Author Archive for Ricardo Lombardi



25
jun
20

sobre coisas que jamais se viu

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Vou pegar carona no bom humor da cultura popular que se ocupa em listar as “coisas que jamais se viu”.

Deste acervo, surgiram: cabeça de bacalhau, santo de óculos, genro com retrato de sogra na carteira, chester vivo, o LOMBARDI (quando vivo…aquele do SÍLVIO SANTOS), entrevistado do Ibope, ex-corno, pai de pai de santo, e muitos outros…

A lista é grande, mesmo considerando o seu brutal cerceamento em nome do ‘politicamente (in)correto’.

Em tempos horríveis de pandemia, fico a imaginar o quanto essa lista pode ser aumentada… inclusive, sem muita preocupação com o politicamente correto, haja vista que é no atual cenário político brasileiro onde encontramos o maior nascedouro de incorreções.

Também pudera… temos 1 presidente, 27 governadores, 5.570 prefeitos municipais, 1.059 deputados estaduais, 513 deputados federais, 81 senadores, e mais de 57.000 vereadores.

É muito cacique pra pouco índio!

Todo este fantástico universo de gestores e parlamentares sabe que, a cada dois anos, pelo voto dos inocentes, a roda gira… fazendo com que essa gigantesca Torre de Babel possa vir a ter novos inquilinos, motivo de agonia para àqueles que teimam em acreditar na vitaliciedade dos seus aposentos; digo, mandatos.

Com toda essa gente [finalmente mascarados] falando sem parar; com toda uma mídia que tenta recuperar a sua irrecuperável credibilidade; com toda a indomável avalanche das fake news, fica muito difícil, quiçá impossível, surgir uma liderança/voz para chamar de nossa.

Isto posto… vamos dar a nossa contribuição na lista de “coisas que jamais se viu”, em tempos de pandemia.

  • Respiradores comprados de forma correta, com preço justo, e recebidos sem defeito e dentro do prazo;
  • Político que não mistura pandemia com palanque eleitoral;
  • Leitos de UTI´s em número maior que a procura;
  • Dados estatísticos da Covid-19, uniformes e fiéis à realidade dos fatos;
  • Distanciamento correto entre as pessoas nos transportes coletivos na hora de pico;
  • Ônibus, metrôs e trens perfeitamente higienizados em cada parada;
  • Obediência ao #ficaremcasa quando não se tem moradia digna;
  • Manter o distanciamento físico nas filas da CEF em dia de pagamento do auxílio emergencial;
  • Mesa diretora da OMS levando mais otimismo do que morbidade;
  • Consenso na prescrição de medicamentos contra o vírus sem o viéis da lucratividade financeira;
  • Eficiência na fiscalização do lockdown;
  • Ouvir alguém dizer ‘saúde’ após você espirrar;
  • Verificar no boletim escolar de seu filho que ele vai repetir a matéria após as aulas virtuais;
  • Passar um dia sem receber divulgações de lives;
  • Participar de reuniões on-line sem estar à vontade da cintura pra baixo;
  • Perceber nas atitudes solidárias/humanitárias mais discrição e menos auto-promoção (@dadanovais) 
  • Constatar a ausência de humanos nas paradisíacas praias do nordeste brasileiro, em nome da ‘promoção da saúde’ (@rossanolucena)
  • … [espaço aberto para as sugestões]

 

Por último, fica a certeza de que tudo isso vai passar.

Enquanto aguardamos por dias melhores, continuemos acreditando e praticando o SORRISO… pois sempre será a nossa melhor vacina.

Avante!

12
jun
20

admirável mundo novo pedagógico

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Foi de fato uma grande experiência para mim.

Considerando os meus cabelos brancos, prolapsos, e outras arritmias, posso até dizer: ufa, escapei! 

E mais… pegando carona na minha fração sadomasoquista ouso também afirmar que gostei pra caramba!

Convém fazer o registro que a citada experiência é bem recente. Teve origem após o #fiqueemcasa planetário.

