Arquivo para maio \28\America/Recife 2014

28
maio
14

de grão em grão…

de grão em grão…maio 2014

 

Sem medo de errar, afirmo: ‘não existe um professor que não tenha sido aluno’. Posso até avançar dizendo que os melhores professores que conheci, jamais abdicaram desta condição antecessora aos seus voos docentes.

Em síntese, e já pedindo desculpas pela citação nem um pouco acadêmica: ‘aluno e professor são farinhas do mesmo saco’. Alguma dúvida?!

Sendo verdadeira esta premissa, entendo que o atual movimento grevista dos alunos de Odontologia da UFPB, merece uma atenção mais especial de nossa parte, professores do curso. Principalmente pelo motivo principal e deflagrador da paralisação: inexistência de AULAS PRÁTICAS [fato gerado pelo não funcionamento do serviço de esterilização das clínicas-escola, em consequência da greve dos funcionários].

Compreendo que AULA, é o elemento que faz a liga entre Ensino & Aprendizado. Tratando-se de um curso onde o exercício prático é fundamental ao aprendizado teórico, a ausência desta atividade pedagógica -inclusive estendida em atendimentos à população- inviabiliza o compromisso institucional na formação de BONS profissionais. E isso, enquanto professor, me diz respeito!

Outro ponto que merece destaque, é que os alunos – vitimados pela ausência de aulas práticas – aproveitaram para, de maneira responsável e civilizada, fazer e apresentar um levantamento das condições físicas e funcionais do nosso curso. Nesta apreciação, sempre estiveram conscientes da escala de prioridades que cada um dos itens deveria ocupar.

ERGONOMIA do SISTEMA – passou a ser um valor agregado! E desejado por todos!

Sei que alguns podem pensar que eu estou ‘fazendo média com a greve dos alunos’. Fico tranquilo e na paz: os que me conhecem, sabem que só me manifesto em causas que acredito. E com palavras que, preferencialmente, me sustentem o bom argumento e a razão.

Sendo apenas um grão de ‘farinha do mesmo saco’, estou externando que este desafio é nosso. E mostra-se pequeno, frente à nossa capacidade de -juntos- encontrarmos soluções.

 CD Ricardo Lombardi – um grão velho, metido a semente/

 

 

25
maio
14

sobre o ‘duas vezes não se faz’

Um pouco mais sobre a Barreira do Cabo Branco/barreira lelé

Tenho em casa o curta-metragem “duas vezes não se faz”, brilhantemente elaborado por Marcus Vilar e Durval Leal.

Feito em 2008, o documentário é sempre exibido em minha residência, quando recebo amigos de fora que, após o imprescindível city-tour pelo “extremo oriental das Américas”, ficam negativamente impressionados com a pouca conservação do local. Ou, se preferirem, com a falta de melhor aproveitamento sustentável do mesmo. Ou ainda… com o descaso!

Ultimamente, o filme-poema tem sido muito apresentado. Tanto pelo aumento de turistas, quanto pelo incremento de suas perplexidades.

Na última reunião do Grupo Amigos da Barreira (GAB), tivemos a exibição do vídeo com a grata presença dos seus criadores – com direito, após a projeção, de batermos papo com os mesmos.

Não deu outra: entre os presentes, quem nunca tinha visto o vídeo, ficou emocionado. Quem já o conhecia, voltou a engolir no seco.

POR QUÊ O SILÊNCIO?! É a pergunta que sempre fica no ar!

Todas as (tentativas de) respostas já caducaram, desmoronaram, ou estão a caminho. Todas elas permeiam entre: ‘…é uma falésia, solo arenoso, sem muita sustentação’; ‘…o tempo e o homem predador, removeram a vegetação da encosta, suporte natural contra a erosão’; ‘…erosão do terreno, avanço do oceano, ventos e chuvas, e tráfego intenso e pesado, são os grandes responsáveis pelo esfacelamento’… profetizam os mais apocalípticos, enquanto segue a cantilena…

Mas…POR QUÊ O SILÊNCIO NO SÉCULO XXI?! [peraí, vamos debulhar a pergunta]

Por quê o silêncio em uma época onde vemos que o tema ‘MEIO AMBIENTE’ é um dos mais debatidos no planeta?! Por quê o silêncio em uma época onde contamos com grandes estudos e recursos da ciência humana – notadamente na construção civil – capazes até de plantar coqueiro em pedra?! E agora as duas últimas perguntas: POR QUÊ A APATIA DE ACHAR QUE ESTE ASSUNTO NÃO LHE PERTENCE?! POR QUÊ AINDA PERDURA O RECEIO ‘POLÍTICO-FUNCIONAL’ DE SE ENVOLVER COM A QUESTÃO?!

