Em 2019, tive o privilégio de ser convidado para participar, no colégio Nossa Senhora de Lourdes (Lourdinas/PB), do encontro comemorativo aos 50 anos da famosa e formosa turma 4ª A.
O acontecimento era criteriosamente feminino. Claro, freiras e ex-alunas eram as donas da festa. Apenas a presença de uma minúscula representação masculina abrandava a hegemonia daquelas sorridentes senhoras.
Nosso trio estava assim composto: eu – cuja finalidade era fazer o registro fotográfico do encontro; um padre – para abençoar o mesmo e conduzir os ritos voltados ao plano espiritual; e um querido ex-professor de matemática – para garantir que a conta iria fechar.
E fechou!
Emoção e alegria estavam evidentes no semblante de cada uma das meninas da 4ª A. Entre orações, cantos de louvores (e profanos), relatos de histórias, depoimentos emocionados, risadas e lágrimas… tudo contribuía para a lindeza do encontro.
Mais que o padre e o professor de matemática, eu senti-me como um fiel depositário ao testemunhar, pelas conversas alegres e intermináveis acerca do tempo ginasial, que ELAS sempre detiveram o controle absoluto de tudo; intra e extramuros.
Como exemplo, sabiam com máxima exatidão os dias e os horários das chegadas dos rapazes que sentavam nos muros das casas em frente ao colégio, para esperar a saída das beldades.
Sino tocou, paquera começou.
Às vezes a espera era um pouquinho maior… tempo suficiente para que elas dessem uma leve customização no comprimento da saia, bem como um laço diferenciado na blusa.
Tudo isso bem distante dos olhos da Madre Maria das Neves (madre superiora), e bem perto dos olhos aguçados da rapaziada do muro.
A superlotação dos muros, claro, fazia crescer a concorrência entre os jovens mancebos usuários do espaço. Tudo era válido para chamar a atenção das alunas confinadas no prédio à frente.
Reza a lenda que um dos casos foi protagonizado pelo jovem e destemido TM que, um belo dia, cismou de entrar no colégio com o seu fusca e dar um cavalo-de-pau no hall de entrada do educandário.
Ainda bem que o nosso kamikaze não optou por entrar com o seu carro na capela novinha em folha. Deus é Pai!
Tudo acontecia com as meninas da 4ª A. Se a pauta era jogos colegiais… lá estavam elas, treinando todas as modalidades esportivas. Se era desfile… lá estavam elas, atuando como balizas das bandas, não importando se era 7 de setembro, ou jogos estudantis. Se era para fazer uma excursão… lá estavam elas, levando presentes para agradar o motorista do ônibus do colégio, para darem o bote em seguida. Se era para cantar no coral… lá estavam elas em tom maior.
Nenhum exagero dizer que a turma era diferenciada talvez até por conta dos cromossomos. Afinal, ali estavam filhas de Dona Zélia Henriques, Margarida Caldas, Teresinha Peixoto, Nora Targino… e muitas outras matriarcas que comandavam a sociedade paraibana. Evoé!!
Até hoje a turma mantém-se unida, não obstante a diversidade das trajetórias de vida traçadas por cada uma. Todas elas tiveram êxitos nas profissões escolhidas e nos dons recebidos.
Neste 2024, muitas estarão fechando mais uma década de existência. Entretanto, asseguro-lhes, jamais abdicarão do espírito jovem e da paixão pelos prazeres da Vida.
Parabéns, meninas!
Continuem derrubando os muros que cerceiam a alegria e felicidade.
Nota final: não poderia encerrar esse texto, sem mencionar que fiquei encantado com o ambiente físico do Colégio NSL. Todos os espaços muito bem conservados com uma aprazível área interna repleta de jardins que, pela exuberância das árvores, plantas e flores asseguram que a história iniciada em 1940 merece – hoje e para sempre – todo o nosso reconhecimento como um patrimônio que orgulha e dignifica a Paraíba no campo da educação.
Bônus musical: Canção da América – Milton Nascimento / https://www.youtube.com/watch?v=fDio3_1AaJ8&pp=ygUmY2Fuw6fDo28gZGEgYW3DqXJpY2EgbWlsdG9uIG5hc2NpbWVudG8%3D
RLombardi-jan/24











