Prometi a mim mesmo não mais consentir que o ‘intransitável trânsito’ de João Pessoa (quem diria, hein?!), abalasse a minha pretensão de sempre manter a cota de estresse em nível zero.
Percebi essa necessidade, engarrafado; claro! E pela enésima vez!
A imobilização coletiva virou rotina. Para mim, e para centenas de usuários que, diariamente, tentam conduzir seus veículos pelos principais corredores viários desta bela cidade.
Recuso-me a aceitar que ‘trânsito engarrafado’ seja sinal de progresso. Continuo achando que é; isto sim, uma prova incontestável da insensatez humana.
Outra prova disso?! De que nos adianta conduzirmos equipamentos com mais de uma centena de cavalos de força, quando, nos momentos em que mais necessitamos, nossa locomoção não passa de dois ou três quilômetros por hora?! É velocidade inferior à de uma biga romana, puxada apenas por dois animais.
Ou até mesmo à de uma bicicleta! Pode até ser igual à do seu Menelau: modelo antigo; com pneus grossos e quase murchos; corrente frouxa; guidom assimétrico; pedalada no aclive; em direção contrária ao vento, e ainda carregando (no bagageiro) dona Helena, sua amada e obesa esposa. Ufa!!
Outra perda de tempo é tentar atribuir culpa ao passado, alegando a falta de visão de gestores públicos que, quando do planejamento da cidade, mantiveram-se reticentes ou subestimaram o seu potencial de crescimento.
Calma aí, pessoal! O assunto é muito mais fordiano, do que freudiano.
Bem mais prático é entendermos que o tema envolve uma simples e cristalina leitura matemática; sendo, portanto e em tese, de resultado lógico e previsível: ‘o número de veículos cresce muito mais do que o número de acessos aos locais pretendidos como destino’.
O que fazer?! Também não sei! Mas, fico preocupado quando tomo conhecimento de que:
1- Apenas 20% dos habitantes de João Pessoa, possuem automóvel;
2- Dedica-se mais atenção à abertura de novas vias de acesso (ou expansão das antigas e saturadas), do que na conquista de novos modelos de transportes urbanos;
3- A automação de equipamentos reguladores (semáforos) que, em detrimento de seres humanos (fiscais de trânsito), simplesmente não possuem capacidade de considerar, em momentos de pico, o sentido de maior fluxo;
4- A criação de ‘rótulas / giradores / rotatórias’ de diâmetro incompatível para a demanda de veículos;
5- A falta de bom-senso e educação de um grande número de motoristas;
6- A descabida aversão cultural de nossa população frente a qualquer proposta de mudança de paradigma;
7- Outros…
Particularmente, devo confessar que o ítem 6 (acima) possui, nas entrelinhas, algo que incomoda a todos nós. Em princípio, qualquer mudança de comportamento mexe sempre em ‘áreas de conforto’. Vejamos se não:
a) É comum, entre nós, percorremos distâncias – a pé – de quinhentos metros deixando o carro no estacionamento?!; b) Aceitamos estacionar a menos de quatrocentos metros do local intencionado como destino?!; c) É conveniente para nós, alterarmos nossos horários, de saída ou de chegada, para não enfrentarmos maiores congestionamentos?!; d) É frequente, mesmo em dias de folga e sem a rigidez de horários, optarmos pela utilização de um ônibus, sabendo inclusive que ele nos deixará à porta do destino pretendido?!; e) Sabemos ao menos quanto custa uma passagem de ônibus?!; f) Temos investido na ideia da ‘carona amiga’, conhecendo pessoas que moram próximas de nós e frequentam o mesmo ambiente de trabalho, em horários semelhantes?!
Sei que o assunto é extremamente complexo. Igualmente, tenho consciência de estar com esse ‘texto conta-gotas’, apenas soltando um pingo no oceano.
Não obstante, também acho que não devemos ficar passivos, esperando nos convertermos em uma São Paulo para, somente então, corrermos atrás do prejuízo. Ou melhor, permanecermos PARADOS!
CD Ricardo Lombardi
- Bônus: SINAL FECHADO / condutor: Paulinho da Viola – http://bit.ly/d06y2b
