Arquivo para dezembro \22\America/Recife 2012

22
dez
12

uma noite do caribe

UMA NOITE DO CARIBE aula saudade 2012 2 jsparrow

 

Das duas, uma: ou eu estava delirando, ou estava mesmo sendo abduzido para um mundo surreal. O fato é que, diante daquele enorme espelho, via-me, a cada cinco minutos, me travestindo em múltiplos personagens: Indiana Jones, bruxo Albus Dumbledore, Homem Aranha, Fred Flintstone, entre outros. Pintou até a Galinha Pintadinha! Credo!

Aos poucos, e após algum exercício de auto-concentração, fui saindo daquele tipo de transe. Isto é, a ficha foi caindo! Foi bom perceber que eu ‘ainda’ estava no planeta Terra. Mais precisamente em um pequeno quarto de uma loja de roupas de fantasias, em busca de escolher e alugar uma indumentária para o meu próprio uso, com vistas a participar da Aula da Saudade dos queridos formandos em Odontologia/UFPB, turma 2012/2.

– Pronto! É esta aqui! Não será mais necessário experimentar nenhuma outra! Exclamei resoluto, para Elizabeth Swann, a moça que me atendia. O traje escolhido caiu, literalmente, como uma joia dos mares do Caribe: via-me o verdadeiro Jack Sparrow!

Somente ‘via-me’; porque respirar estava impossível, tamanha a quantidade de alegorias e adereços que eram, para fins de produção, derramados sobre mim. O ‘peso’ da vestimenta era apenas um item. O outro era o excelente conforto térmico, concebido para levar e elevar o bem-estar de qualquer habitante da Sibéria, em época de inverno rigoroso!

Para melhor compreensão, segue uma breve descrição das peças e sequencia de ‘montagem’: a) veste-se a calça; b) calça-se as botas de cano longo; c) ensaca-se à calça: uma camisa e um colete; d) cobre-se com um gigantesco casaco – semelhante àqueles usados pelos mestres-salas do carnaval carioca; e) amarra-se fortemente à cintura três faixas de tecidos e texturas variadas; f) com a mesma delicadeza, uma bandana é atada à calota craniana; g) sobre esta, entala-se um chapéu de couro com tiras de lã que despencam de suas bordas até os ombros do usuário (eu!); h) nos espaços restantes (?!); lenços, colares, espadas, revólveres são distribuídos a gosto. Ufa!!

Eu estava convencido de que o amor pela turma de formandos era bem maior ao tamanho do desafio a ser enfrentado naquela noite que chegava muito rapidamente.

Após o banho, iniciei a produção. Toda a operação levou 27,5 minutos, mas o resultado final foi positivo. Confesso até que já estava incorporando o personagem Jack Sparrow, ao me dar conta, ainda diante do espelho e numa leitura narcisista, de que estava tentando emitir, com sotaque de pirata, algumas ‘frases de efeito’.

Tudo ia bem até o momento em que, atraída pelo estranho barulho, abre a porta Vitória, nossa secretária, que desconhecia por completo todo o esquema que soprava do Caribe.

Após os dez minutos necessários para que ela recuperasse os sentidos, contei-lhe, bem pausadamente, toda a história. Ainda trêmula, olhou-me desconfiada e esboçou um discreto e enigmático sorriso.

O desafio agora era: como sair do apartamento e entrar no carro sem ser visto por nenhum vizinho do prédio? Pedi a Vitória, já recuperada, que me acompanhasse, como batedora, até o veículo.

Faltando apenas um andar para chegarmos à garagem, o elevador para no mezanino. Putz! Prevendo que alguma coisa iria acontecer, estendo os braços e as pernas (estilo homem vitruviano), escondendo Vitória atrás de mim. A porta é aberta por dona Rosa, uma das moradoras que havia participado da reunião de condomínio realizada naquele pavimento. Portadora de severa miopia, não me reconheceu, mas liberou seu espanto em forma de um histérico grito: – CRIANÇAS A ESTIBORDOOO! Soltou a porta do elevador e, antes que todos os participantes da plenária descessem a escada, eu já estava dirigindo o carro e saindo do prédio. Ufa! Foi por pouco! Exclamei sorrindo.

Guiava o veículo muito concentrado em estabelecer uma velocidade que permitisse encontrar todos os sinais abertos. Impossível. Um pequeno acidente fez com que o tráfego fosse interrompido enquanto a perícia técnica finalizasse seu trabalho. Era a falência absoluta de todos os meus planos estratégicos para não ser visto por ninguém. Sorte que os vidros do carro eram escuros. Além disso, o senhor Sparrow estava todo camuflado, inclusive com sombra e rímel aplicados aos olhos.

Com uma lanterna vermelha, o guarda se direciona ao meu carro e faz sinal para que eu abaixe o vidro do motorista. Finjo não entender. Ele se inclina à minha porta e, com o foco de luz, gesticula, agora determinando, para que eu execute a ordem recebida. Atendo sua solicitação já explicando que estou a caminho de uma festa de formatura em que todos vão fantasiados, etc…

– DOUTOR RICAAARRRRDDOOOO! No carro ao lado, estava Priscila que, anos atrás, havia sido minha paciente. Como o trânsito estava parado, ela desceu do carro e pediu para que eu fizesse o mesmo, pois queria me dar um abraço e apresentar seu noivo, o Ted Elliott. Sem saída, desci do carro já ouvindo a algazarra dos passageiros de um ônibus parado a poucos metros de distância.

