Faz tempo que passei dos 60’.
Felizmente, bicho!… Dirão os jurássicos sobreviventes da minha geração.
Essa tribo maravilhosa, nascida no pós-guerra, viu chegar o rádio transistor, o controle remoto, o contraceptivo oral, o cartão de crédito, a meia de náilon, o biquíni, o jeans, e até o estilo beatnik… precursor do movimento hippie. E haja rock and roll! E haja peace and love!
Natural, portanto, que muitos dos velhinhos de hoje sintam-se ’em dia’ com essa atual modernidade e tentem acompanhar a louca velocidade dos avanços tecnológicos deste admirável mundo novo.
Tentem, apenas!
Teimosamente, e por influências de filhos e netos, seguimos dedilhando os nossos Smartphones e nos encantando quando chamamos o Uber que nos leva, via Waze, por caminhos nunca d´antes percorridos.
Igual espanto é sobre a didática empregada pelos jovens nas ‘aulas’ sobre como usar os equipamentos: tudo é transmitido em velocidade estonteante, vocabulário específico, e sem a utilização de nenhum livreto do tipo “manual de instruções”.
“-Vô, vai teclando que no fim dá tudo certo!”.
“-Mas… e se não der?!”
“-Vai no Google, ué!?”
Sorte que sempre dá certo!
Pelo visto, tudo indica que teclar ficou mais preciso que viver.
Infelizmente, com todo este avanço, o mundo vem ficando muito sem graça. Adianto que não são palavras senis… de quem está mais próximo da porta de saída. Sou otimista, sou brasileiro, sou avô!
Quero um mundo com falésias preservadas e muito melhor para os meus netos. Mas parece que não é este o panorama que se descortina.
A onda do coronavírus é assustadora… tanto quanto a sua onda preventiva. Quem tem mais de 60’, ou tem os olhinhos puxados, atualmente é visto como alguém que exala enxofre. E se espirrar ou tossir, melhor correr… pois pode ser linchado por agentes da saúde.
Na falta de leitos em hospitais, alardeia-se para que ninguém saia de casa… por hora, nem para orar!
Muito triste verificar que estados como São Paulo vão fechar escolas e creches públicas dentro de poucos dias. O intervalo entre a pretensão e ação, é para que as mães se organizem com quem vão deixar as suas crianças, mas faz um alerta: não poderão ser deixadas com os avós!
Essa notícia foi lida para mim pelo meu neto, em seu smartphone. Com os olhos umedecidos, respondi-lhe: “-Acho melhor consultar o Google, né não?!!”
Penso que é hora de refazer meus planos de chegar aos 80’.
O último a sair, favor apagar a luz.