Arquivo para junho \22\America/Recife 2021

22
jun
21

mingo e o seu balão mágico

Buscando palavras para Camila & Amanda & Domenico.

A tarefa é desafiadora, mas vou tentar…

Tenho um bocado de horas de voo, mas na pista de vocês somente aterrissei em 2017, há exatos quatro anos.

Sim, muito antes dessa data, eu já tinha conhecimento da existência de vocês… filhas/filho de Mingo, jovem do bem e bonito também.

À época, nossos voos eram mais rasantes. Flutuávamos em embarcações do tipo ‘balão mágico’… onde toda a alegria e alegoria eram entregues a vocês: filhos e filhas.

Fácil de lembrar como o céu de João Pessoa ficava condensado de balões coloridos.

Nós, os pilotos, logo percebemos que – frente a vocês, pequenos passageiros – não passávamos de meros aprendizes nos voos (e turbulências) da vida.

Sem medo de errar, era bonito de ver como pilotos e tripulantes se comunicavam… bastava um simples olhar ou um sorriso.

Lá do alto era muito comum nos depararmos com Mingos falando com Ricardos, que também conversavam com Paulos, que trocavam ideias com Carlos, Ivans, Silvinos, Marcos, Flávios, Josafás, etc…

O barulho, lindo e maior, ficava por conta das Camilas, Taísas, Andréias, que conversavam com Georges, Gustavos, Marnes, Milenas, Amandas, Bias, Dudus, Domenicos… Ufa, a lista é imensa.

Nesses últimos quatro anos, pós aterrissagem, foi possível nos encontrarmos novamente. Agora em terra firme, em solo fértil. Tomara somente que muito logo voltemos à vida em seu #modopresencial.

Coisa boa foi trocarmos os voos dos balões pelos almoços dos domingos. Aqui ou aí (BSB), não importa.

Importa é a oportunidade de nunca – aqui, ou aí – deixarmos de resgatar com tais encontros, o sentido maior da vida: a leveza de flutuar e saber viver!

Junto a Domenico, vocês, Camila e Amanda, sempre serão filhas amadas por muitos pais e mães. Sinto-me um deles. Lala, idem!

Peço a vocês que daqui a pouco, na cerimônia do “até breve”, procurem visualizar o querido e amado Dom MINGO embarcando, como naqueles tempos, em um lindo, mágico e poético balão.

Procurem ver, na subida do dirigível, os nossos sorrisos… dos que aqui ficaram. Não esqueçam de incluir as Gigis, os Carlos e Antonios, os Vicentes, os Pedros e Ester… e quem mais vier.

MINGO assim quer.

Ele nos ensinou a como fazer!

Beijos, e vamos voar juntos pela vida afora.

RLombardi, 22/6/2021 (13:45hs)

19
jun
21

peixe por pix

O mar pode até ser o mesmo, mas as ondas de comunicação agora são outras.

Gosto muito de peixe e tenho em Melquisedeks um dos meus peixeiros prediletos. Calma, ele também atende por Melki.

Sou seu cliente desde o tempo da telefonia fixa.

Suas chamadas telefônicas eram sempre bem cedo… e sem nenhuma obediência ao dia da semana.

Aliás, parecia haver uma maior predileção pelos domingos… principalmente àqueles que traziam; do mar, os barcos; e de mim, as ressacas dos embalos dos sábados à noite.

“- Doutor, acabei de receber um Galo do Alto, do jeito que o senhor gosta”! A boa notícia era sempre dada por volta das 5:15 da manhã. Um ‘privilégio’ para poucos, concordo.

Ótimo! Recado recebido, sono perdido, lençóis ao mar, pois estava deflagrada a missão “trazer o peixe dominical”.

Bons tempos e ótimas lembranças que, hoje, me trouxeram a vontade de descamar esse tema.

Durmo e acordo cedo… até porque os embalos dos sábados à noite ficaram nas ondas da juventude com John Travolta, Olivia NewtonJohn, Bee Gees, os Diplomatas, e muitos outros…

Também ao lado da cama, já não existe mais nenhum aparelho de telefonia fixa. Tudo faz crer que Graham Bell já cumpriu o seu papel.

Dou o meu testemunho de que a ausência deste aparelho me garantiu (e ainda o faz) uma boa sobrevida, pelo fato de não mais me fazer despertar com os olhos esbugalhados e o coração saindo pela boca, toda vez que aquele estridente e desesperador TRIMMMMMMM era ouvido. Ufa!!

Atualmente, na cabeceira, além dos remédios e de uma garrafa d’água para o refluxo, apenas uma pequena caixa de som JBL – bluetoothizada ao meu iPhone – ambos sintonizados ao piano de George Winston, ou equivalente.

Toda essa moderna tecnologia me encanta. Embora não dominando 100% os equipamentos, perco o sono quando percebo como é fácil, rápido, e silencioso, negociar com Melki a compra e recebimento dos produtos.

Tudo via WhatsApp, PIX e Motoboy (perdoe-me, meu bom Ariano Suassuna!).

“Bom dia, Melki! E aí… tem coisa boa pra mim”?!

“Tenho sim, doutor. Estou com: Robalo, Garoupa, Cioba, Dentão, e Caranha”.

  • [neste ponto, cabe a explicação de como a nomenclatura de peixes é variada. Muitas vezes está na dependência da região onde é mais comumente encontrado. Em outras, é caracterizado por sinais estéticos assimilados por pescadores da região. Sem dúvida, trata-se de um grande aprendizado].  

“Como eu consigo um Linguado, amigo”?!

“Doutor, por aqui é muito difícil. É peixe de outras águas. Se aparecer eu ligo para o senhor”.

NÃOOOO! (teclei em caixa alta e negrito, talvez ainda resquício da telefonia fixa!), melhor você mandar um Zap. Hoje vou querer a Garoupa… pode fazer o filé. Mande separado a cabeça e a espinha dorsal… para o pirão”.

Pronto! Negociação feita com sucesso e pagamento realizado via PIX.

Melhor que isso, somente o silêncio matinal, a confiança no amigo peixeiro, e a moqueca de logo mais.

Bon appétit!

o peixe, Melki e eu
a moqueca