Arquivo para janeiro \27\America/Recife 2013

27
jan
13

tragédia em sta. maria – lição a ser aprendida

TRAGÉDIA EM SANTA MARIA – LIÇÃO A SER APRENDIDAsta maria 2

 

Bem sabemos que ‘acidente’ não manda recado – o que é pena!

Curioso é que – APÓS o acontecido – fica inevitável, além da dor, convivermos com uma avalanche de matérias/reportagens sobre a tragédia.

Não faltam experts para defenderem a tese de que: ‘se providências corretas tivessem sido adotadas, o infortúnio não teria acontecido’. É meio que justificar o choro após o leite derramado, não?!

Neste apocalíptico contexto, ainda hoje proliferam depoimentos – técnicos ou não – que tentam explicar o inexplicável.

Como exemplos: os trajetos das balas que mataram os dois JohnsKennedy e Lennon; os inúmeros avisos de mortes anunciadas emitidos por Michael Jackson e Amy Winehouse; o avião da TAM que pousou, mas não segurou, em Congonhas; o naufrágio do Bateau Mouche; e segue a lista…

Nas coberturas das tragédias, nossos meios de comunicação já provaram que estão prontos para dar show de competência e profissionalismo, com elevação estratosférica dos níveis de audiência – fato!

Prova disso estamos assistindo agora com as matérias sobre o triste ocorrido na boite de Santa Maria/RS. Em todas elas, fica patente o descaso (negligência?) com as normas de PREVENÇÃO e SEGURANÇA – inclusive com superlotação e ‘portas fechadas’ para garantir o lucro financeiro do evento.

Em entrevista no local, o competente ministro da Saúde, Alexandre Padilha mostra serviço; falando dos esforços desenvolvidos para atender as famílias dos 232 mortos, e 116 feridos. Jovens como nossos filhos, em sua grande maioria!

Claro está que a fatalidade hoje ocorrida com os irmãos gaúchos poderia acontecer em qualquer outra cidade do Brasil – inclusive aqui, em João Pessoa!

A pergunta que não pode deixar de ser feita é: ‘SERÁ QUE NÃO É HORA DOS ÓRGÃOS RESPONSÁVEIS PELAS LIBERAÇÕES DAS LICENÇAS E ALVARÁS, PARA REALIZAÇÕES DE FESTAS, COMEÇAREM A CUMPRIR O SEU PAPEL PREVENTIVO E FISCALIZADOR?’

Responde a sociedade: – Sim, É!

CD Ricardo Lombardi

  • Tenho pelo amigo gaúcho Carlos Mundstock, muito respeito e admiração. Dele, acabo de receber e-mail tecendo considerações sobre o assunto. Pedi-lhe consentimento para aqui divulgar, no que fui prontamente atendido:

gauchos

09
jan
13

RÉVEILLON 2013…2014(?!), 2015(?!)…

RÉVEILLON 2013…2014(?!), 2015(?!)…insonia completa

 

Comecemos colocando em pauta duas frases para análise: a) – Os incomodados que se mudem! / b) – Os meus direitos terminam onde começam os seus!

Interpretando as duas sentenças, continuo torcendo para que a segunda ainda esteja assumindo uma natural prevalência pedagógica sobre a primeira. Tomara!

A presunção pode parecer inocente, mas possui lógica; na medida em que [antropológica e culturalmente] deixamos de ser um povo nômade e optamos pelo endereço fixo.

Este grande salto trouxe a reboque o estabelecimento de regras e princípios voltados na incessante busca de construirmos uma sociedade capaz de equacionar: respeito e liberdade.

É pena que a diuturna lapidação deste ‘modus vivendi’ seja intermitente. Pior ainda: que nos leve a cogitar se os nossos ancestrais nômades não eram mais felizes que nós – pelo menos nas comemorações dos seus réveillons!

Foram esses os pensamentos que me acompanharam na virada do ano. Assim como nas inúmeras viradas na cama, por conta dos decibéis emanados da festa que aconteceu no terreno do antigo Iate Clube* – situados [cama e terreno] em área residencial.

Sim, eu também gosto de Festa/s. E muito!

Lamento apenas não ter conseguido (ainda) assimilar a incongruência entre os que defendem o fortalecimento da campanha ‘Lei Seca no trânsito’; e as concessões para as realizações de festas no estilo ‘open bar’. Haja fígado!

Não vou entrar na discussão de um evento que já aconteceu e que parece ter sido um sucesso – principalmente comercial. Ao contrário: parabenizo os seus organizadores, pois acreditaram e investiram no ‘produto Festa’, e certamente atenderam a todos os requisitos para obtenção das licenças necessárias à sua realização.

Em minha opinião, este é o ponto a ser discutido: as concessões dos alvarás!

Para não me estender, faço apenas quatro perguntas aos ‘órgãos licenciadores’:

  • Foi considerado se o local da festa estava inserido em área residencial?!
  • Foram ouvidos e/ou consultados os moradores da vizinhança?!
  • Foi considerado o fato de que cada atração musical possui ajuste próprio de sonoridade?!
  • É possível estabelecer hora de encerramento, sabendo que está incluso um café da manhã?!

Vou começar a aprender com os meus amigos que, vivendo situações semelhantes, ficam fazendo ligações madrugada-a-dentro (do tipo Disk-Stress) para repartições/serviços como SUDEMA, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, etc…

Como ‘suíço’, sempre imaginei que essas instituições -investindo na logística da prevenção– fossem capacitadas a se anteciparem aos fatos, uma vez que são constituídas para: regulamentar, disciplinar, e garantir o direito ao conforto e segurança de cada munícipe – não importando se está dentro, ou fora da festa.

O SHOW deve continuar! O meu direito ao sono, também!

Caso contrário, volto a ser um tuaregue!

CD Ricardo Lombardi

(*) Usei o réveillon do Iate Clube como referência pela proximidade física. Entendo (e espero) que o conteúdo do texto sirva de reflexão para moradores de outros locais que convivem com este tipo de desconforto, aparentemente fácil de ser solucionado.