Arquivo para dezembro \21\America/Recife 2010

21
dez
10

dois ‘magos’ na saúde/Pb

DOIS “MAGOS” NA SAÚDE-PB

Nos últimos dias, tem sido grande o frisson dos meios de comunicação da Paraíba, em torno de noticiar, preferencialmente em primeira mão, os novos indicados para comporem o governo Ricardo Coutinho.

Merece destaque a forma escolhida pelo futuro governador para anunciar os nomes dos eleitos: mídia eletrônica – rede social – twitter. A trilha já demonstra que RC é adepto [e usuário] dos novos meios de comunicação. Bom sinal!

Fiquei feliz ao tomar conhecimentos dos nomes de MÁRIO TOSCANO e WALDSON SOUZA à frente da importante pasta da Saúde do nosso estado. De pronto, e por conhecê-los pessoalmente, liguei para ambos desejando-lhes boa sorte e manifestando minha satisfação pelos critérios adotados na escolha: capacidade e mérito!

Achei elegante e legítima as inúmeras manifestações da classe médica, ao competente cardiologista Mário Toscano. A sua trajetória e militância nas políticas públicas de Saúde, asseguram que o setor estará em boas mãos – garante os seus pares!

Como odontólogo, além de professor universitário, confesso ter vibrado com a escolha do jovem colega Waldson Souza, para dividir funções com o Dr. Mário.

O Waldson não foi meu aluno, pois, à época, encontrava-me licenciado, cursando doutorado.  A satisfação de conhecê-lo aconteceu depois; ao encontrá-lo, juntamente com outros bravos guerreiros, na implantação do “movimento Acorda Odonto” – cuja primeira investida foi disputar a eleição do CRO-PB, onde fomos “orgulhosamente” derrotados.

Foi neste cenário que pude testemunhar a inteligência e competência do jovem dentista. Pude conhecer [e aplaudir] a sua grande capacidade de escutar, anotar, analisar e somente depois, tomar decisões – invariavelmente acertadas! Sua fala: mansa e suave. Própria de quem sabe respeitar o próximo, condição fundamental para quem trabalha na Saúde.

Pois bem! Sinto falta [até o presente momento, 21/12/2010] de manifestações advindas de organismos representativos da Odontologia paraibana, saudando o “soldado parceiro Waldson” pelo importante cargo a que foi convocado. É para preencher esta lacuna, colega, que eu me apresento /em nome da classe/ com este humilde texto, para parabenizá-lo e desejar-lhe sucesso nesta nova missão. Você é motivo de orgulho para a Odonto/PB!

Nosso futuro governador vem se confirmando – dentro e fora do estado – como uma grande e jovem liderança política. A constatação encontra reforço na medida em que a figura do mago vai sendo naturalmente associada à de um gestor público identificado com práticas democráticas; e detentor de sólida coerência administrativa e elevado senso de responsabilidade com a coisa pública.

É grande a torcida para que este perfil não se altere ao longo da caminhada. A escolha de MÁRIO TOSCANO e WALDSON SOUZA, serve de incremento para que esta premissa mantenha-se verdadeira.

Palavras de Ricardo e Ricardo!

CD Ricardo Lombardi

 

CD Waldson Souza - Secretário Executivo da Saúde do Estado da Paraíba!

18
dez
10

alô Dj: aumenta o som, meu velho!

Alô DJ: aumenta o som, meu velho!

Na década de ’70, ingressar em um curso superior em universidade pública brasileira era um  ideal difícil de ser alcançado.

Não apenas pela rudeza do vestibular, mas também [e principalmente] pela seletividade social que permitia ‘aos poucos eleitos’, serem subsidiados economicamente pelos familiares que, de maneira altruísta, abraçavam o desafio.

Entendo que esta feliz condição pode ser interpretada como uma benção. A primeira.

A segunda é podermos estar comemorando hoje, juntos com familiares [alguns ascendentes e muitos descendentes] 35 anos de formados em Odontologia pela UFPB.

Buscando compreender melhor essa ‘dádiva’ que atende pelo nome de ‘confraternização anual’ sou levado – por mente e coração – a embarcar em uma nave atemporal que; partindo das Trincheiras e sem destino pré-estabelecido, hoje se encontra estacionada aqui, no restaurante Tia Nila.

O que mais impressiona é que nossa embarcação encontra-se nova! [elegantemente, prefiro não mencionar que… ‘ao contrário de nós’]. Também pudera, o seu combustível é composto basicamente por dois dos mais nobres elementos da natureza: Amor e Amizade!

Pouco importa o trajeto, ou destino final da empreitada. Como bons argonautas, sabemos que “viajar é preciso – viver não é preciso”. É isso que vale! O prazer da viagem é estarmos juntos, dividindo lágrimas, sorrisos e sentimentos. É a terceira [e maior] benção!

