Arquivo para 10 de março de 2012

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fazer política – arte ou desastre?!

FAZER POLÍTICA – arte ou desastre?!

Existe uma pergunta que está ficando cada vez mais difícil de ser respondida: ”-se o poder emana do povo, como é que não param de crescer os escândalos em organizações públicas voltadas para o aprimoramento cívico, ético, e moral, deste próprio povo?!”

Os mais apressados poderão responder que é por conta de não sabermos escolher os melhores nomes e/ou propostas. Já os mais ingênuos, continuarão acreditando que tudo será resolvido nas próximas eleições, com a escolha [desta vez] de pessoas certas, para os locais certos.

Certo? Não! As duas situações estão erradas.

A primeira nos remete a fazermos a opção ‘tecla verde/CONFIRMA’ em cima de rostos que sintetizam o rescaldo de longas e intensas negociações (ou seriam negociatas?!) voltadas para – prioridade máxima – garantirem a vitória nas urnas. A segunda, diz respeito ao grupo vencedor: trabalhar a distribuição de cargos e benesses entre correligionários e agregados de primeira e última hora.

A ideologia partidária virou artigo em extinção. O que importa agora é a famosa ‘GOVERNABILIDADE’. Somente ela é capaz de conceber argumentos do tipo: a) ‘aliança, se faz com os desiguais’;… b) ‘precisamos, desde já, formar uma sólida base de sustentação’;… c) ‘com maior número de partidos na coligação, teremos mais tempo de mídia’; etc…  

É lícito deduzir que essa nova ordenação de valores provoque, em muitos, a substituição do antigo e fidelíssimo amor partidário, pela fulminante paixão de ser abduzido a fazer parte da ‘base aliada’ – que incha (e muito) a cada nova eleição.

É a constatação deste crescente ‘inchaço da base’, que reduz a minha esperança na força do voto como instrumento transformador. Pelo grande número de discípulos, bem como pelo volume dos compromissos previamente assumidos; soa risível ouvirmos dos eleitos (agora, em tom maior) que somente a eles/elas caberá a tarefa de escolherem nomes para ocuparem importantes cargos. Pior ainda é o argumento de que será utilizado o critério único da ‘meritocracia’. Será mesmo?!

Infelizmente, sou levado a acreditar que a árdua tarefa de elaborar ações pró-governabilidade, irá matar a própria governabilidade. Igualmente creio que isto virá sob a forma de dois sentimentos, bíblicos e lindamente contemplados em obras da literatura universal: ciúme e traição!

Prova disso?! Já começamos a ver reuniões partidárias (de partidos ‘da base’, diga-se!) transformarem-se em verdadeiras contendas; não de ideias, mas de força física e corporal dignas de qualquer espetáculo UFC. Ou então, quando lemos que importantes personalidades (‘da base’, diga-se de novo!) assinaram manifestos de repúdio à indicação de ministro, à revelia de seus conhecimentos e aprovações prévias. De fato, o poder encanta e seduz!

É isto! Pelo andar da carruagem, imagino que irá aumentar consideravelmente a peregrinação de muitos fiéis a um certo endereço localizado em São Bernardo/SP. Ainda bem que o município tem nome de santo.

Oremos! Votemos!

CD Ricardo Lombardi