Arquivo para 30 de janeiro de 2012

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pé na estrada

PÉ NA ESTRADA

Aqui em João Pessoa, um dos pontos de encontro mais férteis em oportunizar a proximidade física com pessoas amigas é – sem nenhuma dúvida – o saguão da UNIMED, onde funciona o setor de ‘autorização de procedimentos médicos’. Principalmente para usuários que, igual a mim, encontram-se naquela faixa etária onde o prazo de validade já trabalha dentro do desvio padrão.

É pena que, nesses frequentes reencontros de velhas amizades, nem sempre o abraço forte seja permitido. Corre-se o risco de uma das partes estar acometida desde uma simples lombalgia; enquanto a outra, mumificada por uma forte cinta abdominal pós-cirúrgica.

Bem pior (até porque, muito mais frequente) é a ‘paquera’ – não necessariamente verificada entre gêneros opostos.  Refiro-me aos minutos passados na base do olho-no-olho, mas sem a mínima condição de iniciar o diálogo; quer por problemas de catarata, ou mesmo de memória.

Naquele ambiente, os problemas são múltiplos e variados. Não apenas em termos de complexidade, mas também e principalmente, na cota de esperança que cada um nutre (e trabalha) na busca da melhor resolutividade de suas dores ou queixas.

De igual, têm-se apenas o fato de que todos ali carregam nas mãos o famoso formulário verde, onde serão inseridas anotações técnicas que, convertidas em números e códigos, alimentarão as estatísticas sobre a saúde do povo brasileiro. Ou melhor, daquela fração mínima que goza – bem ou mal – dos benefícios de ‘planos privados de saúde’.

É muito interessante observarmos a maneira como essas anotações possibilitam aos seus usuários uma natural tendência a formarem subgrupos. De fato, é como se os ditos formulários representassem um tipo de cartão de embarque: uma vez decifrado o código CID, de maneira supernatural os ‘semelhantes’ se agrupam, e passam a utilizar uma nova dialética em suas comunicações.

É desta forma que me vejo inserido, desde novembro de 2009, no capítulo II, da CID-10 (capítulo que versa sobre os tipos de tumores cancerígenos, na 10ª versão do Código Internacional de Doenças). Eu, e uma imensa quantidade de amigos e amigas, nascidos na década de ’50, e felizes por termos tido uma adolescência sem o vírus do BBB, mas com: Beatles, Bossa-nova, e Buarque.

O simples fato de alguém amanhecer fazendo parte do ‘capítulo II’, por si só, não lhe permite entrar em desespero (jamais). Nem mesmo sair fazendo previsões sobre tratamento e prognóstico da doença. O câncer hoje é uma doença curável, a exemplo de muitas outras. Também letal, se comparada a tantas outras.

Além disso, temos a existência de múltiplos protocolos e etapas terapêuticas. Até mesmo a minha atual fase de tratamento (follow-up/acompanhamento), só me permite dizer: –‘atualmente, encontro-me SEM a doença’. O que é fantástico, acreditem!

Garanto que o meu subgrupo é porreta!

O pessoal é totalmente articulado em torno de palavras de ordem, do tipo: estadiamento, PET Scan, CEA, PSA, colonoscopia, mamografia, quimioterapia, radioterapia, metástase, tratamentos adjuvantes, linfonodos, K Ras, e outros que tais… (ufa!).

Tudo faz crer que a troca de informações e o ‘jogo aberto’ nas conversas, contribuem -e muito- para o êxito do tratamento. Foi graças a esta quebra de paradigma (ou mesmo preconceito) que HOJE, em qualquer local, o tema ‘câncer’ é abordado com absoluta naturalidade, sem nenhuma reserva. Ao contrário de tempos idos, onde se evitava até pronunciar a palavra (cê á): Credo!

Sabemos que o crescente número de pessoas diagnosticadas com as patologias listadas no capítulo II (CID-10), não representa, em princípio, um simples aumento da prevalência das doenças. Argumento bem mais convincente é que: HOJE os recursos de diagnóstico são infinitamente mais eficientes na detecção dos problemas. Ou seja: ontem, morríamos sem saber de quê. Hoje, vivemos sabendo contra quem lutamos. E temos tudo para sairmos vencedores!

Infelizmente, com todos esses recursos, muitas pessoas ainda teimam em viver acreditando ser bobagem se submeterem aos exames PREVENTIVOS PERIÓDICOS, na medida em que não percebem sintoma algum. De novo (e em letras maiúsculas): CREDO!

Por último: dedico o presente texto aos parceiros e parceiras inseridos (ou não inseridos) no capítulo II. Aos ‘inseridos’ quero dizer-lhes que não estou prescrevendo que a nossa estrada seja prazerosa. Ela é apenas ‘especial’. Uma vez nela, torna-se fundamental acionarmos os nossos dois ‘efes’: Fé e Força! Somente com eles, saberemos compreender a importância de cada um dos nossos passos, sem jamais perdermos a condição de contemplarmos as flores que brotam às margens do caminho. Elas foram ali colocadas por DEUS. Cabe a nós cultivá-las, em união com: familiares, amigos não inseridos, e nossos queridos profissionais da saúde; pessoas muito especiais*.

CD Ricardo Lombardi

Com o especial e inserido amigo ROBERTO TANOUSS. Quando ainda residente em Brasília, encerrávamos as longas conversas por telefone com a seguinte senha: "segura daí, que eu ataco daqui". Agora, morando em João Pessoa, o papo está em dia e continuamos segurando e atacando juntos! Em frente, parceiro!!

Com Dr. JOSÉ EYMARD /gastroenterologista

Com Dra. SALETE TRIGUEIRO /patologista

Com Dr. CÁSSIO VIRGÍLIO /cirurgião

Com Dra. DALVA ARNAUD /oncologista

Com Dr. DEMÓSTENES CUNHA LIMA /cardiologista

Com padre LUIZ ANTONIO /padre e conselheiro espiritual