Paraibano de muito tempo, sou fã incondicional de cordelistas e repentistas. Tenho-os como artistas populares superdotados culturalmente.
Basta que recebam um “mote”, que saem – escrevendo ou cantando – em busca de rimas, cujo domínio lhes asseguram alcançar, quem sabe, a pretendida OBRA PRIMA (opa, rimou!).
Em suas criações, estão sempre presentes, além das rimas, as características regionais, a sátira, a métrica, e um grande/imprescindível acervo de palavras no arquivo da memória.
Pois bem… alguns acontecimentos de ontem, 26/12/2024, me fizeram trazer vocábulos que, acredito, seriam extremamente desafiadores para os melhores artistas das duas artes acima citadas.
Vamos a alguns deles: avós, imunoterapia, Sofia, nascimento, Taísa, mãe, onicit, keytruda, anestesia, mamar, amar, alimta, choro, risadas, sutura, etc…
Pretendo entregar este pequeno arquivo a alguns amigos que dominam o cordel e os repentes. Vai quê…
Para facilitar o ´mote´: ontem pela manhã, enquanto eu realizava o meu 11° ciclo de quimio/imunoterapia, sempre na companhia de Lala, via WhatsApp, estávamos tendo notícias simultâneas do nascimento de Sofia, filha de Taísa, que é filha de Lala e, por tabela, minha amada enteada (opa, rimou²!).
Pronto…as palavras mais estranhas acima, dizem respeito às medicações que estavam gotejando em minhas veias, enquanto lágrimas de emoção saíam dos meus olhos, e dos de Lala; avós babões.
O quadro que ficou composto para nós estava lindo.
Primeiro, o agradecimento a DEUS pelo dom da Vida.
Segundo, e não menos harmonioso, a certeza de que enquanto uma vida está começando, uma outra ganha mais forças para continuar lutando por mais algum tempo de permanência neste plano físico.
Sofia traz vida em abundância.
E eu já me candidato a dançar com ela, como avô, a valsa dos seus 15 anos!


– para Tatá, uma filhota super-mãe –




