer apenas as quase-mortas. Urge cuidar!

Salve-nos, Pai protetor da Vida! E dos caranguejos, amém!

Valei-nos São Chico Science! http://bit.ly/3IXzRU

Valei-nos São Tom Jobim! http://bit.ly/g1Aqts

CD Ricardo Lombardi









 

 

 

 

 


19
fev
11

do nada…

do nada…

“Melhor que a caminhada, é o papo!”

Essa é a frase que melhor sintetiza a ‘força motriz’ responsável por fazer com que os integrantes do trio ‘dureza, ma non troppo’ pulem da cama às cinco e meia da manhã para o salutar exercício matinal.

Afirmo isso com absoluta propriedade, uma vez que sou um dos componentes do ‘dmnt’. Caminhar junto aos amigos Roberto Tannous e Marcos Souto é, de fato, uma coisa maravilhosa.

Nossa amizade vem dos anos ’70. Podemos dizer que ela foi semeada na convivência em salas de aulas de cursinhos pré-vestibulares; com garantias plenas de ter sido adubada, germinada, e cultivada nas ante-salas da vida, e sob a forma de encontros. Como esses, permitidos pelas caminhadas.

Naquela manhã o ‘papo’ estava centrado na tripla constatação dos atuais (e absurdamente crescentes) ‘vícios de linguagem’. Para nós, se já estava preocupante a falta de controle deste viciamento na comunicação oral, pior ainda era a observância de sua migração para a forma escrita – danosa a cinco, dos sete buracos da nossa cabeça.

Nossas abordagens não eram feitas de forma condenatória; até porque, além de não possuirmos domínio pleno no assunto, fomos (e ainda somos) discretos usuários de tais recursos de comunicação que – ontem e hoje – fazem tremer: Alessio Toni, Chico Viana, professor Félix, Zarinha, citando alguns…

A primeira expressão trazida para análise veio… do nada! Isso mesmo: ‘do nada’! Seu poder de síntese é enigmático, pois está sempre relacionado com algo que veio do além; ou melhor… do nada!

Filha, por que você não dormiu em casa esta noite?!

– Ah, mãe! Saí da rave com um colega e – do nada – pintou um clima, e acabamos ficando.

Constata-se no exemplo fictício (?!) que o diálogo, além de contemporâneo, possui a riqueza de, com poucos vocábulos, fechar o ciclo da compreensão. Isso quando não provocar um desmaio, claro!

Outros dois exemplos destacados no trajeto foram: o ‘tipo assim…’, e o famigerado ‘enfim…’.

Ô mãe! Você já se sentiu – tipo assim – enjoada?! Sem querer comer nada, vomitando – enfim – passando mal mêrmo?!

– CARLOSSSS, nossa filha tá grávidaaaaa!!

– Ôxente, mainha! Eu aqui passando mal e tu – do nada – dando mó auê aí!!


  • Caríssimos, RT e MS: precisamos caminhar mais! Perdoem-me pela exposição pública dos vossos nomes. Foi ato reflexo, e sem maldade! Saiu… tipo assimdo nada! Eita!

CD Ricardo Lombardi


Trio 'dureza, ma non troppo' - integrantes: RL, RT e MS (JPA, 14/2/2011)

22
jan
11

para uma abelha-rainha (ode a Bethânia)

ohh abelha rainha / faz de mim…

Um dos belos caprichos da natureza é quando, mesmo com o passar dos anos, ela preserva (e até aprimora) alguns dotes humanos que ela mesma, enquanto mãe, generosamente despejou sobre alguns escolhidos.

São poucos os integrantes deste seleto universo de ‘contemplados’. Ainda menor, é o número dos que sabem cultivar – com serenidade e sem afetações – a graça recebida. Isso sem falar que alguns, nem mesmo percebem-se possuidores de uma dádiva. Faltam-lhes: nobreza e atitudes.

Sobra em Bethânia!

Sua origem é meio complicada: filha de dona Canô, e também de Iansã (em comum acordo com a mãe menininha do Gantois). De quebra, é ainda irmã do divino/maravilhoso mano Caetano. Ou seja, é superavitária tanto em termos cromossômicos, quanto em proteções espirituais.

Diz a lenda, que subiu no palco de forma tímida; compatível ao seu biotipo franzino, bem característico de uma retirante-chegante, capaz mesmo de influenciar um Candido Portinari.

Acontece que, no meio de muitos iguais, bastou abrir suas enormes asas e soltar seu forte e inconfundível grunhido, que ‘os burrego’ logo viram que tinha acabado de chegar um grande carcará. Do bem e para o bem, claro! ‘OPINIÃO’ geral!

