Arquivo para setembro \18\America/Recife 2012

18
set
12

mobilidade urbana via educação

MOBILIDADE URBANA VIA EDUCAÇÃO

O taxi andava (?!) em um ritmo pouco mais célere que um cágado manco, e da terceira idade. Do lado de fora, um grupo de pessoas estava promovendo uma agitada panfletagem/adesivagem para algum(a) candidato(a) que certamente  aparece no guia eleitoral, garantindo que tem a solução para resolver a MOBILIDADE URBANA. Uau!

O semáforo à nossa frente abriu-fechou duas vezes, e não saímos do canto. O jeito que encontrei para passar o tempo foi ficar observando o diálogo entre uma moça da ‘militância’ com o motorista do carro ao lado – igualmente estático.

Licença, moço, eu poderia ‘adesivar’ o seu carro?!

-Não, minha jovem, ADESIVAR não é verbo. Muito menos existe como vocábulo!

-Desculpa, moço, isso aí que o senhor disse acho que tá em falta. Só tenho este modelo aqui: posso ou não posso ADESIVAR?!

-Minha jovem, se isto ao menos fosse um decalque, aí sim seria factível a sua pergunta: posso DECALCAR?! –pois estaríamos diante de um verbo transitivo direto.

-Vixe, moço, agora complicou de vez. Peraí que eu vou chamar TONHO, pra ver se ele resolve o SEU problema. TONHOOOOOOO! 

Pena que o sinal abriu e conseguimos andar uns sete metros. Mesmo assim perdemos de vista o cágado que, pelo tempo, já deve ter chegado em sua casa.

Quanto a mim, segui o percurso não mais preocupado com a MOBILIDADE URBANA; mas sim em conhecer as propostas daquele(a) candidato(a) relativas à EDUCAÇÃO. Fui!

CD Ricardo Lombardi

15
set
12

a vingança de um fogão

A VINGANÇA DE UM FOGÃO

Sou daqueles que facilmente preservo na memória alguns utensílios domésticos; principalmente se os mesmos fizeram parte da minha infância. Muitas vezes chego ao extremo de considera-los elementos integrantes da família, como se vida possuíssem. É meio coisa de louco, eu sei!

Acontece que, até hoje, lembro-me do primeiro choque elétrico recebido quando fui abrir a porta da ‘moderníssima’ geladeira Kelvinator. Passado o susto, assimilei o fato como se ela (sim, a geladeira) tivesse me ensinado: –‘menino, não me toque quando estiver molhado e com os pés descalços’. Lição aprendida para sempre – na pele e nos nervos, diga-se.

De todos os equipamentos, era o fogão, aquele que eu mais respeitava. Até porque, para que pudesse funcionar, tornava-se imprescindível a presença de alguma pessoa no comando – preferencialmente que soubesse ‘dialogar’ com as suas bocas.

Esta relação ‘pessoa/fogão’ era, para mim, prova maior de que os utensílios domésticos faziam parte da família. Quando os ‘pratos & sabores’ eram servidos e (bem melhor) aprovados – como aqueles feitos por tia Terezinha – eu sempre achava que um pouco do saboroso mérito, deveria ser atribuído /também/ ao fogão!

Uma prova desta verdade é trazida pelo oposto; isto é, quando algo ‘dá errado’ e atribui-se o infortúnio ao fogão – que não funcionou a contento, etc… Equivale ao famoso ‘tirar da seringa’ e deixar o facilmente esquentável culpado ainda mais esquentado.  Pura injustiça! Ou sacanagem gratinada, caso prefiram.

Recentemente, foi possível assimilar outra evidência de que alguns utensílios domésticos são mesmo dotados de ‘reações sobrenaturais’ – optei por este rótulo por julgá-lo pertinente a ‘paranormalidade’ do texto. Buuu!

O fato aconteceu com o amigo @PetronioSouto. Figura ímpar e querida, que fez opção de se isolar em uma das células do Marques de Almeida, cultivando em seu modus vivendi o sólido conceito de NÃO estabelecer nenhuma intimidade com… o fogão (!?).

Diferente do seu computador, o’quatro-bocas’ do nosso amigo é o utensílio mais apagado do planeta Terra. Nem água, o ermitão sabe esquentar. Fritar um ovo?! Só se for de algum anquilossauro que deixe as areias do Cabo Branco, e suba até a varanda do seu apê. Putz!

– “Rapaz, amanhã não poderei participar da nossa SWALK *, porque fui – apressadamente e sem óculos – à cozinha, e dei uma topada (!) com o meu terceiro pododáctilo do pé esquerdo, que fez o prédio balançar e eu quase morrer de dor!” (tradução: nosso herói quase arrancou um dedo do seu pé esquerdo, fruto de um tropeço doméstico em seu esquecido e desaquecido fogão).

