Arquivo para novembro \20\America/Recife 2012

20
nov
12

a arte de viver dá pé

A ARTE DE VIVER DÁ PÉ

 

Hoje cedo, algo pareceu-me diferente ao iniciar os primeiros passos da rotineira caminhada no calçadão de Manaíra – Tambaú. Apesar da sonolência matinal, pude perceber que: céu, sol, e mar, estavam ali; fiéis aos seus horários e cores de primavera quase verão. Igualmente presentes, os insuportáveis vestígios de sujeira e lixo que, pela constância da permanência e/ou descaso na coleta, já fazem parte do cenário. Triste!

O ‘quê’, então, estava fora da ordem?! Qual o fator responsável por fazer com que as pessoas estivessem mais atenciosas umas com as outras?! Seria algum tipo de vírus os responsáveis pela cumplicidade dos olhares?! E também pelo vertiginoso aumento de cumprimentos, mesmo sem nenhum esboço de sorrisos?!

As respostas para essas perguntas vieram em alta velocidade, pela contra-mão, e com a sirene em cota máxima de decibéis. Foram trazidas por um carro de polícia que se dirigia ao prédio onde um moço acabara de cometer suicídio jogando-se do alto.

Claro que o trágico acontecimento chocou e comoveu a todos que, pelo local, paravam ou circulavam. Pelos comentários, parecia que o rapaz não era muito conhecido na área; muito menos os motivos que o teriam levado a cometer tamanha atrocidade contra a própria vida.

Estando (infelizmente) o fato consumado, caberia a polícia técnica encontrar as respostas. Quanto a nós, (sobre)viventes, caberia ficarmos com o desconforto de refletirmos sobre um episódio que coloca na balança: o valor da vida x a fragilidade humana.

Sei que não estou qualificado para fazer esse tipo de análise. Muito menos escrever sobre o tema. Se aqui o faço (ou tento), é apenas pelo impulso de haver presenciado um forte, isolado, e triste acontecimento que se contrapõe – pelo inusitado – a uma prática ‘coletiva e diária’ de louvar a VIDA, sob a forma de caminhar/correr em um cenário (ou será um templo?!) de nome ‘Praia de Manaíra – Tambaú’.

Que o bondoso Pai eterno acolha a alma deste moço e suavize as dores de seus familiares.

Quanto a nós, proponho que tiremos a ‘fragilidade humana’ de um dos pratos da balança e a coloquemos junto ao ‘valor da vida’. Dessa mistura, certamente chegaremos mais próximos de entender a FORÇA que nos faz seguir caminhando, inclusive conhecendo as pedras que, eventualmente, nos fazem tropeçar – sacudir a poeira – e prosseguir.

Sim, claro, e cultivando cada vez mais a troca de gentilezas e sorrisos entre os que acreditam que a ARTE DE VIVER DÁ PÉ.

CD Ricardo Lombardi