
Não sei bem quantas reuniões e eventos a nossa turma realizou após o encontro de 2005, comemorativo aos 30 anos de formados. Sei apenas que MARIA AMAZILE FERREIRA DE ARAÚJO RAMALHO (nêga Má) participou de todos, ou quase todos. Juntamente com outras/os colegas ela sempre esteve na ‘linha de frente’ das organizações. Mas não ficava por aí: ela sabia a hora certa de chamar a atenção quando alguma coisa saía do controle. E como saía! Sabia também aplaudir quando as promoções davam certo. E como davam! A nêga Má foi talvez a pessoa que melhor incorporou a importância da união dos colegas. Sua noção de ‘grupo’ era fantástica! Possuía fuso horário próprio, pois não se importava se era dia, noite, ou madrugada para fazer suas ligações todas as vezes que se lembrava de algo importante para dizer. E como lembrava! Sempre trabalhou no sentido de trazer os colegas que estavam mais distanciados das confraternizações, argumentando com absoluta propriedade a importância de ‘celebrar a VIDA’. E como soube celebrar! Se a festa era à fantasia, ela era a primeira a chegar… sempre bem produzida! Se fosse pra dançar samba, frevo ou rock…ela tirava os sapatos e fazia inveja a qualquer Carlinhos de Jesus. Sempre sorrindo, vale lembrar! E como a sua risada era gostosa! Não é à toa que ela sempre aparece em quase todas as 7.579 fotos e 837 vídeos que fazem parte do acervo da turma. Falando em fotos, lembro que em 1975, pouco antes da nossa formatura, ela me acompanhou (ambos de branco) até o comércio da cidade baixa, onde íamos comprar algo para as festas de colação de grau. Lá, na Praça Pedro Américo (em frente ao Teatro Santa Roza), convidei-a para tirarmos um retrato (sim, o nome era este…não existia selfie) com um daqueles lambe-lambes. A pequena e grotesca foto eu não sei por onde anda…acho que ficou com ela. Pouco importa…o que vale é a gostosa lembrança que hoje me invade das boas risadas que demos no local. Sempre foi a amiga-irmã que sabia ouvir, para só depois falar. Comigo, sempre foi das primeiras a dar um abraço franco e sincero em momentos em que você está a precisar de um abraço franco e sincero. Muitas vezes até o amplexo vinha com o bônus de um sussurro: “se você está feliz vá em frente, amigo!”. Valeu, neguinha! Por tudo isso, quando soubemos que nêga Má ficou acometida de grave enfermidade, todos nós (turma Odonto/75) tivemos a certeza de que ela – juntamente com seus familiares – enfrentaria a doença com altivez, valentia e serenidade. E assim aconteceu, a julgar quando nos fez a surpresa de chegar no café da manhã do Mangai (16/12/2017), por ocasião de nossa confraternização. Chegou elegante. Chegou chegando! Foi se despedir do pequeno grupo de amigos? Talvez! …mas pelo sorriso e luz trazidos por ela, fica pertinente para todos, dizer uma só frase: “a gente logo vai se encontrar, nêga Má! Até breve, querida!”
*nota: optei por não utilizar parágrafos. Preferi ir direto, seguindo o fôlego da emoção.
CD Ricardo Lombardi