Acho que foi em 1970 que a vi pela primeira vez. A lembrança do fato me fez editar no Twitter quatro mensagens que reproduzo [copiei-colei] na ordem inversa, e lógica:

– 1ª Bethania a gente nunca esquece. A minha (faz baita tempo/época de cursinho) foi no majestoso teatro Sta.Izabel. Ficamos em um camarote…

– …central, um poleiro bem no alto. O bom é que era vizinho ao cara da iluminação. Em um momento ele me pediu pra segurar o canhão/luz…

– …em cima dela/Bethania, enquanto ajeitava algo (tecnologia da época era mais comunitária:-)) – Claro que, muito emocionado, atendi o pedido…

– …posso dizer então que, por 32seg, iluminei a irmã do Caetano! É verdade, acreditem! Sábado, no Busto, essa lembrança vai dar trabalho! #nahboa

Hoje, claro que ‘o cara da iluminação’ não estará presente. E nem preciso mais dele! Meus olhos, mesmo umedecidos e cansados, conseguirão focar a luz dessa estrela maior. Tenho certeza que até a Lua (re)surgirá.

Salve, rainha! És muito bem-vinda nas águas deste teu Tambaú.

CD Ricardo Lombardi

13
jan
11

um dia inesquecível

UM  DIA  INESQUECÍVEL

Foi assim que tudo começou: –”Pronto! O seu equipamento já está instalado! São quatro eletrodos, e mais esta caixinha preta que, de vez em quando, basta verificar se a luzinha verde continua piscando. Fique sem tomar banho por hoje. Durma de costas, ou virado para a direita. Por último, preencha nesta ficha o horário e o tipo das principais ocorrências do dia”.

Após as explicações (ouvidas, e sem nenhum direito a réplica), vesti a camisa e saí, com andar macio de homem-bomba, carregando no abdômen o meu ‘monitor Holter’ [dispositivo portátil que monitora continuamente a atividade elétrica cardíaca por 24 horas ou mais].

Para mim, não era novidade passar mais um dia incorporando um Cyborg. Faz anos (desde que ingressei nos enta) que levo a sério a importância de me submeter aos periódicos checkups preventivos. Graças aos mesmos, ainda é possível continuar vislumbrando e sentindo as emoções advindas de cada novo dia. E que assim perdure, é bom frisar!

A cada ‘acontecimento de relevância’(?!), eu olhava para o relógio e registrava, na ficha, a hora, e o tipo de ocorrência: 9:40 – subi escadas; 9:58 – pequeno prolapso; 10:31 – desci escadas; 10:33 – tropecei na porra do último degrau; 11:17 – comendo pipoca; 11:20 – engasgado: cóf! cóf!… e assim por diante.

O primeiro grande teste foi resolver com a Gol (via telefone), uma pendência de duas passagens aéreas compradas, e não utilizadas, desde o final de 2009. Estava na boa companhia de minha esposa que, sabendo como eu sempre saio mutilado nos embates com os serviços de tele-atendimentos, pôs-se a controlar o piscar da luzinha verde.

Consciente do monitoramento [agora duplo], concentrei-me e coloquei pra fora todos os meus pendores diplomáticos naquela difícil negociação. Após uma hora e quarenta minutos de entendimentos; pela primeira vez, eu saí contemplado nas minhas solicitações. Incrível, mas eu havia vencido!

Frente ao inusitado acontecimento, minha esposa começou a considerar os ‘poderes milagrosos’ do Holter. Para ela, a caixinha preta com a luzinha verde, foram os responsáveis, diretos e absolutos, pela minha performance ‘paz e amor’ – impossível de ser verificada quando o assunto era interagir com qualquer forma de tele-atendimento. A partir daí, a Irene começou a defender a idéia de ‘Holter permanente’. Eu, hein?!

Mas o colossal desafio, estava por vir. Consistia em encarar naquela tarde – e ainda monitorado – o meu sonhado ‘exame de próstata’; marcado há dias e não verificada a coincidência de agenda. A família unida cobrou: – ‘Vai mesmo encarar?! Vou!’

E fui! No caminho para a clínica do urologista, fiquei a pensar: …e se na hora H, o aparelho queimar!? Ou, BEM PIOR, se o aparelho não acusar nenhuma alteração!!!?? Pensei em remarcar a consulta, mas, ao mesmo tempo, me seduzia o ineditismo de ser [talvez] o único paciente do mundo a ser submetido ao exame de toque an(u)al, portando um ‘dispositivo portátil que monitora continuamente a atividade elétrica cardíaca’.

Pressentia que a minha atitude (bastante esdrúxula, estou convicto) poderia fornecer uma grande contribuição científica à medicina. Pensar nisso era agradável e revigorante. Parecia gerar uma força adicional em todo o meu sistema orgânico; incluindo até (e felizmente) todos os tipos de mucosas.

Dr. Ricardo, o senhor será o próximo a ser atendido! Exclamou a recepcionista na sala de espera quase lotada. Incrível como, naquele ambiente, todos os homens se olham – mútua e serenamente. Espécie de cumplicidade solidária. Pus-me a sorrir; fazer o quê?!

Durante a anamnese, o urologista também ficou surpreso com a presença do Holter. Argumentou que, se eu assim desejasse, poderíamos deixar para outra ocasião o exame de toque. Disse-lhe que não; justificando (com risada semi-histérica) que os países baixos já estavam prontos para serem ‘invadidos’.