– DIGA AÍÍÍ, RUM MONTILA! – gritou um gaiato! Vindo do outro lado, escuto uma criança perguntar: – VOVÓ! POR QUE AQUELE HOMEM ESTÁ VESTIDO ASSIM? – SEI LÁ MEU FILHO! MAS FIQUE QUIETO QUE PODE SER SEQUESTRO!

A confusão aumentava: – Ô AVÔ DO BOB MARLEY, ONDE VAI SER A RAVE?! Zombavam alguns moto-boys. Percebi que a situação estava ficando insustentável, ao me tornar o centro das atenções, e de alguns flashes. Até o guarda pediu consentimento para tirar uma foto comigo.

Após o sufoco, cheguei ao local da confraternização ainda um pouco tenso. Mas logo me refiz ao encontrar, agora no mundo real: fadas, duendes, super-heróis, bruxos, homens das cavernas, borboletas, gatos, espadachins, gladiadores, gueixas, e todas as pessoas que projetam seus futuros sem abdicar da poesia do presente.

  • Turma de Odonto/PB 2012.2: Dedico esse texto a vocês, na esperança que jamais deixem de acreditar que todo e qualquer impossível, é possível. Depende apenas da natureza do sonho.

Beijos em todos! Amo vocês!

João Pessoa, 22/12/12 – a day after the end of the world!!

CD Ricardo Lombardi /versão Jack Sparrow

Meus heróis da Odonto-UFPB, 2012/2

Meus heróis da Odonto-UFPB, 2012/2

Com a minha colega e amiga, professora Karina Lima /é a Ortodontia em alta performance!

Com a minha colega e amiga, professora Karina Lima /é a Ortodontia em alta performance!

08
dez
12

Com Fafá, lembrando John e Tom

Com Fafá, lembrando John e Tom john e tom

 

Sou mais velho que Fafá. “Bem mais velho”, dirá ela quando tomar conhecimento desta minha contabilidade tendenciosa.

Sem problemas!

Para mim, não importa a margem de erro cronológico; mas sim o motivo que me fez lembrar desta ‘jovem e velha’ amiga: o dia de HOJE – 08 de dezembro! Ou, para ser mais preciso: John e Tom!

Sem mais divagar sobre diferenças de idades, o fato é que – não faz tanto tempo – nos conhecemos em uma época onde não existia: celular, internet, muito menos ‘redes sociais…virtuais’.

Como foi possível sobrevivermos sem isso?! Sei lá, ué! Apenas sei que sobrevivemos, e atualmente somos ‘facebookeiros / tuiteiros’ de primeira linha – agora sim, sem sabermos se este caminho permite volta.

E este é o ponto que me provoca a escrever o presente texto: a lembrança de como as notícias eram (e são) transmitidas nesses dois tempos; cuja distância não faz tanto tempo.

No passado, elas vinham pelo rádio! Quem primeiro ouvisse, tratava de ligar pelo telefone (aparelho fixo, acionado por discagem) aos amigos mais próximos para – lentamente – comunicar & comentar a novidade. Boa ou má, não importa!

Foi assim que, em dois oitos, de dezembros distintos, pelas ligações da Fafá, tomei conhecimento dos passamentos de John (1980), e Tom (1994).

Mesmo quando a notícia era triste, as ligações traziam certo alento. Havia uma cumplicidade entre emissor e receptor, no sentido de dividir o fardo.

“Como será que viveremos sem ele?!” – perguntava a minha amiga. As respostas eram buscadas a partir dali. Algumas, até hoje, nunca encontradas.

Acho que, de certa maneira, a universalidade dessa forma jurássica de ‘comunicar em rede (real)’ deve ter contribuído e despertado algumas das ideias (brilhantes e esfumaçadas) dos pré-adolescentes Gates e Jobs, visando a criação e materialização dos meios que hoje utilizamos.

É pena que, em detrimento do tempo real, da rapidez, e da capilaridade da notícia, perdemos o encanto de sua absorção. Refiro-me ao famigerado “curtir” (com o fatídico desenho do polegar pra cima), abundantemente acionado em redes sociais.

Hoje, acho que seria mais ou menos assim: por volta das 23 horas, o John Lennon levaria o tiro. Pow! Depois de cinco ou dez minutos, mais de 1.500.000 pessoas no mundo já teriam ‘curtido’ (?!!) o triste acontecimento. Vôte!! Curtir ‘o quê’, oh cara pálida?! A bala?! O sangue?! A queda?! Ou a ignorância daquele momento, tão igual a tantos outros agora presentes?!

Neste caso, a pressa parece não fazer jus aos sentimentos e votos universais de R.I.P. (Rest In Peace).

Sem curtição! Apenas com Imagine http://www.youtube.com/watch?v=yRhq-yO1KN8 e Passarim http://www.youtube.com/watch?v=P6BihqBdBAA

CD Ricardo Lombardi