Marcus Vilar trouxe e distribuiu entre os presentes o cartaz de divulgação do filme (foto). Disse-me, enquanto apontava uma das crianças: ‘este aqui é meu sobrinho que, hoje, é um adulto jovem’.

Que pena Marcus (pensei): seu sobrinho tornou-se eleitor, continua sem respostas e mantém-se INDIGNADO!

Por último: a finalidade do GAB não é encontrar culpados, mas sim – e rapidamente – buscar soluções. Junto com VOCÊ, claro! 

Ricardo Lombardi de Farias / cidadão brasileiro-nordestino-paraibano-pessoense

duas vezes nao

zarinha debate

GABGAB

23
maio
14

no alvo

NO ALVOpasseata

Escrever para mim é puro prazer. Ainda mais tendo pela frente um ‘mote’ bastante fértil em oportunizar múltiplas abordagens: a greve dos alunos de Odontologia da UFPB.

Em uma das recentes assembleias pertinentes ao movimento, um antigo bordão voltou a ser mencionado: ‘greve de alunos é meio que tiro no próprio pé!’. Sorte que os alunos odonto-paredistas não deram ouvidos: o projétil passou longe dos pés e [melhor ainda] acertou na mosca. Pow!

O estampido acordou a todos; inclusive gestores e professores. Como primeiro efeito impactante, veio a constatação de que o ‘alvo’ já estava entre nós há bastante tempo e que tinha se proliferado absurdamente: tal qual um biofilme em boca mal higienizada, para melhor compreensão.

Cabe a pergunta: ‘por que então somente agora, após o tiro, houve um despertar para o mesmo?!’. Ao invés de buscarmos respostas plausíveis, melhor assumirmos que a velha rotina e os inúmeros afazeres diários aumentaram o nosso grau de miopia seletiva. Ou então, entramos coletivamente em estado de letargia burocrática – cujo principal sintoma é a apatia frente ao inaceitável, no errôneo pressuposto de que… ‘algum setor deve estar cuidando disto’.

Com muita coerência e senso de responsabilidade, os alunos estão dando uma AULA cujo título bem que poderia ser: “Toda cura começa com um bom diagnóstico”. E curar é preciso! E de cura entendemos!

A exemplo de filhos adolescentes, eles estão mostrando aos seus pais (entenda-se: nós professores e gestores) acertos/ajustes que devem ser urgentemente implementados na recuperação física e funcional da nossa casa (Odonto/UFPB).

A família agradece!

CD Ricardo Lombardi

20
maio
14

a odonto é de quê?!

– A ODONTO É DE QUÊ?

– DE LUUTAAAA!abrir a boca

 

E LUTA começa com ATITUDE!

Na verdade é isso – apenas isso – que está acontecendo com o movimento organizado pelos alunos do Curso de Odontologia da UFPB: ATITUDE!

Atitude de não mais tolerar a intermitência antipedagógica de receberem excelentes aulas teóricas e, na continuidade, se verem sedentos pela ausência de suas equivalentes complementações práticas: laboratoriais ou clínicas.

Se fosse um banquete, era como se eles tivessem experimentado um saboroso antepasto, e depois ficassem com água na boca pela ausência do prato principal. Sobremesa?! Por enquanto, nem pensar!

O exemplo foi feliz! Afinal… de boca e mastigação eles entendem. O difícil para eles, e para os seus professores, está sendo digerir, por conta da greve dos funcionários, o fechamento dos setores de esterilização que impedem os atendimentos clínicos.

Nada contra o direito de greve dos funcionários. Entretanto, TUDO contra a errônea interpretação de que os atendimentos em clínicas-escola não sejam considerados ‘serviços essenciais’.

Valei-nos, meu São Platão! Sendo esta a interpretação, poder-se-ia pensar em fechar as portas da nossa Universidade, pois nela, duas coisas não são tidas como fundamentais: ensino e promoção de saúde.

É contra isso (e outras situações vexatórias) que os estudantes de Odonto/UFPB, de maneira equilibrada e responsável, resolveram tomar a ATITUDE de PARAR – até o surgimento de um plano de ações emergenciais que restitua a normalidade de um curso tido como referência acadêmica no Nordeste.

O movimento recebeu o nome de GREVE pelo fato de ser a única forma da sociedade ouvir o GRITO -coletivo e uníssono- de pessoas que desejam, em seus juramentos de formatura, fazer Hipócrates voltar a sorrir.

