Archive for the 'Uncategorized' Category



09
nov
11

chega de corrupção

CHEGA DE CORRUPÇÃO

 

Pelos diversos meios de comunicação, virou rotina diária sermos apresentados a políticos e gestores públicos acusados de corrupção. Igualmente triste, é a maneira – sempre igual – com que os denunciados enfrentam os holofotes das notícias: – ‘são forças ocultas que, a serviço do mal, tentam, com fatos inverídicos, comprometer a governabilidade… etc e tal’.

– Então, como é que eu fico?!

Teimosamente, tento preservar o meu lado ‘velhinha de Taubaté’.

Sempre acreditei quando os/as regentes do poder executivo (todos os níveis) anunciavam – enquanto candidatos/as – que iriam nomear seus colaboradores pelo critério da meritocracia.

Legal! O que não falta neste país, são pessoas idôneas; com excelentes formações técnicas, e possuidoras de elevado espírito cívico.

Parece que o problema está mesmo no critério de seleção. Enquanto prevalecer a ‘meritocracia partidária’, o universo de escolha – com todo respeito – fica, além de acanhado, extremamente pífio. Ou seja, sem garantias quanto ao desejado aprimoramento da eficiência na prestação de serviços, como também no ritmo evolutivo das conquistas sociais.

Fala-se em desvios de milhões com a mesma naturalidade com que se defende a criação de novos impostos. A impunidade confunde-se com premiação, que, por sua vez, realimenta a ideia de parecer legítima – e até mesmo ética – a prática constante da famosa ‘lei do Gerson’. É o fim!

A velhinha de Taubaté continua a me perguntar: – ‘até quando, meu filho, essa tal de governabilidade resistirá ao inchaço da nossa indignação?!’

Não sei, minha senhora!

Sei apenas que: no dia 15/11, às 16:00 horas, no Busto de Tamandaré, nos encontraremos com Luís Fernando Veríssimo, os irmãos Sousa (Henfil e Betinho), Gonzaguinha, M.Souto, R.Tanouss, @DCUNHALIMA @irapuansobral, @petroniosouto, @had_betinho, e tantos outros que sonham ser possível  uma faxina decente neste país.

Inclusive, a presidente Dilma! Eu acho.

Participe!

CD Ricardo Lombardi

  • Bônus 1: É – Gonzaguinha (Simone)/ http://bit.ly/tvQkEg
  • Bônus 2: Fotos tiradas por RLombardi (1), e Herbet Betinho (2 e 3) / twitter: @had_betinho / por ocasião da #marchacontraacorrupção em João Pessoa/ 15.11.2011

1) A Marcha passando em frente ao Hotel Tambaú (1.500 participantes)

2) e/d: RLombardi, Olívia Maia, Toinho Mariz, Marcos Pires, e Petrônio Souto - 'Tropa de Elite'.

3) Basta de corrupção!

15
out
11

ensinando com prazer /2

  • Notas prévias 
  • 1/ fazendo registro ao Dia do Professor/2011, fiz pequenos ajustes ao texto Ensinando com Prazer (postado em maio/2010). Mantenho os dois, por acreditar que ambos conseguem transmitir a ideia que – felizmente – ainda me nutre enquanto professor e, ao mesmo tempo, aluno.
  • 2/ divido com os colegas docentes (de todos os níveis) possíveis méritos que o presente texto venha o obter. (RL)

 

ENSINANDO  COM  PRAZER /2

A função de docente em instituição federal de ensino superior (IFES) é vista por mim como uma espécie de sacerdócio. Claro que não estou considerando o salário, pois aí teríamos que acrescentar que o nobre ofício estaria vinculado à ordem franciscana; ou a qualquer outra que identifique que o ser, importa mais que o ter.

De fato, vivenciar a docência em sua total plenitude pede uma cota adicional de abnegação, haja vista que a matéria prima a ser trabalhada é o ser humano. Como educadores, cabe-nos contribuir para que o produto final apresente-se não apenas apto ao exercício da profissão escolhida; mas principalmente otimizado, enquanto cidadão ou cidadã.

Na área de Saúde esta premissa agrega um valor extra; que não apenas confirma sua veracidade, mas impõe que jamais abdiquemos de exercitá-la (e eternizá-la) na prática diária: humanização.

É bastante fácil de entender este diferencial: estamos formando seres humanos que trabalharão diretamente em (e com) seres humanos. Sendo assim, parece legítimo que durante o breve período de graduação, a relação professor/aluno já passe a funcionar como um laboratório de convivência, cujo único objetivo seja aproximar e transformar docentes e discentes, em humildes aprendizes de uma duradoura lição chamada VIDA.

À medida que o tempo passa, venho percebendo como isso é simples e fácil de ser obtido. Pena que não possua fórmula ou receita pronta; pois senão já teria sido publicada em algum periódico internacional qualis A.