Além do meu confinamento, eu também possuía o plus(?!)de estar inserido no grupo de risco dos idosos… fato que, emprestou ao desafio um certo grau de paranormalidade, posto que, para a sua elaboração, era necessário que eu transitasse entre o mundo real, e o mundo virtual.

Explicar é preciso.

Como professor universitário, sempre tive prazer de interagir com meus alunos. Para mim, sala de aula é extensão da minha casa.

Mesmo estando próximo de me aposentar, o honroso ofício de ‘ensinar e aprender’ sempre me pareceu leve. O contraponto do ‘peso’ na docência é dado pelo amor ao ofício.

Acontece que o tal do coronavírus fechou as salas de aula. As minhas, as dos meus colegas, as dos colégios dos meus netos, e de todas as instituições de ensino do Brasil.

Tal situação já vai para quatro meses… e o fator ‘tempo’, para quem já está no outono da vida, tem um (agora sim) ‘peso’ diferenciado.

Uma vez que ‘ciência & educação’ não podem parar, os vocábulos sofreram uma grande transformação, inclusive com uma volumosa adoção de palavras estrangeiras que fariam o nosso Ariano Suassuna pirar de vez.

Presencial, deu lugar ao virtual.

Quer falar com alguém?! Faz uma live, ué!? Ou senão, passa um zap. Ou até um chat, seu chato!

Sala de aula, agora tem que ser aberta via plataforma digitalZoomGoogleMeet, e outras… cada uma, com as suas senhas, são ambientes coletivos para os EAD´s… a bola da vez.

Você vai primeiro no website, depois clica no link da aula. Se você já estiver logado, é somente entrar. Senão você volta e faz o login. Está tudo nos tutoriais que foram previamente enviados… e por aí vai! Ou não!!

Participei das reuniões “on-line” do meu Departamento voltadas para definir o modus operandi do novo modelo de ensino. Apareci, na minha tela e na dos meus colegas, de cabeça pra baixo… pois a minha webcam me enxergou, talvez, como um morcego. Motivo de risadas, claro.

Mesmo com todo o sangue concentrado próximo aos escassos neurônios, eu estava ali… aprendendo novos termos, como atividades síncronas assíncronas. Confesso até que eu estava achando interessante o tamanho do desafio.

Principalmente, quando ouvia dos meus pares, que a nova ferramenta de trabalho era desconhecida para a grande maioria deles (docentes), e também para os alunos. Eles continuam generosos para comigo.

Somos cinco na minha disciplina: Rejane, Karina, Ednara, Eliziane, e eu. Optamos por inserir uma atividade no modelo virtual, e passamos a nos reunir pela plataforma Zoom, no sentido de elaborarmos uma programação para os alunos do 8° período.

Na véspera da aula inaugural, consegui resolver o meu problema de estar plantando bananeira. Não ia dar certo me apresentar aos alunos de ponta-cabeça. Afinal, toda experiência, para ser exitosa, tem que vir recheada de estresse. No pain, no gain… costuma-se dizer lá na matriz.

Consegui dar a minha aula apenas olhando uma tela, sem saber quem estava do outro lado. Talvez por isso, aconteceu uma vontade maior de explicar os quadros… e sempre fazendo a pergunta: – tem alguém por aí??Felizmente, tinha.

No período de confinamento (ainda vigente), foi possível amadurecer a ideia de ‘vida de aposentado’. Meio que vivenciando uma espécie de ‘laboratório’. Vou aguardar para o ano que vem… pois fica difícil me despedir dos colegas e alunos com um abraço tão somente virtual.

Vamos em frente, gente!!

  • [dedico esse texto aos meus alunos, às minhas colegas de disciplina, e aos demais professores do Curso de Odontologia da UFPB]

 

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print primeira aula Orto UFPB - Google Meet (1)

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ponta cabeça

26
maio
20

tem covid na avenida

pierrot aSim, teve o carnaval de 2020 aqui no Brasil.

Logo após, as alegorias foram desfeitas. As comissões de frente se dispersaram, e a harmonia desaprumou.

Permaneceram, talvez, “mais de mil palhaços no salão”.

