Penso que a imensa maioria de brasileiros vem sofrendo de uma APATIA CÍVICA derivada de um bombardeio diário de ‘MÁS NOTÍCIAS’, que são veiculadas de forma crescente e ininterrupta, em todos os meios de comunicação.
A impressão é de que a frenética recorrência de tristes acontecimentos não mexe mais com o nosso emocional, pois já virou rotina. Antropologicamente faz sentido! Equivaleria a dizer: ‘o meio faz o homem’.
Pena que, ao admitirmos o estado atual de barbárie como meio, a conclusão óbvia é que estamos (faz tempo) na contramão da sonhada evolução da espécie.
– Onde foi que erramos?!
É essa a pergunta que incomoda. Até porque ela traz em sua estruturação a inequívoca premissa de que, ao proferi-la, assumimos cumplicidade no erro. E isso dói!
– Como que eu posso ter errado?!
Sempre ensinei aos meus filhos a lição que melhor aprendi: ‘o meu direito termina, onde começa o do outro’. Em outros momentos fui até mais ousado, acreditando que: ’há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura’.
Tudo errado, cara pálida! Em se tratando do tema violência, melhor assumirmos que amolecemos e perdemos a noção de ternura. Ou então nos vestirmos de um moderno Diógenes; acendermos uma lanterna, e sairmos perguntando: –‘alguém sabe onde posso encontrar os meus direitos?!’
Não fiquem imaginando que eu esteja me reportando apenas às manifestações de violência, do tipo: estupros, assaltos, assassinatos, sequestros, balas perdidas, drogas, pedofilias, acidentes de trânsito por embriaguez, explosões de caixas-eletrônicos, e outros… Sim, elas são danosas. E muito! Suas vítimas são escolhidas ao acaso, meio que no estilo ‘roleta-russa’. Pouw!!
O modelo de violência que mais me preocupa atualmente, fonte inspiradora do presente texto, é o que emana dos nossos poderes públicos; daqueles constituídos exatamente para dar bons exemplos e elevar as nossas autoestimas.
Entretanto, quando abandonam os seus atributos constitucionais, fato que acontece com a mesma assiduidade dos estupros, aí então… o dragão da maldade avança sobre o santo guerreiro.
Nesta vertente, os malefícios logo acontecem; e não surgem ao acaso. Eles são pensados, analisados, articulados, votados, e implantados. Atingem a todos; ou melhor, quase todos. Conheçamos alguns deles; pelo menos os mais recentes:
- Parlamentares definem e aprovam aumento de seus próprios salários (61,83%);
- Com os salários devidamente em dia, movem-se em dezenas de plenárias que se destinam (algumas delas) a explicar aos contribuintes – fonte pagadora – acidentes de percurso conhecidos como: mensalões, cuecões, valeriodutos, operação Satiagraha, etc…
- Câmara Federal, no mais alto espírito corporativista, absolve (em votação secreta) sua colega Jaqueline Roriz, aquela que foi flagrada… bem, vocês sabem como…
- STF solicita uma releitura no orçamento/2012 da União. Houve esquecimento de um aporte financeiro destinado a atender o pleito de aumento salarial na ordem de 56% para os servidores daquele colegiado. O Supremo calcula que o impacto do aumento dos servidores nas contas públicas seja de R$ 6,36 bilhões;
- Vem aí a CPMF/2011 para atender ‘exclusivamente a Saúde’. Parece que não entrou ainda porque existe uma cláusula que determina ‘voto aberto’ – procedimento difícil de ser aplicado em vésperas de ano eleitoral, etc e tal…
- Obras ‘estruturantes’ para a Copa do Mundo ocupam topo de prioridades, mas encontram-se atrasadas, e superfaturadas /parece que vamos ter a ‘farra da jabulani’;
- Posterga-se a definição de políticas voltadas para a taxação de impostos das grandes fortunas;
- Reforma política e eleitoral no Brasil vem sendo conduzida no casco de um cágado idoso;
- A sonhada ‘faxina política’ foi estancada em nome da governabilidade;
- Chega! (mas, se vocês quiserem, podem enviar mais exemplos. Devo ter esquecido de alguns!)
