Arquivo para junho \24\America/Recife 2013

24
jun
13

entre ruas e arenas

ENTRE RUAS E ARENASgol e pow

Nos últimos dias, toda a mídia brasileira vem dedicando especial atenção a dois fenômenos: gol e pow!

O primeiro, todos conhecem: é bola na rede. Já o segundo, é fruto das redes e aqui citado em versão onomatopéica: é pau nas ruas!

Ambos pareciam esquecidos pelo povo brasileiro. Pareciam!

A carência de gol era devida aos pernas-de-pau que, juntos e nas arenas, demonstravam pouca noção de entrosamento coletivo. Quanto ao pow, veio traduzir a sonoplastia dos cassetetes em cima de jovens que, juntos e nas ruas, têm demonstrado perfeita noção de coletivo. E cidadania!

Logo se constatou que o som das ruas (pow), pela espontaneidade e volume de emissão, e pela necessidade vital-social de ser ouvido, ECOOU positivamente na sociedade brasileira – sempre desejosa de um país mais Digno, Ético, e Confiável.

Nas inúmeras reportagens sobre o ‘Grito das Ruas’, uma delas me encheu de esperanças: mostrava o bate-boca e bate-corpo, entre um grupo de jovens (legítimos protagonistas das manifestações), versus algumas dezenas de militantes político-partidários que empunhavam suas bandeiras, e proferiam seus credos.

Fora! Vocês não passam de oportunistas políticos! Nosso movimento NÃO DESEJA a presença de NENHUM partido político! Nossa única bandeira é a do Brasil, e quem está na liderança deste movimento é o POVO brasileiro!   No alvo! [comentaria Guilherme Tell]

Nós só vamos sair porque estamos em ‘grande’ minoria! Mas vocês estão errados! São amadores e vão precisar da nossa experiência nos movimentos de massa!  No Álvaro! [diria Adoniran]

A meu ver, essa troca de ‘amabilidades ideológicas’ entre as partes, não deve ser contabilizada como vandalismo; mas sim como uma bela demonstração de civismo.

Felizmente, foram-se as bandeiras!

Faz sentido! Enquanto POLÍTICA é arte ou ciência da organização, direção e administração de um Estado, de uma Nação; PARTIDOS POLÍTICOS (Robert Michels), são corporações que estão sempre sociologicamente ligadas a uma ideologia, porém, nem sempre essa ideologia é pragmática e/ou sociologicamente exequível ou viávelo que demonstra (Lauro Campos), que os chamados líderes partidários não se sintonizam perfeitamente com o povo.

Xô partidos! Acerta BRASIL!

CD Ricardo Lombardi

21
jun
13

e por falar em vandalismo…

e por falar em vandalismonas ruas

 

Governadores e prefeitos das principais cidades onde as manifestações do ‘Muda Brasil’ foram mais espetaculosas, estão hoje, via meios de comunicação, dando explicações à população sobre os movimentos de rua que tomaram conta do país.

Nas suas prestações de contas, houve o reconhecimento do direito às liberdades das manifestações democráticas, mas o foco principal restringiu-se a contabilizar e discorrer sobre os prejuízos materiais causados pela ‘fração bandida’ infiltrada nas passeatas.

Ora, ora, ora! Penso que ficou faltando nesta abordagem, uma leitura ‘política’ que abrace e interprete os legítimos anseios da população – manifestados pacificamente pela quase totalidade dos participantes, através de palavras de ordem proferidas e/ou conduzidas em milhares de faixas e cartazes. Isto sim, ficou bonito de ser visto!

A pequeníssima ‘fração bandida’ infiltrada nos movimentos é, tão somente, o reflexo daquilo que somos e estamos vivenciando enquanto sociedade, com a mais absoluta inversão de valores.

Há bastante tempo, o colossal universo de pessoas ‘do bem’ deste Brasil, encontra-se refém de uma minoria ‘do mal’. Assaltos, estupros, sequestros, assassinatos, balas-perdidas, são palavras que, pela rotina com que são usadas, ilustram a nossa triste realidade.

Hoje, o nosso direito de ir e vir clama por proteção divina! No plano terrestre, faz tempo, os serviços de segurança mostram-se inseguros.

Nos itens Transporte e Educação, a barbárie é a mesma: ônibus despencam de viadutos por conta de desentendimentos entre passageiros e motoristas; enquanto professores apanham e/ou batem em alunos do (des)ensino médio.

Ficar doente é desesperador! Não apenas pelo mal em si, mas pelo que nos espera na rede pública de assistência à saúde – com raras e honrosas exceções.

