25
fev
12

o choro de uma barreira

O CHORO DE UMA BARREIRA

 

Já faz um bom tempo que adotei – junto com alguns e bons amigos – o saudável hábito de caminharmos pela calçada do Manaíra, logo após os primeiros raios de sol serem paridos pelas águas do Atlântico.

De segunda a sexta, distância e prazer ficam reduzidos em razão dos horários impostos pela labuta diária. Porém aos sábados, o grupo aumenta; assim como o circuito a ser cumprido fica mais comprido.

A este prazer sabático demos o nome de: Saturday Walkaminhadas – que termina no café da manhã no Tambaú Flat.

Uma forte característica do ‘SW Group’ é não ter pressa: relógios e cronômetros não se fazem necessários. A ordem é caminhar com prazer, e saborear o doce mel de Jampa ao som de: ♬…somos a porta do Sol/ deste país tropical…

Hoje (25/2/2012), a nossa SW estabeleceu como meta a ser executada, o circuito ‘do Busto ao Farol’. Acreditamos que o trecho (ida e volta) compreenda algo em torno de 12 km – o que está de muito bom tamanho, haja vista a faixa etária dos participantes.

Daquilo que vimos (e fotografamos) ficou claro que a Mãe Natureza continua generosa com a barreira do Cabo Branco. Não é de hoje que a mesma vem ‘avisando’ a todos nós – cidadãos e cidadãs – que está entrando em colapso. Ou fadiga, se preferirem.

Alguns leitores terão todo o direito de rotularem este simplório texto como: pessimista, fatalista, ou até mesmo apocalíptico. Não penso (nem sou) assim. E defendo-me pegando carona nas retóricas usadas, atual e rotineiramente, pelos próprios gestores e gestoras da coisa pública, incluindo também os candidatos/as às próximas eleições.

Começo pelo resgate das seguintes citações (apenas três):

  • “…vamos investir com prioridade em obras estruturantes” /Ótimo: entendo que a recuperação e preservação da barreira do CB esteja inserida nesse contexto. Melhor ainda se concebermos como demanda preventiva, antes que torne-se emergencial;
  • “…para cada criança nascida em João Pessoa, quatro novos automóveis são lançados nas ruas” /Perfeito: significa que para cada criança que pisar na barreira, dezesseis novos pneus (não estou computando ônibus, caminhões, nem motos) estarão trafegando nas artérias esclerosadas que margeiam um dos nossos mais buscados pontos turísticos;
  • “…não apenas aqui em João Pessoa acontecem intempéries climáticas. Em todo o mundo esses fenômenos são observados” /Excelente: existe clara percepção de que a natureza vem universalmente sinalizando estar cansada de receber tantas agressões e que, por enquanto e felizmente, está sendo muito bondosa com relação ao ‘extremo oriental das Américas’ (ainda é?!).

O aprendizado adquirido em nossa caminhada ecológica de hoje foi: 1/ diversos países no mundo venceram desafios e/ou catástrofes impostas pela natureza; 2/ fizeram isso não pelo interesse do voto, mas pelo nobre e ‘apartidário’ compromisso de promover um padrão de vida de ótima qualidade; 3/ somos privilegiados de vivermos em um dos locais mais aprazíveis do planeta; 4/ somos descuidados quanto a preservação desta dádiva; 5/ o tempo de erosão do solo é bem diferente do tempo de eleição.

/para o meu neto, Lucas/

CD Ricardo Lombardi

"Quem avisa, amiga é!" /foto tirada em 25/02/2012 às 07:21 hs

"Sim, nós temos vocação para o futuro. Basta apenas garantirmos o chão do presente"/Grupo 'Saturday Walkaminhada' de 25/02/2012


3 Respostas to “o choro de uma barreira”


  1. Avatar de Petrônio Souto 1 Petrônio Souto
    25/02/2012 às 18:47

    É o mar comendo na base e o vento comendo o resto, com seu trabalho facilitado pelo desmatamento. O peso dos veículos e o trânsito intenso, na parte superior, “esfarelam” a barreira, facilitando o trabalho do vento e do mar.

  2. Avatar de Petrônio Souto 2 Petrônio Souto
    25/02/2012 às 18:55

    O Cabo Branco está sendo destruído nos dois sentidos. No sentido Oceano-Continente e no sentido Continente-Oceano. No sentido Oceano-Continente, o Cabo Branco é agredido por agentes naturais. No sentido Continente-Oceano, pela ação do homem. Mas eu observo que o desgaste motivado pela ação da natureza é mais intenso.

  3. Avatar de Petrônio Souto 3 Petrônio Souto
    25/02/2012 às 19:09

    Que tal transformar em área de lazer o trecho que vai do girador do final da Av. Cabo Branco até o Farol e a Estação Ciência, passando obviamente pela Praça de Iemanjá e o Mirante? Sei que é mais um complicador para o trânsito de veículos, mas a área de lazer funcionaria como proteção para a falésia e lazer da população. Seria o Parque Cabo Branco. O trânsito intenso de veículos naquela área, inclusive de veículos pesados, tem aumentado o desgaste da barreira. Com a área de lazer, se intensificaria o trabalho de reflorestamento.


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