MOBILIDADE URBANA VIA EDUCAÇÃO
O taxi andava (?!) em um ritmo pouco mais célere que um cágado manco, e da terceira idade. Do lado de fora, um grupo de pessoas estava promovendo uma agitada panfletagem/adesivagem para algum(a) candidato(a) que certamente aparece no guia eleitoral, garantindo que tem a solução para resolver a MOBILIDADE URBANA. Uau!
O semáforo à nossa frente abriu-fechou duas vezes, e não saímos do canto. O jeito que encontrei para passar o tempo foi ficar observando o diálogo entre uma moça da ‘militância’ com o motorista do carro ao lado – igualmente estático.
–Licença, moço, eu poderia ‘adesivar’ o seu carro?!
-Não, minha jovem, ADESIVAR não é verbo. Muito menos existe como vocábulo!
-Desculpa, moço, isso aí que o senhor disse acho que tá em falta. Só tenho este modelo aqui: posso ou não posso ADESIVAR?!
-Minha jovem, se isto ao menos fosse um decalque, aí sim seria factível a sua pergunta: posso DECALCAR?! –pois estaríamos diante de um verbo transitivo direto.
-Vixe, moço, agora complicou de vez. Peraí que eu vou chamar TONHO, pra ver se ele resolve o SEU problema. TONHOOOOOOO!
Pena que o sinal abriu e conseguimos andar uns sete metros. Mesmo assim perdemos de vista o cágado que, pelo tempo, já deve ter chegado em sua casa.
Quanto a mim, segui o percurso não mais preocupado com a MOBILIDADE URBANA; mas sim em conhecer as propostas daquele(a) candidato(a) relativas à EDUCAÇÃO. Fui!
CD Ricardo Lombardi