Cabe aqui um direito a réplica: – se estamos analisando o relacionamento entre pessoas que circulam em um universo acadêmico, temos obrigação de contextualizar e divulgar a metodologia aplicada, e de como os possíveis benefícios encontrados alcançarão condições de reprodutibilidade e repetibilidade.

Concordo plenamente com esta inquietude científica. Acontece que, para buscarmos previsibilidade de resultados em questões ligadas ao sentimento e relacionamento humano, devemos primeiro consultar a literatura científica localizada dentro de nós mesmos.

Podemos iniciar este mergulho interior, indexando papers (validados cientificamente) que enalteçam a primazia do ouvir, sobre o falar; do presente, sobre o ausente; do chegar, sobre o partir; e do altruísmo, sobre o egoísmo. É um bom começo!

Nesta Revisão da Literatura, sejamos simples, objetivos, e sempre focados no propósito de ser feliz. Busquemos trabalhos que identifiquem no sorriso e no abraço, evidências naturais de que nenhum sacrifício acontece em vão. Em Proposições, destaquemos apenas uma: confirmar que o amor é o principal meio de atingir a felicidade. Já em Material e Métodos, devemos usar instrumentos e questionários simples e sensíveis na identificação da prevalência do bem sobre o mal. Chegando a Resultados, podemos vibrar com a constatação da saúde vencendo a doença.

O capítulo Discussão pode ser suprimido uma vez que não haverá discordância frente à utilização do carinho, como antivírus do ódio; e da verdade como antídoto da mentira. Por fim, Conclusão confirma a nossa vocação para a felicidade, desde que sigamos amando ao próximo como a nós mesmos.

Finalizando, devo confessar haver escrito esse texto inspirado no convívio com meus alunos do curso de Odontologia da UFPB. Com eles, tenho aprendido que posso também incorporar o meu alter-ego ‘tio Lombardinho’. Em dupla [professor e tio] fica bem mais fácil absorver as manifestações de amor, carinho, respeito e confiança sempre recebidas.

Também com eles voltei a respirar Fernando Pessoa quando profetizou: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

Amo vocês! Sigamos aprendendo…

CD Ricardo Lombardi de Fariastio Lombardinho

20
set
11

avô e primavera

AVÔ e PRIMAVERA

Tem uma pergunta que, vira e mexe, sempre volta a exigir de minha ‘nada meteorológica’ pessoa, uma tentativa de resposta: – De que maneira as quatro estações do ano influenciam a nossa vida?!

Certamente pela proximidade com a linha do equador, o fato é que na minha bela e amada João Pessoa [07° 05′ 00″ S 34° 50′ 00″ O], as estações do ano sempre foram recebidas mais por uma determinação do calendário gregoriano, do que pelas suas evidências climáticas.

Por aqui, e não é de hoje, inverno pode dar praia; assim como o guarda-chuva pode ser acessório de verão. Cada novo dia surge com identidade própria, meio que descompromissado com os parâmetros da estação na qual está inserido. Tudo normal, claro! Afinal, estamos habitando a zona ‘intertropical’.

Até o majestoso espetáculo da floração dos ipês amarelos na Lagoa, com início previsto para fins de agosto, tolera variações em função de fenômenos climatológicos – cada vez menos compreendidos.

Pq. Solon de Lucena (Lagoa)/JPA: floração dos ipês -sábado/25.12.2010/hora:‏‎16:19:46.

Talvez por conta de particularidades intrínsecas a cada região, fique mais fácil entendermos porque a China adota cinco estações/ano; a Índia, somente três; ou, ainda mais econômica, a Angola, que convive com apenas duas. Faz sentido, sim!

Nossa maior identificação é com o verão: sol exuberante, mar azul, e calor tropical. Fora isso, as outras três estações parecem compactuar para a oferta ‘em conjunto’ de: ventos fortes, chuvas intermitentes, e mar amarronzado. Frio intenso e neve, nem pensar! Pelo menos enquanto a entropia do Universo assim permitir.

Tem outra coisa que há anos me intriga, e somente mutila minha frágil capacidade de compreender as estações. É o fato de estarmos povoando o hemisfério sul e, em pleno dezembro [transpire-se, verão], vermos em toda esquina um velhinho obeso (origem emocional?!); friorento (hipotireoidismo?!), pois está sempre vestido com uma abafadíssima e pesada roupa de lã vermelha; com um cajado na mão (artrite reumatoide?!), e gritando de aflição (não confundam com risos de satisfação): houw, houw, houw!  É demais!!

Nossas ‘previsões do tempo’ são feitas no paralelo. De maneira empírica, porém infalível! Quando dona Inês (moradora do 102) sente um calor abafado, é batata: vai chover! Quando o joanete do seu Oscar (do 301) começa a latejar, não dá outra: o calor vai ser intenso! E, quando o Zé Pescador diz que o mar está endrupiado e indo pra esquerda, é porque não vai ter peixe! Ponto. (Esclarecimento: nem o mestre Aurélio sabe o que é ‘endrupiado’. Mas, se for no mar, e para a esquerda, acreditem: não tem peixe, MESMO!)

