Arquivo para outubro \15\America/Recife 2011

15
out
11

ensinando com prazer /2

  • Notas prévias 
  • 1/ fazendo registro ao Dia do Professor/2011, fiz pequenos ajustes ao texto Ensinando com Prazer (postado em maio/2010). Mantenho os dois, por acreditar que ambos conseguem transmitir a ideia que – felizmente – ainda me nutre enquanto professor e, ao mesmo tempo, aluno.
  • 2/ divido com os colegas docentes (de todos os níveis) possíveis méritos que o presente texto venha o obter. (RL)

 

ENSINANDO  COM  PRAZER /2

A função de docente em instituição federal de ensino superior (IFES) é vista por mim como uma espécie de sacerdócio. Claro que não estou considerando o salário, pois aí teríamos que acrescentar que o nobre ofício estaria vinculado à ordem franciscana; ou a qualquer outra que identifique que o ser, importa mais que o ter.

De fato, vivenciar a docência em sua total plenitude pede uma cota adicional de abnegação, haja vista que a matéria prima a ser trabalhada é o ser humano. Como educadores, cabe-nos contribuir para que o produto final apresente-se não apenas apto ao exercício da profissão escolhida; mas principalmente otimizado, enquanto cidadão ou cidadã.

Na área de Saúde esta premissa agrega um valor extra; que não apenas confirma sua veracidade, mas impõe que jamais abdiquemos de exercitá-la (e eternizá-la) na prática diária: humanização.

É bastante fácil de entender este diferencial: estamos formando seres humanos que trabalharão diretamente em (e com) seres humanos. Sendo assim, parece legítimo que durante o breve período de graduação, a relação professor/aluno já passe a funcionar como um laboratório de convivência, cujo único objetivo seja aproximar e transformar docentes e discentes, em humildes aprendizes de uma duradoura lição chamada VIDA.

À medida que o tempo passa, venho percebendo como isso é simples e fácil de ser obtido. Pena que não possua fórmula ou receita pronta; pois senão já teria sido publicada em algum periódico internacional qualis A.

Cabe aqui um direito a réplica: – se estamos analisando o relacionamento entre pessoas que circulam em um universo acadêmico, temos obrigação de contextualizar e divulgar a metodologia aplicada, e de como os possíveis benefícios encontrados alcançarão condições de reprodutibilidade e repetibilidade.

Concordo plenamente com esta inquietude científica. Acontece que, para buscarmos previsibilidade de resultados em questões ligadas ao sentimento e relacionamento humano, devemos primeiro consultar a literatura científica localizada dentro de nós mesmos.

Podemos iniciar este mergulho interior, indexando papers (validados cientificamente) que enalteçam a primazia do ouvir, sobre o falar; do presente, sobre o ausente; do chegar, sobre o partir; e do altruísmo, sobre o egoísmo. É um bom começo!

Nesta Revisão da Literatura, sejamos simples, objetivos, e sempre focados no propósito de ser feliz. Busquemos trabalhos que identifiquem no sorriso e no abraço, evidências naturais de que nenhum sacrifício acontece em vão. Em Proposições, destaquemos apenas uma: confirmar que o amor é o principal meio de atingir a felicidade. Já em Material e Métodos, devemos usar instrumentos e questionários simples e sensíveis na identificação da prevalência do bem sobre o mal. Chegando a Resultados, podemos vibrar com a constatação da saúde vencendo a doença.

O capítulo Discussão pode ser suprimido uma vez que não haverá discordância frente à utilização do carinho, como antivírus do ódio; e da verdade como antídoto da mentira. Por fim, Conclusão confirma a nossa vocação para a felicidade, desde que sigamos amando ao próximo como a nós mesmos.

Finalizando, devo confessar haver escrito esse texto inspirado no convívio com meus alunos do curso de Odontologia da UFPB. Com eles, tenho aprendido que posso também incorporar o meu alter-ego ‘tio Lombardinho’. Em dupla [professor e tio] fica bem mais fácil absorver as manifestações de amor, carinho, respeito e confiança sempre recebidas.

Também com eles voltei a respirar Fernando Pessoa quando profetizou: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

Amo vocês! Sigamos aprendendo…

CD Ricardo Lombardi de Fariastio Lombardinho