ONTEM///
quando pré-adolescente, nas cercanias da Rua Nova, tive o prazer de conhecer algumas figuras que ficaram indelevelmente marcadas como ‘pessoas iluminadas’. Uma delas, claro, foi o padre José Coutinho. Ou simplesmente ‘Padizé’; o padre dos pobres, desabrigados e desassistidos.
Ainda vive na memória, uma visita feita aos porões do anexo à Igreja de Santa Teresa de Jesus da Ordem Terceira do Carmo. O local era bem protegido [piso e paredes] por pedras: úmidas e grandes. Uma escadaria de madeira e a pouca luz do ambiente, perfaziam o cenário lúgubre ideal para atrair a curiosidade da molecada que habitava o centro histórico. Lá dentro, distribuídos em toscas redes, colchões de palha, camas de lona, dezenas de pessoas carentes recebiam atenção e comida. Sim, o cenário lembrava filmes bíblicos, como o épico Ben-Hur como exemplo.
HOJE///
esta semana fiz uma visita a uma pessoa minha internada no Hospital Padre Zé. Enquanto me dirigia ao leito e enfermaria indicados, veio comigo, de forma muito viva, toda a lembrança histórica acima descrita. Era como se, a cada passo, eu voltasse a percorrer corredores em silêncio. Os olhares dos desassistidos eram os mesmos. A fome, maior.
A emoção veio junto, como que me cutucando e dizendo: “ei, cidadão, por onde você andou esse tempo todo?!”. De fato, a visita ao local provoca em cada um, amargo sabor de conivência com o débito social. Também estimula em cada um, uma revolta com o eterno descaso com a saúde dos menos assistidos. Com a roubalheira de dinheiro público. Com a impunidade…
Não, não é “bolsa pra isso ou aquilo” que esses irmãos necessitam; mas sim dignidade e calor humano.
AMANHÃ///
em 2012, foi aberto pela Arquidiocese da Paraíba, o processo de beatificação e canonização do Padizé Coutinho. Com certeza, o papa Chico vai gostar. Nós também. Vamos correr com isso, não é pessoal?!
CD Ricardo Lombardi