Em seguida, ninguém sabe de onde veio, chegou um “trê-lê-lê, um zum, zum, zum, zunindo”, avisando que um bicho pequeno e invisível, proveniente da China, “infalível como Bruce Lee”, vinha exterminando a população do planeta.

E vinha tal qual “Trupizupe, o raio da Silibrina”. Ou seja, chegou c’a gota serena do estopô balaio!

Por incrível que pareça, ninguém registrou o momento preciso de sua chegada…foi chegando de mansinho (mansinho?!), igual a comer papa, pelas beiradas.

Conforme esperado… a panela de papa explodiu. Bum!!

O estado de pandemia logo ficou decretado pelo sonolento diretor da OMS. A partir daí, aqui no Brasil, “cada paralelepípedo da velha cidade, essa noite vai se arrepiar”.

E já se passaram mais de 90 noites… as pedras das ruas foram poupadas com a redução do tráfego imposta, mas as tenebrosas transações teimam em nunca adormecerem.

Surgiram: #FiqueEmCasa e #UseMáscara como bandeiras da nova ordem mundial. Junto a elas, o Universo passou a adotar um novo vocabulário: EPI’s; IgG/IgM; Sars-Cov-2; achatamento da curva; álcool em gel; live; isolamento social; home-office; auxílio pandemia; delivery; trabalhos essenciais; ufa… a lista é grande.

A mídia universal -diária e ininterruptamente- permanece alimentando os institutos de estatística com números alarmantes: tantas mortes por segundo; milhares de casos diagnosticados; centenas de pesquisas científicas em andamento; superfaturamento de compras; construções de hospitais de campanha; falta de respiradores artificiais; insuficiência de leitos em UTI’s; pandemia e seu viés político; decretação de lockdown; etc…e mal.

Sabemos: o caos impacta (e vende) mais do que a bonança.

Sim, teve o carnaval de 2020 aqui no Brasil.

Pena que a quarta-feira de cinzas está difícil de ir embora.

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou.
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça…

 

mascaras Continue lendo ‘tem covid na avenida’

21
mar
20

passado e futuro é com ela, dona Gegê

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Falei há pouco com a Dona Gertrudes, 92 anos. Como a fase é de quarentena, o papo foi no #hitechmode… por chamada de vídeo!!

Apesar da idade, ela sempre foi aberta para as novas tecnologias de comunicação.

“-Meu filho, não tem coisa melhor do que ter na mão um aparelho conectado com o mundo!”. Está certíssima ela.

Não bastasse isso, minha amiga idosa também fuma [moderadamente] o seu cachimbinho de fumo de rolo, e gosta de tomar um pequeno trago antes do almoço… “-agora descobri a cachaça do nosso Brejo, pois o vinho do Porto está salgado para o bolso, ó pá!”… arremata Dona Gegê entre risos.

Dona Gertrudes é amiga da família desde os tempos da Rua Nova, na virada dos anos 50. Tempo de pouquíssimos carros nas ruas, e de carroças que vendiam mel de engenho… barato e rico em ferro que ajudava no crescimento, meu e de todo o coletivo pré-púbere da redondeza.

Pela tarde, passava o cuscuz Bondade. À sua chegada, a pelada no calçadão do Mosteiro de São Bento era interrompida para que saboreássemos a iguaria, também rica em ferro. Meu Deus… parecia que tudo era rico em ferro naquele tempo.

Eu comprava o meu cuscuz com a gorjeta que recebia da Dona Gertrudes, que, todo dia, me pedia para levar os seus palpites no jogo de bicho, cuja banca de anotações ficava próxima à Catedral. Era uma rua de muita fé. Em Deus, claro. E nos bichos também.

Voltemos para a vídeo-chamada do início do texto.

“-Que bom que você ligou, meu filho! Estou enclausurada e sem poder receber visitas por conta da peste, e de pertencer ao grupo de risco”.

“-Pois é, Dona Gegê… apesar da senhora ter me visto nascer, eu também estou nessa mesma situação por conta do COVID-19”.

 “-Falando agora com você, fiquei com uma vontade danada que você levasse a minha aposta no Pavão… por conta do ‘19’ dessa coisa ruim. Mas já se foi esse tempo…”.

