Arquivo para junho \30\America/Recife 2020

30
jun
20

julho/20: abrir ou fechar, eis a questão!

espanhola

 

Entramos em julho. Sétimo mês de um ano que teima em não querer acontecer.
A sua chegada se dá em obediência à ordem cronológica preestabelecida pelo calendário gregoriano. Já o seu nome, presta homenagem ao grande ditador romano Júlio César.
Enquanto o “até tu, Brutus?!” não é ouvido, vamos torcer para que o mês 7 de 2020, seja conhecido como o mês do livramento dos mascarados brasileiros… e mundiais.
Tal expectativa, infelizmente, foge da lógica científica.
Este nosso, hoje, maior desejo coletivo – #sairdecasacomsegurança – está mais calcado no cansaço da população que sobrevive ao compulsório regime semiaberto, do que na escassez de notícias alvissareiras (e verdadeiras) sobre a chegada da sonhada vacina… ou mesmo, de algum pó de pirlimpimpim.
Como era esperado, a “etapa de reabertura das atividades” tornou-se um verdadeiro samba… atonal e descompassado.
Acordamos com as notícias daquilo que vai abrir, mas, logo após o almoço, somos informados que não vai mais abrir. Fecha!
Por aqui, em minha cidade, se Hamlet voltasse a encontrar Horácio, a este diria: ‘há mais mistérios entre o céu e aquele shopping, Horácio, do que pode imaginar a sua/nossa vã filosofia’.
O esdrúxulo encontro dos personagens shakespeareanos se daria no Retão de Manaíra, quando, de máscaras, Hamlet apontaria para o estudante Horácio, dizendo-lhe que aquele conceituado estabelecimento comercial havia adotado uma inacreditável linha imaginária, que permitia a um dos lados ABRIR* suas portas; enquanto o outro lado permaneceria FECHADO*.
[* vejam matérias explicativas no final do texto]
Tudo isso, sob o mesmo teto.
Tudo isso, muito acima da nossa vã filosofia.
Pelo andar da carruagem, tudo faz crer que – sem nenhuma conotação com acontecimentos político-sociais pela Abertura e retorno ao regime democrático (anos 80) – a nossa reabertura pós quarentena também se dará de baixo pra cima… com a população buscando o retorno às suas atividades profissionais de forma lenta, gradual e segura.
Se der, claro!
Porque… se esperarmos pelos nossos governantes, o atual estado de travamento da economia, clausura social, e achatamento da curva, somente será pensado no seu término, em período mais próximo das eleições.
Quem viver, verá… e votará!

 

 

25
jun
20

sobre coisas que jamais se viu

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Vou pegar carona no bom humor da cultura popular que se ocupa em listar as “coisas que jamais se viu”.

Deste acervo, surgiram: cabeça de bacalhau, santo de óculos, genro com retrato de sogra na carteira, chester vivo, o LOMBARDI (quando vivo…aquele do SÍLVIO SANTOS), entrevistado do Ibope, ex-corno, pai de pai de santo, e muitos outros…

A lista é grande, mesmo considerando o seu brutal cerceamento em nome do ‘politicamente (in)correto’.

Em tempos horríveis de pandemia, fico a imaginar o quanto essa lista pode ser aumentada… inclusive, sem muita preocupação com o politicamente correto, haja vista que é no atual cenário político brasileiro onde encontramos o maior nascedouro de incorreções.

Também pudera… temos 1 presidente, 27 governadores, 5.570 prefeitos municipais, 1.059 deputados estaduais, 513 deputados federais, 81 senadores, e mais de 57.000 vereadores.

É muito cacique pra pouco índio!

Todo este fantástico universo de gestores e parlamentares sabe que, a cada dois anos, pelo voto dos inocentes, a roda gira… fazendo com que essa gigantesca Torre de Babel possa vir a ter novos inquilinos, motivo de agonia para àqueles que teimam em acreditar na vitaliciedade dos seus aposentos; digo, mandatos.

Com toda essa gente [finalmente mascarados] falando sem parar; com toda uma mídia que tenta recuperar a sua irrecuperável credibilidade; com toda a indomável avalanche das fake news, fica muito difícil, quiçá impossível, surgir uma liderança/voz para chamar de nossa.

Isto posto… vamos dar a nossa contribuição na lista de “coisas que jamais se viu”, em tempos de pandemia.

  • Respiradores comprados de forma correta, com preço justo, e recebidos sem defeito e dentro do prazo;
  • Político que não mistura pandemia com palanque eleitoral;
  • Leitos de UTI´s em número maior que a procura;
  • Dados estatísticos da Covid-19, uniformes e fiéis à realidade dos fatos;
  • Distanciamento correto entre as pessoas nos transportes coletivos na hora de pico;
  • Ônibus, metrôs e trens perfeitamente higienizados em cada parada;
  • Obediência ao #ficaremcasa quando não se tem moradia digna;
  • Manter o distanciamento físico nas filas da CEF em dia de pagamento do auxílio emergencial;
  • Mesa diretora da OMS levando mais otimismo do que morbidade;
  • Consenso na prescrição de medicamentos contra o vírus sem o viéis da lucratividade financeira;
  • Eficiência na fiscalização do lockdown;
  • Ouvir alguém dizer ‘saúde’ após você espirrar;
  • Verificar no boletim escolar de seu filho que ele vai repetir a matéria após as aulas virtuais;
  • Passar um dia sem receber divulgações de lives;
  • Participar de reuniões on-line sem estar à vontade da cintura pra baixo;
  • Perceber nas atitudes solidárias/humanitárias mais discrição e menos auto-promoção (@dadanovais) 
  • Constatar a ausência de humanos nas paradisíacas praias do nordeste brasileiro, em nome da ‘promoção da saúde’ (@rossanolucena)
  • … [espaço aberto para as sugestões]

 

Por último, fica a certeza de que tudo isso vai passar.