 

  • Nota final: fiquei tocado por este assunto, por ocasião de recente caminhada matinal na praia – com chuva forte, e vento intenso. Sim, eu ia sem lenço, nem documento. Percebi a importância das estações, pois algo me dizia que esta PRIMAVERA que bate à porta, não será igual às outras tantas já vividas. Ela trará o LUCAS, meu primeiro neto. Por isso continuo caminhando, sorrindo, sem me preocupar se o mundo vai (outra vez) se acabar em 2012!

CD Ricardo Lombardi

14
set
11

rural versus urbano

Nota prévia: ‘Rural versus Urbano’ é outro texto resgatado do findável baú. Seu conteúdo possui 85% de veracidade, e o restante veio pela bondosa (e sempre bem-vinda) fada da imaginação. Esclareço que em alguns trechos sobre o Zeca, optei por escrever algumas palavras com absoluta ‘fidelidade auditiva’. Agradeço a todos pela leitura. Espero que gostem! Com carinho, RL.

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Rural x Urbano 

O telefonema recebido do Zeca me causou surpresa e satisfação. Nossa amizade teve início há muito tempo, mais precisamente na época do cursinho pré-vestibular. Ele e o Fred, ambos do interior, dividiam um quarto em uma pensão vizinha à minha casa.

Ingressamos na Universidade em cursos diferentes. O Fred optou pela área de Letras & Artes (assim penso); eu pela área de Saúde; e o Zeca, por vocação genética, seguiu Agronomia. Os diferentes rumos fizeram com que a nossa convivência, antes intensa, fosse bruscamente interrompida.

Até aquele telefonema…

Olá, meu véi! É o Zeca! Tá lembrado d’eu?! O estilo e a sonoridade da pergunta já atestavam que o tempo não havia lhe tirado duas audíveis características: GRITAR ao invés de falar, e o seu eterno linguajar caipira.

Diga aí, meu irmão Zeca! Há quanto tempo! A que devo a honra de sua ligação?! Respondi mantendo o aparelho distante da orelha.

– Tô indo praí! Quero encontrá tu, pragente ir pegar minha filha no eroporto daí. Ela ta chegando das Europa! Êta nóis! A safra do abacaxi foi boa, viu! Manifestou mais outra característica rica em decibéis: sua ensurdecedora gargalhada!

 Tudo bem, Zeca! Assim que você chegar me ligue que vou pega-lo onde estiver. Faço questão que você fique em minha casa!

Encerrada a ligação, voltei a brincar com as recordações daquele tempo. Lembrei-me que o Zeca era dez anos mais  velho que nós. Sendo o primogênito de uma família de agricultores, teve que interromper os estudos por algum tempo em razão de não poder se ausentar da sua propriedade. Sempre demonstrou inclinações para trabalhar e viver no campo.

O Fred era o oposto. Introspectivo, de fala mansa e atitudes discretas. Estava sempre envolvido com a leitura de um livro que o deixava ainda mais “impenetrável”. Apreciador de música clássica, fazendo concessão apenas a dois famosos grupos: Beatles e Rolling Stones. De nós três, era o único que ainda não havia definido qual carreira seguir, mas que, certamente, não seria nenhuma da área de saúde, ou tecnológica.

Outra forte característica do ‘moço das letras’ era o seu voraz apetite sexual, naturalmente confirmado pela alta frequência com que trocava de namoradas. Quando sozinho, estava sempre lendo. Enquanto uma das mãos segurava o livro, a outra, por hábito (do ofício?!) estava sempre, e literalmente… coçando o saco(!!). Para desespero do seu companheiro de quarto, zombávamos entre risos.

O Zeca preferiu ficar em um hotel justificando não querer causar incômodo e preservar a privacidade; dele e nossa. Conforme havíamos combinado, fui buscá-lo às seis horas da manhã para irmos tomar café no Mangai – restaurante de cozinha regional que ele somente conhecia por nome, e fama.

Encontrei-o na recepção, já pronto para sairmos. Vestia uma indefectível calça jeans; camisa estampada; chapéu à moda texana; botas; um largo cinturão de couro e, sobre este, uma bolsa capanga. Também concordo; era páreo duro com o Agostinho da ‘Grande Família’.

Seu andar continuava o mesmo: rápido, de pisada firme e com maior tração nos calcâneos, dando-lhe a impressão que suas pernas chegavam antes do resto de seu corpo. Além disso, existia a particularidade de possuir pernas ligeiramente arqueadas na altura dos joelhos, semelhante a alguém que acabara de descer de uma montaria.

Êita, meu amigo! Dê cá um abraço! Segurou-me com os dois braços com a mesma sutileza de um peão que derruba um garrote na vaquejada, aplicando-me ainda duas tapinhas nas costas. O conjunto dos agrados me deixou assustado com a real possibilidade de despertar (em mim) uma velha e crônica lombalgia. Quase sem poder respirar, apelei: – Aaaiii, porra!! Peraí, Zeca! Devagar com os carinhos!  A sonora gargalhada demonstrou que ele havia deferido o meu pedido de salvação. Ufa!