 “-Que maravilha!! Levaria com maior prazer, Dona Gegê! Pena que tudo mudou… nem mesmo sei do amanhã… se estaremos por aqui pra receber o prêmio!”

“-Claro que sim, meu filho! Tudo que está acontecendo já era previsto. O planeta vem sofrendo há bastante tempo, com o ser humano deixando de ser criatura e se vendo como Criador… cortando árvores, queimando florestas, desviando rios, envenenando plantações, etc… O lado positivo de uma pandemia como esta é trazido pelo MEDO que nos faz refletir sobre a nossa exata dimensão no planeta, sobre o repensar em Deus, sobre o SER valer mais que o TER. Fique tranquilo… tudo passará e continuaremos na sobrevida”.

Agradeci a Dona Gertrudes e me despedi. Fui tomado pela emoção de ouvir esta lição por uma senhora de quase um século de vida e lucidez. Vou ver se consigo, durante a quarentena, jogar no 19.

Melhor não… já fui premiado com esse tesouro chamado Dona Gertrudes.

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*Nota: o nome Gertrudes, é fictício… somente o nome.

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19
mar
20

março 2020: mês da clausura geral

mule-gas-mask-650x427Pelo visto, a coisa vai longe!

Refiro-me à quarentena doméstica de sabe-se lá quantos dias. Isso, sem falar no upgrade de pertencer – compulsória e cronologicamente – ao universo de risco maior; idoso!

Bem que eu poderia, neste ponto, sacar o Estatuto do Idoso, e exigir mais complacência e melhor proteção… para mim, e para toda a minha coorte. Imensa!

Melhor abdicar da ideia, pois, em nome da saúde pública e coletiva, viriam argumentos que facilmente me venceriam de capote.

Quanto ao confinamento, este também não dá garantias de que eu deixe de contaminar um pequeno universo de amigos, quiçá alguns leitores.

A explicação é trazida pelo fato de – quase diariamente – e na clausura, eu ficar enviando textos sem muita preocupação com a sintaxe… buscando apenas brincar com as palavras dando vazão às ideias que permitam reflexões, se possível com mais sorrisos que lágrimas.

A culpa é toda do coronavírus… e dos veículos midiáticos, que, no afã de garantir plateia, ou dar o furo (mais atual), adulteram as verdades dos fatos e, rotineiramente, esquecem a Ética do bom jornalismo.

Enquanto perdemos tempo nos fakes nossos de cada dia, o vírus segue atacando.

Enquanto perdemos tempo em busca de um panelômetro, os supermercados vão ficando sem produtos para colocarmos nas panelas amassadas.

Enquanto as máscaras e álcool em gel somem e/ou atingem preços estratosféricos, perdemos horas debatendo sobre como usar o que não existe.

Enquanto o mundo inteiro busca a convergência de ações e esforços, tem deputado brasileiro achincalhando outros povos de forma irresponsável e criminosa.

FECHA TUDO e FICA EM CASA são comandos fortes… normalmente emitidos em época de guerra.

Se já está declarada a guerra contra o vírus, parece que ele está ganhando; pois, até agora, nenhum plano estratégico de combate nos foi passado de forma convincente.

Por enquanto, apenas as estatísticas da tragédia e a certeza do despreparo da linha de frente… se alguém souber em qual palanque ela se encontra neste momento.

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17
mar
20

amor de avô em tempos de cólera

Faz tempo que passei dos 60’.size_960_16_9_avo-neto1-678x381

Felizmente, bicho!… Dirão os jurássicos sobreviventes da minha geração.

Essa tribo maravilhosa, nascida no pós-guerra, viu chegar o rádio transistor, o controle remoto, o contraceptivo oral, o cartão de crédito, a meia de náilon, o biquíni, o jeans, e até o estilo beatnik… precursor do movimento hippie. E haja rock and roll! E haja peace and love!

Natural, portanto, que muitos dos velhinhos de hoje sintam-se ’em dia’ com essa atual modernidade e tentem acompanhar a louca velocidade dos avanços tecnológicos deste admirável mundo novo.

