22
jan
11

para uma abelha-rainha (ode a Bethânia)

ohh abelha rainha / faz de mim…

Um dos belos caprichos da natureza é quando, mesmo com o passar dos anos, ela preserva (e até aprimora) alguns dotes humanos que ela mesma, enquanto mãe, generosamente despejou sobre alguns escolhidos.

São poucos os integrantes deste seleto universo de ‘contemplados’. Ainda menor, é o número dos que sabem cultivar – com serenidade e sem afetações – a graça recebida. Isso sem falar que alguns, nem mesmo percebem-se possuidores de uma dádiva. Faltam-lhes: nobreza e atitudes.

Sobra em Bethânia!

Sua origem é meio complicada: filha de dona Canô, e também de Iansã (em comum acordo com a mãe menininha do Gantois). De quebra, é ainda irmã do divino/maravilhoso mano Caetano. Ou seja, é superavitária tanto em termos cromossômicos, quanto em proteções espirituais.

Diz a lenda, que subiu no palco de forma tímida; compatível ao seu biotipo franzino, bem característico de uma retirante-chegante, capaz mesmo de influenciar um Candido Portinari.

Acontece que, no meio de muitos iguais, bastou abrir suas enormes asas e soltar seu forte e inconfundível grunhido, que ‘os burrego’ logo viram que tinha acabado de chegar um grande carcará. Do bem e para o bem, claro! ‘OPINIÃO’ geral!

Acho que foi em 1970 que a vi pela primeira vez. A lembrança do fato me fez editar no Twitter quatro mensagens que reproduzo [copiei-colei] na ordem inversa, e lógica:

– 1ª Bethania a gente nunca esquece. A minha (faz baita tempo/época de cursinho) foi no majestoso teatro Sta.Izabel. Ficamos em um camarote…

– …central, um poleiro bem no alto. O bom é que era vizinho ao cara da iluminação. Em um momento ele me pediu pra segurar o canhão/luz…

– …em cima dela/Bethania, enquanto ajeitava algo (tecnologia da época era mais comunitária:-)) – Claro que, muito emocionado, atendi o pedido…

– …posso dizer então que, por 32seg, iluminei a irmã do Caetano! É verdade, acreditem! Sábado, no Busto, essa lembrança vai dar trabalho! #nahboa

Hoje, claro que ‘o cara da iluminação’ não estará presente. E nem preciso mais dele! Meus olhos, mesmo umedecidos e cansados, conseguirão focar a luz dessa estrela maior. Tenho certeza que até a Lua (re)surgirá.

Salve, rainha! És muito bem-vinda nas águas deste teu Tambaú.

CD Ricardo Lombardi


2 Respostas to “para uma abelha-rainha (ode a Bethânia)”


  1. Avatar de Felix de Carvalho 1 Felix de Carvalho
    22/01/2011 às 21:35

    Na consagrada obra “Arquipélago Gulag” do não menos consagrado Alexandre Soljenitsin,consta uma frase mais ou menos com esta redação: Quem olha para o passado corre o risco de perder um olho, mas quem esquece o passado certamente perderá os dois. Portanto, sabendo que seus olhos ficarão sempre abertos, só me resta cumprimentá-lo pela oportuna recordação. Cordiais saudações.

  2. 26/02/2011 às 15:55

    Caro professor FELIX: pois é, meu amigo! Me assusta a ideia de querer enxergar o futuro sem o colírio do passado. É o ‘ontem’ que permitiu estarmos no amanhã do HOJE. Abs, RL


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