Fomos os primeiros a chegar ao restaurante. O sistema self-service e a minha dieta matinal (eternamente light), permitiram-me maior rapidez na feitura do prato. Sentei-me à mesa e fiquei aguardando o homem de chapéu que já estava circulando com desenvoltura pelo ambiente.

Passado alguns minutos, chega o Zeca. Feliz como uma criança. Vinha carregando uma travessa com as duas mãos e ainda sendo ajudado por uma funcionária do local. Ao sentar-se e depositar sobre a mesa suas opções gastronômicas me foi possível constatar a primeira grande diferença entre a vida rural, e a urbana.

Enquanto o meu desjejum compreendia um pouco de cereais, iogurte, duas fatias de mamão, chá verde, pão integral e queijo ricota; meu convidado contra-atacou com um prato que parecia a maquete de um vulcão em plena erupção.

A base da montanha era uma combinação de inhame com macaxeira, volumetricamente compactados. Do topo, descia uma generosíssima porção de bode guisado, distribuída com absoluto esmero ao redor do mini-Vesúvio, lembrando suas lavas incandescentes.

E não parava por aí… Sobre a nossa mesa a garçonete também depositou: uma coalhada (das grandes); cuscuz; três ovos de capoeira; tapioca; queijo de coalho, e de manteiga; uma cartola, e um bule de café. Este último, sendo assim justificado: – É pra ajudar na descida dessas coisinhas! Gelei!

Ôhh Zeca! São sete horas da manhã e você já está almoçando? Brinquei com o meu fastioso amigo.

– Que nada! Lá na roça eu como esse tantim às cinco hora, depois que vórto da ordenha das vaca. Acho que estou anoréxico, pensei!

No aeroporto, ficamos em um café conversando sobre a Ritinha, filha do Zeca. Deduzi, sem muita convicção, que a moça estava fazendo pós-graduação em Paris, na área de moda. A minha incerteza estava fundamentada na forma como ouvi o seguinte comentário: – A menina terminou um curso de fazer roupa pro povo, mas quis estudar mais naquela cidade que tem uma torre de ferro bem alta e onde se toma vinho quinem água.

Estávamos perto da área de desembarque. Notamos que, pela quantidade de repórteres e emissoras de televisão, alguma personalidade estava sendo aguardada. Ao avistar sua filha, o Zeca acionou seus calcâneos e zarpou em direção ao abraço. Juntei-me aos dois, e fui apresentado à bonita moça com as honras de um verdadeiro amigo-irmão.

– Papai, eu tenho uma grande novidade para contar-lhe! Há dois meses conheci o famoso coreógrafo do Bejart Ballet Lausanne e ficamos apaixonadíssimos! Ele também veio comigo, resolveu aceitar um convite para se apresentar no Brasil. Está retirando nossas bagagens, mas eu fiz questão de me adiantar para contar que estou flutuando nas nuvens de tanta felicidade.

Presenciar o bonito encontro entre pai e filha, me deixou emocionado. Ainda mais com o bônus da oportunidade de poder testemunhar uma bela confidência, além da expectativa de conhecer o futuro (e internacionalmente famoso) genro do Zeca.

Com a Rita entre nós, ficamos perfilados e de braços dados, esperando chegar o príncipe. O alvoroço dos repórteres aumentou e uma chuva de flashes, microfones, e câmeras, incidiu sobre um homem alto, magro e elegantemente vestido.

– Pronto pai! Aquele lá é o grande amor de minha vida!

Ao virar-se, e focar o seu futuro genro, o Zeca emitiu um dilacerante grito que não somente fez disparar o sistema eletrônico de segurança do aeroporto, como também desviou a atenção da mídia presente:

FFRRRÉÉÉDDDD! Seu filho de uma putaaaaaa…

Uh la la! Vivre l’amour!!

CD Ricardo Lombardi

06
set
11

breve mergulho na violência

BREVE MERGULHO NA VIOLÊNCIA

Penso que a imensa maioria de brasileiros vem sofrendo de uma APATIA CÍVICA derivada de um bombardeio diário de ‘MÁS NOTÍCIAS’, que são veiculadas de forma crescente e ininterrupta, em todos os meios de comunicação.

A impressão é de que a frenética recorrência de tristes acontecimentos não mexe mais com o nosso emocional, pois já virou rotina. Antropologicamente faz sentido! Equivaleria a dizer: ‘o meio faz o homem’.

Pena que, ao admitirmos o estado atual de barbárie como meio, a conclusão óbvia é que estamos (faz tempo) na contramão da sonhada evolução da espécie.

– Onde foi que erramos?!

É essa a pergunta que incomoda. Até porque ela traz em sua estruturação a inequívoca premissa de que, ao proferi-la, assumimos cumplicidade no erro. E isso dói!

– Como que eu posso ter errado?!

Sempre ensinei aos meus filhos a lição que melhor aprendi: ‘o meu direito termina, onde começa o do outro’. Em outros momentos fui até mais ousado, acreditando que: ’há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura’.

