Tem uma pergunta que, vira e mexe, sempre volta a exigir de minha ‘nada meteorológica’ pessoa, uma tentativa de resposta: – De que maneira as quatro estações do ano influenciam a nossa vida?!
Certamente pela proximidade com a linha do equador, o fato é que na minha bela e amada João Pessoa [07° 05′ 00″ S 34° 50′ 00″ O], as estações do ano sempre foram recebidas mais por uma determinação do calendário gregoriano, do que pelas suas evidências climáticas.
Por aqui, e não é de hoje, inverno pode dar praia; assim como o guarda-chuva pode ser acessório de verão. Cada novo dia surge com identidade própria, meio que descompromissado com os parâmetros da estação na qual está inserido. Tudo normal, claro! Afinal, estamos habitando a zona ‘intertropical’.
Até o majestoso espetáculo da floração dos ipês amarelos na Lagoa, com início previsto para fins de agosto, tolera variações em função de fenômenos climatológicos – cada vez menos compreendidos.
Talvez por conta de particularidades intrínsecas a cada região, fique mais fácil entendermos porque a China adota cinco estações/ano; a Índia, somente três; ou, ainda mais econômica, a Angola, que convive com apenas duas. Faz sentido, sim!
Nossa maior identificação é com o verão: sol exuberante, mar azul, e calor tropical. Fora isso, as outras três estações parecem compactuar para a oferta ‘em conjunto’ de: ventos fortes, chuvas intermitentes, e mar amarronzado. Frio intenso e neve, nem pensar! Pelo menos enquanto a entropia do Universo assim permitir.
Tem outra coisa que há anos me intriga, e somente mutila minha frágil capacidade de compreender as estações. É o fato de estarmos povoando o hemisfério sul e, em pleno dezembro [transpire-se, verão], vermos em toda esquina um velhinho obeso (origem emocional?!); friorento (hipotireoidismo?!), pois está sempre vestido com uma abafadíssima e pesada roupa de lã vermelha; com um cajado na mão (artrite reumatoide?!), e gritando de aflição (não confundam com risos de satisfação): houw, houw, houw! É demais!!
Nossas ‘previsões do tempo’ são feitas no paralelo. De maneira empírica, porém infalível! Quando dona Inês (moradora do 102) sente um calor abafado, é batata: vai chover! Quando o joanete do seu Oscar (do 301) começa a latejar, não dá outra: o calor vai ser intenso! E, quando o Zé Pescador diz que o mar está endrupiado e indo pra esquerda, é porque não vai ter peixe! Ponto. (Esclarecimento: nem o mestre Aurélio sabe o que é ‘endrupiado’. Mas, se for no mar, e para a esquerda, acreditem: não tem peixe, MESMO!)
- Nota final: fiquei tocado por este assunto, por ocasião de recente caminhada matinal na praia – com chuva forte, e vento intenso. Sim, eu ia sem lenço, nem documento. Percebi a importância das estações, pois algo me dizia que esta PRIMAVERA que bate à porta, não será igual às outras tantas já vividas. Ela trará o LUCAS, meu primeiro neto. Por isso continuo caminhando, sorrindo, sem me preocupar se o mundo vai (outra vez) se acabar em 2012!
CD Ricardo Lombardi
- Bônus 1: Vivaldi/ Spring – http://bit.ly/bAJYmb
- Bônus 2: George Winston/ Spring Creek/ album: summer – http://bit.ly/tLm0T