Precisamente às 15:37 horas (eu olhei bem para o relógio) a invasão; digo, o exame foi feito. No momento crucial, olhei para a luzinha verde e… nada! NADA?! Continuava piscando serenamente, como se nenhum porta-aviões estivesse adentrando em mares pouco navegáveis.

Pelo médico, fui muito elogiado pelo meu elevado grau de cooperação ao exame. Estou convicto que isto aconteceu (aconteceu?!) pelo fato de eu haver desviado a minha atenção para o Holter. Luzinha filha da puta; pensei!

Ainda bem que foi rápido. Se demorasse mais um pouco, talvez eu começasse a admirar a cor dos olhos do urologista, ou – delírio maior – vê-lo trazer, na ponta do dedo, uma miniatura do Stephen Fry. Isto acontecendo, faria com que os meus amigos, liderados pelo @linaldoguedes, ficassem desmotivados em fundar um bloco carnavalesco. Evoé!

  • Como despedida, um lembrete: A PIOR DOENÇA É A TRAZIDA PELO PRECONCEITO OU PELA IGNORÂNCIA.

CD Ricardo Lombardi

03
jan
11

no compasso da posse

NO COMPASSO DA POSSE

Igual a muitos, compareci hoje à bonita solenidade de posse dos/as secretários/as que comporão o governo da Paraíba, gestão Ricardo Coutinho [2011-2014]. Casa cheia!

Diferente de muitos, confirmo que esta foi a primeira vez que compareci a um acontecimento desta natureza.

Não obstante o lampejo de curiosidade cívica, confesso ter sido movido, em maior intensidade, pelos laços de amizade [suprapartidários, diga-se] com algumas das personalidades empossadas.

Por sorte minha, fiquei sentado na platéia ao lado de um servidor estadual que, muito gentilmente, foi me passando detalhes totalmente desconhecidos por mim. Do tipo: ‘quem é quem’; ‘de onde veio, pra onde vai’; e até mesmo informes sobre os DNA’s políticos de cada um. Ou seja, o meu vizinho de cadeira, naquele instante estava sendo o meu bom e salvador ‘ponto eletrônico auricular’.

Com a sua ajuda, pude acompanhar melhor a solenidade. Até porque a minha ‘fonte de informações’ pareceu-me um cidadão comprometido com a discrição e com valores éticos; amparados pela empatia recém estabelecida.

Percebi que ele, vez por outra, ficava tenso. Retirava um lenço do bolso e enxugava a sua fronte. Tentando ser gentil, perguntei-lhe se aquele novo quadro administrativo estava de bom tamanho para ele. Respondeu-me: –“Doutor, esta é a enésima solenidade de posse que assisto. Sou efetivo na minha secretaria e, na função que exerço, criei filhos e filhas. Gosto do que faço, e faço bem. Minha ansiedade restringe-se apenas a querer saber se tudo aquilo que está sendo dito nas falas dos oradores, será, de fato, um dia alcançado”.

O término da solenidade aconteceu com todo o staff posicionado para obtenção da foto oficial. Após isso, houve uma avalanche de pessoas das mais diversas estirpes [e funções], ávidas por marcar presença frente aos empossados, sob as mais efusivas formas de fazê-lo.

Do palco, olhei para o meu ‘ponto eletrônico’ que permanecia sentado, com o lenço nas mãos e contemplando [pela enésima + 1 vez] aquele cenário. Platonicamente, tornei-me seu fã.

De longe, acenei-lhe como despedida, e fiquei a torcer para que as bonitas palavras de Ricardo Coutinho, compromissadas com a ‘tolerância zero’ para qualquer forma de descaso administrativo, passassem – mesmo e de fato – a referendar práticas rotineiras de novo modelo de gestão. Sua equipe formada [e ali empossada] sinalizava que isto é factível de acontecer!

Saí dali convicto de haver chegado o momento do meu vizinho de poltrona ficar curado de sua sudorese. Ele bem que merece. E nós também.

  • Boa sorte ao Governador, ao seu competente secretariado, e à nossa amada Paraíba!

CD Ricardo Lombardi

Teatro Paulo Pontes - JPA/PB - 03/01/2011


 

02
jan
11

Os números de 2010

  • Nota Prévia:
  • É com satisfação que divido com vocês o email recebido da WordPress.com (hospedeiro do nosso blog), alusivo a informações pertinentes ao “coisasdolombardi blog”.  É a primeira vez que isto acontece, até porque este também é o 1º ano do blog. Devo confessar minha alegria e surpresa com a leitura de alguns dados. Os mesmos renovam a minha responsabilidade e o meu compromisso de manter vivo o propósito principal deste meio de comunicação, explicitado na página about. Quero continuar, em 2011, contando com a benevolência e carinho dos amigos e amigas. Juntos, conquistaremos novas emoções na constante busca de tornar a VIDA mais fomentadora de encontros, que desencontros. De sorrisos, mais que lágrimas!
  • Beijos, e SIGAMOS JUNTOS!