Tudo errado, cara pálida! Em se tratando do tema violência, melhor assumirmos que amolecemos e perdemos a noção de ternura. Ou então nos vestirmos de um moderno Diógenes; acendermos uma lanterna, e sairmos perguntando: –‘alguém sabe onde posso encontrar os meus direitos?!’

Não fiquem imaginando que eu esteja me reportando apenas às manifestações de violência, do tipo: estupros, assaltos, assassinatos, sequestros, balas perdidas, drogas, pedofilias, acidentes de trânsito por embriaguez, explosões de caixas-eletrônicos, e outros… Sim, elas são danosas. E muito! Suas vítimas são escolhidas ao acaso, meio que no estilo ‘roleta-russa’. Pouw!!

O modelo de violência que mais me preocupa atualmente, fonte inspiradora do presente texto, é o que emana dos nossos poderes públicos; daqueles constituídos exatamente para dar bons exemplos e elevar as nossas autoestimas.

Entretanto, quando abandonam os seus atributos constitucionais, fato que acontece com a mesma assiduidade dos estupros, aí então… o dragão da maldade avança sobre o santo guerreiro.

Nesta vertente, os malefícios logo acontecem; e não surgem ao acaso. Eles são pensados, analisados, articulados, votados, e implantados.  Atingem a todos; ou melhor, quase todos. Conheçamos alguns deles; pelo menos os mais recentes:

  • Parlamentares definem e aprovam aumento de seus próprios salários (61,83%);
  • Com os salários devidamente em dia, movem-se em dezenas de plenárias que se destinam (algumas delas) a explicar aos contribuintes – fonte pagadora – acidentes de percurso conhecidos como: mensalões, cuecões, valeriodutos, operação Satiagraha, etc…
  • Câmara Federal, no mais alto espírito corporativista, absolve (em votação secreta) sua colega Jaqueline Roriz, aquela que foi flagrada… bem, vocês sabem como…
  • STF solicita uma releitura no orçamento/2012 da União. Houve esquecimento de um aporte financeiro destinado a atender o pleito de aumento salarial na ordem de 56% para os servidores daquele colegiado. O Supremo calcula que o impacto do aumento dos servidores nas contas públicas seja de R$ 6,36 bilhões;
  • Vem aí a CPMF/2011 para atender ‘exclusivamente a Saúde’. Parece que não entrou ainda porque existe uma cláusula que determina ‘voto aberto’ – procedimento difícil de ser aplicado em vésperas de ano eleitoral, etc e tal…
  • Obras ‘estruturantes’ para a Copa do Mundo ocupam topo de prioridades, mas encontram-se atrasadas, e superfaturadas /parece que vamos ter a ‘farra da jabulani’;
  • Posterga-se a definição de políticas voltadas para a taxação de impostos das grandes fortunas;
  • Reforma política e eleitoral no Brasil vem sendo conduzida no casco de um cágado idoso;
  • A sonhada ‘faxina política’ foi estancada em nome da governabilidade;
  • Chega! (mas, se vocês quiserem, podem enviar mais exemplos. Devo ter esquecido de alguns!)

Uma última pergunta: “É impressão minha, ou somos mesmo co-responsáveis por esse tipo de violência?!”

Peço desculpas a alguns amigos, articulistas políticos, pelo atrevimento no presente ensaio. Nesta ‘praia’ sei pouco nadar, e sempre fico no raso. Admiro o trabalho de vocês, e gosto muito quando os percebo mergulhados em águas profundas e, ao emergirem, nos trazerem – com absoluta autonomia de fôlego – pérolas preciosas.

Eu, aprendiz, agradeço! Até porque fico menos apático!

Tchibum…

CD Ricardo Lombardi

 

15
jul
11

QUER PAZ?! TENHA ATITUDE!

QUER PAZ?! TENHA ATITUDE!

A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego!
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!

 

O trecho acima faz parte da letra de “Minha Alma (a Paz que eu não quero ter)”, música consagrada pelo ‘O Rappa’, e concebida pelo seu ex-baterista e ex-integrante; Marcelo Yuka – tido como o ‘pensador’ do grupo.

O duplo ‘ex’ do multifacetado artista-poeta-músico-ativista; deve-se ao fato do Marcelo ter ficado paraplégico, em decorrência dos tiros recebidos ao tentar proteger uma vítima de assalto.

O triste fato aconteceu há mais de dez anos. Quase tão espantoso quanto o mesmo, é o bordão que ainda empregamos na busca de paliativo que ‘tente’ justificar a nossa impotência frente às tragédias nossas de cada dia: – Que pena! Mais outro que estava no local errado, e no instante errado!

É sabido que a nossa ‘complacência cristã’ permite-nos um arsenal ilimitado de citações voltadas para o alívio de momentos difíceis. Algumas delas estão na dependência direta do grau do infortúnio: …tenha forças meu filho. Podia ter sido bem pior… tenha fé!

