Arquivo para outubro \10\America/Recife 2010

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ensaio sobre fotografia

ENSAIO SOBRE FOTOGRAFIA

De todas as manifestações da arte humana, a FOTOGRAFIA é sem dúvida uma das mais difundidas e consumidas nos quatro cantos do mundo, e até mesmo fora dele. Se vivos fossem; Daguerre, Niépce, e vários outros, ficariam estupefatos ao constatarem que as suas invencionices com vapores de iodo foram cair no agrado de uma imensa legião de seguidores.

Somente uma visita a um bom acervo fotográfico (recomendo o MIS /Museu da Imagem e do Som/ em São Paulo), é capaz de traduzir a fundamental importância da ciência e da tecnologia na evolução que possibilitou: sairmos da alquimia dos daguerreótipos; passarmos pela escuridão dos lambe-lambes; e chegarmos (por enquanto) ao confortável e colorido mundo dos pixels.

Junto a este admirável crescimento, tornou-se inevitável a disseminação e [pena!] banalização do prazer de fotografar. Lamentavelmente, esta última condição faz perder, em muitos, o foco e a luminosidade do tema.

Acredita-se que os responsáveis diretos por esta generalizada “queimada de filme”, sejam: o barateamento do custo operacional; o facilitado [e prazeroso] acesso aos infinitos recursos digitais encontrados nas super câmeras; e a impressionante velocidade de postar imagens na web.

A interpretação não apenas possui coerência, como também é “homo-sapiens complacente”. Ela nos envaidece pela constatação da supremacia da inteligência humana na conquista (e domínio?!) dos seus inventos tecnológicos.

Pena que, com relação à captação de imagens, estejamos deixando de lado uma seqüência básica para obtenção de uma boa foto: ver; sentir; e clicar. O simples gesto digital não tem apenas o dom de registrar e perpetuar o momento, mas também de traduzir a emoção do mesmo. É quando se transforma em ARTE; mesmo que seja para denunciar.

Talvez um pouco de SEBASTIÃO SALGADOhttp://bit.ly/cSvjmy – faça-nos bem. Ele é, na fotografia, o equivalente ao maestro TOM JOBIM; na música. Ambos apaixonaram-se pela riqueza do B&W (preto e branco). O primeiro, nas belas fotos impressas em papel; enquanto que o segundo, em partituras e nas teclas de um piano – http://bit.ly/MrWEL

CD Ricardo Lombardi de Farias

  

 

02
out
10

trânsito como agente da paz

 

Trânsito como agente da paz

Faltando apenas algumas poucas horas para que a Paraíba conheça os seus eleitos estaduais, observo certa desmotivação em eleitores que, como eu, não se deixaram seduzir pelos encantos dos astros e estrelas que desfilaram nos guias eleitorais e congêneres. Confesso que não foi por falta de opções; mas talvez pelo excesso das mesmas, e principalmente pela pluralidade de estilos.

Angustiado com a minha letárgica capacidade de opção/voto, tornei-me assíduo consumidor de várias modalidades de noticiários políticos. Felizmente, logo percebi – pela abundância de ofertas – que isso poderia ser letal. Já pensou: – ”morreu de quê?!Sei não! Parece que consumiu uma overdose de guia eleitoral”. Lascou-se!

Um fato que contribuiu para fechar o diagnóstico desta minha inércia cívico-eleitoral, por incrível que pareça, aconteceu, dias atrás, em pleno engarrafamento de trânsito em uma das principais avenidas da cidade. O motivo foi uma discreta colisão – dianteira de um, na traseira do outro – de dois carros; particulares e bem vistosos.

Foi exatamente esse último detalhe que me encheu de curiosidade para aproximar-me do acidente, enquanto anônimo e solidário transeunte: o carro da frente estava totalmente preenchido com adesivos de candidatos pertencentes à falange VERMELHA; enquanto o de trás, igualmente camuflado com peças publicitárias de tons LARANJA!