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Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

 

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 4,700 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 11 747s cheios.

Em 2010, escreveu 38 novos artigos, nada mau para o primeiro ano! Fez upload de 78 imagens, ocupando um total de 10mb. Isso equivale a cerca de 2 imagens por semana.

O seu dia mais activo do ano foi 8 de maio com 236 visitas. O artigo mais popular desse dia foi RESULTADO POSITIVO .

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram mail.live.com, mail.yahoo.com, twitter.com, mail.uol.com.br e mail2.terra.com.br

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por cro pb, coisasdolombardi, acorda odonto, eleicao cro-pb 2010 e blog do acordaodonto

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

RESULTADO POSITIVO maio, 2010
13 comentários

2

dois ‘magos’ na saúde/Pb dezembro, 2010
8 comentários

3

NÃO DÁ MAIS PRA SORRIR! abril, 2010
2 comentários

4

quero meu voto respeitado – opsss! abril, 2010
3 comentários

5

quer um cheiro? novembro, 2010
9 comentários

21
dez
10

dois ‘magos’ na saúde/Pb

DOIS “MAGOS” NA SAÚDE-PB

Nos últimos dias, tem sido grande o frisson dos meios de comunicação da Paraíba, em torno de noticiar, preferencialmente em primeira mão, os novos indicados para comporem o governo Ricardo Coutinho.

Merece destaque a forma escolhida pelo futuro governador para anunciar os nomes dos eleitos: mídia eletrônica – rede social – twitter. A trilha já demonstra que RC é adepto [e usuário] dos novos meios de comunicação. Bom sinal!

Fiquei feliz ao tomar conhecimentos dos nomes de MÁRIO TOSCANO e WALDSON SOUZA à frente da importante pasta da Saúde do nosso estado. De pronto, e por conhecê-los pessoalmente, liguei para ambos desejando-lhes boa sorte e manifestando minha satisfação pelos critérios adotados na escolha: capacidade e mérito!

Achei elegante e legítima as inúmeras manifestações da classe médica, ao competente cardiologista Mário Toscano. A sua trajetória e militância nas políticas públicas de Saúde, asseguram que o setor estará em boas mãos – garante os seus pares!

Como odontólogo, além de professor universitário, confesso ter vibrado com a escolha do jovem colega Waldson Souza, para dividir funções com o Dr. Mário.

O Waldson não foi meu aluno, pois, à época, encontrava-me licenciado, cursando doutorado.  A satisfação de conhecê-lo aconteceu depois; ao encontrá-lo, juntamente com outros bravos guerreiros, na implantação do “movimento Acorda Odonto” – cuja primeira investida foi disputar a eleição do CRO-PB, onde fomos “orgulhosamente” derrotados.

Foi neste cenário que pude testemunhar a inteligência e competência do jovem dentista. Pude conhecer [e aplaudir] a sua grande capacidade de escutar, anotar, analisar e somente depois, tomar decisões – invariavelmente acertadas! Sua fala: mansa e suave. Própria de quem sabe respeitar o próximo, condição fundamental para quem trabalha na Saúde.

Pois bem! Sinto falta [até o presente momento, 21/12/2010] de manifestações advindas de organismos representativos da Odontologia paraibana, saudando o “soldado parceiro Waldson” pelo importante cargo a que foi convocado. É para preencher esta lacuna, colega, que eu me apresento /em nome da classe/ com este humilde texto, para parabenizá-lo e desejar-lhe sucesso nesta nova missão. Você é motivo de orgulho para a Odonto/PB!

Nosso futuro governador vem se confirmando – dentro e fora do estado – como uma grande e jovem liderança política. A constatação encontra reforço na medida em que a figura do mago vai sendo naturalmente associada à de um gestor público identificado com práticas democráticas; e detentor de sólida coerência administrativa e elevado senso de responsabilidade com a coisa pública.

É grande a torcida para que este perfil não se altere ao longo da caminhada. A escolha de MÁRIO TOSCANO e WALDSON SOUZA, serve de incremento para que esta premissa mantenha-se verdadeira.

Palavras de Ricardo e Ricardo!

CD Ricardo Lombardi

 

CD Waldson Souza - Secretário Executivo da Saúde do Estado da Paraíba!

18
dez
10

alô Dj: aumenta o som, meu velho!

Alô DJ: aumenta o som, meu velho!

Na década de ’70, ingressar em um curso superior em universidade pública brasileira era um  ideal difícil de ser alcançado.

Não apenas pela rudeza do vestibular, mas também [e principalmente] pela seletividade social que permitia ‘aos poucos eleitos’, serem subsidiados economicamente pelos familiares que, de maneira altruísta, abraçavam o desafio.

Entendo que esta feliz condição pode ser interpretada como uma benção. A primeira.

A segunda é podermos estar comemorando hoje, juntos com familiares [alguns ascendentes e muitos descendentes] 35 anos de formados em Odontologia pela UFPB.