Tentem, apenas!

Teimosamente, e por influências de filhos e netos, seguimos dedilhando os nossos Smartphones e nos encantando quando chamamos o Uber que nos leva, via Waze, por caminhos nunca d´antes percorridos.

Igual espanto é sobre a didática empregada pelos jovens nas ‘aulas’ sobre como usar os equipamentos: tudo é transmitido em velocidade estonteante, vocabulário específico, e sem a utilização de nenhum livreto do tipo “manual de instruções”.

“-Vô, vai teclando que no fim dá tudo certo!”.

“-Mas… e se não der?!”

“-Vai no Google, ué!?”

Sorte que sempre dá certo!

Pelo visto, tudo indica que teclar ficou mais preciso que viver.

Infelizmente, com todo este avanço, o mundo vem ficando muito sem graça. Adianto que não são palavras senis… de quem está mais próximo da porta de saída. Sou otimista, sou brasileiro, sou avô!

Quero um mundo com falésias preservadas e muito melhor para os meus netos. Mas parece que não é este o panorama que se descortina.

A onda do coronavírus é assustadora… tanto quanto a sua onda preventiva. Quem tem mais de 60’, ou tem os olhinhos puxados, atualmente é visto como alguém que exala enxofre. E se espirrar ou tossir, melhor correr… pois pode ser linchado por agentes da saúde.

Na falta de leitos em hospitais, alardeia-se para que ninguém saia de casa… por hora, nem para orar!

Muito triste verificar que estados como São Paulo vão fechar escolas e creches públicas dentro de poucos dias. O intervalo entre a pretensão e ação, é para que as mães se organizem com quem vão deixar as suas crianças, mas faz um alerta: não poderão ser deixadas com os avós!

Essa notícia foi lida para mim pelo meu neto, em seu smartphone. Com os olhos umedecidos, respondi-lhe: “-Acho melhor consultar o Google, né não?!!”

Penso que é hora de refazer meus planos de chegar aos 80’.

O último a sair, favor apagar a luz.

24
fev
20

toca mais, Báu!

formosa lalaGuardo simpatia gratuita pela ‘riqueza social’ de cidades portuárias.

Acredito que a natural atração se deva ao fato do mar ter sido um parceiro sempre presente… do meu nascimento até os dias atuais.

Ainda bem, pois, para viver, navegar se faz preciso.

Estou convicto de que tamanha afetividade não foi trazida apenas pelas águas dos oceanos.

Veio também navegando pelas leituras do amado Jorge Amado; do Ernest Hemingway; do Victor Hugo; do Amyr Klink; pelas músicas do Caymmi; pelo cais do Milton; pelas coxas da Ana de Amsterdam, do Buarque; e por muitos outros ventos soprados…

Nesse contexto, e pela proximidade geográfica, é natural que eu aporte em Cabedelo. Onde me encontro neste carnaval, 2020.

Fui apresentado às riquezas (e folclore) de Cabedelo pelo saudoso amigo-irmão @robertotanouss. Nada melhor, pois o querido parceiro era filho de Seu Tom, cabedelense da gema e grande referência na cidade.

Fácil entender que, em plena adolescência e vivenciando os belos veraneios de Camboinha, corremos o risco de nos transformar, juntamente com outros amigos*, em personagens jorgeamadianos.

E tome conhecer a noite de Cabedelo! E tome Lloyd Bar, e tome Sumé, e tome Palhoça Verde, e tome encontros e desencontros com figuras incríveis… como Báu, e o seu pandeiro.

Báu, à época, perambulava pela noite. Chegava sempre batucando o seu instrumento. Sentava junto e ficava… principalmente se tinha bebida à mesa. Sempre tinha.

Tudo isso, hoje, está nas gavetas da memória.

Recentemente, tive o prazer de reabrir uma delas, quando, fazendo compras no Mercado Municipal de Cabedelo, enquanto examinava os peixes, ouvi as batidas de um pandeiro chegar perto de mim, com uma calejada voz: “♫ nunca vi fazer tanta exigência…♪”. Era Báu, claro!