Ah, sim! E falando cada vez MAIS ALTO, porque o déficit auditivo [hein?! o quê?!] já está presente na maioria. Ainda mais hoje à noite, onde vamos explorar que o nosso DJ toque ‘bem alto’ o velho Raul Seixas, e muitos outros monstros sagrados desse paraíso chamado VIDA! eu nasci/ há dez mil anos atrás/ e não tem nada nesse mundo/ que eu não saiba demais

Beijos e abraços,

CD Ricardo Lombardi

A união dessa tropa é calcada no AMOR e AMIZADE. A forma como esses elementos são usados pelo grupo, já fizeram da turma "modelo de referência". (foto: ANNY FERREIRA RAMALHO)



14
dez
10

comunicar é o que importa

comunicar é o que importa

 

PARTE I: Gosto muito do eclético Nelsinho Mota. Compositor,escritor, crítico musical,   agitador cultural, descobridor de talentos, são algumas de suas atividades comprovadamente   exitosas. Exatamente por considerá-lo acima da média, fiquei surpreso quando, em uma entrevista, ele disse que rock’n’roll era coisa pra juventude. Só não manifestei minha discórdia por entender que a reportagem foi gravada ao vivo, em pleno epicentro do Rock in Rio. Entendi também que ele estava considerando apenas o quesito “evolução e alegoria”, ou seja, a performance sobre o palco. Ainda bem que Mick Jagger, Keith Richards e outras longevas exceções não lhe deram atenção.

Tratando-se de música como arte, não se pode associar o estilo da obra com a idade cronológica das pessoas. Já com relação à coreografia cênica, de fato, olhos e neurônios pedem mais brandura. Já imaginaram alguém, com mais de 35 anos (estou concedendo um ótimo desvio padrão), dançando ao som de peças musicais, tais como boquinha da garrafa? Tô fora! Não se trata de preconceitos, mas sim de proteção e seletividade à estética visual.

Conviver com a juventude é um privilégio que desejo eternizar. Seguramente, faço essa declaração no gozo pleno de minhas faculdades mentais e sem estar acometido da síndrome de Peter Pan ou mal semelhante. Sendo professor universitário, entendo que, para a boa e salutar execução do meu ofício, torna-se fundamental “aprender” com os alunos. Fácil! Basta ouvi-los e observá-los melhor, dentro ou fora das salas de aula.

A comunicação oral usualmente praticada entre os jovens faz parte desse aprendizado. Admito que sinto grande prazer com as oportunidades de presenciar e tentar, dentro do possível, incorporar seu estilo. Para mim, isso é uma forma de manter-me “comunicativamente apto”. Primeira lição é constatar a fundamental existência daquilo a que denomino de “duplo G”: gíria e gestos.

A gíria já pode ser considerada patrimônio cultural universal. Aceitá-la ou não, é outra questão. Acrescida de uma expressão gestual, o ato comunicador adquire, além de nova dimensão, uma velocidade astronômica. Pode, inclusive, configurar uma atitude “ecologicamente correta”, haja vista a redução de gás carbônico expelido, fruto da economia na emissão de fonemas. O planeta agradece!

Confesso ser difícil escrever sobre esta temática. É grande o desafio de encontrar, na forma escrita, mecanismos que substituam aqueles recursos facilmente (e até exclusivamente) identificados, apenas, quando se faz presente o “duplo G”. Mesmo assim, vou tentar. Antes, porém, peço licença para utilizar uma forma atípica de escrever. O intuito é melhor traduzir a entonação e o ritmo de um fictício diálogo, já prevendo que o resultado, certamente, deixará o meu guru gramatical, professor Felix, de cabelos em pé.

Imaginemos que o encontro tenha acontecido na manhã de uma segunda-feira qualquer, em nossa querida Faculdade de Odontologia:

– E aííííí? Como é que foi a balada? (O mesmo que dizer: olá, como foi a festa?). Coreografia 1: executada simultaneamente pelos dois interlocutores envolvidos, com visibilidade plena (mão direita com o polegar e dedo mínimo levantados e os demais retraídos, oscilação rápida na altura do pulso, em movimentos curtos, giratórios e horizontais – gesto conhecido universalmente como hang loose).

– Manêra! Por que tunumfoi? (O mesmo que dizer: ótima! Por que você não compareceu?).

– Fiquei em casa, terminando o TCC. Coreografia 2: dedos da mão esquerda fechados, sem muita pressão, permitindo uma certa abertura, voltada para cima, entre o polegar, o indicador e o médio. Mão direita espalmada indo de encontro à esquerda, que também migra contra a direita, gerando um som tipo: top-top!

– Encontrei a Bel, disse que te acha mó demais! (O mesmo que  dizer: te acha muito legal).

– Eu também sôafim dela, táligada? (O mesmo que dizer: eu também gosto dela, compreende?).

– Demorô… (O mesmo que dizer: então, ótimo!).

– Sábado fiz 10, e tu? (O mesmo que dizer: sábado corri 10 quilômetros).

– Num deu, fiquei baixando música na net (O mesmo que dizer: não foi possível. Estive ocupada obtendo músicas pela internet).

– Qualé agora? (O mesmo que dizer: você vai ter aula agora de quê?).

– Clinf, e tu? (O mesmo que dizer: clínica integrada infantil, e você?).

– Lab total! (O mesmo que dizer: laboratório de prótese total).