Buscando compreender melhor essa ‘dádiva’ que atende pelo nome de ‘confraternização anual’ sou levado – por mente e coração – a embarcar em uma nave atemporal que; partindo das Trincheiras e sem destino pré-estabelecido, hoje se encontra estacionada aqui, no restaurante Tia Nila.

O que mais impressiona é que nossa embarcação encontra-se nova! [elegantemente, prefiro não mencionar que… ‘ao contrário de nós’]. Também pudera, o seu combustível é composto basicamente por dois dos mais nobres elementos da natureza: Amor e Amizade!

Pouco importa o trajeto, ou destino final da empreitada. Como bons argonautas, sabemos que “viajar é preciso – viver não é preciso”. É isso que vale! O prazer da viagem é estarmos juntos, dividindo lágrimas, sorrisos e sentimentos. É a terceira [e maior] benção!

Ah, sim! E falando cada vez MAIS ALTO, porque o déficit auditivo [hein?! o quê?!] já está presente na maioria. Ainda mais hoje à noite, onde vamos explorar que o nosso DJ toque ‘bem alto’ o velho Raul Seixas, e muitos outros monstros sagrados desse paraíso chamado VIDA! eu nasci/ há dez mil anos atrás/ e não tem nada nesse mundo/ que eu não saiba demais

Beijos e abraços,

CD Ricardo Lombardi

A união dessa tropa é calcada no AMOR e AMIZADE. A forma como esses elementos são usados pelo grupo, já fizeram da turma "modelo de referência". (foto: ANNY FERREIRA RAMALHO)



14
dez
10

comunicar é o que importa

comunicar é o que importa

 

PARTE I: Gosto muito do eclético Nelsinho Mota. Compositor,escritor, crítico musical,   agitador cultural, descobridor de talentos, são algumas de suas atividades comprovadamente   exitosas. Exatamente por considerá-lo acima da média, fiquei surpreso quando, em uma entrevista, ele disse que rock’n’roll era coisa pra juventude. Só não manifestei minha discórdia por entender que a reportagem foi gravada ao vivo, em pleno epicentro do Rock in Rio. Entendi também que ele estava considerando apenas o quesito “evolução e alegoria”, ou seja, a performance sobre o palco. Ainda bem que Mick Jagger, Keith Richards e outras longevas exceções não lhe deram atenção.

Tratando-se de música como arte, não se pode associar o estilo da obra com a idade cronológica das pessoas. Já com relação à coreografia cênica, de fato, olhos e neurônios pedem mais brandura. Já imaginaram alguém, com mais de 35 anos (estou concedendo um ótimo desvio padrão), dançando ao som de peças musicais, tais como boquinha da garrafa? Tô fora! Não se trata de preconceitos, mas sim de proteção e seletividade à estética visual.

Conviver com a juventude é um privilégio que desejo eternizar. Seguramente, faço essa declaração no gozo pleno de minhas faculdades mentais e sem estar acometido da síndrome de Peter Pan ou mal semelhante. Sendo professor universitário, entendo que, para a boa e salutar execução do meu ofício, torna-se fundamental “aprender” com os alunos. Fácil! Basta ouvi-los e observá-los melhor, dentro ou fora das salas de aula.

A comunicação oral usualmente praticada entre os jovens faz parte desse aprendizado. Admito que sinto grande prazer com as oportunidades de presenciar e tentar, dentro do possível, incorporar seu estilo. Para mim, isso é uma forma de manter-me “comunicativamente apto”. Primeira lição é constatar a fundamental existência daquilo a que denomino de “duplo G”: gíria e gestos.

A gíria já pode ser considerada patrimônio cultural universal. Aceitá-la ou não, é outra questão. Acrescida de uma expressão gestual, o ato comunicador adquire, além de nova dimensão, uma velocidade astronômica. Pode, inclusive, configurar uma atitude “ecologicamente correta”, haja vista a redução de gás carbônico expelido, fruto da economia na emissão de fonemas. O planeta agradece!

Confesso ser difícil escrever sobre esta temática. É grande o desafio de encontrar, na forma escrita, mecanismos que substituam aqueles recursos facilmente (e até exclusivamente) identificados, apenas, quando se faz presente o “duplo G”. Mesmo assim, vou tentar. Antes, porém, peço licença para utilizar uma forma atípica de escrever. O intuito é melhor traduzir a entonação e o ritmo de um fictício diálogo, já prevendo que o resultado, certamente, deixará o meu guru gramatical, professor Felix, de cabelos em pé.

Imaginemos que o encontro tenha acontecido na manhã de uma segunda-feira qualquer, em nossa querida Faculdade de Odontologia:

– E aííííí? Como é que foi a balada? (O mesmo que dizer: olá, como foi a festa?). Coreografia 1: executada simultaneamente pelos dois interlocutores envolvidos, com visibilidade plena (mão direita com o polegar e dedo mínimo levantados e os demais retraídos, oscilação rápida na altura do pulso, em movimentos curtos, giratórios e horizontais – gesto conhecido universalmente como hang loose).