Olho no olho, ficou a impressão de que ele havia também me reconhecido.

Graças à minha assiduidade no Mercado de Peixes, esses sonoros encontros com Báu e seu pandeiro se tornaram frequentes.

Ele encosta e só sai de perto quando recebe algum trocado. Também auxilia na escolha do peixe. Com ele aprendi a jamais comprar o que ele indica. Tenho acertado.

O papo com ele também é bom!

Báu, tem visto Tom?! – Nunca mais, rapaz. Depois que ele se aposentou… sumiu!

Báu, lembra de Seu Zequinha Peregrino, Dona Alba, Roberto Lyra, Celinho?! – Todos morreram! Estão lá no céu… tocando, cantando, sorrindo e nos esperando!

– Tens visto @valeriaperegrino?! – Essa eu vejo de vez em quando. Está só curtindo as netas lindas!!

É isso aí, velho Báu!

Ontem, deixei Lala esperando os camarões serem descascados e fui cuidar de outras compras. Ao regressar, vejo Báu tocando e cantando para a minha esposa: “♫ de noite, eu rondo a cidade a lhe procurar …♪”.

Oxente, velho Báu!!

 

* Para: Juca, Fábio Peixe, Toinho… e muitos outros capitães de areia.

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José Mário Espínola: “Ricardo, por coincidência, conheci Báu no dia seguinte à sua crônica. Uma figura!”

 

16
fev
20

um acaso chamado Milena

MIL E EUFaz muito tempo que a regra é clara: ‘se nasceu, e ainda sobrevive, considere-se no lucro’. Simples assim?!

Nem tanto! Sabemos que, para atravessarmos o primeiro trecho da caminhada, temos que contar com mãos que, além de apontar a direção a seguir, nos ajudem/ensinem a pisar.

E a levantar… pois são muitos os tropeços deste finito percurso chamado Vida.

Escrevo com V maiúsculo, pelo simples fato de desconhecer um bem maior.

E também por entender que esta é a condição básica para ‘corrermos atrás’ de valores que nos permitam o bônus da boa qualidade de Vida.

Ora direis que a conquista deste sonhado patamar não depende exclusivamente de nós, mas sim da sorte de cada um.

Muita calma nesta hora!

Atribuir que o destino de cada um está na dependência exclusiva da roleta da sorte, é o mesmo que decretar a falência do nosso modelo de sociedade, onde o direito à Vida (e à sua plenitude) está assegurado em nossa Carta Maior.

Enquanto o cassino social brasileiro se ajusta, continuemos fazendo a nossa parte… como filhos, irmãos, amigos, pais, e até avós.

Continuemos estimulados pelo poeta Vinícius, quando diz, via Samba da Benção, que a ‘Vida é a arte dos encontros, apesar de tantos desencontros’.

Continuemos aplaudindo a atitude de Paulo, quando me trouxe Milena, esta filha maravilhosa que me reacende a fração adormecida de pai, com o bônus da oportunidade de enxergar novos caminhos.

Continuemos…

 

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18
dez
19

valeu, FRED!

fred 2Sou do tempo de uma geração que adotou a palavra “bicho” como pronome de tratamento. Sim, o mesmo bicho que Roberto Carlos usa quando quer se referir ao seu parceiro Erasmo, e vice-versa.

Fred Pitanga também foi desse tempo. Fred era bicho de praia. Sempre foi. Gostava de andar de calção, sem camisa e pés descalços.

Tinha andar de zagueiro de time que estava perdendo e – pela cadência e postura – andar de quem conduzia a bola para bater o pênalti do campeonato.

Acabo de saber por Antonio Nobre (outro bicho raro) que, hoje, nos ares, o jogo terminou para este querido Pitanga. Findou o campeonato. A Barreira caiu. A bola murchou de vez.

O bom Fred fazia parte do grupo Swalk* e também do GAB*. Desde as suas fundações, vale frisar.

Como engenheiro (técnico) e funcionário/fiscal de obras públicas (servidor), sempre primou pela preservação do meio ambiente e do respeito ao patrimônio paisagístico/ambiental.