Uma última pergunta: “É impressão minha, ou somos mesmo co-responsáveis por esse tipo de violência?!”
Peço desculpas a alguns amigos, articulistas políticos, pelo atrevimento no presente ensaio. Nesta ‘praia’ sei pouco nadar, e sempre fico no raso. Admiro o trabalho de vocês, e gosto muito quando os percebo mergulhados em águas profundas e, ao emergirem, nos trazerem – com absoluta autonomia de fôlego – pérolas preciosas.
Eu, aprendiz, agradeço! Até porque fico menos apático!
Tchibum…
CD Ricardo Lombardi
- Bônus: QUE PAÍS É ESSE?! Renato Russo & Legião/ http://bit.ly/nFPPP0

Bom dia e bom feriado , sempre professor ….tenho lido e me preocupado sempre com este tema abordado….estamos juntos nesta reflexão e nesta luta.Quanto ao nosso mapa gostei do desepenho , pois precisamos de mais seriedade …..na verdade estamos vivenciando muitas palhaçadas por este Brasil a fora.Abraços sua ex aluna walkiria .
Oi, WAKIRIA: novamente feliz em receber sua visita e comentário, obrigado! Continuemos atentos e participando do resgate da Ética e da Paz! Bj, RL
Caro Ricardo. Sem dúvida, você foi direto ao ponto nodal da questão. Há muito tempo, esse nosso Brasil com cara de palhaço e nariz de palhaço vem sendo saqueado, vilipendiado e desmoralizado pela classe política que o dirige. Também entendo que a matriz de todas as formas de violência que assola nosso país está na delinquência dos políticos. Eles têm mostrado para a população que o crime compensa. Pouquíssimos são punidos e ninguém devolve o dinheiro saqueado dos cofres públicos. E qual o resultado? Simples. Se os que estão no topo da pirâmide podem roubar, por que os que se situam na base não podem fazer o mesmo? Erramos? Isoladamente, não, na medida em que não compactuamos com tais ações. Entretanto, coletivamente, temos boa parcela de culpa por esse estado de coisas. É que nos omitimos e, com isso, alimentamos esse câncer que atinge o tecido social do nosso país. Mas ainda é tempo para reagirmos e, pelo menos, demonstrarmos nossa indignação. Parabéns pelo texto. Abraços. Felix.
Estimado professor FELIX: os maus exemplos serão sempre danosos, principalmente quando vindos de pessoas situadas no topo da pirâmide, e que têm a impunidade como aliada. É pena! Ou não estamos sabendo escolher os nossos representantes; ou os mesmos, enquanto ávidos pelos nossos votos, possuem o dom de nos enganar. Pelo visto, sempre! De fato, qualquer pretensa alteração deste deplorável quadro de SEM-VERGONHICE institucionalizada, passa pela nossa capacidade de trabalharmos o coletivo. Juntemos forças! Abs, RL
Em minha opinião a pergunta não seria “Aonde foi que erramos?”, mas Onde estamos errando?
O erro está na educação; Na sua falta. Não apenas no sentido de saber ler/escrever, mas , principalmente em relação ao ensino do respeito às pessoas, à vida, ao próximo.
O que percebemos é que, atualmente, não há educação proporcionada em casa, por parte das famílias, nem muito menos na sociedade de modo geral por parte dos políticos.
Olá, [sumido] BETINHO: agradeço-lhe pelo comentário, assim como pela oportunidade de reverter o uso indevido do AONDE, no lugar de ONDE (já corrigido). Mesmo que a sua intenção não tenha sido esta; fique tranquilo, pois é sincero o meu agradecimento. Sabemos que um texto é semelhante a uma fotografia. Muitas vezes temos que refazê-lo em busca do melhor ‘foco ou efeito’. E por falar na arte que você é mestre, acabei de (re)visitar o – http://hadbetinho.blogspot.com/ – que está cada vez mais sensacional. Lá, senti-me agraciado com a sua generosidade de recomendar o ‘nosso’ Coisasdolombardi aos visitantes. Valeu! Sigamos… buscando sempre o melhor enquadramento/kkk. Abraço, RL