– Manêra! Por que tunumfoi? (O mesmo que dizer: ótima! Por que você não compareceu?).

– Fiquei em casa, terminando o TCC. Coreografia 2: dedos da mão esquerda fechados, sem muita pressão, permitindo uma certa abertura, voltada para cima, entre o polegar, o indicador e o médio. Mão direita espalmada indo de encontro à esquerda, que também migra contra a direita, gerando um som tipo: top-top!

– Encontrei a Bel, disse que te acha mó demais! (O mesmo que  dizer: te acha muito legal).

– Eu também sôafim dela, táligada? (O mesmo que dizer: eu também gosto dela, compreende?).

– Demorô… (O mesmo que dizer: então, ótimo!).

– Sábado fiz 10, e tu? (O mesmo que dizer: sábado corri 10 quilômetros).

– Num deu, fiquei baixando música na net (O mesmo que dizer: não foi possível. Estive ocupada obtendo músicas pela internet).

– Qualé agora? (O mesmo que dizer: você vai ter aula agora de quê?).

– Clinf, e tu? (O mesmo que dizer: clínica integrada infantil, e você?).

– Lab total! (O mesmo que dizer: laboratório de prótese total).

– Inté! Gensivê! (O mesmo que dizer: até logo, depois a gente se encontra). Coreografia 3: mão direita fechada em posição de esmurrar, batendo uma só vez (suave e rapidamente) contra a mão da outra pessoa que se posiciona da mesma forma. Em seguida, cada um abre a palma de sua mão e, numa mesma escala rítmica, voltam a se tocar (de raspão) uma única vez e suavemente.

– Fallouw! (O mesmo que dizer: certamente que sim!).

Fico extasiado ao perceber como, utilizando-se de tão poucas palavras, a comunicação é feita e assimilada mutuamente. Seria falso de minha parte dizer que não aprecio, com algumas ressalvas, essa tendência universal. Graças ao “duplo G”, o diálogo entre os dois jovens não levou mais do que cinquenta segundos para ser desenvolvido. Entretanto, a tentativa  de traduzi-lo na forma escrita me consumiu algo em torno de meia hora diante do teclado. Apesar desse esforço, restou a frustrante sensação de não haver logrado êxito na fidelidade da transcrição.

PARTE II: Mesmo convicto de que cada geração possui sua forma de expressão, fico apreensivo com a possibilidade de uma visita-surpresa de algum ser de outro planeta, minúsculo ou invisível. Ainda mais se ela acontecer no início de determinados “eventos culturais”. Dependendo do show, nosso simpático ETzinho não vai entender absolutamente nada, ao ouvir, vindo do palco esfumaçado, o famoso grito de guerra:

– UHHHHUUUUUUU!!! E aííí galéééééééra?? Vamutirá o pé du chããããoooo! Incrível como todos atendem. Menos eu, que tenho um problema na rótula direita, o saci-pererê e o nosso extraterreste, que vai se mandar – para nunca mais voltar! Por favor, não ria! A coisa é séria! Poderia ter havido uma guerra interplanetária!

Cada “tribo” possui seu próprio linguajar, o qual é plenamente identificado entre seus membros. Porém, quando a interlocução acontece entre diferentes grupos, o risco de não haver entendimento é imenso. Nos dois sentidos, convém destacar. A situação se agrava ainda mais se essas tribos permitirem, erroneamente, a existência de uma abissal distância entre elas. Fazendo-se uma analogia com o texto  bíblico, parece herança da torre de Babel. Querem uma prova?

Certo dia, chego em casa e encontro, o querido Jonga, meu sobrinho, baiano, 20 anos, surfista, que viera passar férias conosco.  Ele estava assistindo, na TV Justiça (?!!), à transmissão ao vivo de uma sessão plenária da corte suprema do país. Após nos cumprimentarmos – de forma visual direta, usando apenas um dos G’s (gestos) – fui me trocar e, na volta, sentei ao seu lado. (Em tempo: havendo dificuldade na compreensão de alguns termos, não entre em pânico! Um glossário encontra-se disponibilizado ao final do texto ©).

– Aloha, meu truta! Qué qui tá rolando? (percebam que eu, naturalmente, procuro seguir o dialeto próprio do grupo a que meu sobrinho pertence).

– Mó kaô, tio! Ó paí ó! (apontando com o pé para a TV). Tô aqui já faz uma chuva… muito cabuloso. Os cara tão só no lero: Vossa excelência prá cá… vossa excelência prá lá. De vez em quando falam uns treco tipo: data venia, exordial, aditamento (incrível! ele pronunciou corretamente!). Até parece qui os cara são mano… qui nada! Daqui a pouco, o cacete vai rolar. Tá vendo aquele ali de óculos e capa preta? Quase mandou aquele outro pra*ਆ#Å! E ainda dizem que meus mano é que não tem a manha da conversa!!

Fiquei surpreso com tamanha riqueza de síntese e, numa manobra equivalente a um 360, emendei: – Vamos pro rango, brô! É mais negócio que ficarmos vendo isso.