Exercia a sua cidadania na maior acepção do termo. E a sua querida João Pessoa sabia muito bem de sua força como agente lutador para uma melhor qualidade de vida da nossa gente.

Desde a fundação do GAB, Fred sempre esteve presente. Nunca deixou de atender aos mais diversos chamados pela causa de “salvar a barreira do Cabo Branco”.

E sempre chegava de forma discreta, tímida.

Mesmo falando manso, suas opiniões eram acolhidas e respeitadas nas plenárias e nos debates.

Levava junto os seus conhecimentos de engenharia, bem como o seu espanto quando observava obras sendo feitas sem as devidas aprovações técnicas que lhes garantissem bons e previsíveis resultados…prática rotineira na falésia do Cabo Branco.

Seu perfil denunciava a sua legítima opção de preferir o trabalho em grupo às vaidades isoladas de egos inflados. Não estava nem aí para os focos dos refletores.

A Barreira do Cabo Branco perde um valioso grão.

Fará falta o nosso “bicho de praia”.

A imagem pode conter: atividades ao ar livre, natureza e água

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* SWALK: grupo de amigos que praticam caminhadas matinais na orla do Cabo Branco.

* GAB: Grupo Amigos da Barreira – coletivo de pessoas que lutam em defesa da preservação e recuperação – física e funcional – da Barreira do Cabo Branco

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03
out
19

uma estrela entre nós

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  • Nota prévia: sempre estive consciente do pequeno número de leitores/amigos que me dão a honra de visitar esse despretensioso Blog. Rievani faz parte deste universo. Há pouco tempo, enviei-lhe um dos textos aqui postados “faltava uma voz: Maria Alice”. Não deu outra! Logo, o estilo Rievani de ser, me fez a seguinte provocação: “-Ei, Richard, por que eu sendo tão sua amiga, você nunca escreveu uma linha sequer para mim?!”. Aceitei o desafio. Não posso me dar ao luxo de perder uma amiga como ela. Espero que ela goste…e vocês também!

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Apesar dos pesares, a coisa mais maravilhosa que Deus criou foi o ser humano… muito embora as tristes evidências do nosso dia-a-dia nos façam acreditar que o divino projeto não deu certo.

Teimosamente e em nome da dinâmica evolutiva da espécie, é interessante que continuemos a torcer para que a Era de Aquário, que se avizinha, proporcione aos habitantes do planeta -humanos ou humanóides- melhor clareza sobre o verdadeiro sentido da vivência e o real conhecimento dos ensinamentos Cristãos.

Enquanto a era não chega, vamos deixar o esoterismo de lado e partir para a realidade do caos nosso de cada dia.

Em termos práticos, o que nos alimenta e nos faz suportar os dissabores do cotidiano, é a fé em Cristo, a Felicidade, e a oportunidade dos Encontros com pessoas iluminadas com a luz do Bem.

Uma delas atende pelo nome de Rievani.

Não sei qual a medicação que a Dra. Ri se auto prescreve, muito menos o fuso horário que ela adota. Sei apenas que quando a encontro, me vem a impressão que a era de Aquário está chegando. Oba!

Se for verdade que a minha amiga é uma representante da Constelação de Aquário que veio ao mundo para nos sondar, então, pela maneira como ela se apresenta, significa que sobreviveremos. E seremos mais evoluídos.

Vejamos porque…

Sendo uma estrela, possui luz própria.

Sendo do bem, o seu facho não apenas a ilumina como também clareia o caminho a ser percorrido… por ela, e por quem com ela caminhar.

Sua lágrima, jamais vi. Isso é bom!

Já seus gritos e sorrisos sempre estão onde ela estiver. Isso é ótimo!

Sua inteligência é fonte de água limpa e sempre disponível para quem tem sede. Ou, melhor ainda, serve como bálsamo para quem precisa de seus cuidados médicos.

É solitária, pois precisa muito voar sozinha.

É solidária, pois sabe ensinar a voar.

É livre.

Por último, faz-nos acreditar que o projeto divino dará certo!

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