Enquanto aguardamos por dias melhores, continuemos acreditando e praticando o SORRISO… pois sempre será a nossa melhor vacina.

Avante!

12
jun
20

admirável mundo novo pedagógico

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Foi de fato uma grande experiência para mim.

Considerando os meus cabelos brancos, prolapsos, e outras arritmias, posso até dizer: ufa, escapei! 

E mais… pegando carona na minha fração sadomasoquista ouso também afirmar que gostei pra caramba!

Convém fazer o registro que a citada experiência é bem recente. Teve origem após o #fiqueemcasa planetário.

Além do meu confinamento, eu também possuía o plus(?!)de estar inserido no grupo de risco dos idosos… fato que, emprestou ao desafio um certo grau de paranormalidade, posto que, para a sua elaboração, era necessário que eu transitasse entre o mundo real, e o mundo virtual.

Explicar é preciso.

Como professor universitário, sempre tive prazer de interagir com meus alunos. Para mim, sala de aula é extensão da minha casa.

Mesmo estando próximo de me aposentar, o honroso ofício de ‘ensinar e aprender’ sempre me pareceu leve. O contraponto do ‘peso’ na docência é dado pelo amor ao ofício.

Acontece que o tal do coronavírus fechou as salas de aula. As minhas, as dos meus colegas, as dos colégios dos meus netos, e de todas as instituições de ensino do Brasil.

Tal situação já vai para quatro meses… e o fator ‘tempo’, para quem já está no outono da vida, tem um (agora sim) ‘peso’ diferenciado.

Uma vez que ‘ciência & educação’ não podem parar, os vocábulos sofreram uma grande transformação, inclusive com uma volumosa adoção de palavras estrangeiras que fariam o nosso Ariano Suassuna pirar de vez.

Presencial, deu lugar ao virtual.

Quer falar com alguém?! Faz uma live, ué!? Ou senão, passa um zap. Ou até um chat, seu chato!

Sala de aula, agora tem que ser aberta via plataforma digitalZoomGoogleMeet, e outras… cada uma, com as suas senhas, são ambientes coletivos para os EAD´s… a bola da vez.

Você vai primeiro no website, depois clica no link da aula. Se você já estiver logado, é somente entrar. Senão você volta e faz o login. Está tudo nos tutoriais que foram previamente enviados… e por aí vai! Ou não!!

Participei das reuniões “on-line” do meu Departamento voltadas para definir o modus operandi do novo modelo de ensino. Apareci, na minha tela e na dos meus colegas, de cabeça pra baixo… pois a minha webcam me enxergou, talvez, como um morcego. Motivo de risadas, claro.

Mesmo com todo o sangue concentrado próximo aos escassos neurônios, eu estava ali… aprendendo novos termos, como atividades síncronas assíncronas. Confesso até que eu estava achando interessante o tamanho do desafio.

Principalmente, quando ouvia dos meus pares, que a nova ferramenta de trabalho era desconhecida para a grande maioria deles (docentes), e também para os alunos. Eles continuam generosos para comigo.

Somos cinco na minha disciplina: Rejane, Karina, Ednara, Eliziane, e eu. Optamos por inserir uma atividade no modelo virtual, e passamos a nos reunir pela plataforma Zoom, no sentido de elaborarmos uma programação para os alunos do 8° período.

Na véspera da aula inaugural, consegui resolver o meu problema de estar plantando bananeira. Não ia dar certo me apresentar aos alunos de ponta-cabeça. Afinal, toda experiência, para ser exitosa, tem que vir recheada de estresse. No pain, no gain… costuma-se dizer lá na matriz.

Consegui dar a minha aula apenas olhando uma tela, sem saber quem estava do outro lado. Talvez por isso, aconteceu uma vontade maior de explicar os quadros… e sempre fazendo a pergunta: – tem alguém por aí??Felizmente, tinha.

No período de confinamento (ainda vigente), foi possível amadurecer a ideia de ‘vida de aposentado’. Meio que vivenciando uma espécie de ‘laboratório’. Vou aguardar para o ano que vem… pois fica difícil me despedir dos colegas e alunos com um abraço tão somente virtual.

Vamos em frente, gente!!

  • [dedico esse texto aos meus alunos, às minhas colegas de disciplina, e aos demais professores do Curso de Odontologia da UFPB]

 

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print primeira aula Orto UFPB - Google Meet (1)

docentes orto pb

 

ponta cabeça