FÉ nós temos, brother!  Estamos carentes é de ATITUDES!

O que se busca não é o aumento do desvio-padrão da nossa tolerância, mas sim a sonhada ‘tolerância-zero’ com relação a qualquer tipo de violência. Qualquer tipo!

Às vezes eu falo com a vida,
Às vezes é ela quem diz: “Qual a paz que eu não quero conservar,
Prá tentar ser feliz?”

Na medida em que ainda não temos consolidado os ‘valores-referências’ que nos assegurem, enquanto sociedade carente, um caminho mais estruturado e confiável ao sonhado equilíbrio social; o tema ‘VIOLÊNCIA’ continuará sendo contemplado nos diversos meios de comunicação. Inclusive, garantindo ótimas audiências aos programas destinados ao assunto. Ou seja; o ‘desmantelo’ dá mais ibope que o ‘acerto’. Por enquanto, assalto vende mais do que vacina contra o câncer.

Não devemos permitir que o volume diário de ‘más notícias’, pela repetição e assiduidade, nos faça perder a capacidade de interpretá-las e (melhor ainda) eliminá-las. São condições essenciais para evitarmos a ‘banalização da barbárie’.

– O ‘QUÊ’ poderia ter sido pior para a família de REBECA CRISTINA?!

Por toda a semana foi esta a pergunta que ficou me incomodando, após ter assistido [na TV] a reportagem sobre ‘uma menina de 15 anos, desaparecida no trajeto escola/casa, cujo corpo foi encontrado sem vida, com sinais de estupro, e com um tiro na nuca’.

Parece que a tragédia aconteceu no mesmo dia em que o ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE estava completando sua maioridade: 21 anos. Pena que REBECA não vai poder participar da festa!

Infelizmente a matéria não pôde ser apresentada pela jornalista âncora do programa, pois a mesma estava se recuperando de uma participação, como vítima, de um sequestro-relâmpago.

/pausa para um copo d’água/

Enquanto os organismos responsáveis pelo estabelecimento da PAZ mostram-se reconhecidamente inócuos; proponho que continuemos – no mínimo – sensíveis na distinção do ‘horror’, e comprometidos com atitudes voltadas à sua eliminação.

É fácil! E cada um escolhe sua forma, que pode ser: buzinando, telefonando, denunciando, cobrando, batendo panelas ou, até mesmo… VOTANDO!

– Paz sem voz?!
– Não é paz, é medo!

  • Dedico o presente texto ao MARCELO YUKA, e às centenas de REBECAS, que também podem ser chamadas de: Maria, João Lennon, Vera, Antonio, Luiz,…

CD Ricardo Lombardi

25
jun
11

AUTOMÓVEL ou AUTO IMÓVEL?!

AUTOMÓVEL ou AUTO IMÓVEL?!

Prometi a mim mesmo não mais consentir que o ‘intransitável trânsito’ de João Pessoa (quem diria, hein?!), abalasse a minha pretensão de sempre manter a cota de estresse em nível zero.

Percebi essa necessidade, engarrafado; claro! E pela enésima vez!

A imobilização coletiva virou rotina. Para mim, e para centenas de usuários que, diariamente, tentam conduzir seus veículos pelos principais corredores viários desta bela cidade.

Recuso-me a aceitar que ‘trânsito engarrafado’ seja sinal de progresso. Continuo achando que é; isto sim, uma prova incontestável da insensatez humana.

Outra prova disso?! De que nos adianta conduzirmos equipamentos com mais de uma centena de cavalos de força, quando, nos momentos em que mais necessitamos, nossa locomoção não passa de dois ou três quilômetros por hora?! É velocidade inferior à de uma biga romana, puxada apenas por dois animais.

Ou até mesmo à de uma bicicleta! Pode até ser igual à do seu Menelau: modelo antigo; com pneus grossos e quase murchos; corrente frouxa; guidom assimétrico; pedalada no aclive; em direção contrária ao vento, e ainda carregando (no bagageiro) dona Helena, sua amada e obesa esposa. Ufa!!

Outra perda de tempo é tentar atribuir culpa ao passado, alegando a falta de visão de gestores públicos que, quando do planejamento da cidade, mantiveram-se reticentes ou subestimaram o seu potencial de crescimento.

Calma aí, pessoal! O assunto é muito mais fordiano, do que freudiano.

Bem mais prático é entendermos que o tema envolve uma simples e cristalina leitura matemática; sendo, portanto e em tese, de resultado lógico e previsível: ‘o número de veículos cresce muito mais do que o número de acessos aos locais pretendidos como destino’.