Conviver em sociedade exige absorver regras e critérios que permitem o bom e fraterno relacionamento entre as pessoas. A comunicação oral é o canal mais simples, prático e direto para o entendimento. Ela é rápida e efêmera. A forma escrita, não! É eterna, como nossa mãe. Somente ela permite que um filho se atreva a brincar de escrever – como estou fazendo agora.

Beijos no coração, e Boas Festas para todos.

CD Ricardo Lombardi

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©

-Aloha – Bem-vindo, traduzido de dialeto havaiano; saudação positiva.

-Brother (Brô) – Maneira como um surfista chama outro, amigavelmente.

-Cabuloso – Estranho, esquisito.

-Kaô – Papo furado.

-Lero – Conversa mole.

-Mano – Irmão.

-Rango – Comida.

-Truta – Amigo, camarada, brother.

-360 – Manobra dificílima em que o surfista executa, com a prancha, uma volta completa em torno de si mesmo (3600) e continua surfando na mesma direção.

-*ਆ#Å – Isso mesmo que você pensou!

FONTES: http://www.tanaonda.com/colunas.php?id_coluna=2908

http://360graus.terra.com.br/surf/default.asp?did=382&action=reportagem

http://www.reidacocadapreta.com.br/2008/05/03/dicionarioegiriasdesurfistasdeaaz/

20
nov
10

quer um cheiro?

  • Nota prévia: apresento “Quer um Cheiro?”. Outro texto sacado do baú e produzido anos atrás, quando a saudade de São Paulo (bairro do Bom Retiro- mestrado USP) bateu mais forte que o habitual. Aqui, fatos e personagens conseguem mesclar “realidade e fantasia”. É fácil, depende apenas da vontade da imaginação. Beijos, RL

 

QUER UM CHEIRO?

Gente boa o Carlão! Faz tempo que não o encontro. Mas, toda vez que me lembro de suas histórias, fico a pensar na importância de cada um dos nossos cinco sentidos.

Conhecemo-nos em São Paulo, onde dividíamos o aluguel de um quarto, na residência de uma senhora espanhola, chamada Lourdes. Eu, paraibano, recém-formado em odontologia; ele, maranhense, empresário do ramo de limpeza.

O sobrado era antigo, conjugado a inúmeros outros de igual concepção arquitetônica. Sua localização na esquina lhe conferia alguma vantagem, não fosse o fato de, no térreo, e exatamente sob o nosso aposento, funcionar um bar/lanchonete. Logo o batizei de “Tel-Aviv da Catingueira”, uma vez que o bairro era predominantemente de judeus e, claro, de nordestinos.

Do referido estabelecimento, em algumas ocasiões, exalava um cheiro bem desagradável. Quando isto ocorria, eu notava que era sempre minha a primeira manifestação de desconforto, jamais do Carlão. Por mais que o odor evoluísse, meu companheiro estava sempre feliz, satisfeito, como se estivesse pedalando em um jardim de Amsterdã.

Certo dia, o vazamento de um cano, em “Tel-Aviv da Catingueira”, extrapolou a tolerância de qualquer mucosa nasal. Meu desespero foi tamanho que fez o Carlão me confidenciar – e pedir absoluto sigilo – um segredo guardado a sete chaves, e proferido com muita timidez: – eu não possuo olfato!”

Agora, sim, estava tudo explicado e bem evidenciado pela disparidade de comportamentos: de um lado, a minha aflição, nauseado pelo forte odor; do outro, a tranquilidade do meu amigo, completamente alheio ao fato de que, naquele fatídico instante, o planeta estava se transformando em colossal e fétido esgoto.

Do Carlão, guardo na lembrança sua incrível capacidade de transformar o déficit em bônus, através de histórias sempre narradas com exclusividade e requintado humor. Fazia questão de enaltecer os prós e contras de sua incapacidade de sentir cheiro. Em roda de amigos, sempre falava de uma namorada – caso sério – que havia deixado no Maranhão. Observei um fato curioso: todas as vezes que a narrativa era iniciada perante seus conterrâneos, todos, instintivamente, coçavam seus narizes.

Em certo dezembro, a correlação “falar da namorada maranhense/mão no nariz” adquiriu, para mim, motivo de urgente investigação, haja vista o aumento da frequência de repetições do fenômeno. A explicação era que o meu companheiro não parava de falar na proximidade da visita de sua amada maranhense. O Carlão era só felicidade! Tome falar na moça e, relação estabelecida, tome coçada de nariz.

Minha inquietude investigativa findou após ter sido finalmente apresentado (e cumprimentado com os costumeiros dois beijinhos) à bonita, simpática e exuberante Sueli.  A morena era de fato bela, possuidora de todos os predicados femininos, tudo no lugar! Exceção feita ao seu terrível mau hálito. Segurando a respiração, pensei: Nem tudo é perfeito!

