27
maio
15

no meio do caminho tinha uma árvore…

No meio do caminho tinha uma árvore…ÁRVORES E ASFALTO

Já faz muito tempo que nós, habitantes da cidade de João Pessoa, convivemos com a ideia de que moramos na “segunda cidade mais verde do planeta”. Sim, há controvérsias quanto a veracidade do verdejante título. Há quem diga até, que a menção foi originária de uma jogada marqueteira para elevar a capital paraibana no cenário turístico brasileiro.

Pelo visto, colou! Assim ou assado, o fato é que passamos a nos envaidecer com o honorífico rótulo e nem sequer fomos pesquisar a sua legitimidade; até porque a ‘nova’ qualificação nos catapultava para um plano internacional, planetário, e muito superior à modesta condição de ‘capital das acácias’ – esta sim, verdadeira!

Evidente que, inexistindo contestação, e já respirando o superávit de sombras e fotossíntese, preferimos não mexer no assunto. Afinal, só perdíamos para Paris – c’est la vie, mon amour!

Pena! Já diziam os antigos: o preço do bônus é a eterna vigilância!

Como tudo que nos é dado gratuitamente (no caso, sem ter havido sequer a necessidade de arar e cultivar a terra), parece que ficamos desleixados com atenções básicas à natureza. Ou, quem sabe, já nos acostumamos a preferir tons de cinza, ao invés de verde.

Por aqui, se o que mais importa é a mobilidade urbana, danem-se canteiros e árvores. Se o que mais queremos é chegar com mais rapidez, façamos viadutos e sequemos rios… se é que sobrou algum com água (limpa).

Calma, gente! Não estou sendo contrário ao desenvolvimento urbano. Estou apenas apavorado com a falta de planejamento para alcança-lo. Não me venham com o argumento de que ‘para cada árvore arrancada, outras tantas serão replantadas’.

É falso! Não podemos esquecer que ÁRVORE tem VIDA, e algumas das espécies ceifadas eram (vidas) centenárias. Vingaram porque venceram um solo arenoso e, mais recentemente, o CO2 dos carros. Significa dizer: não podemos afirmar que outras mudas vencerão tais condições inóspitas, muito menos que nós –na pressa diária– tenhamos paciência para esperar mais cem anos.

Também tivemos vidas/árvores como CARLOS DRUMMOND e HERMANO JOSÉ. Ambas quase centenárias, frondosas, e que deram excelentes sombras e frutos. É possível que outras surjam. Iguais?! Melhores?! Não sabemos! Fica apenas a lembrança, a saudade, e a certeza de que: se no meio do caminho tiver uma árvore… faça uma curva, ora! Oremos!

CD Ricardo Lombardi

  • Créditos: a foto ilustração foi trazida por Domingos Nicola Delgado Porto. Valeu, Mingo!

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