O que fazer?! Também não sei! Mas, fico preocupado quando tomo conhecimento de que:

1-    Apenas 20% dos habitantes de João Pessoa, possuem automóvel;

2-    Dedica-se mais atenção à abertura de novas vias de acesso (ou expansão das antigas e saturadas), do que na conquista de novos modelos de transportes urbanos;

3-    A automação de equipamentos reguladores (semáforos) que, em detrimento de seres humanos (fiscais de trânsito), simplesmente não possuem capacidade de considerar, em momentos de pico, o sentido de maior fluxo;

4-    A criação de ‘rótulas / giradores / rotatórias’ de diâmetro incompatível para a demanda de veículos;

5-    A falta de bom-senso e educação de um grande número de motoristas;

6-    A descabida aversão cultural de nossa população frente a qualquer proposta de mudança de paradigma;

7-    Outros…

Particularmente, devo confessar que o ítem 6 (acima) possui, nas entrelinhas, algo que incomoda a todos nós. Em princípio, qualquer mudança de comportamento mexe sempre em ‘áreas de conforto’. Vejamos se não:

a) É comum, entre nós, percorremos distâncias – a pé – de quinhentos metros deixando o carro no estacionamento?!; b) Aceitamos estacionar a menos de quatrocentos metros do local intencionado como destino?!; c) É conveniente para nós, alterarmos nossos horários, de saída ou de chegada, para não enfrentarmos maiores congestionamentos?!; d) É frequente, mesmo em dias de folga e sem a rigidez de horários, optarmos pela utilização de um ônibus, sabendo inclusive que ele nos deixará à porta do destino pretendido?!; e) Sabemos ao menos quanto custa uma passagem de ônibus?!; f) Temos investido na ideia da ‘carona amiga’, conhecendo pessoas que moram próximas de nós e frequentam o mesmo ambiente de trabalho, em horários semelhantes?!

Sei que o assunto é extremamente complexo. Igualmente, tenho consciência de estar com esse ‘texto conta-gotas’, apenas soltando um pingo no oceano.

Não obstante, também acho que não devemos ficar passivos, esperando nos convertermos em uma São Paulo para, somente então, corrermos atrás do prejuízo. Ou melhor, permanecermos PARADOS!

CD Ricardo Lombardi

15
maio
11

diálogos & ambientes

DIÁLOGOS & AMBIENTES

Faz sentido a concepção de que; se nós, seres humanos, possuímos dois ouvidos e uma só boca, é porque devemos ‘ouvir mais, e falar menos’.

Também concordo, mas com ressalvas, claro!

Em primeiro lugar, devemos entender que tanto a ‘fala’ quanto a ‘audição’ são processadas no córtex cerebral: parte mais desenvolvida do nosso cérebro, responsável pelo raciocínio, pensamento, funções cognitivas, percepções sensoriais (visão, audição, tato e olfato), além da capacidade de produzir e entender a linguagem.

Significa dizer: tudo aquilo que nós ‘dizemos’ e ‘ouvimos’ passa por uma espécie de ‘comando central’ que possui mecanismos capazes de assimilar e selecionar o que deve (ou não) ser dito e ouvido. Será?!…

Sendo isso verdadeiro, penso que devemos investir (havendo ainda tempo hábil) na sanidade dessa capacidade cognitiva, tão tsunamicamente comprometida pelos decibéis nossos de cada dia, sem deixar de passar pelo gosto(?!) musical do meu vizinho. É dose!

Outro ponto que me faz abordar esse tema, é que existe um segundo elemento fundamental na capacidade de interpretar corretamente tudo que se ouve. Refiro-me ao AMBIENTE FÍSICO, onde se encontra o portador do córtex cerebral – se é que ele ainda consegue distinguir ‘alhos de bugalhos’. Vamos tentar explicar melhor…

– Olá, dona Maria, a senhora prefere seus peitos grandes, não é?!

– Apenas um, seu Hugo! O outro eu quero pequeno.

– Posso arrancar a pele?!

– Só do pequeno porque meu genro gosta assim. É o contrário de Antonio, meu marido.

– Entendi! Deixa comigo que os dois vão ficar lindos.

O diálogo de fato existiu, acreditem! Eu estava presente e OUVI!

Acontece que – o AMBIENTE – foi o fator que impediu que o meu córtex cerebral tivesse catalogado dona Maria como portadora de algum tipo de ‘assimetria torácica-peitoral’ ou eleita parte demonstrativa em rituais de esquartejamento humano. Ou até mesmo ser rotulada como transgressora sexual na terceira idade.

Ainda bem que estávamos no mercado da Torre, no setor de galináceos, sendo atendidos por seu Hugo que, com uma faca na mão, dava um show de habilidade e profundo conhecimento anátomo-morfológico de peitos. Dos frangos, e não da dona Maria.

Fiquei olhando para os peitos de dona Maria (os que ela havia comprado, lógico). Entendi que o pequeno (já sem pele) ela iria levar para a sua filha.

De olhos, ouvidos, e córtex bem abertos, pus-me a imaginar que o mesmo diálogo ouvido há pouco, poderia também estar acontecendo em outro AMBIENTE – por exemplo, em uma clínica de cirurgia plástica! Neste caso, aí sim, a dona Maria estaria correndo sério risco de vida, ou de ser mal interpretada.

Seu Hugo ficou sem entender porque eu ria tanto. E sem tirar as minhas mãos dos peitos, claro!

