VOTO DIFÍCIL
Das duas, uma: ou é mesmo difícil votar na Paraíba, ou eu sou um eleitor atípico aos padrões ora vigentes. Nesta linha de raciocínio, antecipo que não me considero alienado; jamais anulei (nem anularei) um voto e, como cidadão, sempre me empenhei, quando consultado, em escolher o melhor para o meu prédio, minha rua, meu bairro, minha cidade, meu estado, e meu país.
Talvez o fator responsável por este martírio seja o critério seletivo adotado. Continuo garimpando à procura de representantes (não importa o gênero ou o desvio padrão de sua opção sexual) que possam corresponder à confiança traduzida pelo voto.
Percebo que este é um ponto difícil, pois as pessoas foram abduzidas pelos partidos políticos de suas conveniências ou, melhor dizendo, de suas convicções ideológicas. Claro que a conseqüência deste processo de fagocitose é que a criatura humana (candidato ou candidata) renuncia à sua individualidade em detrimento do seu compromisso com a corporação escolhida.
Como se não bastasse, os partidos também abdicam de suas já fragilizadas “convicções doutrinárias” em troca das chamadas coligações/alianças que lhes assegurem mais tempo de mídia e maior redução na possibilidade de destacar valores individuais que não sejam de interesse do grupo; agora inchado.
Percebi o tamanho da encrenca quando solicitei a um amigo candidato que me enviasse algum material de campanha para que eu, modestamente, pudesse divulgar o seu nome entre pessoas do meu relacionamento. Fiquei surpreso quando recebi um farto e ostentoso material. Pena que em nenhuma das peças publicitárias aparecia (como eu esperava) a foto do meu amigo/candidato sozinho; mas sempre acompanhado de outras ilustres personalidades do seu partido.
Mesmo compreendendo a logística de campanha partidária, senti-me frustrado nesta minha primeira experiência como cabo eleitoral. Enquanto imaginava que iria receber alguns santinhos (é o novo!) do meu amigo/candidato, recebi mesmo foi uma amostra fotoshopeada de representantes tanto do céu, quanto do inferno; segundo as minhas convicções eleitorais – cada vez mais tênues.
Agradeci ao amigo/candidato pelo envio do vistoso material panfletário. Disse-lhe que ficaria com algumas poucas unidades de um único modelo (o mais simples) que fazia menção à sua pessoa e às suas idéias de forma individualizada; mas não com os demais, elaborados de maneira coletivizada.
Assegurei-lhe a fidelidade do meu humilde e criterioso voto. Mesmo sabendo que, se eleito, será difícil vê-lo atuar durante os quatro anos de mandato, com a mesma liberdade que tive – em trinta segundos – de manifestar o meu “obrigatório” direito de escolha.
Por enquanto é isso! Depois voltaremos ao tema “voto pensado é voto desprezado”.
CD Ricardo Lombardi de Farias
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Bônus: http://www.youtube.com/watch?v=IH3CD2lEUcI Valeu, mestre Cazuza!