Sigamos na luta!

CD Ricardo Lombardi

2a Assembleia dos estudantes de Odontologia/UFPB (Auditório de Fonoaudiologia, 19/5/2014)

2a Assembleia dos estudantes de Odontologia/UFPB (Auditório de Fonoaudiologia, 19/5/2014)

17
maio
14

UM FELIZ VELHO APRENDIZ

UM FELIZ VELHO APRENDIZgreve preto

Novamente, esta minha mania de gostar de escrever toda vez que ‘ideias e fatos’ começam a fervilhar dentro da cachola, faz com que eu volte a correr o risco de, pela exposição dos argumentos, patinar nas raias do ridículo e/ou perder algumas amizades.

Mas, vamos lá… acho que desta vez o risco é pequeno! Assim espero!/risos.

O ‘fato’ gerador da inspiração, foi trazido pela experiência de haver participado da recente Assembleia de Estudantes de Odontologia da UFPB, destinada a RECUPERAR FÍSICA E FUNCIONALMENTE AS CONDIÇÕES PLENAS DE ENSINO & APRENDIZADO [auditório de Fonoaudiologia/UFPB, 16/5/14].

O ambiente estava repleto. Sentei-me junto a outros colegas professores, logo me dando conta de que eu era o decano da plateia – fato que me encheu de satisfação.

Como professor, eu estava ali ‘aprendendo’ com jovens alunos. A inversão dos papéis encheu-me de orgulho. Pudera: vê-los explanar (com boa didática) sobre os pontos a serem analisados; assumirem o perfeito controle e disciplinamento das discussões; vibrarem com os gritos de luta; com os cartazes de reivindicações; com abordagens multicurriculares… fez o meu velho coração bater feliz.

Feliz pela oportunidade de testemunhar que a ‘célula aluno’ – sem desmerecer a nenhuma outra – é a mais importante no ‘organismo ensino’. Em qualquer nível, vale frisar! Assim como nós, professores, eles também são transitórios. A diferença está apenas na velocidade deste processo.

Diferente de nós, são eles que conhecem TODAS as portas e torneiras da Universidade. São eles que enxergam por nós, tudo aquilo que a rotina diária cuidou de não nos fazer enxergar. São eles os únicos capazes de quebrar a inércia do sistema, fazendo com que ‘regras e conceitos’ sejam revistos – preferencialmente com ética e civilidade.

Por último: são eles que nos dão o prazer de aprender a ensinar!

A luta continua! A Vida também!

CD Ricardo Lombardi

assembleia

I Assembleia dos Alunos de Odontologia da UFPB (auditório de Fonoaudiologia, 16/5/14)

04
maio
14

ele é chapa-quente

ele é chapa-quentechapa quente

Conheço o Damião bem mais do que ele a mim. Curto e como o que ele faz, sempre com absoluto controle e destreza. Melhor eu explicar: Damião é o cara que trabalha na ‘chapa quente’ de uma padaria na praia de Tambaú onde, sozinho, dá conta dos inúmeros e sobrepostos pedidos vindos de bocas e estômagos famintos. – “Um X-Tudo pra viagem / Dois americanos: um sem salada / Um misto com reino / Três pães na chapa com coalho e ovo, sendo dois mexidos /…” De ouvidos bem abertos vai executando o seu ofício com extrema habilidade, não se importando com a avalanche de pedidos. O baixinho parece saber que a fome tem pressa. O cara é quentura, literalmente falando! Hoje cedo, e novamente, sentei-me ao balcão. Fiz o pedido e fiquei curtindo o Damião que – sendo ambidestro e munido com espátula e faca – dava show de competência: quebra ovos com as duas simultaneamente. Enquanto aguardava meu café com leite, me deleitava com a performance do Dami da Chapa – assim chamado por alguns íntimos comensais. Durante todo o tempo, a vitrola do meu cérebro me fez ouvir a música ‘Gente’, de Caetano Veloso. Perfeito!

https://www.youtube.com/watch?v=nrzYbc3rWzc

Manhã de domingo com direito a desjejum em padaria é fantástico: é gente indo pra missa / é casal voltando de motel / é turista negociando com bugueiro / é bebum penitente levando bolacha pra casa (na esperança de não dar o inverso) / é atleta suado ficando reidratado / é policial passando o guardanapo para marginal / e é o gigante Damião, com espátula na mão, provando que gente é muito bom! Viva a Vida! Viva o pão na chapa nosso de cada dia!

Ele É o cara: Damião com a faca na mão. Ele É o cara: Damião…com a faca na mão!

CD Ricardo Lombardi