Arquivo para 8 de dezembro de 2012

08
dez
12

Com Fafá, lembrando John e Tom

Com Fafá, lembrando John e Tom john e tom

 

Sou mais velho que Fafá. “Bem mais velho”, dirá ela quando tomar conhecimento desta minha contabilidade tendenciosa.

Sem problemas!

Para mim, não importa a margem de erro cronológico; mas sim o motivo que me fez lembrar desta ‘jovem e velha’ amiga: o dia de HOJE – 08 de dezembro! Ou, para ser mais preciso: John e Tom!

Sem mais divagar sobre diferenças de idades, o fato é que – não faz tanto tempo – nos conhecemos em uma época onde não existia: celular, internet, muito menos ‘redes sociais…virtuais’.

Como foi possível sobrevivermos sem isso?! Sei lá, ué! Apenas sei que sobrevivemos, e atualmente somos ‘facebookeiros / tuiteiros’ de primeira linha – agora sim, sem sabermos se este caminho permite volta.

E este é o ponto que me provoca a escrever o presente texto: a lembrança de como as notícias eram (e são) transmitidas nesses dois tempos; cuja distância não faz tanto tempo.

No passado, elas vinham pelo rádio! Quem primeiro ouvisse, tratava de ligar pelo telefone (aparelho fixo, acionado por discagem) aos amigos mais próximos para – lentamente – comunicar & comentar a novidade. Boa ou má, não importa!

Foi assim que, em dois oitos, de dezembros distintos, pelas ligações da Fafá, tomei conhecimento dos passamentos de John (1980), e Tom (1994).

Mesmo quando a notícia era triste, as ligações traziam certo alento. Havia uma cumplicidade entre emissor e receptor, no sentido de dividir o fardo.

“Como será que viveremos sem ele?!” – perguntava a minha amiga. As respostas eram buscadas a partir dali. Algumas, até hoje, nunca encontradas.

Acho que, de certa maneira, a universalidade dessa forma jurássica de ‘comunicar em rede (real)’ deve ter contribuído e despertado algumas das ideias (brilhantes e esfumaçadas) dos pré-adolescentes Gates e Jobs, visando a criação e materialização dos meios que hoje utilizamos.

É pena que, em detrimento do tempo real, da rapidez, e da capilaridade da notícia, perdemos o encanto de sua absorção. Refiro-me ao famigerado “curtir” (com o fatídico desenho do polegar pra cima), abundantemente acionado em redes sociais.

Hoje, acho que seria mais ou menos assim: por volta das 23 horas, o John Lennon levaria o tiro. Pow! Depois de cinco ou dez minutos, mais de 1.500.000 pessoas no mundo já teriam ‘curtido’ (?!!) o triste acontecimento. Vôte!! Curtir ‘o quê’, oh cara pálida?! A bala?! O sangue?! A queda?! Ou a ignorância daquele momento, tão igual a tantos outros agora presentes?!

Neste caso, a pressa parece não fazer jus aos sentimentos e votos universais de R.I.P. (Rest In Peace).

Sem curtição! Apenas com Imagine http://www.youtube.com/watch?v=yRhq-yO1KN8 e Passarim http://www.youtube.com/watch?v=P6BihqBdBAA

CD Ricardo Lombardi