– Inté! Gensivê! (O mesmo que dizer: até logo, depois a gente se encontra). Coreografia 3: mão direita fechada em posição de esmurrar, batendo uma só vez (suave e rapidamente) contra a mão da outra pessoa que se posiciona da mesma forma. Em seguida, cada um abre a palma de sua mão e, numa mesma escala rítmica, voltam a se tocar (de raspão) uma única vez e suavemente.

– Fallouw! (O mesmo que dizer: certamente que sim!).

Fico extasiado ao perceber como, utilizando-se de tão poucas palavras, a comunicação é feita e assimilada mutuamente. Seria falso de minha parte dizer que não aprecio, com algumas ressalvas, essa tendência universal. Graças ao “duplo G”, o diálogo entre os dois jovens não levou mais do que cinquenta segundos para ser desenvolvido. Entretanto, a tentativa  de traduzi-lo na forma escrita me consumiu algo em torno de meia hora diante do teclado. Apesar desse esforço, restou a frustrante sensação de não haver logrado êxito na fidelidade da transcrição.

PARTE II: Mesmo convicto de que cada geração possui sua forma de expressão, fico apreensivo com a possibilidade de uma visita-surpresa de algum ser de outro planeta, minúsculo ou invisível. Ainda mais se ela acontecer no início de determinados “eventos culturais”. Dependendo do show, nosso simpático ETzinho não vai entender absolutamente nada, ao ouvir, vindo do palco esfumaçado, o famoso grito de guerra:

– UHHHHUUUUUUU!!! E aííí galéééééééra?? Vamutirá o pé du chããããoooo! Incrível como todos atendem. Menos eu, que tenho um problema na rótula direita, o saci-pererê e o nosso extraterreste, que vai se mandar – para nunca mais voltar! Por favor, não ria! A coisa é séria! Poderia ter havido uma guerra interplanetária!

Cada “tribo” possui seu próprio linguajar, o qual é plenamente identificado entre seus membros. Porém, quando a interlocução acontece entre diferentes grupos, o risco de não haver entendimento é imenso. Nos dois sentidos, convém destacar. A situação se agrava ainda mais se essas tribos permitirem, erroneamente, a existência de uma abissal distância entre elas. Fazendo-se uma analogia com o texto  bíblico, parece herança da torre de Babel. Querem uma prova?

Certo dia, chego em casa e encontro, o querido Jonga, meu sobrinho, baiano, 20 anos, surfista, que viera passar férias conosco.  Ele estava assistindo, na TV Justiça (?!!), à transmissão ao vivo de uma sessão plenária da corte suprema do país. Após nos cumprimentarmos – de forma visual direta, usando apenas um dos G’s (gestos) – fui me trocar e, na volta, sentei ao seu lado. (Em tempo: havendo dificuldade na compreensão de alguns termos, não entre em pânico! Um glossário encontra-se disponibilizado ao final do texto ©).

– Aloha, meu truta! Qué qui tá rolando? (percebam que eu, naturalmente, procuro seguir o dialeto próprio do grupo a que meu sobrinho pertence).

– Mó kaô, tio! Ó paí ó! (apontando com o pé para a TV). Tô aqui já faz uma chuva… muito cabuloso. Os cara tão só no lero: Vossa excelência prá cá… vossa excelência prá lá. De vez em quando falam uns treco tipo: data venia, exordial, aditamento (incrível! ele pronunciou corretamente!). Até parece qui os cara são mano… qui nada! Daqui a pouco, o cacete vai rolar. Tá vendo aquele ali de óculos e capa preta? Quase mandou aquele outro pra*ਆ#Å! E ainda dizem que meus mano é que não tem a manha da conversa!!

Fiquei surpreso com tamanha riqueza de síntese e, numa manobra equivalente a um 360, emendei: – Vamos pro rango, brô! É mais negócio que ficarmos vendo isso.

Conviver em sociedade exige absorver regras e critérios que permitem o bom e fraterno relacionamento entre as pessoas. A comunicação oral é o canal mais simples, prático e direto para o entendimento. Ela é rápida e efêmera. A forma escrita, não! É eterna, como nossa mãe. Somente ela permite que um filho se atreva a brincar de escrever – como estou fazendo agora.

Beijos no coração, e Boas Festas para todos.

CD Ricardo Lombardi

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©

-Aloha – Bem-vindo, traduzido de dialeto havaiano; saudação positiva.

-Brother (Brô) – Maneira como um surfista chama outro, amigavelmente.

-Cabuloso – Estranho, esquisito.

-Kaô – Papo furado.

-Lero – Conversa mole.

-Mano – Irmão.

-Rango – Comida.

-Truta – Amigo, camarada, brother.

-360 – Manobra dificílima em que o surfista executa, com a prancha, uma volta completa em torno de si mesmo (3600) e continua surfando na mesma direção.

-*ਆ#Å – Isso mesmo que você pensou!

FONTES: http://www.tanaonda.com/colunas.php?id_coluna=2908

http://360graus.terra.com.br/surf/default.asp?did=382&action=reportagem

http://www.reidacocadapreta.com.br/2008/05/03/dicionarioegiriasdesurfistasdeaaz/