CD Ricardo Lombardi

21
abr
11

um pouco de páscoa

QUERIDOS / QUERIDAS:

 

Consideremos a VIDA como bem maior;

Por ela, agradeçamos ao Pai;

Com ela, aprendamos a cultivar a Paz;

Nela, saibamos cantar o Amor;

Superar a dor, semear a flor;

Segurar a alegria, abraçar a esperança;

Sorrir para o dia, dançar feito criança;

Excluir o lamento;

Olhar o firmamento;

Rever o sentimento;

Renascer a todo momento.

FELIZ PÁSCOA

12
mar
11

entre o som e o silêncio

ENTRE O SOM E O SILÊNCIO *

Somente a terceira lei de Newton – a toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade – seria capaz de justificar a internação e o elevadíssimo nível de estresse verificado naqueles três companheiros, em consequencia do recém findo carnaval.

Tudo começou quando ouviram dizer que iriam descansar em uma praia deserta, longe de qualquer tipo de poluição. Os três ficaram tão emocionados que um deles até permitiu-se ao desabafo: –‘Já não era sem tempo, meus camaradas! Faz anos que não temos um período de real sossego! Nossa carga de trabalho está cada vez mais insalubre, árdua, e desgastante!’.

Apesar de pequenos e frágeis, os três amigos eram reconhecidos por todo o sistema, como ‘funcionários padrão’. Era admirável o entrosamento e sinergismo funcional, por eles conquistados. Jamais eram vistos fora dos seus pequenos e contíguos ambientes de trabalho. Nem mesmo quando se viam (como agora) contemplados com ‘momentos relax’.

Assim que chegaram à praia, logo vibraram com a sonoridade dos ventos e das ondas do mar:

– Ôpa! Estou sentindo que vai pintar quatro dias de sombra e água fresca!

– Peraí, calma! Sombra… até que é bom; já estamos acostumados. Mas… água fresca?!! Tô fora! Não me faz bem…

– Se eu pudesse escolher, pediria quatro dias de… silêncio!

– SILÊNCIO! (exclamaram os outros dois, incrédulos!) – Mas isso é produto em extinção! Faz tempo que não lidamos com tal ‘preciosidade’! Todos se entreolharam simbolizando perfeita concordância de que aquilo, caso acontecesse, seria interpretado como dádiva ou milagre: poderem ouvir o som do silêncio!

Mas o que se (ou)viu foi o contrário! Junto com eles também chegaram legiões de jovens gladiadores, montados em suas reluzentes caminhonetes, que logo se espalharam em pontos supostamente estratégicos ao colapso auditivo.

Uma vez apeados, os guerreiros abriam as portas traseiras dos veículos de onde emergiam: possantes alto-falantes; caixas; bazookas; amplificadores; equalizadores; tweeters; woofers; subwoofers… e até um discretíssimo ‘divisor de freqüência crossover driver super tweeter woofer’.  Tudo acionado à distância, via Bluetooth (Uau, brother!).

Para desespero dos três amigos apaixonados pelo silêncio – agora totalmente descartado, enquanto hipótese – teve início uma gigantesca avalanche de decibéis, sob as formas de gêneros musicais(?!) que abdicaram de levezas harmônicas, em detrimento de um duradouro e linear bate-estacas.

Concordo! Gosto musical não se discute – é subjetivo! Mas potência sonora, sim – é mensurável! É medida por decibel (dB). Graças a inúmeros trabalhos científicos, podemos acreditar que estaremos sempre em ‘áreas de conforto’ quando as nossas emissões sonoras não ultrapassarem os 85 decibéis, aceitos como ’tolerável’ ao ouvido humano.

Não foi bem isso que aconteceu naquela praia durante o carnaval. Certamente os nossos três amigos passaram horas trabalhando em cima de – no mínimo – 110 / 130 decibéis (equivalente ao som de um trio elétrico, ou à suavidade de uma britadeira).

Ainda pior era a desesperada tentativa de decifrar os significados das ’mensagens babel-polifônicas-poéticas’:vou não / Super-Man ficou fraco / olha pra frente / pra frente /quero não / o Pingüim jogou criptonita /posso não / cintura, cabeça / tchubirabiron /Lex Luthor e Coringa roubou laço da Mulher Maravilha…

Não me levem a mal, foi coisa de carnaval! EVOÉ!

CD RICARDO LOMBARDI

* (para meu irmão, Leonardo – o anjo Léo)

  • O último boletim médico informou que nossos três amigos –  Martelo,  Bigorna, e  Estribo – estão prestes a receberem alta. O documento também destaca a imperiosa necessidade de poupá-los de todo e qualquer tipo de violência sonora; entenda-se, barulho.
  • Neste sentido, é conveniente mantê-los com doses diárias de: https://www.youtube.com/watch?v=L-JQ1q-13Ek ou algo semelhante.
  • Outro bônus/depoimento com Alexandre Garcia: http://www.youtube.com/watch?v=DoyvG8cvLjA