Arquivo para fevereiro \24\America/Recife 2020

24
fev
20

toca mais, Báu!

formosa lalaGuardo simpatia gratuita pela ‘riqueza social’ de cidades portuárias.

Acredito que a natural atração se deva ao fato do mar ter sido um parceiro sempre presente… do meu nascimento até os dias atuais.

Ainda bem, pois, para viver, navegar se faz preciso.

Estou convicto de que tamanha afetividade não foi trazida apenas pelas águas dos oceanos.

Veio também navegando pelas leituras do amado Jorge Amado; do Ernest Hemingway; do Victor Hugo; do Amyr Klink; pelas músicas do Caymmi; pelo cais do Milton; pelas coxas da Ana de Amsterdam, do Buarque; e por muitos outros ventos soprados…

Nesse contexto, e pela proximidade geográfica, é natural que eu aporte em Cabedelo. Onde me encontro neste carnaval, 2020.

Fui apresentado às riquezas (e folclore) de Cabedelo pelo saudoso amigo-irmão @robertotanouss. Nada melhor, pois o querido parceiro era filho de Seu Tom, cabedelense da gema e grande referência na cidade.

Fácil entender que, em plena adolescência e vivenciando os belos veraneios de Camboinha, corremos o risco de nos transformar, juntamente com outros amigos*, em personagens jorgeamadianos.

E tome conhecer a noite de Cabedelo! E tome Lloyd Bar, e tome Sumé, e tome Palhoça Verde, e tome encontros e desencontros com figuras incríveis… como Báu, e o seu pandeiro.

Báu, à época, perambulava pela noite. Chegava sempre batucando o seu instrumento. Sentava junto e ficava… principalmente se tinha bebida à mesa. Sempre tinha.

Tudo isso, hoje, está nas gavetas da memória.

Recentemente, tive o prazer de reabrir uma delas, quando, fazendo compras no Mercado Municipal de Cabedelo, enquanto examinava os peixes, ouvi as batidas de um pandeiro chegar perto de mim, com uma calejada voz: “♫ nunca vi fazer tanta exigência…♪”. Era Báu, claro!

Olho no olho, ficou a impressão de que ele havia também me reconhecido.

Graças à minha assiduidade no Mercado de Peixes, esses sonoros encontros com Báu e seu pandeiro se tornaram frequentes.

Ele encosta e só sai de perto quando recebe algum trocado. Também auxilia na escolha do peixe. Com ele aprendi a jamais comprar o que ele indica. Tenho acertado.

O papo com ele também é bom!

Báu, tem visto Tom?! – Nunca mais, rapaz. Depois que ele se aposentou… sumiu!

Báu, lembra de Seu Zequinha Peregrino, Dona Alba, Roberto Lyra, Celinho?! – Todos morreram! Estão lá no céu… tocando, cantando, sorrindo e nos esperando!

– Tens visto @valeriaperegrino?! – Essa eu vejo de vez em quando. Está só curtindo as netas lindas!!

É isso aí, velho Báu!

Ontem, deixei Lala esperando os camarões serem descascados e fui cuidar de outras compras. Ao regressar, vejo Báu tocando e cantando para a minha esposa: “♫ de noite, eu rondo a cidade a lhe procurar …♪”.

Oxente, velho Báu!!

 

* Para: Juca, Fábio Peixe, Toinho… e muitos outros capitães de areia.

báu

ze mario

José Mário Espínola: “Ricardo, por coincidência, conheci Báu no dia seguinte à sua crônica. Uma figura!”

 

16
fev
20

um acaso chamado Milena

MIL E EUFaz muito tempo que a regra é clara: ‘se nasceu, e ainda sobrevive, considere-se no lucro’. Simples assim?!

Nem tanto! Sabemos que, para atravessarmos o primeiro trecho da caminhada, temos que contar com mãos que, além de apontar a direção a seguir, nos ajudem/ensinem a pisar.

E a levantar… pois são muitos os tropeços deste finito percurso chamado Vida.

Escrevo com V maiúsculo, pelo simples fato de desconhecer um bem maior.

E também por entender que esta é a condição básica para ‘corrermos atrás’ de valores que nos permitam o bônus da boa qualidade de Vida.

Ora direis que a conquista deste sonhado patamar não depende exclusivamente de nós, mas sim da sorte de cada um.

Muita calma nesta hora!

Atribuir que o destino de cada um está na dependência exclusiva da roleta da sorte, é o mesmo que decretar a falência do nosso modelo de sociedade, onde o direito à Vida (e à sua plenitude) está assegurado em nossa Carta Maior.

Enquanto o cassino social brasileiro se ajusta, continuemos fazendo a nossa parte… como filhos, irmãos, amigos, pais, e até avós.

Continuemos estimulados pelo poeta Vinícius, quando diz, via Samba da Benção, que a ‘Vida é a arte dos encontros, apesar de tantos desencontros’.

Continuemos aplaudindo a atitude de Paulo, quando me trouxe Milena, esta filha maravilhosa que me reacende a fração adormecida de pai, com o bônus da oportunidade de enxergar novos caminhos.

Continuemos…

 

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