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Com Fafá, lembrando John e Tom

Com Fafá, lembrando John e Tom john e tom

 

Sou mais velho que Fafá. “Bem mais velho”, dirá ela quando tomar conhecimento desta minha contabilidade tendenciosa.

Sem problemas!

Para mim, não importa a margem de erro cronológico; mas sim o motivo que me fez lembrar desta ‘jovem e velha’ amiga: o dia de HOJE – 08 de dezembro! Ou, para ser mais preciso: John e Tom!

Sem mais divagar sobre diferenças de idades, o fato é que – não faz tanto tempo – nos conhecemos em uma época onde não existia: celular, internet, muito menos ‘redes sociais…virtuais’.

Como foi possível sobrevivermos sem isso?! Sei lá, ué! Apenas sei que sobrevivemos, e atualmente somos ‘facebookeiros / tuiteiros’ de primeira linha – agora sim, sem sabermos se este caminho permite volta.

E este é o ponto que me provoca a escrever o presente texto: a lembrança de como as notícias eram (e são) transmitidas nesses dois tempos; cuja distância não faz tanto tempo.

No passado, elas vinham pelo rádio! Quem primeiro ouvisse, tratava de ligar pelo telefone (aparelho fixo, acionado por discagem) aos amigos mais próximos para – lentamente – comunicar & comentar a novidade. Boa ou má, não importa!

Foi assim que, em dois oitos, de dezembros distintos, pelas ligações da Fafá, tomei conhecimento dos passamentos de John (1980), e Tom (1994).

Mesmo quando a notícia era triste, as ligações traziam certo alento. Havia uma cumplicidade entre emissor e receptor, no sentido de dividir o fardo.

“Como será que viveremos sem ele?!” – perguntava a minha amiga. As respostas eram buscadas a partir dali. Algumas, até hoje, nunca encontradas.

Acho que, de certa maneira, a universalidade dessa forma jurássica de ‘comunicar em rede (real)’ deve ter contribuído e despertado algumas das ideias (brilhantes e esfumaçadas) dos pré-adolescentes Gates e Jobs, visando a criação e materialização dos meios que hoje utilizamos.

É pena que, em detrimento do tempo real, da rapidez, e da capilaridade da notícia, perdemos o encanto de sua absorção. Refiro-me ao famigerado “curtir” (com o fatídico desenho do polegar pra cima), abundantemente acionado em redes sociais.

Hoje, acho que seria mais ou menos assim: por volta das 23 horas, o John Lennon levaria o tiro. Pow! Depois de cinco ou dez minutos, mais de 1.500.000 pessoas no mundo já teriam ‘curtido’ (?!!) o triste acontecimento. Vôte!! Curtir ‘o quê’, oh cara pálida?! A bala?! O sangue?! A queda?! Ou a ignorância daquele momento, tão igual a tantos outros agora presentes?!

Neste caso, a pressa parece não fazer jus aos sentimentos e votos universais de R.I.P. (Rest In Peace).

Sem curtição! Apenas com Imagine http://www.youtube.com/watch?v=yRhq-yO1KN8 e Passarim http://www.youtube.com/watch?v=P6BihqBdBAA

CD Ricardo Lombardi


4 Respostas to “Com Fafá, lembrando John e Tom”


  1. Avatar de Fafa 1 Fafa
    08/12/2012 às 23:43

    O fato “meu jovem”, velho amigo é que sobrevivemos à ausência…..Sobrevivemos ,pois em nossas almas permaneceu o encantamento pelo belo …Lembro bem quando ouvi a notícia :_Sabe quem morreu? John Lennon! Mas não deve ser verdade….
    Dei de ombros. Que história mais besta. Beatles não morrem, são eternos…Mas infelizmente a notícia se confirmou…No bar era Imagine, na loja era Woman, Starting Over e na rua Dream. Nas lojas de discos os lps de Lennon se esgotavam. Comprei Walls and Bridges e os dois primeiros dos Beatles. Além de um poster. Só se ouvia Lennon. Todo o tempo.

    A sensação foi terrível. Se Lennon não era imortal então todos podiam morrer. E nos anos seguintes se foram tantos… Todos os deuses eram mortais…
    Se Lennon continuasse a existir e completado seus 72 anos em outubro e o Tom tivesse alcançado a longevidade dos gênios, como Niemeyer, tudo teria sido diferente?… Se John não tivesse partido, quem sabe pudesse estar nos palcos com Paul?! Impossível?! Não sei. Não tem como saber.
    Hoje eu e você talvez estivéssemos ouvindo uma nova letra de John com acordes melodiosos do Tom, cantada pela Elis… Mas infelizmente, não foi o que aconteceu e a imagem deles ficará apenas na memória dos que viram e no coração de todos os que se encantaram.
    Só sei que agora, mais ainda do que antes, sinto uma enorme saudade. Sinto ainda mais saudade de uma época que foi a minha. E sinto uma enorme tristeza por saber que Lennon deixou esse mundo ainda com o coração de um menino Que pena!
    Li este texto em algum lugar e ele ficou marcado na minha memória, pois era exatamente isso que eu gostaria de ter feito:’Se eu pudesse criar uma máquina do tempo e viajar ao passado, minha primeira escolha seria assistir uma apresentação dos Beatles no Cavern Club, e assim que o show acabasse pegaria um vôo para os EUA, seqüestraria um criancinha chamada Mark Chapman, cortava-lhe os dez dedos das mãos e devolveria ao pais com um bilhete grampeado na bunda dele, ecrito: GIVE PEACE A CHANCE”.
    E assim entre choros e risos, perdas e ganhos, vamos levando adiante nossa vida, tranquilamente, agora com a rede nos unindo, afastando..”curtindo”.” É pena que, em detrimento do tempo real, da rapidez, e da capilaridade da notícia, perdemos o encanto de sua absorção”.
    Sorte nossa ainda termos sentimentos …E aproveito aqui neste texto saudosista para convidá-lo com todo sentimento para tomar uma sopa .Vamos? GIVE PEACE A CHANCE”.

  2. Avatar de Raissa Vilela 2 Raissa Vilela
    10/12/2012 às 08:21

    Texto mais que curtido “(com o fatídico desenho do polegar pra cima)” hahaha

  3. Avatar de Felix de Carvalho 4 Felix de Carvalho
    14/12/2012 às 17:51

    Caro Ricardo,
    Seu texto é oportuno e pertinente, na medida em que traz o passado para o presente, em um retrato de corpo inteiro. Esta é uma das grandes qualidades que venho observando em seus textos: resgatar o passado para confrontá-lo com o presente. Em consequência, as conclusões, as deduções e as reflexões são inevitáveis. Nesse aspecto, uma frase do seu texto merece especial destaque; “Mesmo quando a notícia era triste, as ligações traziam certo alento. Havia uma complicidade entre entre emissor e receptor”. E foi justamente essa cumplicidade, essa sensibilização, essa troca de emoções simultâneas que a modernidade da comunicação eliminou. Abraços.


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