Ambos os veículos eram dirigidos por duas jovens senhoras que, pelo vocabulário e altura dos decibéis usados em seus iPhones, deviam ser parentes de candidatos ou, no mínimo, pessoas fortemente ligadas à coligação (!?).

Pois, é! A idiota da frente parou de repente! Depois não aceita quando dizemos que vivem parados no tempo e olhando pelo retrovisor! – Logo percebi que o diálogo, rico em metáforas, poderia ser promissor para definição do meu voto! Ledo engano…

Idiota, uma porra! Vocês é que vivem falando em saltar pra frente, desconhecendo a importância do freio! O sinal estava deixando de ser verde!

Calma aí! Eu sou testemunha e pertenço ao partido VERDE. Melhor a senhora dizer em seu depoimento que o sinal estava deixando de estar aberto, para não parecer uma forma de retaliação partidária – comentou um rapaz de barba e bolsa (ambos longos), vestido com uma camiseta estampada com um imenso 43/Marina.

Não tem nenhum problema, ô do’alface! Essa moça aqui está desde o início, ela viu tudo, e com certeza pode ser minha testemunha.

Ver, eu vi! Mas não quero nem posso ser testemunha para não quebrar meus princípios e disciplinamentos partidários. Pertenço ao PCO e, para nós, trabalhador não protege burguês! Eita, doeu!

E tem mais, madames! Não dou nenhuma colaboração a presente pauta de discussão, até porque ambos os veículos usam combustível não renovável, além de estarem causando o maior desastre ecológico já visto nesta cidade desde o protocolo de Kyoto! – ponderou (claro) o representante da camada de ozônio.

Deu pra sentir que aquele cruzamento havia se transformado em uma magnífica versão contemporânea da torre de Babel. A cada minuto que passava mais eu adquiria consciência da proximidade do Apocalipse. Sigamos…

Alguém já ligou para o STTrans?! – indagou um jovem da janela do ônibus parado.

Epa! Vamos com calma! O STTrans é municipal. Com certeza vai proteger a patota da cor LARANJA – retrucou a representante da facção ENCARNADA.

Calma pessoal! Devemos acreditar na imparcialidade dos órgãos públicos!  – disse uma garotinha de óculos, com a sabedoria (e inocência) dos seus doze aninhos.

Olha mamãe! No carro da frente o candidato é amigo do Lula e da Dilma! – exclamou ainda a garotinha repleta de ignorante inocência.

Ôxen, minha filha! Nós também somos! Apenas não colocamos o adesivo grande com a foto deles, por conta das coligações partidárias – respondeu a motorista rica em vitamina C.

Mas, por que então a senhora não botou a foto do Zé Serra?! – perguntou a menina pentelha, já recebendo um beliscão da sua genitora.

Minha senhora, dê mais educação a sua filhota. Cada pergunta…!?!

De minha filha, eu sei cuidar! Ela fica questionando assim, porque no colégio ela vive explicando porque eu e meu marido votamos em Eymael!

EM QUEMMMMMM?! – todos gritaram em uníssono.

Infelizmente, não pude mais permanecer no local. Após uma hora e meia, o mesmo havia se transformado em “praça de panfletagem” com a recém chegada militância do PSTU, PSOL, PCdoB, e até de adeptos do yôga, divulgando uma nova academia que seria inaugurada logo mais. Onde ela fica?! Fácil, é vizinha aquela igreja igualmente inaugurada semana passada.

Outro fato que me motivou à retirada, foi que as duas motoristas descobriram possuir um parentesco em comum, e já estavam amigavelmente trocando informações sobre quem melhor estava fazendo tingimento de cabelos na cidade:

– Olha amor! Mas você garante que ele não deixa muito vermelho?!

– Que nada! É só você pedir pra ficar alaranjado como o meu!

Ganhou a liberdade democrática! Agora o risco é por conta da estética capilar!

  • Em tempo: claro que todo o texto é fruto da imaginação. Ou não! /kkk

 CD Ricardo Lombardi de Farias