Fui visita-lo! Encontrei a vítima (entenda-se: o pé esquerdo), dentro de um balde, submerso em água gelada e salgada, enquanto o seu proprietário continuava praticando o seu esporte preferido: consertar o Universo em apenas 140 caracteres, via Twitter!

Fui até o cenário da tragédia; a cozinha. Qual não foi a minha surpresa ao me deparar com um ‘velho e simpático fogão’, visivelmente fora do lugar e confidenciando para a sua colega geladeira: …pois é, querida, cansei de ser bobo, de não ser reconhecido. Meti-lhe a rasteira! Quero ver se agora ele não nota a minha presença!

Parece que surtiu efeito. Felizmente! Hoje, o @PetronioSouto participou da SWALK; calçando havaianas®, óbvio! Disse-me que está seguindo alguns sites de culinária, pegando dicas com @GERMANOROMERO, e que muito em breve irá convidar o nosso grupo para saborear um prato de sua autoria: canelone dopo il passo falso!

Deus é Pai. E capocuoco!

  • Nota final: É claro que a topada existiu. Mas o texto é fruto da imaginação trazida pelo prazer da amizade e convívio com este dileto amigo, Petronio Souto. Caminhar ao seu lado, junto com os demais parceiros, transforma os sábados em dias muito agradáveis. Andemos pois!

CD Ricardo Lombardi

  • SWALK significa ‘Saturday Walkaminhada’ – nome fantasia concebido por um grupo de amigos, adeptos de caminhadas sabáticas pela orla da praia do Cabo Branco, João Pessoa/PB.
  • Após o trajeto de 13 km/em média, é costume a reposição das energias em um café da manhã no Tambaú Flat.
  • Integrantes: Marcos Souto, Mucio Souto, Petrônio Souto (o acidentado), Petrônio Cavalcante, Carlos Batinga, Roberto Tannous, Lula Queiróz, Glauco Montenegro, Herbert ‘Betinho’, Julio Rafael (assiduidade zero), Rosemildo Jacinto, Rodolfo Athaide, Ricardo Lombardi, e quem mais vier…

Hoje, no café: o quórum foi pequeno por conta do aniversário, ontem, de Bob Zaccara. Placar final: Baco&Bob 60 x 2 SWALK. (VIVA COM ALEGRIA)

07
set
12

abóbora virtual

ABÓBORA VIRTUAL

Conversando com amig@s que nasceram na era anterior ao computador, sou levado a acreditar na existência de uma força-tarefa familiar, cujo objetivo é promover um descabido patrulhamento digital, todas as vezes em que pessoas que viram nascer o é proibido proibir’ do mano Caetano, são vistas à frente do teclado/monitor.

No meu caso (sim, também sou vítima), vez por outra escuto: “-Pai, você deve parar de ficar escrevendo essas suas ‘abobrinhas’ nas redes sociais. Quem lá tem interesse de saber o que você faz ou pensa!”. Dou risadas! Percebo que eles também(!?) – o que torna o fato merecedor de análise.

Vejo-me forçado a dar um tempo no cultivo da minha modestíssima lavoura de abóboras, e lanço o contra-argumento de que este ‘patrulhamento doméstico-digital’ é, além de inócuo, incompatível ao mundo moderno. Não apenas configura-se em um tipo de cerceamento da liberdade de ‘teclar-postar’; como também vai de encontro ao desejo de milhares de famílias que gostariam de ver seus pais (e avós) navegando com mais desenvoltura em mares ‘w.w.w. nunca d’antes navegados’. E navegar, sabemos, é sempre preciso!

Penso que a diferença esteja na forma de se ver (e utilizar) a embarcação. No dizer dos amigos argonautas @ToinhoMariz e @PetronioSouto: “-a nossa geração já viu e viveu de tudo!”. Concordo! Eu apenas acrescentaria ao final da frase “…tudo, com poesia!” – como termos ido em ’69 (com o violão) para a beira-mar, no dia em que o homem pisou na Lua. Diferente de hoje, onde pouco ligamos para um ‘carrinho’ que, de Marte (via @MarsCuriosity), manda fotos 3D para nossos iPhones, iPads – iJesus!!

Voltemos à Terra – e ao foco! Com relação às redes sociais, parece óbvio tratar-se da mais nova Torre de Babel. Cada um faz uso da maneira como acha que deve. Muitos se orgulham de ostentar uma grande e crescente quantidade de ‘amigos‘ e ‘seguidores‘. Bacana! Outros são tímidos, mandam um faker / Buuuu! Enfim… cabe todo mundo neste imenso divã. Inclusive eu!

Fico por aqui! Agora vou saborear um delicioso creme. De abóbora, claro! Servid@s?!

CD Ricardo Lombardi