Os atributos estéticos e morfológicos da mulata eram verdadeiros caprichos da natureza. Se a conhecessem, os maravilhosos Ivo Pitanguy e Joel Martins* a contratariam como modelo para poderem transmitir aos seus discípulos o “ideal pretendido”, em suas respectivas áreas de atuação.  Claro, desde que a Sueli se mantivesse calada. Abrindo a boca, infelizmente, despertaria a curiosidade médico-odontológica para pesquisar a possibilidade de, eventualmente, existir um encurtamento da distância entre boca e intestino delgado.

Para os íntimos, e olfativamente aptos, chegar a menos de quarenta centímetros daquele monumento significava penetrar numa área de risco, tamanho o odor exalado. Menos para o Carlão.  Aleluia, Senhor!

Recordo-me de uma situação, entre as muitas merecedoras de citação. Aconteceu no laboratório da faculdade, onde eu estava trabalhando na montagem de um caso em articulador. Para melhor desempenho da tarefa, usava lentes de aproximação, daquelas incorporadas a uma viseira que é fixada na cabeça (como boné), com haste de união que possibilita movimento basculante no sentido vertical. Era sábado. A programação agendada era irmos à feijoada do Paulão, com direito a pagode e tudo mais. Êpa! Quase esqueço o mais importante: as lentes só permitiam foco visual dentro de um raio de… quarenta centímetros.

Na hora combinada, chega o casal para me pegar e, juntos, seguirmos ao saboroso encontro. O Carlão, paciente da periodontia, foi visitar aquele setor para remarcar consulta, ficando a Sueli sentada à minha frente do outro lado da bancada que media… cinquenta centímetros. Ufa! Pela primeira vez, tivemos oportunidade de trocar, a sós, algumas palavras.

– Puxa, Ricardo, estou muito feliz. O Cacá (era assim que o chamava) sempre me falou que tem você como um irmão. – É mesmo?! Sinto a mesma coisa por ele. Somos amigos de verdade!

– Pois é! Tenho até medo da felicidade que estou vivendo. Nunca tive um namoro que durasse mais de quinze dias (falou inibida). – Sei! Sei! Entendo! Tenho absoluta certeza de que vocês foram feitos um para o outro.

– Que interessante o que você está fazendo! Posso dar uma olhada mais de perto? (contornou a bancada e veio sentar ao meu lado. Era o que eu temia… distância próxima da área de risco).

– Claro! Por favor! (puxei a cadeira ao lado e, preventivamente, abaixei as lentes de aproximação). – Nossssa! São muitos detalhes, todos minúsculos. Por isso você usa essas lentes grossas, né?

– É…ajuda bastante, sim! Inclusive serve de proteção (respondi olhando diretamente para sua boca, ainda bem que fora de foco. Ao contrário da vida, meu objetivo agora era não encontrar o foco. Toda vez que ele estava chegando… eu recuava a cabeça).

– Pronto, pessoal! Podemos ir! Tudo resolvido. Proclamou o Carlão, para minha alegria plena. Deixamos o ambiente e fomos em direção ao carro. Dentro do veículo, ouço novamente o Carlão: – Êhhh, meu amigo Ricardão! Você está ficando esquecido. Vai pra feijoada com esse troço na cabeça? (risada geral).

– Ôpa, foi mal. Ossos do ofício, meu caro! Menti para o Carlão. (Minha vontade era ficar com as lentes em ação o tempo todo. Principalmente na feijoada). Após aquele episódio, e até hoje, ninguém entende por que eu chamo aquele importantíssimo acessório de “boné da sobrevida”.

Era facilmente perceptível o estado de aflição daqueles que, conhecendo o limite do espaço aéreo, presenciavam o casal trocando afagos, carícias. Ninguém, exceto eu, compreendia de onde vinha a enorme resistência daquele apaixonado moço. Vê-los abraçados representava, para mim, interpretar a perda olfativa, dependendo das circunstâncias, como algo fantástico.

De conformidade com o previsto, após a implantação de sua microempresa “Limpa-Fossas Maranhense”, o Carlão deixou o sobrado e foi morar com a Sueli, que além de esposa, passou a ocupar o cargo de relações públicas da firma. Guardo boas recordações do casal. Para mim, representa a prova inequívoca da existência de almas gêmeas.

Não sei se o problema da Sueli foi resolvido, mas de uma coisa tenho certeza: continuo torcendo bastante para a prosperidade da empresa onde juntos trabalham. Não a conheço, mas estou convicto de que ela ajudou – e muito – a aumentar o limite do espaço aéreo ou, se preferirem, da área de risco.

O amor é lindo!

CD Ricardo Lombardi

* Querido e saudoso amigo. Ortodontista, brilhante pesquisador e professor universitário. Juntos, convivemos em SP na virada dos anos 70/80. Excelente contador de “causos”. A ele, em memória, dedico este texto.


Com o Joel Martins (esq.)

Em pé (esq-dir): Ignácio Román; Cayres; Miguel Régio; Joel Martins; Luiz Álvarez. Sentados: eu e a Irene Ueti (futura esposa).