Dentistas passaram a ser queimados vivos, sem anestesia, pelo fato de andarem com pouco dinheiro nos bolsos.

É contra isso, e muito mais que isso, que fomos às ruas.

É curioso como as grotescas demonstrações de selvageria vistas nas recentes passeatas -e praticadas por indivíduos atípicos às mesmas- tenham nos permitido maiores intimidades com um verbo nunca dantes conjugado: ‘vandalizar’.

No sentido de melhor compreendermos a origem deste verbo [e dos vocábulos originados ao seu entorno] em sua relação com o nosso mais puro instinto predador, permito-me fazer uso da seguinte analogia:

  • Imaginemos que uma determinada passeata fosse exclusivamente composta de políticos brasileiros. Uau!
  • Certamente que a grande maioria dos participantes seria formada por políticos ‘do bem’ (sim, estou explorando o meu lado ‘velhinha de Taubaté’).
  • Mais do que certamente, logo surgiria a ‘fração bandida’ – nenhuma surpresa, não é?! Neste universo, a vandalização seria puramente previsível!
  • Na sequencia dessa marcha classista e polipartidária, logo esses representantes ‘do mal’ praticariam atos de vandalismo político que comprometeriam o lado bom da passeata, e principalmente da sociedade que está cansada de ficar observando.
  • Em sentido nada figurado, é mais ou menos isso, senhora presidente, o que ora vivenciamos com as presenças no cenário de:  Felicianos;  Renans; Sarneys; Malufs; Dirceus; mensaleiros;…êta nós… a lista é imensa!
  • Para o ‘lado bom’ da sociedade brasileira, a simples presença dessas personalidades na cena política e na ‘governabilidade’ do país, tem o mesmo efeito de uma pedrada atirada contra um dos nossos mais valiosos instrumentos de mudança: o título de eleitor.

Nosso momento é histórico!

A hora é muito favorável para DESVANDALIZAR o BRASIL!

CD Ricardo Lombardi

17
jun
13

acorda brasil! acerta brasil!

Acorda Brasil!

Acerta Brasil! muda brasil

São algumas das ‘palavras de ordem’ defendidas pelas manifestações populares, atualmente vistas nas principais capitais do país.

Não por acaso elas foram iniciadas quase simultaneamente ao apito do juiz, permitindo o pontapė inicial dos jogos da Copa das Confederações – espécie de ‘laboratório’ para a Copa do Mundo de 2014, ano de eleições.

Dentro da moderna arena Mané Garrincha: vaias, hinos, bola e gol. Do lado de fora: bala de borracha, spray de pimenta, e muita porrada. De um ponto ‘neutro’, o Galvão se esgoelando: – pra cima deles, BRASILLL!

Os apupos e os sopapos foram entendidos como acontecimentos ‘previsíveis’. Pelo menos na versão da mídia oficial que sempre faz uma leitura maniqueísta, onde o ‘mal’ está sempre jogando na retranca, e praticando o anti-jogo.

Parece que não é bem isso que estamos presenciando!

Se as ‘vaias’ foram compreendidas como oriundas de uma elite que pode pagar ingressos caros e está sempre de cara feia para os avanços sociais; do lado de fora quem levava bordoada eram pessoas mais identificadas com as bolsas-família e usuárias de busão. Portanto, em tese, deveriam pertencer ao lado do ‘bem’. Como tal, serem cortejadas com flores. Sem espinhos!

O movimento das ruas cresceu e amadureceu.

Não é apenas em torno do aumento de ‘vinte centavos’ nas tarifas dos transportes públicos, oh cara pálida! O fato é que esta moeda é mais uma gota d’água que fica entalada junto com a PEC 37; com a observação da farra na gastança do dinheiro público; com o superfaturamento de obras e subfaturamento de (alguns) salários; com os desvios nos desvios do São Francisco; com as constatações dos poucos compromissos com a Saúde, Segurança, Transporte e Educação; com a impunidade; e segue…

Fica, parece-me, uma certeza: O POVO APRENDEU A DISTINGUIR O PÃO, DO CIRCO!

Evidente que as construções das moderníssimas Arenas Futebolísticas -em tempo recorde e com débil controle financeiro- são provas inequívocas de que o CIRCO está armado. Pena que o fermento ali usado foi percebido como de qualidade muito superior ao injetado no PÃO nosso de cada dia.

Não há forno que aguente tamanha disparidade – grita o povo nas ruas!

Uma última e inocente pergunta [perguntar não ofende]: – e se Felipão não chegar à final?!

Ajuda aí, Galvão!

CD Ricardo Lombardi

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